Paródia sobre a canção Quem dá Mais,
de Noel Rosa, psicografada por A. A. Fontes e Ricardo Moreno. Intérprete
Ricardo Moreno (voz e violão); Alba Fontes (flauta); Rosa (pandeiro).
CHEGARÁ UM DIA, EM QUE ESTA IMPRENSA, MENTIROSA, FASCISTA, E CRIMINOSA FORMARÁ UM PÚBLICO TÃO VIL QUANTO ELA PRÓPRIA. "JOSEPH PULLITZER", JORNALISTA HUNGARO-AMERICANO. Vai lendo aí PIPI.
Minha lista de blogs
domingo, 21 de outubro de 2012
O melô da puta da sacanagem que os privateiros da UDN/PSDB, fizeram com o povo brasileiro.
sábado, 20 de outubro de 2012
O delírio do PSDB. Azenha explica, tintim,por tintim!
Alucinados. É como vivem o PSDB, as redações os jornalões e a classe média.
"A
idéia delirante é uma representação morbidamente falseada, cuja demonstração
não se pode comprovar". Esta idéia, ou conjunto de idéias, não é acessível
ao raciocínio e argumentação lógica nem é modificada pelo confronto com a
realidade."
Emil Kraeplin.
Emil Kraeplin.
Lentes da mídia turvam a mente do PSDB.
Por: LUIZ CARLOS AZENHA
Prefiro duvidar, sempre, das pesquisas eleitorais. E acreditar na volatilidade dos eleitores, que colocaram Marina Silva no caminho de Dilma Rousseff e tiraram Celso Russomano do caminho de Fernando Haddad, respectivamente em 2010 e 2012.
José Serra enfrenta graves obstáculos, mas nada é impossível faltando uma semana para o segundo turno.
Dito isso, porém, uma eventual derrota de José Serra deveria servir ao menos para acordar os tucanos.
Gilberto Kassab fez o Cidade Limpa. Boa decisão numa questão que não era central à qualidade de vida do conjunto de paulistanos, ou pelo menos não tão importante quanto o transporte público, a saúde e a educação.
O Cidade Limpa deslocou milhões de reais de publicidade antes investidos em espaços públicos para dentro dos jornais, que se não apoiaram Kassab abertamente foram cruciais para a reeleição do aliado de José Serra.
Vamos dizer que os jornais pouparam Kassab de um tratamento tão rigoroso quanto aquele destinado, por exemplo, aos governos petistas.
Kassab encarna a especulação imobiliária e o higienismo social. Os principais jornais paulistanos vivem dos anúncios imobiliários e representam, basicamente, aquela classe média que se identifica com as rampas antimendigo.
A simbiose entre os interesses de Kassab/PSDB e a mídia alimentou nos tucanos a impressão de que seriam imbatíveis em São Paulo, seu principal reduto, especialmente se lançassem o experiente José Serra. Deram de barato que a experiência do candidato aliada ao antipetismo seriam suficientes para garantir a vitória.
Estavam cegos no nevoeiro, parcialmente por “ler” São Paulo a partir da lente turva da mídia, que é de classe média e para a classe média. Foram pegos de surpresa pela revolta dos grotões, que primeiro produziu Celso Russomano e agora é o principal motor a impulsionar Fernando Haddad.
É preciso ir aos extremos de São Paulo para entender o que significa ausência de Estado.
Já fiz isso dezenas de vezes, mas me lembro especialmente da cobertura que fiz das eleições presidenciais de 2010, quando minha pauta foi explicar o motivo de Dilma Rousseff ter obtido votações expressivas em algumas regiões da Grande São Paulo.
Fui à casa de algumas famílias que tinham sido beneficiadas pelo programa Luz para Todos, por exemplo, que haviam entrado no século 21 sem energia elétrica em casa no estado mais rico e mais desenvolvido do Brasil.
As famílias vibravam pelo fato de, agora, ter geladeira e água quente no banheiro!
Não quero sugerir que a maioria dos votos de Fernando Haddad se deve ao patrocínio de Lula, nem esse é o ponto da reflexão.
O ponto é que só raramente os tucanos e os jornais dos tucanos vão aos extremos de São Paulo. Colunistas desinformados produzem previsões sombrias sobre o futuro do PT e os tucanos acreditam.
É o equivalente a uma fábrica de espelhos e fumaça, que encena um universo paralelo calcado em teses que acreditam autorealizáveis.
Este universo frequentemente encontra um poste pela frente. Derrotas eleitorais deveriam servir para uma correção de rota, uma mudança de rumo.
Mas, não é o caso. Hoje, por exemplo, uma colunista da Folha sugere que, depois da ditadura militar, vivemos uma espécie de ditadura lulista (o jornal é o mesmo que, através de um colunista gringo, conseguiu provar que Hugo Chávez perdeu na Venezuela).
Fica implícito que remover Lula é a solução para os tucanos. Depois, é só remover o povo.
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Serra Django. O assassino do Brasil. Este vídeo do Cloaca News, é imperdível.
Cerra,o expoente máximo da extrema direita brasileira, ja eeeeera!
Disseram que ele iria mudar o figurino, pode ser. Mas a baixaria em campanha nunca mudará. Cerra em política é sinal de baixaria.
"Serra, por que vocês não fizeram os 66 kms de corredores de ônibus prometidos pelo Kassab? Serra, por que vocês não entregaram os três hospitais que prometeram construir há quatro anos --e ainda ameaçam privatizar 25% dos leitos do SUS ? Serra, por que até hoje vocês não conseguiram desapropriar um terreno na zona leste para instalar uma universidade federal na região?
Serra, por que vocês não conseguiram preencher um simples formulário eletrônico para ter acesso a R$ 250 milhões do Ministério da Educação destinados à construção de creches em SP --um formulário que três mil prefeitos do interior preencheram sem nenhum problema?
Serra, você não vê que a cidade está vivendo uma crise depois de oito anos de administração sua e do Kassab? Serra..." (Fernando Haddad empareda Serra no debate da Bandeirantes, onde o petista já entrou com 17 pontos de vantagem sobre o tucano.
Mas o Datafolha segurou a divulgação do desastre até encerrar o duelo. Faria um 'ajuste', talvez, se o seu candidato fosse bem?
A eleição entra na reta final do desespero tucano em SP. E o retrospecto mostra que tudo é possível: 'Escárnio', as maquinações e cambalachos para influenciar as urnas no 2º turno de 2012.
CARTAMAIOR
terça-feira, 16 de outubro de 2012
Saul Leblon na CARTAMAIOR, lava a alma do eleitor consciente: Cerra já era!
A 12 dias das urnas do 2º turno, e somente depois de escancarada a omissão, o tucano José Serra lançou seu programa de governo.
O evento entre amigos, em uma livraria em SP, foi quase um programa de lazer tucano, uma encenação política para ser filmada e tapar o buraco mais corrosivo de uma propaganda eleitoral:
a credibilidade.
Em meio ao contravapor das pesquisas, o tucano enfrenta um desgaste de fundo. Quanto mais se expõe, mais se configura o teor de uma trajetória em que as dissimulações se sucedem, como as cascas de uma cebola.
Essa é a grande dificuldade dos seus marqueteiros: hoje o tucano compõe aos olhos da população um personagem cada vez mais desconectado de sua fala; as atitudes ecoam mais alto do que a voz e as promessas.
O acúmulo tende a consolidar uma imagem que se move de forma autônoma, à revelia do arsenal publicitário.
Mudar isso é como enxugar o chão com a torneira aberta.
Carrega-se na maquiagem aqui, arruma-se um beijo inverossímil ali. Em seguida, a realidade irrompe como um vento inoportuno a sabotar o controle do incêndio.
O 'progressista', descobre-se mais adiante, teve atuação regressiva nas votações relativas ao direito do trabalhador, segundo levantamento do DIAP.
O 'desenvolvimentista', soube-se de fonte insuspeita, foi um dos mais empenhados defensores das grandes privatizações do ciclo tucano, caso da Vale do Rio Doce, por exemplo. Testemunho: FHC.
O propalado 'arrojo administrativo' reduz-se a promessa de galinha velha: cacareja mas não bota. Juntos, Serra/Kassab completaram oito anos de um condomínio administrativo que objetivamente destratou SP; agora recolhe o saldo de uma rejeição estrondosa: 45% da cidade reprova a gestão consorciada.
No episódio mais recente, do 'kit anti-homofóbico, esfarelam-se as credenciais do liberal, para emergir o oportunista da intolerância, que troca votos a qualquer preço.
Depois de alvejar a iniciativa do MEC, Serra foi obrigado a admitir, desmascarado mais uma vez: em 2009, quando governador, distribuiu material muito semelhante ao professorado estadual de SP.
A semelhança é compreensível: o material nos dois casos foi produzido pela mesma instituição, a ONG Ecos.
Palavras de um dos integrantes da equipe que participou do projeto: "A Ecos sempre trabalhou na gestão do Serra; ele está cuspindo no pote que comeu".
O material que fizemos para o MEC tem 80% do material do Estado de São Paulo. É um absurdo se utilizar do preconceito para ganhar voto" (Toni Reis, presidente da ABGLT).
Avulta nesse episódio a caricatural disposição de Serra para atacar o programa de Serra, sem qualquer pudor.
Compare o tucano de agora, agarrado ao pastor Malafaia, com esse outro, que tomou as seguintes medidas, lembradas por Antonio Lassance, colunista de Carta Maior:
a) em 2005, ele criou a Coordenadoria de Assuntos da Diversidade Sexual em São Paulo; depois, instituiu a Comissão a Comissão Processante Especial para apuração de atos Discriminatórios a que se refere a Lei n° 10.948/2001, destinada a receber, analisar e mandar punir atos anti-homofóbicos;
b) também em 2005, Serra criou o Conselho Municipal em Atenção à Diversidade Sexual e o Centro de Referência e Combate à Homofobia;
c) em 2006, criou o GRADI – Grupo de Repressão a Delitos de Intolerância a DECRADI – Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância, para o controle e repressão dos grupos homofóbicos.
Em resumo, quando o interesse era disputar o espaço LGBT com a petista Marta Suplicy, Serra não criou apenas um kit anti-homofobia, mas armou um elogiável arsenal da tolerância em SP.
Agora, dá guinada na direção oposta e salta para o colo dos malafaias, supostamente puxadores do voto evangélico.
O evento tardio desta 2ª feira em torno do 'programa' para a cidade ressente-se desse vício congênito à natureza política de Serra: a simulação.
O que se divulgou foi um adereço de mão da fantasia eleitoral, no qual nem o candidato acredita.
Passa-se ao largo da oportunidade preciosa de exercitar a discussão democrática da cidade com os eleitores.
Não há rigor técnico algum na rudimentar listagem tardia de propostas mal-ajambradas. O que é feito para não valer pode elidir metas, omitir cronogramas e abstrair custos.
Em resumo, prescindir dos requisitos que lhe dariam veracidade e transparência compatível com o acompanhamento democrático pela cidadania.
O simulacro do conjunto foi resumido na descrição de um item por insuspeita fonte: "Em um dos poucos momentos em que dedicou sua fala às próprias propostas, Serra lembrou a promessa de construir 30 AMAs (Assistência Médica Ambulatorial)".
(...) "Mas não a ponto de detalhar onde vamos fazer..." (ressalvou o tucano). "Isso seria impossível" (UOL, 16-10).
O modelar descompromisso se repete em outros tiros a esmo, como a promessa de implantar '30 parques' na cidade (onde? como?com que verba?); ou instalar mais cinco mil novos pontos de luz ou ainda a etérea menção uma deficiência escandalosa da gestão de seu apadrinhado, que não dedicou a ela um centímetro adicional de asfalto:
'expandir a rede de corredores de ônibus'. Assim, em quatro palavras, desincumbe-se o tucano da grave distopia do transporte em São Paulo, como se fosse algo tangencial, passível de tratamento genérico e ligeiro.
Vai por aí o seu crepuscular 'programa de governo'.
O conjunto exala o peso e a contundência de uma bolinha de papel eleitoral. Mais que isso, reforça percepção que se calcifica progresivamente: Serra é o principal testemunho contra Serra.
A postura professoral ancorada em boutades é quase ofensiva; a soberba incontrolável das sobrancelhas em pinça denuncia a impaciência de quem ouve por obrigação.
Quando tenta transparecer humildade, o tucano exala condescendência; o tom do discurso é sempre o mais revelador: ao tentar ser simpático é notório que está sendo falso.
O anti-sindicalismo udenista de Serra explode ao primeiro conflito, assim como o recorte antidemocrático irrompe à primeira pergunta de jornalista não embarcado na vassalagem midiática que o sustenta.
O higienismo social de sua visão sequer é dissimulado --e olha que estamos falando de um dissimulador experimentado.
É difícil demover as consequências eleitorais dessa sedimentação ancorada na percepção cotidiana da cidade e na saturação institntiva até diante das dissimulações rotas, das convicções esfarrapadas e do vale tudo das conveniências.
São Paulo é o grande bunker logístico do conservadorismo brasileiro.
A rejeição a um dos principais quadros desse aparato precisa acumular muito vapor na fornalha para romper uma blindagem arrematada com a solda dupla do jornalismo cúmplice.
O maior trunfo de Haddad hoje é esse discernimento em curso na opinião pública: Serra é impermeável a qualquer valor ou compromisso que não atenda ao seu exclusivo interesse pessoal.
No seu arquivo biográfico, o interesse da população ocupa olugar da prateleira subalterna. E essa hierarquia se reafirma na campanha municipal de 2012.
SAUL LEBLON
Horror, o horror! Este senhor que apregoa o golpe de 1964, está no STF, como Ministro!
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Existem tucanos que podem ser considerados intelectuais? Aprovam o uso de um pastor canastrão e um padre que não passa de uma Xuxa para o uso político do Padim Cerra?
A baixaria do uso da religião em uma campanha marcada pela sordidez de Cerra.
OS INTELECTUAIS TUCANOS APÓIAM ISSO?
Os primeiros passos de Serra na largada do 2º turno em São Paulo ilustram o ponto a que está disposto chegar para reverter o prenúncio da derrota que nem o Datafolha dissimula mais.
O tucano reuniu-se nesta 3ª feira com um interlocutor cirurgicamente escolhido para reforçar a musculatura do vale tudo na disputa: o pastor radialista, Silas Malafaia, que veio diretamente do Rio de Janeiro apresentar armas à campanha.
Acompanhado do pastor Jabes Alencar, do Conselho de Pastores de São Paulo, teve um encontro fechado com Serra.
O pacto do além com o aquém foi festejado em manchete do caderno de política da 'Folha de SP'. Assim: "Líder evangélico diz que vai 'arrebentar' candidato petista -- Silas Malafaia afirma que Haddad apoia ativistas gay".
O título em 3 linhas de 3 colunas, ladeado de um foto imensa de Serra (meia pág. em 3 colunas), empunhando uma criança adestrada em fazer o '45', inspira calafrios.
Deliberadamente ou não, o conjunto ilustra um conceito de harmonia que envolve arrebentar a tolerância, de um lado, para preservar a pureza, de outro.
Concepções assemelhadas levaram o mundo a um holocausto eugênico de consequências conhecidas.
A hostilidade beligerante de Serra em relação a adversários --inclusive os do próprio partido-- incorporou definitivamente uma extensão regressiva representada pela restauração do filtro religioso na política.
A hostilidade beligerante de Serra em relação a adversários --inclusive os do próprio partido-- incorporou definitivamente uma extensão regressiva representada pela restauração do filtro religioso na política.
Como recurso de caça ao voto popular, que escapa maciçamente ao programa do PSDB --liquefeito na desordem neoliberal--, é mais uma modernidade que devemos ao iluminismo dos intelectuais de Higienópolis.
O pastor Malafaia foi importado do Rio de Janeiro exatamente com essa finalidade. Veio dizer aos fiéis de São Paulo em quem votar e a quem amaldiçoar. Os critérios escapam aos valores laicos da independência democrática em relação às convicções religiosas.
Mas isso não importa à ética de vernissage de certa inteligência paulista. Faz tempo que em certos círculos incorporarou-se a licença do vale-tudo para vencer o PT, a quem se acusa de sepultar os princípios éticos de esquerda...
Serra aperfeiçoa, não inova na promoção do eclipse das consciências e dos valores laicos que sustentam a convivência compartilhada.
Na campanha presidencial de 2010, a água benta da sua candidatura foi o carimbo de 'aborteira' espetado contra Dilma Rousseff.
A esposa do tucano, culta bailarina Mônica Serra, pregava nas ruas da Baixada Fluminense, como uma mascate da intolerância: 'Ela (Dilma) é a favor de matar as criancinhas'.
Não era uma voz no deserto. Recorde-se que Dom Bergonzini, um bispo de extrema direita, da zona sul de São Paulo, já falecido, encomendou então 20 milhões de panfletos com o mesmo calibre.
Os impressos falseavam a chancela da Igreja católica para atacar, caluniar e desencorajar o voto na candidata da esquerda nas eleições presidenciais.
Um lote do material foi descoberto na gráfica da irmã do coordenador de campanha de Serra.
A imprensa sem escrúpulos teve então, curiosamente, todo o escrúpulo, omitindo-se de perguntar: --De onde veio o dinheiro, Dom Bergonzini?
Tampouco se cogitou indagar se o bispo e os donos da gráfica tinham contato com outro personagem sombrio da campanha tucana, Paulo Preto --que o candidato da hipocrisia conservadora chamava de 'Paulo afro-descendente'.
Apontado como o caixa 2 da campanha, Paulo, fixemos assim, teria desviado R$ 4 milhões em doações para proveito próprio. Mas compartilhava segredos protegidos por recados ameaçadores: --'Não se abandona um líder no meio do caminho'.
A senha era enfática o suficiente para obrigar Serra a interromper a campanha e convocar os jornais, declarando-o um cidadão acima de qualquer suspeita.
A transformação do eleitor em rebanho, a manipulação do discernimento político pela mídia e o retorno das togas a uma simbiose desfrutável pelo estamento conservador, configuram hoje os requisito de uma sociedade capaz de dar a vitória a Serra neste 2º turno.
Não se trata de uma denúncia.
São os ingredientes mobilizados pelo candidato tucano que arredonda assim a biografia com um toque de Tea Party tropical.
O pacto da intolerância selado com o eloquente bispo Malafaia ilustra a travessia edificante de um quadro originalmente tido como o zangão desenvolvimentista da colméia neoliberal.
A intelectualidade iluminista que ainda apoia José Serra tem condições de enxergar essa marcha batida que empurra São Paulo para um Termidor de malafaias.
A intelectualidade iluminista tem, sobretudo, a co- responsabilidade nos desdobramentos dessa distopia obscurantista que a candidatura tucana enseja, agrega, patrocina e encoraja.
A tentativa algo desesperada de evitar a derrota desenhada em São Paulo tem um preço --os intelectuais honestos que orbitam em torno do PSDB vão rachar a conta?
A ver.
PML: Ayres de Brito imaginou um golpe. É o recurso usados pelos golpistas que querem a ruptura.
O ministro disse:
“[O objetivo do esquema era] um projeto de poder quadrienalmente quadruplicado. Projeto de poder de continuísmo seco, raso. Golpe, portanto”
Denunciar golpes de Estado em curso é um dever de quem tem compromissos com a democracia.
Denunciar golpes de Estado imaginários é um recurso frequente quando se pretende promover uma ruptura institucional.
O caso mais recente envolveu Manoel Zelaya, o presidente de Honduras. Em 2009 ele foi arrancado da cama e, ainda de pijama, conduzido de avião para um país vizinho.
Acusava-se Zelaya de querer dar um golpe para mudar a Constituição e permanecer no poder. Uma denúncia tão fajuta que – graças ao Wikileaks – ficamos sabendo que até a embaixada dos EUA definiu a queda de Zelaya como golpe.
Mais tarde, ao reavaliar o que mais convinha a seus interesses de potência, a Casa Branca mudou de lado e encontrou argumentos para justificar a nova postura, fazendo a clássica conta de chegar para arrumar fatos e os argumentos.
Em 31 de março de 64, tivemos um golpe de Estado de verdade, que jogou o país em 21 anos de ditadura.
O golpe foi preparado pela denúncia permanente de um golpe imaginário, que seria preparado por João Goulart para transformar o país numa “república sindicalista.”
Basta reconstituir os passos da conspiração civil-militar para reconhecer: o toque de prontidão do golpismo consistia em denunciar projetos anti democráticos de Jango.
Considerando antecedentes conhecidos, o voto de Ayres Britto é preocupante porque fora da realidade.
Vamos afirmar: não há e nunca houve um projeto de golpe no governo Lula.
Nem de revolução. Nem de continuísmo chavista. Nem de alteração institucional que pudesse ampliar seus poderes de alguma maneira.
Lula poderia ter ido as ruas pedir o terceiro mandato.
Não foi e não deixou que fossem. Voltou para São Bernardo mas, com uma história maior do que qualquer outro político brasileiro, não o deixam em paz. Essa é a verdade.
Temos um ex grande demais para o papel. Isso porque o PT quer extrair dele o que puder de prestígio e popularidade.
A oposição quer o contrário. Sabe que sua herança é um obstáculo imenso aos planos de retorno ao poder.
Ouvido pelo site Consultor Jurídico, o professor Celso Bandeira de Mello, um dos principais advogados brasileiros, deu uma entrevista sobre o mensalão, ainda no começo do processo:
ConJur — Como o senhor vê o processo do mensalão?
Celso Antônio Bandeira de Mello − Para ser bem sincero, eu nem sei se o mensalão existe.
Porque houve evidentemente um conluio da imprensa para tentar derrubar o presidente Lula na época. Portanto, é possível que o mensalão seja em parte uma criação da imprensa. Eu não estou dizendo que é, mas não posso excluir que não seja.
Bandeira de Mello é amigo e conselheiro de Lula.
Foi ele quem indicou Ayres Britto para o Supremo.
A nomeação de Brito – e de Joaquim Barbosa, de Cesar Pelluzzo – ocorreu na mesma época em que Marcos Valério e Delúbio Soares andavam pelo Brasil para, segundo o presidente do Supremo, arrumar dinheiro para o “continuísmo seco, raso.”
Os partidos políticos podem ter, legitimamente, projetos duradouros de poder. É inevitável, porque poucas ideias boas podem ser feitas em quatro anos.
Os tucanos de Sérgio Motta queriam ficar 25 anos. Ficaram oito.
Lula e Dilma, somados, já garantiram uma permanência de 12.
Tanto num caso, como em outro, tivemos eleições livres, sob o mais amplo regime de liberdades de nossa história.
Para quem gosta de exemplos de fora, convém lembrar que até há pouco o padrão, na França, eram governos de 14 anos – em dois mandatos de sete.
Nos Estados Unidos, Franklin Roosevelt foi eleito para quatro mandatos consecutivos, iniciando um período em que os democratas passaram 20 anos seguidos na Casa Branca.
Os democratas de Bill Clinton poderiam ter ficado 12 anos.
Mas a Suprema Corte, com maioria republicana, aproveitou uma denúncia de fraude na Flórida para dar posse a George W. Bush, decisão ruinosa que daria origem a uma tragédia de impacto internacional, como todos sabemos.
O ministro me desculpe mas eu acho que, para falar do mensalão como parte de projeto de “continuísmo seco, raso,” é preciso considerar o Brasil uma grande aldeia de Gabriel Garcia Márquez.
Em vez da quinta ou sexta economia do mundo, jornais, emissoras de TV, bancos poderosos, um empresariado dinâmico, trabalhadores organizados e 100 milhões de eleitores, teríamos de coronéis bigodudos com panças imensas, latifúndios a perder de vista, cidadãos dependentes, morenas lindas e apaixonadas, capangas de cartucheira.
No mundo de Garcia Marquez, não há democracia, nem conflito de ideias.
Não há desenvolvimento, apenas estagnação, tédio e miséria. Naquelas aldeias do interior remoto da Colômbia, homens e mulheres famintos vivem às voltas de um poder único e autoritário.
Esmolam favores, promoções, presentes, pois ninguém tem força, autonomia e muito menos coragem para resolver a própria vida.
Desde a infância, todos os cidadãos são ensinados a cortejar o poder, bajular. É seu modo de vida. Como recompensa, recebem esmolas.
No mensalão de Macondo, seria assim.
Será esta uma visão adequada do Brasil?
Em 1954, no processo que levou ao suicídio de Getúlio Vargas, também se falou em golpe.
Com apoio de uma imprensa radicalizada, em campanhas moralistas e denuncias – muitas vezes sem prova – contra o governo, dizia-se que Vargas pretendia permanecer no posto, num golpe continuísta, com apoio do ”movimento de massas.”
Era por isso, dizia-se, que queria aumentar o salario mínimo em 100%.
Embora o mínimo tivesse sido congelado desde 1946, por pressão conservadora sobre o governo Eurico Dutra, a proposta de reajuste era exibida como parte de um plano continuísta para agradar aos pobres – numa versão que parece ter lançado os fundamentos para as campanhas sistemáticas contra o Bolsa-Família, 50 anos depois.
Embora falasse em mercado interno, desenvolvimento industrial e até tivesse criado a Petrobrás, é claro que Vargas queria apenas, em aliança com o argentino Juan Domingo Perón (o Hugo Chávez da época?), estabelecer uma comunhão sindicalista na América do Sul e transformar todo mundo em escravo do peleguismo, não é assim?
E agora você, leitor, vai ficar surpreso.
Um dos grandes conspiradores contra Getúlio Vargas, especialista em denunciar golpes imaginários, foi parar no Supremo. Chegou a presidente, teve direito a um livro luxuoso com uma antologia de suas sentenças.
Estou falando de Aliomar Baleeiro, jurista que entrou no tribunal em 1965, indicado por Castelo Branco, o primeiro presidente do ciclo militar, e aposentou-se em 1975, o ano em que o jornalista Vladimir Herzog foi morto sob tortura pelo porão da ditadura.
Baleeiro deixou bons momentos em sua passagem pelo Supremo. Defendeu várias vezes o retorno ao Estado de Direito.
Chegou a dar um voto a favor de frades dominicanos que faziam parte do círculo de Carlos Marighella, principal líder da luta armada no Brasil.
A ditadura queria condenar os frades. Baleeiro votou a favor deles.
Tudo isso é muito digno mas não vamos perder a o fio da história que nos ajuda a ter noção das coisas e aprender com elas.
Em várias oportunidades, o ministro que faria a defesa do Estado de Direito contribuiu para derrotá-lo.
O ministro chegou ao STF com uma longa folha de serviços anti democráticos.
Em 1954, ele era deputado da UDN, aquele partido que reunia a fina flor de um conservadorismo bom de patrimônio e ruim de votos.
Um dos oradores mais empenhados no combate a Getúlio Vargas , Baleeiro foi a tribuna da Câmara para pedir um “golpe preventivo”.
( Pode-se conferir em “Era Vargas — Desenvolvimentismo, Economia e Sociedade,” página 411, UNESP editora.)
Os adversários de Vargas tentaram a via legal, o impeachment. Tiveram uma derrota clamorosa, como diziam os locutores esportivos de vinte anos atrás: 136 a 35.
Armou-se, então, uma conspiração militar. Alimentada pelo atentado contra Carlos Lacerda, que envolvia pessoas do círculo de Vargas, abriu-se uma pressão que acabaria emparedando o presidente, levado ao suicídio.
Baleeiro permaneceu na UDN e conspirou contra a campanha de JK, contra a posse de JK e contra o governo JK. Sempre com apoio nos jornais, foi um campeão de denúncias.
Era aquilo que, mais uma vez com ajuda da mídia, muitos brasileiros pensavam que era o Demóstenes Torres – antes que a verdade do amigo Cachoeira viesse a tona.
Baleeiro estava lá, firme, no golpe que derrubou Jango para combater a subversão e a …corrupção.
Foi logo aproveitado pelo amigo Castelo Branco para integrar o STF.
Já havia denuncia de tortura e de assassinatos naqueles anos. Mortos que não foram registrados, feridos que ficaram sem nome. Não foram apurados, apesar do caráter supremo das togas negras.
Entre 1971 e 1973, Baleeiro ocupava a presidência do STF. Nestes dois anos, o porão do regime militar matou 70 pessoas.
Nenhum caso foi investigado nem punido, como se sabe. Nem na época, quando as circunstâncias eram mais difíceis. Nem quarenta anos depois, quando pareciam mais fáceis.
Em 1973, José Dirceu, que pertenceu a mesma organização que Marighella, vivia clandestinamente no Brasil. Morou em Cuba mas retornou para seguir na luta contra o regime militar.
Infiltrado no grupo, o inimigo atirou primeiro e todos morreram. Menos Dirceu. Os ossos de muitos levaram anos para serem identificados. Nunca soubemos quem deu a ordem.
Não se apontou, como no mensalão, para quem tinha o domínio do fato para a tortura, as execuções.
Um dos principais líderes do Congresso da UNE, entidade que o regime considerava ilegal, Dirceu foi preso em 1968 e saiu da prisão no ano seguinte. Não foi obra da Justiça, infelizmente, embora estivesse detido pela tentativa de reorganizar uma entidade que desde os anos 30 era reconhecida pelos universitários como sua voz política.
(Figurões da ditadura, como o pernambucano Marco Maciel, que depois seria vice presidente de FHC, Paulo Egydio Martins, governador de São Paulo no tempo de Geisel, tinham sido dirigentes da UNE, antes de Dirceu).
A Justiça era tão fraca , naquele período, que Dirceu só foi solto como resultado do sequestro do embaixador Charles Elbrick, trocado por um grupo de presos políticos. Mas imagine.
Foi preciso que um bando de militantes armados, em sua maioria garotos enlouquecidos com Che Guevara, cometesse uma ação desse tipo para que pessoas presas arbitrariamente, sem julgamento, pudessem recuperar a liberdade.
Que país era aquele, não? Que Justiça, hein?
Preso no Congresso da UNE, também, Genoíno foi solto e ingressou na guerrilha do Araguaia.
Apanhado e torturado em 1972, Genoíno conseguiu esconder a verdadeira identidade durante dois meses. Estava em Brasília quando a polícia descobriu quem ele era.
Foi levado de volta a região da guerrilha e torturado em praça pública, como exemplo.
Ontem a noite, José Dirceu e José Genoíno foram condenados por 8 votos a 2 e 9 votos a 1.
Foi no final da sessão que Ayres Britto falou em “projeto de poder de continuísmo seco, raso. Golpe, portanto”
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
O asqueroso Padim cerra e sua exploração vil da religiosidade.O uso de pastores canastrões, para fomentar o ódio religioso e a homofobia será o mote da campanha do santarrão cerra. De política ele não pode falar a que vem.
serra na missa de canindé by carlo ponti
O LIXO DA EXPLORAÇÃO DO PADIM CERRA NA MISSA DE CANINDÉ E QUE VOLTARÁ AGORA NA ELEIÇÃO DE SÃO PAULO.
O LIXO DA EXPLORAÇÃO DO PADIM CERRA NA MISSA DE CANINDÉ E QUE VOLTARÁ AGORA NA ELEIÇÃO DE SÃO PAULO.
A idade da treva.
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Lula foi o fodão da eleição. Os "especialistas" doPIG têm que admitir.
Hasta la vista PSDB!
“As pessoas têm que respeitar o faro político do Lula”
Najla Passos
Brasília - É fato que as eleições municipais deste domingo tiveram bons e maus momentos para quase todos os partidos. Para o professor Fabiano Guilherme Santos, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), a correlação de forças não mudou de forma significativa.
Segundo ele, no campo conservador, o que surpreendeu foi o crescimento vertiginoso do PSD de Kassab, enquanto o PSDB encolheu e o DEM caminha para a extinção.
Segundo ele, no campo conservador, o que surpreendeu foi o crescimento vertiginoso do PSD de Kassab, enquanto o PSDB encolheu e o DEM caminha para a extinção.
Já no campo progressista, o fator de destaque ainda é o vigor do “efeito Lula”: o ex-presidente emplacou Haddad no segundo turno da principal cidade brasileira, ajudou a manter o fôlego do PT nas disputas das grandes cidades e a garantir a tendência de crescimento nas pequenas.
Em entrevista à Carta Maior, ele também avalia o efeito nulo do julgamento do “mensalão” nas eleições, especialmente nos municípios do ABC paulista, mais propensos a serem afetados pela pauta. E comenta, ainda, a vitória do PT em dois dos principais redutos da quadrilha do contraventor Carlinhos Cachoeira: Goiânia e Anápolis.
As eleições deste domingo mudaram a correlação de forças dos partidos brasileiros?
Não houve grandes alterações, não.
Em entrevista à Carta Maior, ele também avalia o efeito nulo do julgamento do “mensalão” nas eleições, especialmente nos municípios do ABC paulista, mais propensos a serem afetados pela pauta. E comenta, ainda, a vitória do PT em dois dos principais redutos da quadrilha do contraventor Carlinhos Cachoeira: Goiânia e Anápolis.
As eleições deste domingo mudaram a correlação de forças dos partidos brasileiros?
Não houve grandes alterações, não.
Uma coisa que surpreendeu foi o PSD, que teve um desempenho muito bom, se colocando como o quarto no ranking geral de controle de prefeituras.
Substitui o DEM, que foi lá para baixo, e que, se não ganhar Salvador, estará no caminho da extinção.
- Então o PSD se consolida como a nova oposição conservadora?
O DEM está se tornando um pequeno partido, um partido nanico mesmo. O PSD teve um desempenho avassalador [sai das eleições com 493 prefeitos].
- Então o PSD se consolida como a nova oposição conservadora?
O DEM está se tornando um pequeno partido, um partido nanico mesmo. O PSD teve um desempenho avassalador [sai das eleições com 493 prefeitos].
Depois do PMDB em primeiro, o PSDB em segundo e o PT em terceiro, já vem o PSD.
Ultrapassou PDT, PTB, PSB, que são partidos que têm legenda, que continuam crescendo. Esse é o primeiro dado interessante. O PSD realmente se colocou como alternativa de centro-direita ao DEM.
- Mas entre os três principais partidos, a correlação de forças se manteve?
O PMDB perdeu um pouquinho de força [200 prefeituras a menos do que nas eleições passadas]. O PSDB, também [96 a menos]. Não de forma significativa, mas ambos caíram.
- Mas entre os três principais partidos, a correlação de forças se manteve?
O PMDB perdeu um pouquinho de força [200 prefeituras a menos do que nas eleições passadas]. O PSDB, também [96 a menos]. Não de forma significativa, mas ambos caíram.
O PSDB já vem de uma tendência de queda, embora não muito significativa, do número de prefeituras. Já o PT cresceu. Não de uma maneira avassaladora, mas cresceu [fez 67 prefeituras a mais do que em 2008].
- O PT se fortaleceu nas pequenas cidades, mas manteve a postura histórica de liderança das grandes?
O PT manteve sua trajetória de se inserir no poder local das pequenas cidades, uma trajetória que já vem de algum tempo, e esse pleito confirmou isso.
- O PT se fortaleceu nas pequenas cidades, mas manteve a postura histórica de liderança das grandes?
O PT manteve sua trajetória de se inserir no poder local das pequenas cidades, uma trajetória que já vem de algum tempo, e esse pleito confirmou isso.
Agora, em relação às grandes cidades, o resultado ainda depende em muito do segundo turno.
E o PT está competindo em muitas delas [22 capitais e cidades com mais de 200 mil habitantes]. Então, é preciso um olhar do segundo turno para se ter uma análise mais clara. É possível que o PT ainda se saia melhor. Mas o PSDB também, porque está competindo, principalmente em capitais [ 16 cidades polos]. Entretanto, mesmo que ele ganhe todas nas quais está competindo não terá o mesmo desempenho que nas eleições passadas.
- Então, para os partidos de oposição ao governo federal, o quadro piorou: o PSDB diminuiu um pouquinho e o DEM, bastante?
É, bastante. Pode se dizer isso. Agora o PSD do Kassab foi muito bem sucedido ao capitalizar os votos de centro-direita.
- No campo da esquerda, merece destaque o desempenho do PSB, que fez 120 prefeituras a mais do que nas eleições passadas?
Sim, o PSB cresceu muito. Teve um desempenho muito bom.
- Você tinha avaliado, em entrevista anterior, que o julgamento do “mensalão” não afetaria de forma significativa estas eleições, análise esta que se confirmou, não é?
Só para se ter uma ideia, em Osasco (SP), onde o João Paulo Cunha [condenado pelo “mensalão”] teve que retirar sua candidatura, o candidato do PT que o substituiu ganhou com mais de 60% dos votos. O PT tirou o primeiro lugar ou está no segundo turno em todas as cidades do ABC. E isso no interior de São Paulo, onde apontavam que o “mensalão” poderia fazer um estrago maior. Portanto, a alegada influência do “mensalão” não é verdadeira. O PT está muito competitivo, inclusive nestas regiões que seriam teoricamente as mais afetadas.
- Agora, uma outra coisa intrigante foi o bom desempenho do PT no curral do contraventor Carlinhos Cachoeira. O PT reelegeu o prefeito de Goiânia, elegeu o prefeito de Anápolis... Isso pode ser influência da CPMI do Cachoeira, da cassação do mandato do ex-senador Demóstenes Torres (ex-DEM)?
O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) ficou muito combalido com todas essas denúncias. E o governador do Estado tem uma ação importante nas eleições para as prefeituras. O Marconi Perillo tá muito fragilizado, e isso pode ter contado. Então, seria não tanto uma influência direta da CPMI do Cachoeira, mas sim o atar de mãos do governador.
- E o ex-presidente Lula, sai fortalecido?
Os comentaristas e cientistas políticos têm que tirar o chapéu para o Lula.
- E melhorar as análises também...
Isso, melhorar as análises, porque todo mundo falou que Lula errou ao escolher o Haddad, ao insistir no Haddad, ao lutar pelo Haddad. As pessoas têm que respeitar o faro político dele. De todas as análises políticas, a melhor foi a de Lula. O Lula dá de dez em todos eles.
- E os institutos de pesquisas?
O Ibope foi bem, mas o Datafolha teve um comportamento muito estranho.
- Então, para os partidos de oposição ao governo federal, o quadro piorou: o PSDB diminuiu um pouquinho e o DEM, bastante?
É, bastante. Pode se dizer isso. Agora o PSD do Kassab foi muito bem sucedido ao capitalizar os votos de centro-direita.
- No campo da esquerda, merece destaque o desempenho do PSB, que fez 120 prefeituras a mais do que nas eleições passadas?
Sim, o PSB cresceu muito. Teve um desempenho muito bom.
- Você tinha avaliado, em entrevista anterior, que o julgamento do “mensalão” não afetaria de forma significativa estas eleições, análise esta que se confirmou, não é?
Só para se ter uma ideia, em Osasco (SP), onde o João Paulo Cunha [condenado pelo “mensalão”] teve que retirar sua candidatura, o candidato do PT que o substituiu ganhou com mais de 60% dos votos. O PT tirou o primeiro lugar ou está no segundo turno em todas as cidades do ABC. E isso no interior de São Paulo, onde apontavam que o “mensalão” poderia fazer um estrago maior. Portanto, a alegada influência do “mensalão” não é verdadeira. O PT está muito competitivo, inclusive nestas regiões que seriam teoricamente as mais afetadas.
- Agora, uma outra coisa intrigante foi o bom desempenho do PT no curral do contraventor Carlinhos Cachoeira. O PT reelegeu o prefeito de Goiânia, elegeu o prefeito de Anápolis... Isso pode ser influência da CPMI do Cachoeira, da cassação do mandato do ex-senador Demóstenes Torres (ex-DEM)?
O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) ficou muito combalido com todas essas denúncias. E o governador do Estado tem uma ação importante nas eleições para as prefeituras. O Marconi Perillo tá muito fragilizado, e isso pode ter contado. Então, seria não tanto uma influência direta da CPMI do Cachoeira, mas sim o atar de mãos do governador.
- E o ex-presidente Lula, sai fortalecido?
Os comentaristas e cientistas políticos têm que tirar o chapéu para o Lula.
- E melhorar as análises também...
Isso, melhorar as análises, porque todo mundo falou que Lula errou ao escolher o Haddad, ao insistir no Haddad, ao lutar pelo Haddad. As pessoas têm que respeitar o faro político dele. De todas as análises políticas, a melhor foi a de Lula. O Lula dá de dez em todos eles.
- E os institutos de pesquisas?
O Ibope foi bem, mas o Datafolha teve um comportamento muito estranho.
Assalto! Padim Cerra, quer tratar de valores.
O careca da esquerda, quer tratar de "valores".No fim todos tratam de "valores".
Mãos ao alto: Serra quer tratar de valores!
Serra estreou a sua falta de jeito e carência programática no segundo turno da disputa municipal em SP, revelando certa afoiteza diante do vazio.
Entrou no salão, cuspiu no assoalho e engatilhou a única arma de que parece dispor para superar a pior votação recebida em casa nos últimos anos.
O tucano avisou que vai usar o STF como cabo eleitoral para atacar Haddad 'na questão dos valores'.
Atente-se: quem está dizendo isso chama-se José Serra.
A palavra valores não lhe cai bem.
Exceto, talvez, quando a quantia é mencionada, mas neste caso, Paulo Preto seria o interlocutor mais adequado, não Haddad.
Afoitezas e cifras à parte, não seria descabido indagar: ademais de obras e ações urgentes, quais valores éticos ostentados por um prefeito poderiam fazer a diferença em uma cidade como São Paulo?
O sociólogo polonês Zygmunt Bauman cunhou a palavra ' mixofobia' para descrever aquele que seria, em sua opinião, o medo típico das grandes cidades contemporâneas: a fobia de se misturar com outras pessoas.
Em que medida um caráter como o de Serra contribuiria para romper essa galvanização individualista, matriz de desdobramentos políticos, sociais e culturais de gravidade presumível?
Um exemplo aleatório: na manhã do último domingo, enquanto o Brasil comparecia às urnas, um travesti era arrastado pelo carro de um provável cliente na zona Sul de São Paulo.
Morreria em seguida, em consequência dos ferimentos.
Segundo a ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) foi a 86ª vítima de uma série de assassinatos de travestis registrados em todo o Brasil este ano. Em 2011, a violação de direitos humanos contra LGBTs somou 6.806 casos.
Entre as origens do fenômeno encontra-se a sensação de impunidade desfrutada em ambiente contaminado pelo ódio à diferença, irradiado ou sancionado por lideranças e figuras públicas.
A guerra é o exemplo clássico dessa dinâmica deformadora: contra inimigo, tudo.
A permissividade bélica transfigura indivíduos aparentemente normais em máquinas mortíferas.
Se é legítimo bombardear uma cidade inteira, por que não o seria torturar e degradar peças individuais do estoque?
Abu Ghraib: o ponto dentro da curva.
Um barão do século XVIII, Montesquieu, já sinalizara que a virtude não está nos indivíduos, mas nas instituições (o que torna especialmente hipócrita, diga-se, um tribunal encenar rigor no varejo, e omitir-se diante da usina indutora de caixa 2 que é a legislação eleitoral vigente).
Caçadores de pecados, auto-ungidos em guardiães dessa moral das conveniências, abundam. Do alto de seus púlpitos --ou debaixo das togas-- comandam milhões de almas desprovidas de outro abrigo de identidade, num meio social evanescente.
O pastor Silas Malafaia é um dos centuriões armados de borduna e tacape espiritual.
O pastor Silas Malafaia é um dos centuriões armados de borduna e tacape espiritual.
Sua especialidade é impedir a educação para a tolerância, talvez um dos valores mais importantes para reverter a mixofobia de Baumann, da qual a matança denunciada pela ABGLT pode ser uma expressão clínica.
Malafaia, que usa gravatas de um dourado ofuscante, e lenço combinando, nem pisca.
Malafaia, que usa gravatas de um dourado ofuscante, e lenço combinando, nem pisca.
No 1º turno, twitou ordens sagradas de voto em Serra; 'contra o kit gay', comandava.
O tucano não desautorizou a associação do seu nome à figura do 'caçador de kit gay'.
Não se pode responsabilizar ninguém pela loucura no seu entorno.
Não se pode responsabilizar ninguém pela loucura no seu entorno.
Mas o intercurso de Serra com a intolerância extrapola a ordem unida disparada por Malafaia.
A esposa do tucano fez da caça ao aborto seu bordão de campanha na disputa presidencial de 2010 .
Disse Monica Serra a um transeunte na Baixada fluminense, em 14-09-2010:
"Ela (Dilma) é a favor de matar criancinhas" (Estadão).
Não só.
O braço direito de de Serra , Andrea Matarazzo, transformou as impiedosas rampas anti-mendigo em um dos símbolos do higienismo social adotado na fugaz passagem do tucano pela prefeitura de São Paulo, que abandonou com um ano e meio de mandato para concorrer ao governo do Estado, em 2006.
Kassab, saído da mesma cepa, vice campeão nacional em rejeição, proibiu há pouco a distribuição de comida aos moradores de rua - 'por questões de higiene'.
O conforto de Serra nessa curva reveladora não se resume à esfera dos costumes.
Dentro do próprio PSDB o candidato é conhecido como uma pessoa que tem na intolerância um traço de caráter e um método político.
É esse personagem que pretende levar a discussão de 'valores' ao 2º turno em SP.
É esse personagem que pretende levar a discussão de 'valores' ao 2º turno em SP.
Não se subestime a octnagem da mixofobia entranhada num ajuntamento de 11 milhões de pessoas que compartilham (majestático) o mesmo espaço urbano em São Paulo.
Menos ainda se subestime o efeito conflitivo que uma prefeitura pautada pelos 'valores' de José Serra pode acarretar nesse ambiente.
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