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domingo, 9 de dezembro de 2012

Reinaldo Azevedo, o idiota infinito que Einstein tinha certeza. O escaravelho, o rola_ bosta, do jornalismo fascista e udenista.

Einstein: Do infinito idiota eu tenho certeza!
Jornalismo udenista de quinta categoria.

Deu no AZENHA
Por Leonardo Boff, via e-mail, sugestão da Secretaria Geral do MST


Com a morte de Oscar Niemeyer aos 104 anos de idade ouviram-se vozes do mundo inteiro cheias de admiração, respeito e reverência face a sua obra genial, absolutamente inovadora e inspiradora de novas formas de leveza, simplicidade e elegância na arquitetura. Oscar Niemeyer foi  e é uma pessoa que o Brasil e a humanidade podem se orgulhar.


E o fazemos por duas razões principais:  a primeira, porque Oscar humildemente nunca considerou a arquitetura a coisa principal da vida; ela pertence ao campo da fantasia, da invenção e do lúdico.

Para ele era um jogo das formas, jogado com a seriedade com que as crianças jogam.


A segunda, para Oscar, o principal era a vida. Ela é apenas um sopro, passageira e contraditória. Feliz para alguns mas para as grandes maiorias cruel e sem piedade.

 Por isso, a vida impõe uma tarefa que ele assumiu com coragem e com sérios riscos pessoais: a da transformação.

E para transformar a vida e  torná-la menos perversa, dizia,  devemos nos dar as mãos, sermos solidários uns para com os outros, criarmos laços  de afeto e de amorosidade entre todos.

Numa palavra, nós humanos devemos aprender a nos tratar humanamente, sem considerar as classes, a cor da pele e o nível de sua instrução.


Isso foi que alimentou de sentido e de esperança a vida desse gênio brasileiro. Por aí se entende que escolheu o comunismo como a forma e o caminho para dar corpo a este sonho, pois, o comunismo, em seu ideário generoso, sempre se propôs a transformação social a partir das vítimas e dos mais invisíveis. Oscar Niemeyer foi um fiel militante comunista.


Mas seu comunismo era singular: no meu modo de ver, próximo dos cristãos originários  pois era um comunismo ético, humanitário, solidário, doce, jocoso, alegre e leve. Foi fiel a esse sonho a vida inteira, para além de todos os avatares passados pelas várias formas de socialismo e de marxismo.


Na medida em que pudemos observar, a grande maioria da opinião pública mundial, foi unânime na celebração de sua arte e do significado humanista  de sua vida.

Curiosamente a revista Veja de domingo, dedica-lhe 10 belas páginas.  Outra coisa, porém, é a revista Veja online de 7 de dezembro com um artigo  do blog do  jornalista Reinado Azevedo que a revista abriga.



Ele foi a voz destoante e de reles mau gosto.

Até agora a Veja não se distanciou daquele conteúdo, totalmente, contraditório àquele da edição impressa de domingo.

Entende-se porque a ideologia de um é a ideologia do outro. Pouco importa que o jornalista Azevedo, de forma confusa, face às críticas vindas de todos os lados, procure se explicar. Ora se identifica com a revista, ora se distancia, mas finalmente seu blog é por ela publicado.


Notoriamente, Veja se compraz em desfazer as figuras que melhor mostram nossa cultura e que mais penetraram na alma do povo brasileiro.

 Essa revista parece se envergonhar do Brasil, porque gostaria que ele fosse aquilo que não é e não quer ser: um xerox distorcido da cultura norte-americana.


Ela dá a impressão de não amar os brasileiros, ao contrário expõe ao ridículo o que eles são e o que criam.

Já o título da matéria referente a Oscar Niemeyer, da autoria de Azevedo, revela seu caráter viciado e malevolente: Para instruir a canalha ignorante.

O gênio e o idiota em imagens.

  Seu texto piora mais ainda quando, se esforça, titubeante, em responder às críticas em seu blog do dia 8/12 também na Veja online com um título que revela seu caráter despectivo e antidemocrático:” Metade gênio e metade idiota – Niemeyer na capa da Veja com todas as honras!

O que o bloco dos Sujos diz agora?”

 Sujo é ele que  quer contaminar os outros com a própria sujeira de uma matéria tendenciosa e injusta.
O que se quer insinuar com os tipos de formulação usados? Que brasileiro não pode ser gênio; os gênios estão lá fora; se for gênio, porque lá fora assim o reconhecem, é apenas em sua terceira parte e, se melhor analisarmos, apenas numa quarta parte.

 Vamos e venhamos: Quem diz ser Oscar Niemeyer um idiota apenas revela que ele mesmo é um idiota consumado. Seguramente Azevedo está inscrito no número bem definido por Albert Einstein: conheço dois infinitos: o infinito do universo e o infinito dos idiotas; do primeiro tenho dúvidas, do segundo certeza.

O articulista nos deu a certeza que ele e a revista que o abriga possuem um lugar de honra no altar da idiotice.
O que não tolera em Oscar Niemeyer que, sendo comunista, se mostra solidário, compassivo com os que sofrem, que celebra a vida, exalta a amizade e glorifica o amor.

Tais valores não cabem na ideologia capitalista de mercado, defendida por Veja  e seu albergado, que só sabe de concorrência, de “greed is good” (cobiça é coisa boa), de acumulação à custa da exploração ou da especulação, da falta de solidariedade e de justiça em nível internacional.
Mas não nos causa surpresa; a revista assim fez com Paulo Freire, Cândido Portinari, Lula, Dom Helder Câmara, Chico Buarque, Tom Jobim, João Gilberto, frei Betto, João Pedro Stédile, comigo mesmo e com tantos outros.

Ela é um monumento à razão cínica.

Segue desavergonhadamente a lógica hegeliana do senhor e do servo; internalizou o senhor que está lá no Norte opulento e o serve como servo submisso condenado a viver na periferia.

 Por isso tanto a revista quanto o articulista revelam um completo descompromisso com a verdade  daqui, da cultura brasileira.

A figura que me ocorre deste articulista e da revista semanal, em versão online, é a do escaravelho, popularmente chamado de rola-bosta.

 O escaravelho é um besouro que vive dos excrementos de animais herbívoros, fazendo rolinhos deles com os quais, em sua toca, se alimenta.

Pois algo semelhante fez o blog de Azevedo na Veja online: foi buscar excrementos de 60 e 70 anos atrás, deslocou-os de seu contexto (ela é hábil neste método) e lançou-os contra Oscar Niemeyer.  

Ela o faz com naturalidade e prazer, pois, é o meio no qual vive e se  realimenta continuamente.

Nada de surpreendente, portanto.


Paro por aqui. Mas quero apenas registrar minha indignação contra esta revista, em versão online, travestida de escaravelho por ter cometido um crime lesa-fama.


 Reproduzo igualmente dois testemunhos indignados de duas pessoas respeitáveis: Antonio Veronese, artista plástico vivendo em Paris e João Cândido Portinari, filho do genial pintor Cândido Portinari, cujas telas grandiosas estão na entrada do edifício da ONU em Nova York e cuja imagem foi  desfigurada e deturpada, repetidas vezes, pela revista-escaravelho.





domingo, 26 de agosto de 2012

A UDN, não foi extinta em 1965 e seu terrorismo denuncista, não mudou.

Getulio Vargas sofreu com o terrorista do...

Do terrorista midiático, Carlos Lacerda, que  era o...
Corvo da  rua Chile. 


 A pressão atingiu seu auge naqueles dias finais de agosto. 



Cinquenta e oito anos depois do tiro que sacudiu o país, o volume asfixiante do coro conservador ainda pode ser ouvido e aquilatado. 



Basta potencializar - um pouco - o volume da condenação sumária sentenciada em cada linha, título, nota, coluna, fotomontagens, capas, escaladas televisivas e radiofônicas que nutrem o noticiário sobre o julgamento do chamado 'mensalão'. 



O sociólogo Marcos Coimbra, presidente do Instituto de Pesquisas Vox Populi, em artigo recente, já mencionado neste blog, mensurou um pedaço dessa artilharia determinada a subordinar o discernimento da sociedade.



Nas quatro semanas até 13 de agosto, 65 mil textos foram publicados na imprensa sobre o "mensalão". 


"No Jornal Nacional da Globo para cada 10 segundos de cobertura neutra houve cerca de 1,5 mil negativos", diz Coimbra. 

 

Nas rádios, conectadas pela propriedade cruzada aos mesmos núcleos emissores, a pregação incessante é ainda mais desabrida e abusada --como naquele agosto de 1954.



O cerco promovido contra o PT atinge dimensões inéditas na asfixia a um partido político em regime democrático, na avaliação do governador Tarso Genro, em artigo recente na página de Carta Maior. 



Entre um agosto e outro, algumas peças do paiol midiático permanecem. Outras se juntaram à tradição.Os personagens se renovam, mas o método se repete. 



O arsenal udenista da suspeição e da condenação sumária, avesso ao contraditório, às provas e à isenção -- despida do cinismo liberal da objetividade-- forma um fio de continuidade que atravessa a régua desses 58 anos.




Compare-se alguns exemplos originários da mesma cepa de interesses e de lógica inarredável, que se encadeiam nos mesmos propósito formando um memo e único fio na linha do tempo:




I) Março de 54: 


 

* A usina midiática de denúncias contra o governo Vargas lança uma bomba na praça .

 O escândalo da vez é a denúncia de que "os caudilhos populistas" Vargas e Perón (o peronismo era o chavismo da época)-- planejavam um suposto "Pacto ABC" (Argentina –Brasil –Chile). 

A meta era "promover a integração sul-americana formando num arquipélago de repúblicas sindicais na região contra os EUA" (qualquer semelhança com a reação ao ingresso da Venezuela no Mercosul não é apenas coincidência)






* Carlos Lacerda, na Tribuna da Imprensa e na rádio Globo, e a Banda de Música da UDN no Congresso – um pouco como o jogral que hoje modula as vozes da turma da mídia "ética" - martelavam a denúncia incansavelmente. 







* Um ex-ministro rompido com Getúlio aliou-se a Lacerda para oferecer "evidências" das negociações entre o Vargas e Perón.

A inexistência de provas – exceto a menção genérica de Perón à uma aliança econômica regional — não demoveu a mídia que deu à fraude contornos de verdade inquestionável, independente dos fatos, das investigações e dos desmentidos.




II) Setembro de 1954: 




 

* A dramaticidade do suicídio de Vargas em 24 de agosto iluminou o quadro político e incendiou a revolta popular contra o golpismo que recuou.Mas não cedeu. Em 16 de setembro lá estava Carlos Lacerda de volta novamente nos microfones da rádio Globo.



 O alvo agora era João Goulart, o herdeiro político do presidente morto, adversário certo da UDN no pleito de outubro de 1955.


  Na voz estridente do comentarista 'convidado' de diversos programas da emissora foi lida --'em primeira mão'-- a "Carta Brandi". 

Uma suposta correspondência entre Jango e o deputado argentino Antonio Brandi; segundo Lacerda, a prova "definitiva" da conspiração para implantar "uma república sindicalista no Brasil".






* Na efervescência da guerra eleitoral, o escândalo levou o Exército a abrir inquérito imediatamente, enviando missão oficial a Buenos Aires para investigações. Conclusão oficial: tudo não passara de uma grosseira fraude, forjada e alimentada pela imprensa anti-getulista. Inútil.




* A exemplo dos que hoje sonegam às evidências contrárias o poder de mudar sentenças já pronunciadas pela mídia, Lacerda contratacou na Tribuna da Imprensa em outubro de 1955, um mês depois da derrota da UDN para JK e Jango:

 "(...) Se a carta não é verdadeira seu conteúdo está de acordo, mais ou menos, com o que se sabe da vida política do sr. Goulart..." 




Qualquer semelhança com o malabarismo denuncista dos últimos anos não é mera coincidência. 


 

Um exemplo eloquente dele que reúne autores, métodos veículos marcantes: 


III) Março de 2005:



" Documentos secretos guardados nos arquivos da Abin informam que a narcoguerrilha colombiana Farc deu 5 milhões de dólares a candidatos petistas em 2002 .


Nos arquivos da Agência Brasileira de Inteligência em Brasília há um conjunto de documentos cujo conteúdo é explosivo. Os papéis, guardados no centro de documentação da Abin, mostram ligações das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) com militantes petistas.




 O principal documento (...)informa que, no dia 13 de abril de 2002, (...) o padre Olivério Medina, que atua como uma espécie de embaixador das Farc no Brasil, fez um anúncio pecuniário. Disse aos presentes que sua organização guerrilheira estava fazendo uma doação de 5 milhões de dólares para a campanha eleitoral de candidatos petistas de sua predileção (...) Um agente da Abin,( NR: quem, Dadá, o repórter auxiliar de Policarpo & Cachoeira já em ação?) infiltrado na reunião, ouviu tudo, fez um informe a seus chefes, e assim chegou à Abin a primeira notícia de que as relações entre militantes esquerdistas, alguns deles petistas, e as Farc podem ter ultrapassado a mera simpatia ideológica e chegado ao pantanoso terreno financeiro. 


Sob a condição de não reproduzi-los nas páginas da revista, VEJA teve acesso a seis documentos da pasta que trata das relações entre as Farc e petistas simpatizantes do movimento.(Policarpo Jr.; revista Veja, edição 1896; 16 de março de 2005. Título: Laços explosivos )




Os mesmos objetivos, os mesmos métodos e a mesma elasticidade ética.


A solitária trincheira do 'Última Hora' não existe mais para rebatê-los. 


O jornal foi comprado, sugestivamente, em plena ditadura Médici, em 1971, pela família Frias, que edita a Folha de São Paulo. 




Descaracterizado em imprensa sensacionalista saiu de circulação nos anos 90. 


Do seu vazio brotou um ramo vigoroso, igualmente inovador na forma, no conteúdo e na agilidade: o jornalismo digital independente.




Juntando pedaços , porém, é impossível não temer o ectoplasma presente de Lacerda e do udenismo. 



Egressos da surra daquele glorioso agosto de 1954 em que a Última Hora e seus leitores reescreveram a narrativa do país direto nas ruas, eles persistem no cerco ao Catete. A qualquer Catete que dentro tenha um homem público disposto a assumir a tarefa que o mais mítico deles deixou inconclusa, porém agendada pela advertência de um estampido que sacudiu o discernimento nacional naquele 24 de agosto de 1954.



Exemplos da linha do tempo lacerdista:

 

IV) 5 de agosto de 1954:. Na madrugada de 5 de agosto, o major-aviador Rubens Vaz, foi assassinado na rua Toneleros, no Rio, em frente ao prédio onde morava Carlos Lacerda , a quem fazia escolta. Segundo a versão do próprio Lacerda, ele voltava de uma de suas conferências, desta vez no Colégio São José, cujo tema era sempre o mesmo: a necessidade de afastar Getúlio do poder, quando integrantes da guarda-pessoal de Vargas cometeram o atentato que o tinha como alvo principal. Lacerda apresentou várias versões para o episódio.


Testemunhas, entre elas o jornalista, já falecido, Armando Nogueira, viram Lacerda caminhando normalmente no local após a morte de Vaz, o que contraria sua versão de que teria levado um tiro de 45’ no pé que ‘doía de forma intensa’.


 Os cusadaos do crime foram mantidos incomunicáveis e torturados pela polícia carioca. Lacerda jamais permitiu a perícia do revólver 38’ que portava. 


O boletim de registro do seu atendimento, bem como as radiografias do pé supostamente alvejado desapareceram do Hospital Miguel Couto, no Rio. Não importa, o episódio virou a gota d'água do cerco a Getúlio.



V. Setembro de 1954: a dramaticidade do suicídio de Vargas em 24 de agosto iluminou o quadro político e incendiou a revolta popular contra o golpismo em marcha. 


Para Carlos Lacerda não sobrou um centímetro de segurança em terra: o "Corvo" foi obrigado refugiar-se no mar, a bordo do cruzador Barroso. 


 Em 16 de setembro de 1954, porém, o denuncismo estava de volta nos microfones da rádio Globo,um dos veículos mais radicais na pregação anti-comunista e pró-americana. 


O alvo agora era João Goulart, o herdeiro político do presidente morto e adversário certo da UDN no pleito de outubro de 1955. 


Na voz estridente de Lacerda, comentarista de diversos programas da emissora de Marinho, foi lida em primeira mão a "Carta Brandi".


Uma suposta correspondência do deputado argentino Antonio Brandi a João Goulart , apresentada como a prova "definitiva" da conspiração para implantar "uma república sindicalista no Brasil".



VI) Na efervescência da guerra eleitoral, o escândalo levou o Exército a abrir inquérito imediatamente, enviando missão oficial a Buenos Aires para aprofundar as investigações.




VII) A conclusão oficial de que tudo não passara de uma grosseira fraude, forjada por Lacerda e alimentada pela imprensa anti-getulista, não abalou seus protagonistas. 

Lacerda rapidamente se adaptou ao revés. 

A exemplo dos que hoje sonegam às evidências contrárias à existência do 'mensalão' o poder de mudar a sentença que a mídia já pronunciou , Lacerda escreveu na Tribuna da Imprensa em outubro de 1955, relevância para reverter uma sentença de condenação um mês depois da derrota da UDN para JK e Jango no pleito de outubro de 1955:

 "(...) Se a carta não é verdadeira seu conteúdo está de acordo, mais ou menos, com o que se sabe da vida política do sr. Goulart.." 


Qualquer semelhança com o malabarismo denuncista que povoa a mídia tucana nos nossos dias não é mera coincidência. Os mesmos objetivos, os mesmos métodos, a mesma elasticidade ética e democrática estão presentes.


Leiam o artigo na íntegra noblog das Frases  de Saul Leblon




 

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A OPOSIÇÃO ESTÁ DESESPERADA PELO FATO QUE, MESMO COM A QUEDA DE MINISTRO, O PMDB PERMANECE ALIADO, O CABEÇA FURADA DO REINALDO AZEVEDO DO PASQUIM VEJA, VOZIFERA MAS, ELES ESTÃO SE LIXANDO PARA ÉTICA ELES ESTÃO DE OLHO É EM 2014, COM QUEM? AÉTICO, CERRA? BATE O DESESPERO!

O CABEÇA FURADA DO REINALDO AZEVEDO NÃO DIZ NADA COM NADA, A NÃO SER QUE DE ÉTICA ELE NÃO ENTENDE NADA!

SERÁ QUE A EXTREMA DIREITA ACHA QUE ESTA PEÇA DE MUSEU DO ATRASO POLÍTICO BRASILEIRO TEM CHANCE AINDA?


PORQUE SERÁ QUE O JORNAL "O ESTADO DE SÃO PAULO" PUBLICOU UM ARTIGO ENTITULADO : PÓ PARA GOVERNADOR? REFERINDO A AÉCIO NEVES?

PELO VISTO O REINALDO AZEVEDO VAI LEVAR FERRO DE NOVO!

TEM PESSOAS QUE LÊM ISTO AÍ E SE ACHAM INFORMADAS.

Nesta manhã, o articulista que incita ódio na política brasileira se superou. Disse, com todas as letras, que o eleitor de Lula é sem-vergonha. Se a culpa é do brasileiro, isso significa que ele já admitiu sua própria derrota.

Leonardo Attuch

É triste ver uma pá de inteligência ser desperdiçada inutilmente. O articulista Reinaldo Azevedo, da revista Veja, tem cérebro, domina o vernáculo como poucos no Brasil e empresta boas quantidades de lógica ao que escreve. Mas, lamentavelmente, conseguiu se converter no porta-voz do que há de mais atrasado na política brasileira atual: a hipocrisia da moralidade. Reinaldo é o “cheerleader” do serrismo, a força derrotada nas últimas eleições presidenciais, de onde brota boa parte dos escândalos atuais.


Num longo artigo publicado na manhã de hoje, ele escreve que “o nome da doença que assola o Brasil é Luiz Inácio Lula da Silva”. É talvez seu texto mais ousado – e que representa quase uma confissão de derrota política. “Enquanto Lula for uma figura relevante da política brasileira, estaremos condenados ao atraso”, escreve Reinaldo. Então esqueça, meu caro: enquanto Lula estiver vivo, terá papel central na política nacional. E possivelmente preservará sua influência mesmo depois de morto, tal qual Getúlio, que os inimigos – porta-vozes do discurso do “mar de lama” – levaram ao suicídio.


Reinaldo joga de vez a toalha quando transfere a culpa pelo que enxerga como atraso ao cidadão brasileiro. “Há diversas razões que explicam o fenômeno, muitas delas já conhecidas. O apoio do Congresso foi vital – além da sem-vergonhice docemente compartilhada por quem votou nele.

 Não dá para livrar os eleitores de suas responsabilidades.” Atenção, eleitor de Lula e leitor de Veja: o mestre-sala da publicação lhe considera um meliante, um malandro, um picareta, um desonesto. Um sem-vergonha.

Ora, Reinaldo, se a culpa é do brasileiro, a conclusão é uma só: o país não tem jeito mesmo. E talvez a única solução seja o aeroporto. Não importa se 35 milhões de brasileiros cruzaram a linha da miséria na última década, se o Brasil se tornou a Meca dos investidores internacionais e se o desemprego é o mais baixo desde o início da série histórica do IBGE. O eleitor, além de mau caráter, deve ser burro, mesmo. Pior, é masoquista.


Qual seria a grande doença representada pela figura de Lula? Ah, o fisiologismo levado ao extremo, simbolizado pela aliança entre PT e PMDB, que gera tantos escândalos de corrupção. Mas será que isso foi inventado por Lula? Bom, o peemedebista Geddel Vieira Lima foi ministro da Integração Nacional de Fernando Henrique Cardoso.

Mas naquele tempo ele era honesto. Lula o corrompeu. Renan Calheiros – sim, o mesmo Renan que Veja tentou derrubar em 12 capas consecutivas antes das eleições presidenciais de 2010 – foi ministro da Justiça de FHC. Mas ele também era honesto naquele tempo. Lula o corrompeu. E tem também o Eliseu Padilha, dos Transportes – como era o apelido do Padilha mesmo, Reinaldo?
Bom, e no PFL (atual DEM), é claro, só tinha gente honestíssima.


No seu artigo de hoje, Reinaldo até admite que FHC teve que sujar as mãos ao governar com alguns aliados do PMDB. “Mas era uma gestão com alguns propósitos”, diz ele. Cuidado, Reinaldo, para não cair na mesma lógica do discurso delubiano que você tanto condena – o de que, em nome do projeto, tudo é permitido. Sua ética é absoluta, pura, kantiana ou é adaptável às circunstâncias?


Reinaldo diz que muitos intelectuais apontaram na política de alianças de FHC uma rendição ao velho patrimonialismo brasileiro, tão bem diagnosticado por Raymundo Faoro. Mas o articulista indaga como é possível, ao mesmo tempo, ser patrimonialista e também reduzir o tamanho do Estado, privatizando estatais? Muito simples, Reinaldo. Basta ver como foram privatizadas as estatais. Quer um exemplo? Antes das privatizações, Benjamin Steinbruch era apenas o herdeiro de um grupo têxtil em dificuldades financeiras, a Vicunha. Mas como era também amigo de Paulo Henrique Cardoso, filho de FHC, comprou primeiro a CSN e depois a Vale. No leilão da mineradora, Antônio Ermírio de Moraes, à época o empresário mais rico do Brasil, desistiu quando percebeu que os fundos de pensão estatais, colados em Steinbruch, dariam sempre um lance maior.

 Detalhe: apesar de tudo isso, FHC foi, sim, um grande presidente.( só se for no inferno, grifo meu, ptremdas 13)


Reinaldo deve ter acordado hoje inconsolável porque, apesar da queda de Wagner Rossi, a aliança entre PT e PMDB não foi abalada. Parece inquebrantável, apesar de todos os tremores. Um deputado peemedebista, Mendes Ribeiro Filho, já está sendo indicado para o Ministério da Agricultura com apoio de toda a bancada e do vice Michel Temer.

 E o resultado dessa aliança é um só: desloca o eixo do poder do bloco tucano para o lado petista.

 Os tais vinte anos de poder sonhados por Sérgio Motta têm tudo para ser alcançados por seus adversários – ou será que alguém enxerga alguma oposição viável em 2014? Aécio? Serra?


 Esse é o ponto central de uma discussão que não tem nada que ver com ética, moralidade ou republicanismo – diz respeito apenas à disputa pelo poder.


Significa então que a corrupção e o fisiologismo não devem ser combatidos?

Evidente que devem ser atacados. Mas enquanto essa discussão não for levada a sério, no âmbito de uma reforma política, que discuta até o financiamento público das campanhas eleitorais, estaremos presos ao terreno da ética seletiva, com falsos moralistas vendendo a ideia do “mar de lama” e sugerindo a morte – real ou concreta – do “lulismo”.

Esta hipocrisia, representada por você, Reinaldo, é a verdadeira doença que assola o Brasil.