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sexta-feira, 15 de junho de 2012

Sem nossas estatais Petrobras, BB, CEF, Banco do Nordeste,e BNDES, o Brasil teria ido para o vinagre. O Cerra iria vender tudo, extinguir o BNDES e entregar o Pré Sal.

Cerra Chevron. 

O que faz uma estatal na crise:

A Petrobrás elevou em US$ 12 bilhões de dólares seu programa de investimentos para o período 2012/2016 em comparação com o planejado anteriormente (2011/2015). No total, a empresa brasileira investirá nesse quadriênio US$ 236,5 bilhões de dólares, a contrapelo da retração econômica mundial. Trata-se do maior plano de investimentos do mundo ancorado em uma única companhia, envolvendo uma massa de recursos bem maior do que os EUA gastaram para enviar o homem à lua.

O nome disso é política contracíclica. Desse total, quase US$ 142 bilhões (60%) serão destinados à exploração e produção, o que significa uma fabulosa injeção de demanda por máquinas, serviços e equipamentos da cadeia petrolífera, que já representa 12% do PIB nacional. A confraria dos acionistas reagiu mal. Ações da empresa caíram na Bolsa. O 'mercado' preferia que a estatal brasileira investisse menos e bombeasse mais óleo para o exterior de modo a regar os bolsos dos acionistas com dividendos mais suculentos.

O ideal dessa confraria era a administração garimpeira do tucano Roger Agnelli, na Vale, baseada num tripé devastador: embarques crescentes de minério bruto ao exterior; dividendos polpudos aos acionistas e um legado de crateras às futuras gerações.

O que a Petrobrás anunciou nesta 5ª feira afronta essa lógica. 

Um dado resume todos os demais: só as encomendas previstas de 65 sondas de exploração em águas profundas --com progressivo índice de nacionalização-- equivale a quase dobrar a frota mundial desse equipamento, formada de 70 unidades hoje.

 Em meados de fevereiro, a Petrobrás aprovou a encomenda de 26 sondas de perfuração para o pré-sal. 

É apenas um aperitivo do impulso industrializante embutido no ciclo de exploração das maiores reservas do planeta descobertas nos últimos 30 anos.

Por que a Petrobrás é capaz de fazer, enquanto outras instancias do governo patinam? Um caso é o do setor de transporte.

 Levantamentos do Ipea mostram que, dos R$ 13,661 bi destinados a construir rodovias em 2012, apenas R$ 2,543 bilhões (18,6%) foram gastos até maio. Pior: somente 7% desse desembolso - R$ 197,4 milhões - diz respeito a despesas do orçamento deste ano. 

Os demais 93% são restos a pagar.A diferença entre essa contabilidade imobilizante e a Petrobras é que a estatal preservou sua capacidade de planejamento, manteve quadros de alto nível de engenharia e aprimorou sua capacidade de gestão.

 Ou seja, fez tudo o que foi esfarelado no interior do Estado brasileiro nas últimas décadas, para abrir espaço à autossuficiencia dos mercados. 

O resultado é a brutal dificuldade enfrentada pelo país para destravar investiments em infra-estrutura. Os ditos 'mercados' não fazem; o Estado foi programado para não fazer.

Para quem acha que destacar a singlaridade da estatal brasileira afronta o espírito da 'Rio+20' é importante lembrar: graças à Petrobrás a soberania no pré-sal é efetiva; por ser efetiva, em vez da exploração predatória dessa riqueza pelos 'mercados', o país pode ncorporá-la a uma estratégia de futuro, que inclui a instalação de um Parque Tecnológico de ponta na Ilha do Fundão, no Rio -- justamente para pensar os desafios da energia e do meio ambiente no século XXI.

terça-feira, 24 de abril de 2012

EURO NA HORA DA VERDADE: URNA X MERCADO!!!!!

SEDE DO EDIFÍCIO QUE OS TUCANOS SUBIRAM SUAS ESCADAS, 3 VEZES, DE PÍRES NAS MÃOS. O F.M.I


SAUL LEBLON BLOG DAS FRASES.

As Bolsas desabaram na Europa nesta 2ª feira, recuando ao menor nível dos últimos três meses. O mergulho generalizado foi mais fundo nos países periféricos, caso da Espanha, por exemplo, cujo BC admitiu que a economia encontra-se em recessão, mas não poupou a Itália (menos 3,8%) e recuou também expressivamente em Frankfurt (menos 3,4%).

Um dia depois do 1º turno na França, que apontou a vitória de François Hollande sobre Sarkozy, a inquietação nas Bolsas se fez acompanhar da disparada do risco país em diferentes nações do euro submetidas ao garrote da austeridade suicida.


Para financiar economias submetidos a uma espiral paralisante de arrocho fiscal, recessão e esfarelamento de receitas, com consequente agravamento do déficit público, os capitais exigiam nesta 2ª feira juros de um a quatro pontos acima do índice-base pago pelos títulos alemães.

O conjunto reflete o pressentimento rentista de que está chegando a hora da verdade para a agenda da austeridade ortodoxa.


 A vitória apertada de Hollande sobre o braço-direito de Angela Merkel não seria motivo suficiente para tanto. Ocorre que os mercados fizeram a leitura correta da surpreendente ascensão da extrema direita francesa que obteve o voto de quase 1/5 dos eleitores.

A candidata do Partido Nacional, Marine Le Pen, cresceu capturando o ressentimento popular contra um governo que franqueou a Nação aos impulsos ortodoxos irradiados de Berlim, sem que a genuflexão se refletisse em melhorias tangíveis, sobretudo nos cinturões periféricos. Por caminhos distintos e proposições diversas, a mensagem consagrada nas urnas francesas foi a de que um governo fraco, um Estado amordaçado pelos interditos das finanças e uma democracia ornamental --sem poderes para preservar direitos, a começar pelo direito ao emprego-- não responde às urgências postas por uma crise que se arrasta e, no caso do euro, se agrava desde 2008.

Com maior ou menor ênfase, diferindo nas respostas ao colapso, foi isso que disseram as campanhas de Hollande, de Marine e de Mélenchon (cuja votação aquém do previsto indica o voto útil antecipado em Hollande).


Trata-se de uma inflexão histórica: desde o início da crise, mais de uma dezena de países europeus trocaram parcial ou totalmente seus governantes. Na maioria das vezes em direção a lideranças e políticas ainda mais conservadoras. A derrota doo conservador Sarkozy sugere o esgotamento dessa receita.

A regulação estatal da economia está de volta à agenda do euro; os captais se agitam, mas a experiência endossa a travessia.


 Na Europa, a pequena Islândia fez tudo ao contrário do que recomenda o figurino ortodoxo, a começar pelo fato de que decidiu em plebiscito não sacrificar a sociedade para salvar bancos; está se saindo melhor do que a maltratada Espanha, ou o desastroso calvário imposto a gregos, italianos, portugueses etc.

No Brasil, da mesma forma, a vitória recente do governo Dilma sobre a banca, dobrando uma resistência terrorista à redução dos juros, só foi possível porque o país ainda dispõe de um setor financeiro estatal que responde por 44% do crédito na economia. Ao acionar essa alavanca poderosa cortando o custo de suas linhas de crédito em até 50%, o Estado brasileiro obrigou os bancos privados a ceder para não perder mercado.


A grande lição brasileira é que não adianta substituir as ferramentas de política econômica por agências reguladoras ornamentais, tão caras à cartilha neoliberal.

A regulação da economia capitalista deve estar inscrita diretamente na engrenagem do sistema econômico. Isso se faz com relevante presença estatal nos setores estratégicos -- o financeiro, por certo, em primeiro lugar. Mas não só.