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domingo, 4 de setembro de 2011

PRESIDENTE DO BANCO CENTRAL, MANDA O MERCADO TOMAR NO CENTRO DO OLHO DA MENINA DO C....!!! ACABOU O PERÍODO DE INFORMAÇÕES PRIVILEGIADAS!!!!

ELE NÃO É FUNCIONÁRIO DE BANQUEIRO, ELE NÃO É BANQUEIRO, ELE NÃO QUER SER BANQUEIRO, ELE MANDOU O MERCADO TOMAR NO CENTRO DO OLHO DA MENINA DO C...!! 
Por Luis Nassif, NO LUISNASSIFONLINE:

Antecipo a Coluna Econômica de domingo porque julgo que as informações aqui contidas são relevantes. O que me chamou a atenção foi o Chrlez Nisz que pelo Facebook me alertou para uma "denúncia" de um blogueiro estreitamente ligado a um dos líderes dessa confraria:

"Se eu fosse da área de economia ou do tal “jornalismo investigativo”, já estaria tentando saber, a esta altura, quem, no mercado, ganhou com a redução dos juros. Convenham: dado o andar da carruagem, era preciso ser porra-louca ou vidente para apostar numa queda de meio ponto na taxa. Como porra-louca de mercado já virou mendigo, e como videntes não existem, seria interessante saber como foi que alguns poucos, pouquíssimos, ganharam com a aposta. “Ah, mercado é assim mesmo, é risco!” Uma ova! Nem os poucos economistas que defendiam a redução acreditavam que ela fosse acontecer. O padrão dos últimos anos é corresponder às expectativas. Sim, há boatos de vazamentos. Eu acho que é meter a enxada nesse terreno para ver pular as minhocas. Dito isso, sigamos".

Esse trecho ajudou a matar a charada, com uma única diferença: o exercício do "insider information" não estava com quem ganhou (como ventríloquo do blogueiro pretendeu insinuar), mas em quem perdeu. Pela significativa razão que, desta vez, pela primeira vez em muitos anos não houve vazamento da decisão do Copom.

Acompanhe o artigo:

A decisão do Banco Central de reduzir a taxa Selic em meio ponto desmascarou pela primeira vez um dos mais deletérios e antigos personagens da vida econômica brasileira: a confraria dos "juristas", um grupo que inclui algumas consultorias econômicas, alguns economistas ligados a bancos, aliados a alguns comentaristas econômicos formadores de opinião na velha mídia, que nos últimos anos conseguiu se apropriar completamente da política monetária do BC.

Não se trata do mercado como um todo, mas de um grupo que jogou com informações privilegiadas, ganhando em cima dos demais segmentos do mercado.

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Vamos por partes.

O mercado futuro de qualquer ativo embute uma aposta e dois apostadores. Digamos que o preço futuro esteja em 100. O apostador que acha que o preço vai a 105 "compra" o contrato a 100; o que acha que o preço vai cair, "vende" o contrato a 100. Se o preço for a 105, o que "comprou" a 100 ganha a diferença de 5; o que vendeu a 100, perde a diferença. Portanto, há sempre um lado que ganha e outro que perde.

O ponto central desse jogo, a ser garantido pelas autoridades reguladoras (BC), é a isonomia das informações. Ou seja, todos os agentes têm que ter acesso às mesmas informações. A desobediência a essa regra caracteriza o "insider information", a informação privilegiada, tipificada como crime financeiro, obrigando à interferência do Ministério Público e da Polícia Federal.

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Nos últimos dias houve uma grita infernal da confraria dos juristas, sustentando que o BC tinha perdido a credibilidade, que não conseguiria mais articular as expectativas do mercado.

Como assim? Antes da reunião do Copom houve queda nas taxas futuras de juros, significando que o mercado, por maioria, havia assimilado os sinais do BC e apostado na queda de juros. Quem não apostou foi um segmento específico que poderia ter ganhado milhões caso o BC tivesse mantido a taxa Selic. E ganhado milhões em cima dos que achavam que a taxa ia cair.

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Por que essa minoria barulhenta achava que os juros permaneceriam imóveis, se a maioria do mercado, analisando os sinais do BC, apostava na queda? Porque essa minoria julgava ter informações que a maioria do mercado não tinha. Na verdade, sempre trabalhou com informações privilegiadas do BC.

No período de Henrique Meirelles, denunciei algumas vezes reuniões de diretores do BC com economistas de mercado. Não eram reuniões abertas a todo o mercado. Participavam dela o mesmo conjunto de economistas que têm maior vocalização na velha mídia, as fontes preferenciais, justamente aqueles que estão berrando contra a decisão do BC.

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Com a decisão do Copom desta segunda-feira, desnudou-se o jogo. Há o mercado em si e, nele, a confraria dos "juristas". E os ganhos desse pessoal se dava em cima dos demais agentes do mercado, baseados em informações privilegiadas que recebiam do BC.

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Portanto, a partir de agora não se fale mais do "mercado" genericamente, nem de "porta-vozes". Todo esse coro de lamentações ouvido nos últimos dias ajuda a mapear os elos dessa confraria de "juristas".

Seria bom que autoridades em geral começassem a olhar com mais presteza esse jogo.



quinta-feira, 28 de julho de 2011

ALTAMIRO BORGES: GOVERNO INTERVEM NO MERCADO DE DERIVATIVOS, MÍDA NATIVA, CHIA POR SEUS CLIENTES.





Por Altamiro Borges



Depois de várias medidas que penalizam os trabalhadores – como os quatro aumentos consecutivos das taxas de juros e as duras restrições ao crédito –, o governo Dilma finalmente resolveu intensificar o ataque aos agiotas financeiros, os verdadeiros culpados pelos entraves ao desenvolvimento do país. Não dá nem para chamar de ataque, foi mais um pequeno arranhão, mas ele pode sinalizar uma mudança de comportamento diante das incertezas que atormentam a economia capitalista mundial.

“Vamos tirar a rentabilidade” dos rentistas

Na tarde de ontem, o Ministério da Fazenda anunciou um pacote de medidas para inibir a especulação com o dólar e a artificial valorização do real, que prejudicam a produção brasileira. A iniciativa afeta o chamado mercado de derivativos, um instrumento utilizado pelos agiotas para auferir altos lucros com as vantajosas taxas de juros do país. O impacto imediato da medida foi a contenção da queda do valor da moeda ianque, que subiu ontem 1,3% e atingiu R$ 1,557. Foi a maior alta observada em um ano.

O governo anunciou que cobrará 1% de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) nas negociatas nos mercados de derivativos, que exigirá o registro público de todos os contratos e que poderá impor limites de quantias e prazos às transações. “Vamos tirar a rentabilidade da especulação”, explicou o ministro Guido Mantega. Ele também garantiu que o governo poderá adotar outras medidas contra os ataques especulativos, inclusive com novos aumentos do IOF.

Chiadeira dos agiotas e da mídia

O anúncio incomodou os agiotas financeiros, que criticaram o “intervencionismo” do governo e renderam homenagens ao deus-mercado. “A medida autoriza uma ampla intervenção no mercado”, reclamou Sidnei Nehme, diretor da corretora NGO. A mídia rentista também não gostou, já lamentando a fuga do capital estrangeiro. “Muitos investidores se assustaram com o poder que as medidas dão ao governo para intervir de maneira agressiva nos negócios com derivativos”, concluiu a Folha.

Toda essa gritaria visa evitar que o governo adote medidas ainda mais duras contra a especulação. Nos últimos meses, ações ainda mais tímidas, como as pequenas taxações das aplicações financeiras e de empréstimos de curto prazo, tiveram pouco impacto na economia e não conseguiram evitar a valorização artificial do real em relação ao dólar. Os reflexos negativos se avolumaram, com o encarecimento das exportações e o aumento das importações – prejudicando a produção industrial e o emprego no país.

“Mundo de pernas para o ar”

Com o agravamento da crise capitalista nos EUA e Europa, o Brasil fica ainda mais vulnerável diante da gula dos especuladores. A presidente Dilma Rousseff, antes envolvida na “faxina” em seu governo, parece agora mais atenta aos rumos da economia. Em recente reunião, ela teria manifestado temor diante do risco de calote da dívida nos EUA, afirmando que “o mundo está de pernas para o ar”. Daí a idéia de conter a especulação financeira e mesmo a alta dos juros, como indica a recente ata do Banco Central.

O pacote anunciado por Guido Mantega ontem pode até aliviar a tensão, mas não resolve o problema. Sem outras ações, como a redução da taxa de juros e medidas mais duras de controle do fluxo de entrada e saída de capitais, os especuladores continuarão surfando na libertinagem financeira. Não dá para tratar os rentistas com arranhões. É preciso atacá-los de frente. Do contrário, com um solavanco maior na economia mundial, aí que o Brasil vai ficar mesmo de “pernas para o ar”.