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quarta-feira, 13 de julho de 2011

MAURO SANTAYANA: O DESALENTO DA PRESIDENTA. SANEAMENTO DO ESTADO.

 NA FOTO MAURO SANTAYANA. MEU DEUS! E ESTE BRILHANTE JORNALISTA, JÁ TRABALHOU NO DRD.


O desalento da presidente

 

COM ELA NÃO É PERMITIDO ADITIVAR. PREVARICOU DANÇOU!



Mauro Santayana

Ao falar, ontem, a emissoras do Paraná, a Presidente Dilma Roussef foi sincera e humana: há muitas coisas no governo que a entristecem. Pode estar certa a chefe de Estado que os brasileiros em sua  imensa maioria comungam do mesmo desalento.

 Os cidadãos entendem que o ato de governar é difícil, e que reclama habilidade e paciência, mas não  aceitam -  salvo  os interessados na instabilidade política – as pressões que se fazem à presidente.

Depois de ouvir um correligionário irado, que se queixava  do tratamento privilegiado a um aliado do governo, Juscelino gastou meia hora tranqüilizando-o. Quando o reclamante saiu, desabafou-se com seu chefe da Casa Civil, Vítor Nunes Leal:


- Aqui, na Presidência, suporto insolência que não agüentaria, se fosse simples prefeito de Diamantina.

Ele não foi prefeito de Diamantina, mas, os que o conheceram prefeito de Belo Horizonte e governador de Minas,  se lembram de que ele era rigoroso  com seus subordinados, e sabia cobrar as tarefas com energia.


Podemos entender as dificuldades da presidente e não podemos negar-lhe solidariedade e apoio.

Não lhe serve de consolo, mas de estímulo, saber que os governantes dos principais países do mundo não se sentem tampouco em plena felicidade nestes últimos meses e anos. Estamos em um daqueles momentos históricos em que a ruptura se anuncia, mas pede líderes sensatos, capazes de criar instrumentos políticos hábeis para vencer a conjuntura perigosa.


Não é seguro que a História se repita, embora os seus movimentos de impaciência sempre se pareçam.

 O grande fermento das mudanças é a informação, que amplia o entendimento dos homens e suscita idéias novas, nas artes, na filosofia e na política.

Isso explica que o Renascimento tenha sido contemporâneo da imprensa, e o Iluminismo, sua continuidade, haja trazido  ebulição intelectual que não só deflagraria a Revolução Francesa, mas também estabeleceria os fundamentos científicos da tecnologia contemporânea.


A química de Lavoisier abriu a imensa perspectiva da produção de sucedâneos das matérias naturais e sem ela seria impensável a nanotecnologia, entre outras conquistas da ciência de hoje. Mas o excepcional cientista deixou-se seduzir pela corrupção, ao participar de uma empresa concessionária da cobrança de impostos, que lesou as finanças revolucionárias, e foi guilhotinado. Não são raros os casos de corrupção de homens geniais.


O que está ocorrendo em algumas áreas do governo felizmente não chega a anunciar horas tão trágicas como as vividas na França de há 220 anos – mas incomoda principalmente os  que têm muito a elogiar na política econômica e social dos últimos oito anos e seis meses. Não se pode perder uma experiência que reduziu drasticamente a desigualdade e promoveu o desenvolvimento do país, de forma tão marcante, em conseqüência dessa promiscuidade entre setores do governo e do parlamento com empreendedores privados.


Um dos mais audaciosos criminosos dos anos 70, o assaltante Lúcio Flávio, ficou famoso por uma sentença óbvia, ao explicar por que não se envolvia com policiais: polícia é polícia, bandido é bandido.

 A máxima – reduzida a crueza de sua origem e circunstância – pode ser ampliada: governo é governo, empresas privadas são empresas privadas. A realidade – aqui e em todos os países ocidentais, registre-se – mostra que já não há fronteiras nítidas entre a administração pública e os grandes negócios.

 

Os pequenos empresários se candidatam ao poder municipal, e começam a crescer fazendo negócios com a prefeitura. Em seguida se elegem para os parlamentos estaduais e para o Congresso – onde ampliam sua participação nos recursos públicos:   mediante suas próprias empresas, ou se associando a grupos nacionais e internacionais. Em alguns casos, preferem ser apenas intermediários. São lobistas privilegiados, com acesso a todos os níveis de poder.


Estamos chegando aos limites da paciência dos povos. Nos Estados Unidos, Obama não consegue taxar os ricos em favor dos pobres, porque a maioria dos congressistas representa ali os grandes interesses financeiros e industriais, entre eles os dos fabricantes de armas. Na Europa, para salvar o dinheiro dos grandes bancos, os estados nacionais estão indo à falência. A razão é simples: são os ricos que financiam as eleições e a eles os governos prestam obediência.


É interessante relembrar que, na França de 1789, o povo foi às ruas e derrubou a Bastilha em favor de um banqueiro que, na administração das finanças nacionais, corroídas pela ladroagem dos nobres, defendia reformas moralizadoras. Necker teve a lucidez que falta aos banqueiros de hoje – e, por isso mesmo, não perdeu a cabeça naquelas jornadas sangrentas.


A presidente está diante de  arriscada oportunidade: a de iniciar o processo de saneamento da administração do Estado. Os observadores sensatos contam com sua paciência diante da protérvia e sua firmeza estratégica. É certo que enfrentará inimigos poderosos, internos e externos, mas, se assim agir, a maioria do povo brasileiro estará ao seu lado, como esteve nas eleições do ano passado.




segunda-feira, 11 de julho de 2011

JORNAL VALOR: PSDB É UMA NAU SEM RUMO. NA MINHA VISÃO O PSDB É DE FATO UM DESASTRE

Do Valor
O PSDB hoje é uma nau sem rumo
Renato Janine Ribeiro
11/07/2011 


A presidenta Dilma está numa fase difícil de seu governo, mas que dizer da oposição? Do PV, como alternativa de poder, já não se fala. Restou a oposição tradicional, o PSDB, mas sem rumo.

"Acho que ele está mais é para um desastre" grifo meu ptremdas13e13".



Por razões que a razão desconhece, seu candidato à Presidência, em vez de apostar naquilo em que ele é bom - o desenvolvimentismo - e que sempre lhe agregou valor em nossa política, preferiu na reta final da campanha de 2010 aderir ao moralismo, no aborto e até na homofobia.

PARA CERRA, ABORTO NO CHILHE PODE.



O conglomerado tucano foi e é uma trinca de partidos.

 O maior deles é o PSDB. Dos três, só ele pode concorrer à Presidência da República. Já o DEM foi nosso maior partido, elegendo 105 deputados federais em 1998. Mas minguou para 43, em 2010. Largou o nome de PFL, sangra com a saída do prefeito de São Paulo, seu maior líder eleito.

Pouco lhe resta, salvo fundir-se com o PSDB. O terceiro é o PPS, antigo Partido Comunista Brasileiro: serve uma excelente retórica de esquerda somada a uma prática frágil. O PPS subsistirá mas, como vários partidos, sua vocação é ser coadjuvante - o que não é desonra alguma: também coadjuvantes recebem o Oscar.



Mas o eixo está no PSDB. Restam-lhe, hoje, três presidenciáveis. No Brasil, ser presidenciável é um galardão. Significa que o político recebe realce. Poucos presidenciáveis chegam à presidência, é óbvio, mas não basta ser político - ou político bom - para ser presidenciável, isto é, alguém com reais chances de se eleger. Os três são ex-governadores, dois de São Paulo e um de Minas Gerais. Parece que, após elegermos três presidentes sucessivos que jamais governaram um Estado, estaríamos voltando à regra de que se aprende a governar degrau a degrau, como quase sempre foi em nossa história.

 

Vejamos os três nomes. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, conta com a fama de pessoa calma e tranquila, mas já teve sua chance em 2006 e, talvez porque partiu para a agressão verbal ao então presidente Lula, conseguiu perder votos no segundo turno em relação ao primeiro, feito raro e que reduz sua cotação nacional.

José Serra, ex-governador paulista, concorreu duas vezes à presidência e perdeu.

 Restaria o príncipe encantado que, desde a pré-campanha de 2010 aparecia como o nome do futuro, fadado a resgatar a morte do avô, diplomado mas que morreu antes de assumir a presidência, Tancredo Neves. Dizem que Serra lhe teria prometido a candidatura em 2014, qualquer que fosse o resultado do pleito do ano passado.

 Mas na noite do segundo turno, ao sair o resultado das eleições, Serra se absteve de cumprimentar correligionários que não fossem paulistas.

Mais recente, o episódio em que Aécio Neves se recusou a prestar o teste do bafômetro deixa certa preocupação sobre sua maturidade para a Presidência.

É provavelmente o melhor articulador dentro do partido, seu nome mais simpático e encantador, provém de um Estado que está há tempos fora do Planalto (até porque Dilma é mais gaúcha do que mineira) -

mas Aécio deu à sociedade um exemplo negativo, em termos de conduta pessoal.

Este rápido percurso pelos nomes não substitui, porém, o que realmente conta: o projeto que o partido defenderá. Nenhum partido brasileiro, como se sabe, se diz de direita.

 O DEM, tentando não ser esvaziado por Kassab e sobreviver ao PSDB, outro dia ousou dizer-se "conservador". Mas talvez não tenha como ser um partido liberal, o que, aliás, não se confunde com conservador.

 O PSDB fará haraquiri se for conservador, e terá dificuldade em ser apenas liberal. Mas é fato que foi indo para a direita. Sua criação já mostrava algo estranho. Os partidos social-democratas, na Europa, nasceram dos sindicatos. Mas aqui não houve amor entre o mundo sindical e o PSDB. Significativo da dificuldade de se dizer "social-democrata" é um artigo na Folha, por sinal brilhante, em que

Gustavo Franco definia, no começo do ano, a "social-democracia" em que acreditava:

Nada sobre o mundo do trabalho, tudo sobre economia, finanças e gestão.

 Estava mais para um liberalismo consistente do que para a social-democracia. Disso, o resultado é que a social-democracia brasileira acabou sendo o PT no governo.


Lembremos. Quando, no começo de 2002, Roseana Sarney aparecia como a promessa de uma candidatura forte da direita (pelo PFL), não acreditei.

 Ela não teria um projeto consistente. Mesmo sem as denúncias que liquidaram sua candidatura, não creio que se viabilizasse. Uma campanha eleitoral pode surpreender, mas antes de mais nada decanta as exceções, os excessos, as bolhas. O PSDB tem três anos para galvanizar o País. Sorte dele que sua crise se dê agora; imaginem se estivéssemos já em 2014. Qual será seu projeto, é difícil saber.

O partido parece se dividir entre um projeto que seria o de Serra, ou melhor, o de Bresser Pereira: desenvolvimento econômico, com projeto nacional e bons resultados sociais; e outro, que retomaria a linha privatizante de FHC, o projeto que o "Economist" queria que Serra adotasse, mas sabia que ele não assumiria.

Ora, dos dois projetos, o segundo parece ter completado seu papel, enquanto o primeiro foi e é executado, bem, pelo PT.

 Que discurso resta, então, ao partido tucano? Retomar a herança do governo Fernando Henrique parece pouco promissor.

Concorrer com o PT em seu terreno é perda de tempo. Mas, em suma, o problema da oposição hoje não é o número de deputados, é o que ela quer fazer do Brasil.

 E, no fundo, deveria ser este o problema, não da oposição, mas de todos nós. Não importa tanto se um partido é grande e viável, ou não. Isso muda. O que importa é que o Brasil se beneficie das melhores propostas.


Renato Janine Ribeiro é professor titular de ética e filosofia política na Universidade de São Paulo.

Escreve às segundas-feiras


E-mail rjanine@usp.br 

domingo, 10 de julho de 2011

E O FHC? O SÉRGIO CABRAL? O COLLOR? O SARNEY?



TODO MUNDO SUMIDO, SÃO OS VESTAIS DO TEMPLO!


Laerte Braga


Eu não votaria em José Dirceu para sindico de prédio. Mas recordo-me de uma frase de um deputado baiano do PFL à época da CPI do Mensalão. José Carlos Aleluia, o nome do deputado. Ao inquirir o ex-ministro chefe do Gabinete Civil, Aleluia afirmou o seguinte – “eu o conheço há anos e não creio que o senhor tenha tirado proveito próprio de verbas públicas, posto dinheiro público em seu bolso”.

Não conheço os autos do processo do Mensalão. O que não significa que não tenha existido e que não exista em vários níveis. O ex-governador José Roberto Arruda, de Brasília, foi pego com a boca na botija num esquema semelhante. A corrupção no governo Sérgio Cabral no Rio de Janeiro é a luz do dia, escancarada.

O ex-procurador geral da República Geraldo Brindeiro sentou em cima de todos os inquéritos que apontavam escândalos no governo de Fernando Henrique (de longe o pior de todos, o mais cínico, o mais repulsivo) e principalmente o inquérito que apresentou provas públicas (houve cassação de um ou dois mandatos de deputados que venderam os votos) sobre a compra de votos para o golpe branco da reeleição.

Está lá até hoje sem que haja denúncia do Ministério Público, da Procuradoria Geral da República.

E FHC impune em todos os escândalos das privatizações criminosas feitas em seu governo. Jobim, que hoje é ministro de Dilma como foi de Lula deu um jeito.

Uma CPI da Corrupção no governo Sarney, da qual a figura principal foi o então senador Itamar Franco, mostrou o descalabro que foi o mandato presidencial do atual presidente do Senado. E essa prática permanece nos estados do Maranhão e do Amapá, se estenderam à família. Sarney posa de avalista da democracia, da república, tenta impedir a divulgação dos documentos sobre tortura e violência no regime militar, pois está comprometido com esse esquema até a medula do bigode pintado.

Sobre Collor então. O ex-presidente foi impedido por decisão do Congresso Nacional, debaixo de pressão da opinião pública, depois que entendeu que o dinheiro público era dele e de Paulo César Faria, mais tarde assassinado no clássica limpeza de trilho, cala a boca.

Nos últimos dias surgiram revelações impressionantes sobre a corrupção no governo de Sérgio Cabral. Ligações com empresários em troca de favores (contratos de obras e serviços no Estado), favorecimento ao pilantra Luciano Huck para investimentos em área ambiental através do escritório da agora ex-mulher de Cabral. Cada trem mais escabroso que outro e nada, exceto um pedido de apuração dos fatos feito pelo deputado estadual Marcelo Freixo, mas que esbarra na maioria de deputados corruptos que forma a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro.

O pedido de condenação dos acusados do Mensalão feito pelo procurador geral da República pode até estar respaldado em provas e se essas existirem os réus, lógico, devem ser condenados. Roberto Jeferson, por exemplo, é réu confesso. Abriu a boca quando viu que não conseguiria extorquir mais.

Mas e o resto? Sarney vai ficar impune? Ele e sua família? Collor de Mello, FHC, Sérgio Cabral? O que dizer das ligações da filha de José Serra com o banqueiro Daniel Dantas e do papel de Gilmar Mendes beneficiando a esse banqueiro com dois habeas corpus em menos de uma hora e depois forjando, em cumplicidade com a revista VEJA (imprensa marrom, tipo aquele tablóide fechado na Grã Bretanha), uma gravação que nunca existiu em seu gabinete?

Como ficam esses caras? Gilmar Mendes é um dos que vai julgar o processo do mensalão. Deveria ser réu num monte de outros processos, o País inteiro sabe disso.

A ministra Ellen Gracie, em 2002,.decidiu uma querela no STF que os filhos do seu primeiro casamento eram interessados diretos em direitos futuros de herança e quando questionada sobre a sua suspeição rejeitou qualquer preliminar sobre o fato. Mas não pensou duas vezes em comprar com dinheiro público uma banheira de hidro-massagem para o seu apartamento funcional com verba pública, segundo ela, algo indispensável para um melhor conforto e melhores condições para exercício da magistratura.

Devia explicar isso para a juíza que revogou a Lei Áurea mantendo trabalho escravo e beneficiando uma empresa, em Brasília mesmo.

O importante a observar é que nada disso é corrupção em si, só corrupção. É conseqüência do modelo político e econômico brasileiro. Com todas as letras do capitalismo selvagem que se pratica aqui. Barões paulistas comandando o País, escolhidos a dedo pela corte em Wall Street e Washington, com caldos de barões do latifúndio (ainda são mantidos à distância, pois mordem e não há vacina que evite a morte. Uma mordida de Kátia Abreu mata em cinco segundos).

Banqueiros e grandes empresários. Onde há corrupção há o corruptor.

Como ficam Sérgio Cabral e sua ex-mulher no caso do favorecimento ao pilantra Luciano Huck? Ou FHC na compra de votos para reeleição? Os contratos firmados pelo governo do estado do Rio com Eike Batista?

Toda a sorte de trapaças que é implícita ao modelo, faz parte do cerne do modelo. É inerente a ele. O capitalismo não sobrevive sem corrupção, sem violência, sem barbárie.

O jornal O GLOBO estampou manchete sobre o pedido do procurador. Mas não diz uma linha sobre a corrupção de Cabral, ou a vergonha que foi o processo de privatizações no governo FHC. É simples, tanto o jornal, como a rede de tevê estão no bolso dos caras, têm interesse direto nos “negócios”.

Os políticos petistas envolvidos no escândalo, nesse e outros provocados pelas alianças com partidos padrão PR (o que vende casas no céu) pagam o preço não da ingenuidade, mas da capitulação diante dessa gente. Quem aos porcos se mistura, farelo come, é um ditado antigo.

O que existe é isso, um centro irradiador de doenças políticas e econômicas e tentáculos, todos envolvidos em grossa corrupção, que é conseqüência.

É óbvio, onde existe corrupto existe corruptor. Pouco importa que seja o esquema FIESP/DASLU, é o modelo.

A falta de transparência, de participação popular. De mecanismos de liberdade real de imprensa e não monopólio de quadrilhas que controlam o setor.

O cidadão comum e o último a saber e quando sabe o sabe pela voz dos próprios bandidos. Ou seja, via JORNAL NACIONAL, JORNAL DA NOITE, FOLHA DE SÃO PUALO, VEJA, ÉPOCA, etc.

Quando o filho de um dos diretores da RBS –REDE BRASIL SUL – que controla a mídia na região sul do País e é parte da GLOBO, estuprou uma menor em sua residência o silêncio foi total. Absoluto.

E aí? Sarney, Collor, FHC, Cabral, Paulo Hartung, bandidos de maior ou menor quilate vão ficar impunes? Aécio, Alckimin, Serra, Jereissati?