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domingo, 28 de agosto de 2011

CRISE MUNDIAL: UMA TRÍPOLI FINANCEIRA? EDITORIAL, CARTA MAIOR.

Existe algo de novo no ar da crise e não cheira bem. 

A inação do Banco Central norte-americano na esperada reunião da semana passada,  evidencia um engessamento maior. Os gestores da finança global não sabem que rumo seguir. A percepção de um travamento sistêmico, desprovido de solução nos seus próprios termos, desloca o foco da economia para a política. 

Anulada no seu relevo institucional  por governos e partidos majoritariamente ortodoxos e  tíbios,  a democracia representativa também se apequena. O sentido transformador da política passa a ser jogado nas ruas. O imprevisível amplia seus domínios quando o repertório convencional se esvai.

Sucessivas injeções de dinheiro nos mercados hibernam no caixa de bancos e empresas sem ativar o metabolismo da produção e do consumo. Não sairão daí enquanto a incerteza for rainha. Exaurido pelo socorro às finanças e desfibrado por 30 anos de veto neoliberal à taxação da fortuna e do patrimônio, o caixa fiscal dos Estados, por sua vez, está emparedado.

Demandas sociais crescentes  colidem com um endividamento inexcedível a juros cada vez mais calibrados pela desconfiança. Avulta, sobretudo, a ausência de uma instancia coordenadora para ações de maior contundencia e envergadura. Tudo se passa como se a  desregulação dos mercados tivesse alcançado agora o aparato que dava algum arcabouço de coerência à supremacia financeira na etapa  atual do capitalismo.

 Organismos outrora estruturadores dessa hegemonia rastejam agora uma esférica desimportancia. Sintomático dessa metamorfose foi a trinca observada na referida reunião do Fed. Ante o imobilismo resignado dos presidentes de BCs de todo o mundo, Chistine Lagarde, a nova diretora-geral do Fundo, acentuou a fragilidade global e cobrou 'visão,coragem e timming': "Estamos vendo a recuperação frágil perder o ritmo. Portanto nós devemos agir agora",conclamou à platéia bovina.

Nesse mesmo dia, o premiê espanhol, José Luis Zapatero, ultimava um acordo politico com forças da direita para incluir na Constituição a renuncia à ação fiscal do Estado: 0,4%  passa a ser  teto do déficit público num país com 20% de desemprego; 45% da juventude sem opção de trabalho e um endividamento privado de 175% do PIB. De onde a economia espanhola vai tirar forças para se reerguer? 

Demonstrações semelhantes de obscurantismo fiscal para 'acalmar os mercados' sucedem-se  em outros países. A inexistência de um arcabouço mais geral de racionalidade redunda assim num salve-se quem puder autofágico. O conjunto assume contornos de uma gigantesca Trípoli financeira. 

Facções armadas perambulam sem lei, trocam disparos, saqueiam, matam e morrem sem qualquer preocupação com o bem-estar e a sobrevivência do conjunto. Na Trípoli real, como na metafórica, o passo seguinte da história pode ser assustador.
(
Carta Maior; Domingo, 28/08/ 2011


sexta-feira, 22 de julho de 2011

DO BLOG TERROR DO NORDESTE: BRASIL A GRANDE ESPERANÇA DA EUROPA EM FRANGALHOS.

CHUPINHADO DO BLOG DO TERRORISTA GILVAN, DE RECIFE,PERNAMBUCO, O ESTADO QUE É A LOCOMOTIVA DO NORDESTE:

http://wwwterrordonordeste.blogspot.com/2011/07/brasila-grande-esperanca-da-europa-em.html

Brasil:a grande esperança da Europa em frangalhos

Dirão os otários tunganóides:claro que Lula nada tem a ver com isso.Tudo que está ocorrendo no Brasil é obra de FHC, o corno manso, o rei da corrupção e privataria.E os petistas, sempre bem informados, dirão:chupa, tucanos malditos, que é de uva.Lula é o cara, quem mudou a cara do Brasil foi o Lulão, o garanhão.

Mudanças na política agrícola da UE no ano que vem? Em 2012 talvez nós estejamos discutindo o fim da moeda comum europeia..."


Foi com esse estado de espírito que respondeu uma autoridade da União Europeia a nós, jornalistas, em Bruxelas nesta semana.


O pacote de resgate à Grécia, acordado na quinta-feira em Bruxelas, deu um pouco de respiro aos países europeus. Os yields (retornos) dos papeis da Espanha e Itália, que vinham apanhando por contágio, caíram.


Mas a situação está longe de ser tranquila.


E mercados como o Brasil surgem como alvo prioritário dos europeus.


É neste contexto que se deve avaliar o fim das preferências tarifárias concedidas pela UE ao Brasil por meio do Sistema Geral de Preferências, o SGP.


Atualmente, 12% das exportações do Brasil à UE são cobertas pelas reduções e isenções de tarifas de importação do SGP, em um valor total estimado em 3,4 bilhões de euros. O programa beneficia principalmente máquinas e equipamentos, automóveis, produtos químicos, plásticos e têxteis.


" SGP foi feito para países pobres, vocês não são um país pobre" disse-nos o comissário europeu de comércio, Karel de Gucht. "Vocês são um país que ainda tem pessoas pobres, mas claramente o SGP não é feito para vocês."


A UE quer usar o fim do SGP como alavancagem para conseguir concessões do Brasil na negociação do acordo de livre-comércio UE-Mercosul, que se arrasta há 12 anos.


Sem o SGP, o único jeito de o Brasil manter competitividade nas exportações para a UE será um acordo de livre-comércio para reduzir as tarifas.

 
Tal como a UE, os EUA encaram o Brasil como alvo prioritário no programa "exportar para sair da crise". Quando veio ao Brasil, em março, o presidente Barack Obama deixou claro que aumentar as vendas de produtos americanos para o Brasil era um dos principais objetivos dos EUA. Autoridades americanas chegaram a ser pouco diplomáticas ao declarar que a viagem era "fundamentalmente a respeito da recuperação econômica e exportações americanas", como disse o vice-conselheiro de segurança nacional Mike Froman, responsável por assuntos econômicos internacionais.


"As exportações para o Brasil geram 250 mil empregos nos EUA; metade da população do Brasil é hoje considerada classe média e isso cria grande oportunidade."


Enquanto as duas combalidas velhas potências lutam por um naco do saboroso mercado interno brasileiro, o Brasil vai às compras na UE em liquidação. A Comissão Europeia acaba de aprovar a compra de quatros empresas espanholas e uma alemã pela CSN. A CSN comprou a siderúrgica alemã Stahlwerk Thüringen GmbH e quatro companhias que pertencem ao grupo espanhol Alfonso Gallardo: Cementos Balboa, Corrigados Azpeitia e Corrugados Lasao.


Patrícia Campos Mello
Patrícia Campos Mello é repórter especial da Folha e escreve sobre política e economia internacional. Foi correspondente em Washington durante quatro anos, onde cobriu a eleição do presidente Barack Obama, a crise financeira e a guerra do Afeganistão, acompanhando as tropas americanas. Tem mestrado em Economia e Jornalismo pela New York University. É autora dos livros "O Mundo Tem Medo da China" (Mostarda, 2005) e "Índia - da Miséria à Potência" (Planeta, 2008).