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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Marcos Coimbra: Fala FHC!

FHC, naftalina pura!

Marcos Coimbra:

Conversando com FHC

É enternecedor o carinho de nossa grande imprensa com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Sempre que o entrevistam, é uma conversa amena. Percebe-se a alegria dos jornalistas em estar na sua presença. 

O tom é cordial, as perguntas são tranquilas. Tudo flui na camaradaria.
  
O que não chega a ser surpreendente. FHC é um boa prosa, que sabe agradar os interlocutores.
 Além de ser uma pessoa respeitável, seja pela trajetória de vida, seja por sua maturidade.

Natural que o tratem com consideração.  

Estranho é constatar que a amabilidade com que é recebido não se estende a seu sucessor. 
 A mesma imprensa que o compreende tão bem costuma ser intransigente com Lula. Para não dizer francamente hostil e deselegante.

Quem lê o que ela tem falado a respeito do petista nos últimos dias e o compara ao tratamento que recebe Fernando Henrique deve achar que um deixou a Presidência escorraçado e o outro sob aplauso.
Que a população odeia Lula e adora o tucano.    

Esta semana, tivemos mais um desses bate-papos. Saiu na Folha de São Paulo.

FHC discorreu sobre o Brasil e o mundo.

 Falou do PSDB, de Aécio e Serra. Meditou sobre o julgamento do mensalão com a sabedoria de quem o vê a prudente distância.

Opinou sobre Dilma e Lula. Contou de sua vida particular, a família e os amores.
Foi uma longa conversa, sóbria e comedida - embora com toques de emoção.

Mas foi frustrante. Acabou sendo mais uma oportunidade perdida para ouvir FHC sobre algumas questões que permanecem sem resposta a respeito de seu governo.

É pena. Não está na moda “passar o Brasil a limpo”? “Mudar o Brasil”? “Ser firmes e intransigentes com a verdade”?  
Ninguém deseja que Fernando Henrique seja destratado, hostilizado com perguntas aborrecidas e impertinentes. Que o agridam.

Um dia, no entanto, bem que alguém poderia pedir, com toda educação, que falasse.

Que contasse sua experiência como líder do governo Sarney no Congresso, quando viu (só viu?) mais de mil concessões de televisão e rádio fazer parte das negociações em troca de apoio parlamentar.  

Que descrevesse o projeto do PSDB permanecer no poder por 20 anos e como seria posto em prática, quais as alianças e como seria azeitado (sem esquecer a distribuição, sem licitação, de quase 400 concessões de TVs educativas a políticos de sua base).  

Que relembrasse os entendimentos de seu operador com o baixo clero da Câmara para aprovar a emenda da reeleição.
Quanto usou de argumentos. E o que teve que fazer para que nenhuma CPI sobre o assunto fosse instalada.  

Que apontasse os critérios que adotou para indicar integrantes dos tribunais superiores e nomear o Procurador-Geral da República.

 Que explicasse como atravessou 8 anos de relações com o Judiciário em céu de brigadeiro.

Que refletisse sobre o significado de seus principais assessores econômicos tornarem-se milionários imediatamente após sair do governo - coisa que, se acontecesse com um petista, seria razão para um terremoto.

Enfim, FHC poderia em muito ajudar os amigos. Esses que fingem ter nascido ontem e se dizem empenhados em “limpar” a política.

Bastaria que resolvesse falar com clareza.
No mínimo, diminuiria a taxa de hipocrisia no debate atual e reduziria o papo furado. O que é sempre bom.


domingo, 25 de novembro de 2012

A indústria do Antilulismo.


A última flor do fascio.

Por Robertog no NASSIF



Acho que também seria interessante pensar "do outro lado do balcão":
Nos últimos dez anos cresceu uma vasta indústria cultural cujo principal produto é falar mal do Lula e de tudo que pode representar os governos petistas.

Com o tempo muita gente percebeu que falando mal deles, das cotas, de qq política que possa representar um avanço civilizatório (como o casamento gay, a liberação da maconha, o reconhecimento de direitos difusos, etc..) dá sempre ibope numa determinada faixa da população que se confunde com os leitores de veja e as camadas rancorosas das classes médias e altas.

Esses segmentos são relevantes como consumidores de cultura e de outras mercadorias, além de elevarem o patamar de prestígio dos jogadores de lama que alimentam & açulam a raiva deles.

Logo ele atrai e vai continuar atraindo alguns, ou muitos, jornalistas & intelectuais que, como quaisquer outros grupos, tb querem "se dar bem".

No universo intelectual, que conheço um pouco melhor, sempre sobra gente no caminho e não só a ganância, como também a vaidade acabam empurrando indivíduos para o caminho da vociferação bem pagante e auto congratulatória.

 A coisa funciona mais ou menos assim:  "não dou a mínima para aqueles colegas que não me reconhecem, já que o merval me cita na coluna que é lida por milhões e, de quebra, ainda me chamam para dar umas palestras bem remuneradas ou, pelo menos, posso ter certeza que as coisas que eu publicar vão ser recomendadas na veja e vão vender bem".
   
Assim, se estou certo, a indústria do antilulismo vai continuar. Tem, e vai continuar tendo, tanto produção quanto freguesia... 



quarta-feira, 29 de agosto de 2012

O velório neoliberal dos tucanos e do tartufo do FHC

O especialista em depedência externa  e de frequentar o guichê do FMI.



 Bill Clinton, o democrata que jogou a pá de cal nas salvaguardas do New Deal elogiou o Brasil, quase pedindo desculpas por pisotear o ego ao lado do grande amigo de consensos em Washington e de corridas de emergência ao guichê FMI.

Mas FHC é um intelectual afiado nas adversidades.

A popularidade contagiante do tucano,
reflexo, como se sabe, de seu governo, poupa-o da presença física nos palanques do PSDB, preferindo seus pares deixá-lo no anonimato ocioso para a necessária à defesa do legado estratégico da sigla.

É o que tem feito, nem sempre dissimulando certo ressentimento, como nessa 3ª feira mais uma vez.

Falando com desenvoltura sobre um tema, como se sabe, de seu pleno domínio sociológico, ele emparedou Clinton, Hair e tantos quantos atestem a superioridade macroeconômica atual em relação à arquitetura dos anos 90.

Num tartamudear de íngreme compreensão aos não iniciados, o especialista em
dependência - acadêmica e programática - criticou a atual liderança dos bancos públicos na expansão do crédito, recado oportuno, diga-se, em se tratando de palestra paga pelo banco Itau; levantou a suspeição sobre as mudanças que vem sendo feitas - 'sem muito barulho'' - na política econômica ("meu medo é que essa falta de preocupação com o rigor fiscal termine por criar problemas para a economia”) e fez ressalvas ao " DNA" das licitações - que não reconhece, ao contrário de parte da esquerda, como filhas egressas da boa cepa modelada em seu governo.

Ao finalizar, num gesto de deferência ao patrocinador, depois de conceder que a queda dos juros é desejável fuzilou: 'houve muita pressão para isso'.

O cuidado tucano com os interesses financeiros nos governos petistas não é novo.

Há exatamente um ano, em 31 de agosto de 2011, quando o governo Dilma, ancorado na correta percepção do quadro mundial, cortou a taxa de juro pela primeira vez em seu mandato, então em
obscenos 12,5%, o dispositivo midiático-tucano reagiu indignado. A pedra angular da civilização fora removida por mãos imprevidentes e arestosas aos mercados.

O contrafogo midiático rentista perdurou por semanas.

Em 28 de setembro, Fernando Henrique Cardoso deu ordem unida à tropa e sentenciou em declaração ao jornal ‘Valor Econômico’
: a decisão do BC fora 'precipitada'.

Era a senha.

Expoentes menores, mas igualmente aplicados na defesa dos mercados autorreguláveis, credo que inspirou Clinton a deixar as coisas por conta das tesourarias espertas, replicaram a percepção tucana do mundo:"não há indícios de que a crise econômica global de 2011 seja tão grave quanto a de 2008", sentenciou, por exemplo o economista de banco Alexandre Schwartzman,indo para o sacrifício em nome da causa.

Nesta 4ª feira, o BC brasileiro completa um ano de cortes sucessivos na Selic com um esperado
novo recuo de meio ponto na taxa, trazendo-a para 7,5% (cerca de 2,5% reais).

Ainda é um patamar elevado num cenário de crise sistêmica, quando EUA e países do euro praticam juros negativos e mesmo assim a economia rasteja.

Uma pergunta nunca suficientemente explorada pela mídia, que professa a mesma fé nas virtudes do laissez-faire, quase grita na mesa:
'Onde estaria o Brasil hoje se a condução do país na crise tivesse sido obra dos sábios tucanos?'

As ressalvas feitas por FHC no evento de banqueiros desta 3ª feira
deixa a inquietante pista de que seríamos agora um grande Portugal, ou uma gigantesca Espanha - um superlativo depósito de desemprego, ruína fiscal e sepultura de direitos sociais, com bancos e acionistas solidamente abrigados na sala VIP do Estado mínimo para os pobres.

Em tempos de eleições, quando candidatos de bico longo prometem fazer tudo o que nunca fizeram, a fala de FHC enseja oportuna reflexão.

 
 lEIA O POST NA ÍNTEGRA NO BLOG DAS FRASES DE:



segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Mauro Santayana: Os antinacionais serão esquecidos plelo povo.

Getulio, um nacionalista...
Lacerda, o Corvo da rua Chile, um entreguista que deixou seu legado...

A estes neo udenistas. 


Mauro Santayana: Getúlio e a Nação dos brasileiros.

A Revolução de 30 correspondeu, assim, a uma nova proclamação da República. Ao romper o acordo tácito entre as oligarquias, provocou a reação de São Paulo, a que se aliaram alguns conservadores mineiros.



Isso não esmoreceu Getúlio e seus colaboradores mais próximos, como Oswaldo Aranha e Alberto Pasqualini, empenhados em ações revolucionárias que conduziriam à construção do verdadeiro estado nacional. Getúlio acreditava que sem cidadãos não há nação. 


Por isso empenhou-se em integrar os trabalhadores na sociedade brasileira, reconhecendo-lhes alguns direitos já concedidos nos países industrializados europeus e convocando-os, mediante sua liderança e o uso dos instrumentos de propaganda da época, a participar da vida política, com a sindicalização e as manifestações populares.



Os estados necessitam de instituições bem estruturadas, e Getúlio, dentro das limitações do tempo, as criou. O serviço público era uma balbúrdia. 


Todos os funcionários eram nomeados por indicação política. Getúlio negociou com as circunstâncias, ao criar o DASP e instituir, ao mesmo tempo, o concurso público e as carreiras funcionais, mas deixando alguns cargos, “isolados e de provimento efetivo”, para atender às pressões políticas.



Novos ministérios foram criados, a previdência social se institucionalizou, de forma bem alicerçada, e o Presidente pensou grande, nos movimentos que conduziriam a um projeto nacional de independência econômica e soberania política.



Homem vindo do Sul, conhecedor dos problemas da fronteira e dos entreveros com os castelhanos ao longo de nossa história comum, Getúlio tinha, bem nítidos em seus apontamentos pessoais, os sentimentos de pátria. 


Daí o seu nacionalismo sem xenofobia, uma vez que não só aceitava os estrangeiros entre nós, como estimulava a imigração, ainda que mantivesse restrições com relação a algumas etnias, como era do espírito do tempo.


Vargas sabia que certos setores da economia, ligados ao interesse estratégico nacional, tinham que estar sob rígido controle do Estado, como os de infraestrutura dos transportes, da energia e dos recursos minerais.


Daí o Código de Minas, de 1934, e a limitação dos juros, mediante a Lei da Usura, do ano anterior.



 A preocupação maior foi com o povo brasileiro. 

Getúlio conhecia, e respeitava, a superioridade dos argentinos na política nacional de educação. 

Ele, vizinho do Uruguai e da Argentina, sabia que a colonização portuguesa nisso fora inferior à da Espanha, que não tolhera as iniciativas dos criollos (como eram chamados os nascidos na América) em criar centros de ensino.


A Argentina, ainda em 1622, já contava com a Universidade de Córdoba.


Só dois séculos depois (em 1827, com a Independência) surgiriam os primeiros cursos de Direito em São Paulo e em Pernambuco. 

No Brasil, apenas os senhores de engenho do Nordeste e os mineradores e comerciantes ricos de Minas enviavam seus filhos à Universidade de Coimbra ou aos centros universitários de Paris e Montpellier, na França.


Um dos primeiros atos do Governo Provisório foi criar o Ministério da Educação e Saúde: na visão ampla de Getúlio, as duas categorias se integram. Sem educação, não há saúde, e sem saúde, educar fica muito mais difícil.


Essa visão social, que ele demonstrara na campanha da Aliança Liberal, nos meses anteriores à Revolução, estava submetida ao seu sentimento patriótico, à sua idéia de Nação.


Todos os golpes que se fizeram no Brasil, entre eles a tentativa que o levou ao suicídio, foram antinacionais, como antinacional foi o governo neoliberal de Fernando Henrique, que se identificou como o do “fim da era Vargas”.


Por tudo isso, passados estes nossos tristes anos, o governo dos tucanos paulistas e acadêmicos da PUC do Rio de Janeiro estará esquecido pela História, enquanto a personalidade de Vargas só crescerá – porque o seu nome se associa ao da pátria, esse sentimento meio esquecido hoje. E as pátrias têm a vocação da eternidade.


Mauro Santayana é colunista político do Jornal do Brasil, diário de que foi correspondente na Europa (1968 a 1973). Foi redator-secretário da Ultima Hora (1959), e trabalhou nos principais jornais brasileiros, entre eles, a Folha de S. Paulo (1976-82), de que foi colunista político e correspondente na Península Ibérica e na África do Norte.

Leia o  artigo na  íntegra  AQUI




domingo, 26 de agosto de 2012

A UDN, não foi extinta em 1965 e seu terrorismo denuncista, não mudou.

Getulio Vargas sofreu com o terrorista do...

Do terrorista midiático, Carlos Lacerda, que  era o...
Corvo da  rua Chile. 


 A pressão atingiu seu auge naqueles dias finais de agosto. 



Cinquenta e oito anos depois do tiro que sacudiu o país, o volume asfixiante do coro conservador ainda pode ser ouvido e aquilatado. 



Basta potencializar - um pouco - o volume da condenação sumária sentenciada em cada linha, título, nota, coluna, fotomontagens, capas, escaladas televisivas e radiofônicas que nutrem o noticiário sobre o julgamento do chamado 'mensalão'. 



O sociólogo Marcos Coimbra, presidente do Instituto de Pesquisas Vox Populi, em artigo recente, já mencionado neste blog, mensurou um pedaço dessa artilharia determinada a subordinar o discernimento da sociedade.



Nas quatro semanas até 13 de agosto, 65 mil textos foram publicados na imprensa sobre o "mensalão". 


"No Jornal Nacional da Globo para cada 10 segundos de cobertura neutra houve cerca de 1,5 mil negativos", diz Coimbra. 

 

Nas rádios, conectadas pela propriedade cruzada aos mesmos núcleos emissores, a pregação incessante é ainda mais desabrida e abusada --como naquele agosto de 1954.



O cerco promovido contra o PT atinge dimensões inéditas na asfixia a um partido político em regime democrático, na avaliação do governador Tarso Genro, em artigo recente na página de Carta Maior



Entre um agosto e outro, algumas peças do paiol midiático permanecem. Outras se juntaram à tradição.Os personagens se renovam, mas o método se repete. 



O arsenal udenista da suspeição e da condenação sumária, avesso ao contraditório, às provas e à isenção -- despida do cinismo liberal da objetividade-- forma um fio de continuidade que atravessa a régua desses 58 anos.




Compare-se alguns exemplos originários da mesma cepa de interesses e de lógica inarredável, que se encadeiam nos mesmos propósito formando um memo e único fio na linha do tempo:




I) Março de 54: 


 

* A usina midiática de denúncias contra o governo Vargas lança uma bomba na praça .

 O escândalo da vez é a denúncia de que "os caudilhos populistas" Vargas e Perón (o peronismo era o chavismo da época)-- planejavam um suposto "Pacto ABC" (Argentina –Brasil –Chile). 

A meta era "promover a integração sul-americana formando num arquipélago de repúblicas sindicais na região contra os EUA" (qualquer semelhança com a reação ao ingresso da Venezuela no Mercosul não é apenas coincidência)






* Carlos Lacerda, na Tribuna da Imprensa e na rádio Globo, e a Banda de Música da UDN no Congresso – um pouco como o jogral que hoje modula as vozes da turma da mídia "ética" - martelavam a denúncia incansavelmente. 







* Um ex-ministro rompido com Getúlio aliou-se a Lacerda para oferecer "evidências" das negociações entre o Vargas e Perón.

A inexistência de provas – exceto a menção genérica de Perón à uma aliança econômica regional — não demoveu a mídia que deu à fraude contornos de verdade inquestionável, independente dos fatos, das investigações e dos desmentidos.




II) Setembro de 1954: 




 

* A dramaticidade do suicídio de Vargas em 24 de agosto iluminou o quadro político e incendiou a revolta popular contra o golpismo que recuou.Mas não cedeu. Em 16 de setembro lá estava Carlos Lacerda de volta novamente nos microfones da rádio Globo.



 O alvo agora era João Goulart, o herdeiro político do presidente morto, adversário certo da UDN no pleito de outubro de 1955.


  Na voz estridente do comentarista 'convidado' de diversos programas da emissora foi lida --'em primeira mão'-- a "Carta Brandi". 

Uma suposta correspondência entre Jango e o deputado argentino Antonio Brandi; segundo Lacerda, a prova "definitiva" da conspiração para implantar "uma república sindicalista no Brasil".






* Na efervescência da guerra eleitoral, o escândalo levou o Exército a abrir inquérito imediatamente, enviando missão oficial a Buenos Aires para investigações. Conclusão oficial: tudo não passara de uma grosseira fraude, forjada e alimentada pela imprensa anti-getulista. Inútil.




* A exemplo dos que hoje sonegam às evidências contrárias o poder de mudar sentenças já pronunciadas pela mídia, Lacerda contratacou na Tribuna da Imprensa em outubro de 1955, um mês depois da derrota da UDN para JK e Jango:

 "(...) Se a carta não é verdadeira seu conteúdo está de acordo, mais ou menos, com o que se sabe da vida política do sr. Goulart..." 




Qualquer semelhança com o malabarismo denuncista dos últimos anos não é mera coincidência. 


 

Um exemplo eloquente dele que reúne autores, métodos veículos marcantes: 


III) Março de 2005:



" Documentos secretos guardados nos arquivos da Abin informam que a narcoguerrilha colombiana Farc deu 5 milhões de dólares a candidatos petistas em 2002 .


Nos arquivos da Agência Brasileira de Inteligência em Brasília há um conjunto de documentos cujo conteúdo é explosivo. Os papéis, guardados no centro de documentação da Abin, mostram ligações das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) com militantes petistas.




 O principal documento (...)informa que, no dia 13 de abril de 2002, (...) o padre Olivério Medina, que atua como uma espécie de embaixador das Farc no Brasil, fez um anúncio pecuniário. Disse aos presentes que sua organização guerrilheira estava fazendo uma doação de 5 milhões de dólares para a campanha eleitoral de candidatos petistas de sua predileção (...) Um agente da Abin,( NR: quem, Dadá, o repórter auxiliar de Policarpo & Cachoeira já em ação?) infiltrado na reunião, ouviu tudo, fez um informe a seus chefes, e assim chegou à Abin a primeira notícia de que as relações entre militantes esquerdistas, alguns deles petistas, e as Farc podem ter ultrapassado a mera simpatia ideológica e chegado ao pantanoso terreno financeiro. 


Sob a condição de não reproduzi-los nas páginas da revista, VEJA teve acesso a seis documentos da pasta que trata das relações entre as Farc e petistas simpatizantes do movimento.(Policarpo Jr.; revista Veja, edição 1896; 16 de março de 2005. Título: Laços explosivos )




Os mesmos objetivos, os mesmos métodos e a mesma elasticidade ética.


A solitária trincheira do 'Última Hora' não existe mais para rebatê-los. 


O jornal foi comprado, sugestivamente, em plena ditadura Médici, em 1971, pela família Frias, que edita a Folha de São Paulo. 




Descaracterizado em imprensa sensacionalista saiu de circulação nos anos 90. 


Do seu vazio brotou um ramo vigoroso, igualmente inovador na forma, no conteúdo e na agilidade: o jornalismo digital independente.




Juntando pedaços , porém, é impossível não temer o ectoplasma presente de Lacerda e do udenismo. 



Egressos da surra daquele glorioso agosto de 1954 em que a Última Hora e seus leitores reescreveram a narrativa do país direto nas ruas, eles persistem no cerco ao Catete. A qualquer Catete que dentro tenha um homem público disposto a assumir a tarefa que o mais mítico deles deixou inconclusa, porém agendada pela advertência de um estampido que sacudiu o discernimento nacional naquele 24 de agosto de 1954.



Exemplos da linha do tempo lacerdista:

 

IV) 5 de agosto de 1954:. Na madrugada de 5 de agosto, o major-aviador Rubens Vaz, foi assassinado na rua Toneleros, no Rio, em frente ao prédio onde morava Carlos Lacerda , a quem fazia escolta. Segundo a versão do próprio Lacerda, ele voltava de uma de suas conferências, desta vez no Colégio São José, cujo tema era sempre o mesmo: a necessidade de afastar Getúlio do poder, quando integrantes da guarda-pessoal de Vargas cometeram o atentato que o tinha como alvo principal. Lacerda apresentou várias versões para o episódio.


Testemunhas, entre elas o jornalista, já falecido, Armando Nogueira, viram Lacerda caminhando normalmente no local após a morte de Vaz, o que contraria sua versão de que teria levado um tiro de 45’ no pé que ‘doía de forma intensa’.


 Os cusadaos do crime foram mantidos incomunicáveis e torturados pela polícia carioca. Lacerda jamais permitiu a perícia do revólver 38’ que portava. 


O boletim de registro do seu atendimento, bem como as radiografias do pé supostamente alvejado desapareceram do Hospital Miguel Couto, no Rio. Não importa, o episódio virou a gota d'água do cerco a Getúlio.



V. Setembro de 1954: a dramaticidade do suicídio de Vargas em 24 de agosto iluminou o quadro político e incendiou a revolta popular contra o golpismo em marcha. 


Para Carlos Lacerda não sobrou um centímetro de segurança em terra: o "Corvo" foi obrigado refugiar-se no mar, a bordo do cruzador Barroso. 


 Em 16 de setembro de 1954, porém, o denuncismo estava de volta nos microfones da rádio Globo,um dos veículos mais radicais na pregação anti-comunista e pró-americana. 


O alvo agora era João Goulart, o herdeiro político do presidente morto e adversário certo da UDN no pleito de outubro de 1955. 


Na voz estridente de Lacerda, comentarista de diversos programas da emissora de Marinho, foi lida em primeira mão a "Carta Brandi".


Uma suposta correspondência do deputado argentino Antonio Brandi a João Goulart , apresentada como a prova "definitiva" da conspiração para implantar "uma república sindicalista no Brasil".



VI) Na efervescência da guerra eleitoral, o escândalo levou o Exército a abrir inquérito imediatamente, enviando missão oficial a Buenos Aires para aprofundar as investigações.




VII) A conclusão oficial de que tudo não passara de uma grosseira fraude, forjada por Lacerda e alimentada pela imprensa anti-getulista, não abalou seus protagonistas. 

Lacerda rapidamente se adaptou ao revés. 

A exemplo dos que hoje sonegam às evidências contrárias à existência do 'mensalão' o poder de mudar a sentença que a mídia já pronunciou , Lacerda escreveu na Tribuna da Imprensa em outubro de 1955, relevância para reverter uma sentença de condenação um mês depois da derrota da UDN para JK e Jango no pleito de outubro de 1955:

 "(...) Se a carta não é verdadeira seu conteúdo está de acordo, mais ou menos, com o que se sabe da vida política do sr. Goulart.." 


Qualquer semelhança com o malabarismo denuncista que povoa a mídia tucana nos nossos dias não é mera coincidência. Os mesmos objetivos, os mesmos métodos, a mesma elasticidade ética e democrática estão presentes.


Leiam o artigo na íntegra noblog das Frases  de Saul Leblon