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domingo, 26 de fevereiro de 2012

NEO LIBERALISMO: AS ORIGENS DA CRISE DO EURO. PRIMEIRA PARTE.

ESTA CRISE VEM DE LONGE. E É FABRICADA!

As origens da crise do Euro

Parte 1

Por Peter Schwarz
25 de fevereiro de 2012
NO SOCIALISMO EUROPEU

O artigo que segue baseia-se em um relato feito por Peter Schwarz, membro da comissão editorial do Site Socialista de Interligação Mundial e secretário do Comitê Internacional da Quarta Internacional, em um encontro do Partido da Igualdade Socialista (PSG) ocorrido em Berlim em 7 de janeiro de 2012.


Nos últimos três anos a economia mundial passou por sua pior crise desde os anos 1930. Particularmente a Europa tem sido atingida a ponto de a sobrevivência do Euro e da União Europeia estarem agora em xeque.

Para se entender o significado e as consequências desta crise, não basta estudar suas manifestações econômicas imediatas. Faz-se necessário estudar as relações sociais que estão por trás dessas manifestações.


No geral, a crise é apresentada como resultado do superendividamento de alguns países da União Europeia. Afirma-se que suas dívidas chegaram a um nível em que não podem mais ser pagas ou refinanciadas.


 Essa afirmação, no entanto, não se sustenta se olharmos mais de perto. Assim, o endividamento total da União Europeia (cerca de 80% do PIB) está consideravelmente abaixo daquele dos EUA (100%), ou do Japão (220%). A dívida norte-americana aumentou seriamente durante os últimos cinco anos, de menos que 60% para mais que 100%. Porém, os EUA ainda são capazes de financiar sua dívida sem grandes problemas.


Excetuando-se a Grécia (158%), mesmo os países da EU mais afetados pela crise não estão endividados a tal ponto: na Espanha, o nível da dívida nacional é 68%; em Portugal, 102%; na Irlanda, 112%; e na Itália, 120%, aproximadamente o mesmo nível de quando se associou à zona do Euro. As dívidas governamentais alemã (82%), francesa (85%) e britânica (80%) estão no mesmo nível dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômicos (OCDE).


Deve haver outras causas para explicar o fato de a Europa ter se tornado o alvo dos mercados financeiros mundiais. Para examinar mais a fundo, é necessário levar em consideração as mudanças sociais que ocorreram nas últimas três décadas.


Polarização social.


Após a Segunda Guerra Mundial, as classes dominantes na Europa occidental foram forçadas a fazer concessões sociais para preservar o sistema capitalista. A responsabilidade do capitalismo em relação ao fascismo e à guerra ainda estava fresca na memória da população e era amplo o apoio ao socialismo.

Mesmo no início dos anos 1970, quando um movimento internacional grevista se desenvolveu no impulso do movimento de direitos civis nos EUA, das revoltas estudantis internacionais e do movimento contra a Guerra do Vietnã, a classe trabalhadora conquistou aumentos salariais e outros direitos consideráveis.


Em 1980, no entanto, a burguesia entrou em uma contraofensiva que continua até os dias de hoje. Esta contraofensiva era fortemente ligada às figuras de Ronald Reagan e Margaret Thatcher, mas não era confinada aos EUA e Grã-Bretanha.

O presidente americano Ronald Reagan quebrou o sindicato de controladores aéreos (PATCO) na época, enquanto a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher?direcionou seus ataques sobre os mineiros britânicos.

Ambos combinaram seus ataques à classe trabalhadora com uma desregulação dos mercados financeiros e um fortalecimento dos elementos mais parasitários do capital financeiro, à custa da base industrial de seus países.


O resultado foi um aumento da desigualdade social, que havia diminuído consideravelmente no período do pós-guerra. Este desenvolvimento se confirma por inúmeros estudos estatísticos. De 1910 a 1970, a parcela da renda nacional que pertencia aos super-ricos decresceu progressivamente por todo o mundo.

 Essa tendência foi revertida dos anos 1970 em diante, sendo particularmente visível nos EUA e Grã-Bretanha, onde a proporção da renda total em mãos do 1% mais rico caiu de 20% em 1910 para 10% em 1950.

 Hoje a parcela possuída pelos super-ricos voltou ao nível de 1910.


Durante os últimos 30 anos, a renda dos 20% mais pobres nos EUA caiu 4%, enquanto a renda do 1% mais rico subiu 270%. Durante o mesmo período, a parcela do setor financeiro nos lucros de todo o setor corporativo subiu de 10% para 40%.

 Isso demonstra que o aumento na desigualdade social estava intimamente ligado com o aumento do setor financeiro.


Os números acima referem-se a renda. Em termos de riqueza, a polarização social é ainda mais gritante. Hoje 40% dos títulos globais estão nas mão do 1% mais rico da população mundial, 51% com os 2% mais ricos e 85% com os 10% mais ricos. Por sua vez, os 50% mais pobres da população mundial possuem menos de 1% da riqueza mundial.


O mesmo processo de polarização social ocorreu no continente europeu, mas com um certo atraso. Este atraso se expressa na proporção de gasto público do PIB, que chega a cerca de 46% na zona do Euro, bem acima da média de 41% da OCDE.

 Isso é motivo por que a Europa, não bastando os cortes salariais e de direitos perpetrados nas décadas recentes, ainda é vista como um paraíso do Estado de bem-estar social pela aristocracia financeira internacional.


A liderança europeia nesse quesito é a França, com uma parcela de 53% do PIB gasta pelo governo. Nos EUA, o número correspondente é de apenas 39%, e no paraíso bancário da Suíça, 33%. A proporção na Alemanha é 43%, pouco acima da média da OCDE.

Devido ao programa Agenda 2010 introduzido pelo governo de Gerard Schröder, essa porcentagem caiu 5% nos últimos dez anos.


Esses números mostram como a Europa está no meio do fogo cruzado dos mercados financeiros internacionais. Para os representantes do capital financeiro, as quantias gastas pelos Estados europeus em pensões, educação, saúde e outros serviços e estruturas públicos são muito altos.

Eles estão determinados a usar a crise para reverter todas as conquistas sociais e direitos democráticos obtidos pelo movimento dos trabalhadores ao longo de seis décadas.


A Grécia serve como campo de teste. Os representantes das altas finanças estão ameaçando o país de falência e impondo um pacote de austeridade após o outro. Salários estão sendo cortados, serviços públicos e direitos sociais estão sendo desmantelados.

Calcula-se que o padrão de vida de um cidadão grego vai diminuir dentro de poucos anos 30%, 40% ou até mesmo 50%. Fora de um período de guerra, isso representa uma queda sem precedentes.


Esta contrarrevolução social não pode ser realizada por meios democráticos. A troika composta pela União Europeia, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu assumiu o controle do orçamento grego e repôs o governo democraticamente eleito com um governo ilegítimo de tecnocratas.

A fim de intimidar a classe trabalhadora, o partido fascista LAOS foi incluído neste governo.


Os líderes europeus decidiram transformer a Europa inteira em uma zona de austeridade na linha do modelo da Grécia. Este é o significado da decisão do reunião de cúpula da EU de 8/9 de dezembro de 2011: implementar um freio de dívida nas constituições de todos os Estados-membros.

 Critérios de legalidade estão sendo introduzidos para forçar governos europeus a implementar políticas rígidas de economia, apesar de toda a oposição popular.


Essa abordagem é herança da desastrosa política implementada pelo governo Brüning na fase final da República de Weimar.

O político do partido de direita Zentrum, Heinrich Brüning, assumiu o posto de chanceler alemão em 1930 em meio a uma crise econômica mundial e descarregou o peso da crise sobre a classe trabalhadora. Ele baseou seu governo sobre a autoridade do presidente, por um lado, e no apoio que recebeu dos Social-Democratas (PSD), do outro.

Brüning governou por meio de decretos emergenciais e contava com o PSD para dar cobertura a ele no Parlamento - como fazem os governos tecnocratas hoje na Grécia e Itália.


O governo Brüning era extremamente instável e durou apenas dois anos. Seu ímpeto por austeridade arruinou a Alemanha economicamente e provocou uma séria luta entre as classes.

Devido à falência política do Partido Comunista, os nacional-socialistas saíram como os vitoriosos dessas lutas. Em 1932, Brüning foi sucedido pelas ditaduras de curta vida dos generais Franz von Papen e Kurt von Schleicher, antes de Adolf Hitler assumir o poder em 1933.


Hoje não são insuficientes os apelos à elite dominante para retomar a consciência e desistir de sua política devastadora de austeridade na linha de Brüning.

 Toda a política do Partido de Esquerda Alemão toma essa forma. O partido reivindica uma “economia social de mercado” do período pós-guerra e proclama como modelo de conduta Ludwig Erhard, o ministro da Economia do chanceler conservador Konrad Adenauer.


Um retorno, porém, às políticas econômicas do período pós-guerra é simplesmente tão irreal quanto transformar uma pessoa de 80 anos em uma de 20 anos, uma vez que isso é impossibilitado pelas mudanças descritas acima.

 A elite financeira, que emergiu desta redistribuição de renda e riqueza, domina todas as esferas da vida social e econômica e está disposta a defender seus privilégios a qualquer custo.

sábado, 24 de dezembro de 2011

A EUROPA NEOLIBERAL CONHECERÁ O PREDADOR FMI.

FONTE: JOÃO SICSU CARTAMAIOR

O FMI chegou a Europa

A fórmula que o FMI propõe, hoje, aos europeus - de austeridade fiscal e privatizações - já foi adotada em diversos países da América Latina nos anos 1990. Os países europeus que vão se curvar ao FMI e que desejam conhecer o seu futuro não precisam de “bola de cristal”; basta conhecer a história econômica desastrosa da América Latina dos anos 1990.

Em 2011, a crise explodiu na Europa. A dívida dos países europeus já havia aumentado em 2009 porque o setor público teve que “estatizar” a dívida privada do seu sistema financeiro: bancos europeus emprestaram aos bancos americanos e não viram o seu dinheiro de volta. Ao mesmo tempo, na Europa, famílias vinham se endividando para alcançar um modelo de consumo assemelhado ao “American way of life”(o modo de vida americano pré-crise, onde felicidade era sinônimo de consumo de bens de última geração).

Então, os bancos europeus passaram a financiar casas de luxo e automóveis de tecnologia sofisticada. A Europa se transformou em Eurolândia, onde “comprar e ter” passaram a ser mais importantes do que “viver e não ter vergonha de ser feliz”. Portugueses pobres e negros passaram a valorizar e a usar Nike. Carros Porsche, Audi, Mercedes, BMW e Volvo de alto luxo se tornaram comuns nas ruas da Europa. Ademais, governos da periferia européia importaram produtos bélicos sofisticados.

Para financiar o gasto da periferia, bancos se endividavam junto a outros bancos. E muitos governos europeus fizeram dívidas dentro da própria Europa para tentar pagar suas contas comerciais com o exterior, devido à elevada importação que suas economias faziam. A Alemanha incentivou esse processo onde bancos assumiam uma postura arriscada e pessoas e governos se endividavam. Lógico: 2/3 das suas exportações vão para a região da União Européia.

Logo que a União Européia deu seus primeiros passos, a Alemanha iniciou a implementação de uma estratégia econômica de dominação da Europa. A Alemanha fez um pacto interno, de cunho político e econômico, entre o governo, banqueiros, trabalhadores e empresários. Ofereceram aos trabalhadores estabilidade no emprego em troca de arrocho salarial. Com custos menores, devido aos salários comprimidos, os produtos alemães passaram a penetrar com facilidade nos mercados de toda a Europa.

Para complementar a estratégia, a Alemanha passou a emprestar dinheiro aos países que comprassem os seus produtos. Assim, euros, na forma de lucro e juros, eram transferidos da periferia para o centro da Europa. O enfraquecimento econômico da periferia representou também o seu enfraquecimento político: foi aberto o caminho para a substituição de governantes e para a rejeição de consultas populares.

As dívidas dos governos europeus da periferia explodiram. Afinal, tiveram que socorrer bancos e tomar emprestado euros para garantir o equilíbrio das suas contas externas. Enquanto a Alemanha exportava e fazia superávit comercial; outros importavam e tomavam empréstimos, a Grécia, por exemplo. A Grécia está gravemente endividada.

Tudo começou na periferia; mas, hoje, o mundo já reconhece que a contaminação é geral: Irlanda, Portugal, Espanha, Itália, França... De julho de 2008 a dezembro de 2009, a relação dívida/PIB da zona do euro saltou de 70 para 80%. Este foi um período de recessão na Europa e de queda na receita pública. Em 2010, a razão dívida/PIB alcançou 85%.

A situação de países como a Grécia é conhecida na história econômica mundial: um país com elevada dívida pública e déficit comercial com o exterior. Para esses casos, o FMI - desde o início das suas atividades, já com postura conservadora – impunha uma fórmula bastante peculiar. Um país deficitário na sua balança comercial e endividado, para receber os empréstimos de socorro do Fundo deveria cortar gastos públicos de forma drástica, o que resolveria os dois problemas econômicos.

O corte de gastos reduziria os déficits das contas do governo e, em consequencia, contribuiria para a estabilização da dívida pública. Além disso, o corte de gastos públicos reduziria a capacidade de compra da população e, portanto, reduziria também a demanda por produtos importados contribuindo para o equilíbrio comercial com o exterior.

Durante décadas, o FMI somente impôs políticas econômicas; basicamente, obrigava países em dificuldade a cortar gastos governamentais e a conter o crédito para o consumo. A partir dos anos 1990, o FMI passou a propagandear e impor reformas estruturais. Para o FMI, o receituário de políticas econômicas não era suficiente.

O FMI foi a principal organização de defesa e implementação das reformas estruturais propostas pelo Consenso de Washington (de 1989). A fórmula que o FMI propõe, hoje, aos países europeus - de austeridade fiscal e privatizações - já foi adotada em diversos países da América Latina nos anos 1990, por exemplo, Equador, México, Argentina e, parcialmente, no Brasil.

Os países europeus que vão se curvar ao FMI e que desejam conhecer o seu futuro não precisam de “bola de cristal”; basta conhecer a história econômica desastrosa da América Latina dos anos 1990.


(*) Professor-Doutor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro

domingo, 4 de dezembro de 2011

SALÁRIOS NO BRASIL SUPERAM O DE PAÍSES RICOS. QUE HORROR DONA MIRIAM, VAI PARA O A, E, I, O, U, DE NOVO?

A MIRIAM PIG QUANDO FOR DAR ESTA NOTÍCIA NO MAL DIA BRASIL, VAI COMEÇAR COM AQUELA VELHA GAGUEJAÇÃO QUANDO TEM QUE DAR UMA NOTÍCIA BOA: A, E,  I, O, U...

DO

CHUPINHADO DO: ESQUERDONEWS

Força da economia nacional e crise no primeiro mundo fazem acontecer o impensável

RIO – A força da economia brasileira e a crise que vem abatendo os países ricos está fazendo acontecer o que há alguns anos era inimaginável no páis: os salários de trabalhadores em várias carreiras – de executivos e gerentes a engenheiros, consultores jurídicos e profissionais da tecnologia da informação — estão mais altos do que em nações da Europa e nos Estados Unidos.
 O rendimento mensal chega a ser 85% maior, mesmo convertendo esses valores para reais, considerando a cotação de euro, dólar e libra esterlina. Um engenheiro elétrico sênior, por exemplo, que ganha no mínimo R$ 14.900 no Brasil em grandes empresas, recebe R$ 8.037 na Espanha, uma diferença de 85,4%, aponta pesquisa feita pela consultoria Michael Page, a pedido do GLOBO.

O levantamento — que levou em conta profissionais seniores, grandes empresas e somente o salário fixo, sem bônus ou participação nos resultados — mostrou também que um gerente comercial no Brasil chega a ganhar 79,1% a mais que nos Estados Unidos (R$ 18 mil de salário mínimo no Brasil contra R$ 10.048 nos EUA).
Um consultor jurídico no Brasil ganha 24,4% a mais que na Itália (salário máximo de R$ 15 mil no Brasil contra R$ 12.055) e, um diretor comercial no Brasil ganha no mínimo R$ 28.000, 13,4% a mais que o mínimo encontrado no Reino Unido (R$ 24.674). Para Ricardo Guedes, da Michael Page, além de economia brasileira aquecida e desenvolvidos em crise, real forte e mão de obra em falta no Brasil ajudam.

— E esse fenômeno tende a continuar e talvez alcançar cada vez mais profissões. A falta de mão de obra é muito grande e, em diversos casos, é impossível encontrar um estrangeiro para o lugar, não apenas por causa da legislação restritiva do Brasil, mas porque algumas destas profissões exigem um alto domínio do português e da cultura nacional, como diretor comercial e consultor jurídico — afirma.

Fenômeno chega a cargos técnicos

A própria Michael Page — uma das maiores em recrutamento no mundo — vive um caso assim. João Nunes, português de 30 anos, está no Brasil há três meses. Aqui ganha até 30% mais que na Europa, sem contar o que pode receber a mais de renda variável, dependendo dos lucros da operação — bem mais favoráveis que no velho continente. Mesmo assim, ele lembra que nem tudo são flores:

— Realmente o salário é maior, pode chegar a uma diferença de 50% em alguns casos, mas o custo de vida aqui é muito mais alto. Moro em São Paulo, onde os aluguéis são o dobro do registrado em Portugal. Alimentação, tudo é mais caro. Então nossa capacidade de poupança é menor.

Nelson Prochet, diretor de recursos humanos da francesa Technip, conta que esse fenômeno está se generalizando, extrapolando os cargos de chefia e chegando a profissões técnicas e administrativas.

É um fenômeno brasileiro. Em outros países em desenvolvimento isso não ocorre. A negociação na China é diferente e a Índia tem uma capacidade espantosa de formar rapidamente mão de obra qualificada — disse.

Agostinho Guerreiro, presidente do Crea-RJ, diz que os altos salários chegam a todas as profissões técnicas.

— Embora o nosso piso seja de nove salários mínimos para engenheiro recém-formado, que será algo próximo a R$ 5.600 em janeiro, não é difícil ver iniciantes ganhando até R$ 8 mil — disse, mostrando que o salário inicial está próximo ao de engenheiros seniores da Espanha.

Ele afirmou, contudo, que ainda há muitas diferenças salariais no Brasil, em setores como o energético, que tem forte influência estatal e rendimentos baixos aos profissionais.

Adalberto Cardoso, professor do Iuperj, frisa que a crise dos países desenvolvidos está reduzindo seus salários reais, além de elevar o desemprego nestas nações. Este aspecto conjuntural só deve se tornar uma situação estrutural se, em sua opinião, a diferença no nível do crescimento for ainda maior nos próximos anos:

— De qualquer maneira já vemos um aumento de estudantes de engenharia nas universidades. Mas o tempo para formação de um engenheiro é cinco anos, ou seja, ajustar a formação de mão de obra à demanda é um processo lento.

Tito Costa Santos, diretor da Agência Azul — agência digital localizada no Rio —, afirma que, neste ano, aumentou os salários de sua equipe, em média, em 40%. Embora diga que fez isso para recompensar a equipe e repartir os lucros do negócio, ele conta que a alta é generalizada no setor:

— Tenho um ex-sócio que mora em Miami e ele está impressionado com os salários no Brasil. Ele não consegue contratar outsourcing (contratação de serviços de profissionais remotamente) daqui.


domingo, 28 de agosto de 2011

CRISE MUNDIAL: UMA TRÍPOLI FINANCEIRA? EDITORIAL, CARTA MAIOR.

Existe algo de novo no ar da crise e não cheira bem

A inação do Banco Central norte-americano na esperada reunião da semana passada,  evidencia um engessamento maior. Os gestores da finança global não sabem que rumo seguir. A percepção de um travamento sistêmico, desprovido de solução nos seus próprios termos, desloca o foco da economia para a política. 

Anulada no seu relevo institucional  por governos e partidos majoritariamente ortodoxos e  tíbios,  a democracia representativa também se apequena. O sentido transformador da política passa a ser jogado nas ruas. O imprevisível amplia seus domínios quando o repertório convencional se esvai.

Sucessivas injeções de dinheiro nos mercados hibernam no caixa de bancos e empresas sem ativar o metabolismo da produção e do consumo. Não sairão daí enquanto a incerteza for rainha. Exaurido pelo socorro às finanças e desfibrado por 30 anos de veto neoliberal à taxação da fortuna e do patrimônio, o caixa fiscal dos Estados, por sua vez, está emparedado.

Demandas sociais crescentes  colidem com um endividamento inexcedível a juros cada vez mais calibrados pela desconfiança. Avulta, sobretudo, a ausência de uma instancia coordenadora para ações de maior contundencia e envergadura. Tudo se passa como se a  desregulação dos mercados tivesse alcançado agora o aparato que dava algum arcabouço de coerência à supremacia financeira na etapa  atual do capitalismo.

 Organismos outrora estruturadores dessa hegemonia rastejam agora uma esférica desimportancia. Sintomático dessa metamorfose foi a trinca observada na referida reunião do Fed. Ante o imobilismo resignado dos presidentes de BCs de todo o mundo, Chistine Lagarde, a nova diretora-geral do Fundo, acentuou a fragilidade global e cobrou 'visão,coragem e timming': "Estamos vendo a recuperação frágil perder o ritmo. Portanto nós devemos agir agora",conclamou à platéia bovina.

Nesse mesmo dia, o premiê espanhol, José Luis Zapatero, ultimava um acordo politico com forças da direita para incluir na Constituição a renuncia à ação fiscal do Estado: 0,4%  passa a ser  teto do déficit público num país com 20% de desemprego; 45% da juventude sem opção de trabalho e um endividamento privado de 175% do PIB. De onde a economia espanhola vai tirar forças para se reerguer? 

Demonstrações semelhantes de obscurantismo fiscal para 'acalmar os mercados' sucedem-se  em outros países. A inexistência de um arcabouço mais geral de racionalidade redunda assim num salve-se quem puder autofágico. O conjunto assume contornos de uma gigantesca Trípoli financeira. 

Facções armadas perambulam sem lei, trocam disparos, saqueiam, matam e morrem sem qualquer preocupação com o bem-estar e a sobrevivência do conjunto. Na Trípoli real, como na metafórica, o passo seguinte da história pode ser assustador.
(
Carta Maior; Domingo, 28/08/ 2011


domingo, 10 de julho de 2011

POBREZA RONDA A EUROPA. E TEM IDIOTA QUE FALA MAL DO PRESIDENTE LULA!

ELES TIRARAM UMA POPULAÇÃO "ARGENTINA" DA POBREZA E INCLUIRAM UMA POPULAÇÃO DA ESPANHA PARA COMSUMIR NO BRASIL.

E TEM IDIOTAS PIGUIOTIZADOS, QUE SÓ VÊM O VIÉS NEGATIVO COM QUE O PIG INFORMA SOBRE SEUS GOVERNOS, FALO DE LULA/DILMA.

Países europeus redescobrem a pobreza - economia - Estadao.com.br

Países europeus redescobrem a pobreza - economia - Estadao.com.br

Países europeus redescobrem a pobreza
Em apenas três anos, a taxa de desemprego é recorde, renda da população desaba e número de pobres aumenta no Velho Continente
10 de julho de 2011 | 0h 00

Jamil Chade - O Estado de S.Paulo

No momento em que o Lehman Brothers faliu, em setembro de 2008, governos europeus se apressaram em declarar que não havia chance de que o Velho Continente fosse afetado. Três anos depois, não só a crise ainda não foi superada como a Europa redescobre seus pobres. Em apenas três anos, dados oficiais mostram que o desemprego é recorde, a renda principalmente da população na periferia do continente desabou e o número de pobres aumenta.

Segundo pesquisadores, essa é a primeira vez desde o pós-guerra que a Europa registra um aumento real no número de pobres, pelo menos na parte Ocidental do bloco. A classificação de pobre usado na Europa não é a mesma da ONU, que colocou a taxa de miséria em uma renda de US$ 1,25 por dia. Na Europa, a taxa varia dependendo do país e é estabelecida com base num salário que mantenha uma família de forma adequada.
Nas últimas semanas, estudos publicados pela União Europeia (UE), pelos governos nacionais e entidades de pesquisa revelam o que já vem sendo chamado de "nova pobreza". Centenas de empresas fecharam as portas. Mas foram os cortes drásticos nos investimentos dos governos que aprofundou ainda mais a recessão social.

Portugal. O desemprego oficial em Portugal atinge 12,5%, a maior taxa em 30 anos. Estão inscritos nos centros de empregos do país, para obter ajuda social, 600 mil portugueses. Mas, com os novos cortes de gastos, apenas metade tem direito a algum tipo de seguro social de 528,56 por mês. O desempregado português tinha uma renda mínima garantida por três anos. Com o pacote de austeridade, a ajuda será limitada a 18 meses. A partir do sexto mês, o cidadão terá o benefício cortado em 10%.

Hoje, um quinto dos portugueses vive com menos de 360 por mês - cerca de R$ 800, não muito distante do salário mínimo brasileiro. No total, esse universo abrange quase 2 milhões de pessoas. Uma fatia de 4% não tem condições financeiras para fazer uma refeição a cada dois dias com carne ou peixe. Os dados oficiais da UE apontam que o risco de pobreza em Portugal, que em 2008 atingia 18% da população, hoje já é de 23%.

Espanha. A expansão da pobreza também é uma realidade para os espanhóis. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística da Espanha, 800 mil pessoas a mais passaram à situação de exclusão social severa desde 2007. Hoje, a pobreza relativa chega a 20,8% da população, quase 10 milhões de espanhóis. O desemprego passou de pouco mais de 11% em 2008 para 21% em 2011. Diante das dificuldades em voltar a trabalhar, 500 mil pessoas sequer recebem mais a ajuda social do Estado.

Grécia. A crise na Grécia foi sentida de forma ainda mais forte e fez o país perder dez anos pelo menos em seu progresso social. Em um índice estabelecido pela UE para determinar a disparidade social dentro do bloco, os números desde 2007 mostram uma queda importante na renda grega. Pelo índice, o número 100 é considerado como a média da UE. Em 2008, a Grécia estava com 94 pontos, abaixo já da média do bloco.

 Apenas três anos depois, a taxa caiu para 89, situação equivalente ao que estava nos anos 90. O índice ainda mostra que a renda de um grego é hoje metade do que ganha um norueguês. Em 2011, um terço dos gregos ganhava menos de 470 por mês.

Irlanda. A queda da renda do irlandês também é evidente. Entre 2008 e 2009, a renda semanal foi reduzida em 12%, para 796. Segundo o Escritório Central de Estatística, 25% das famílias estavam com pelo menos uma de suas contas atrasadas. Em 2008, esse número era de apenas 10%.

Para especialistas, o que mais preocupa é a falta de perspectiva de melhora na situação da periferia da Europa. Para Sha Zukang, vice-secretário-geral da ONU, o desemprego na Europa voltará às taxas de 2007 apenas em 2015.

O brasileiro Otaviano Canuto, vice-presidente do Banco Mundial para o combate à pobreza, também aponta um cenário pouco animador para a Europa nos próximos anos. "Veremos um crescimento apenas modesto da economia europeia por algum tempo ainda", alertou Canuto, em declarações ao Estado.

"O número de pessoas abaixo da linha da pobreza aumentará em 2011 e talvez por alguns anos mais", alertou o professor de Economia da Universidade de Barcelona, González Calvet.

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