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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Leandro Fortes: Dilma Acordou!

DILMA PERCEBEU QUE É GUERRA!

VEJA E PIG,TUDO A VER!



DILMA COMEÇA A ACORDAR



Por Leandro Fortes

Quando Dilma Rousseff se vestiu para ir à festa de aniversário de 90 anos da Folha de S.Paulo, logo depois de assumir a Presidência, em 2011, eu fui um dos poucos a reagir publicamente na imprensa. 



Mesmo entre os blogueiros progressistas, lembro apenas de outra voz dissonante a reclamar da atitude servil da presidenta, a da historiadora Conceição Oliveira, do blog “Maria Frô”. 



De resto, o gesto foi forçosamente saudado como um ato de estadista, de representação formal do governo e do Estado brasileiro junto a uma “instituição” nacional, no caso, o conservador diário instalado na rua Barão de Limeira, na capital paulista. 



O mesmo diário que, meses antes, estampara uma ficha falsa de Dilma na primeira página, com o objetivo de demonizá-la como guerrilheira e assassina e, assim, eleger o candidato do jornal, José Serra, do PSDB.




Não é difícil compreender, contudo, o que pretendia Dilma ao aceitar fazer parte da noite de gala da família Frias. 


Terminada a Era Lula, a presidenta se viu na contingência de criar uma rede própria de relações na mídia, com quem imaginou ser possível firmar um acordo de civilidade.



 Lula, a seu tempo, também caiu nessa esparrela. 



Mas nem a experiência do governo anterior, nem as baixarias encampadas pela mídia na campanha de 2010, ao que parece, foram capazes de convencer Dilma da inutilidade desse movimento.





A mídia que aí está, protegida pelas cidadelas dos oligopólios e por uma adestrada bancada parlamentar de vários níveis, nunca irá se conciliar com um governo de cores populares, de ligações esquerdistas, mesmo esse esquerdismo envergonhado do PT.



 Essa mídia tem como única agenda a defesa do grande capital, do latifúndio e do liberalismo econômico predatório regulado pelas forças do mercado. 



É uma mídia constrangedoramente provinciana, mas absolutamente descolada da realidade brasileira, ignorante da força dos movimentos sociais e nutrida, cada vez mais, por jornalistas pinçados da mesma classe média que acostumou a paralisar pelo medo.



 E, em muitos casos, por experientes jornalistas cooptados pela perspectiva de visibilidade e uma aposentadoria tranquila, às favas com os escrúpulos, pois.





Dilma, por sua vez, protege-se dessa discussão por trás do escudo da “gerentona”, da presidenta voltada para a administração da infraestrutura e da saúde econômica do país.



 Pouca ou nenhuma atenção dá ao alvoroço golpista diuturnamente organizado, ainda que no modelo cucaracha mais do que manjado aqui consolidado no esqueminha Veja-Jornal Nacional-Folha-Estadão-Globo, com o suporte diário dos suspeitos de sempre plantados nas trocentas colunas de opinião a serviço do pensamento único ditado pela direita brasileira.





Foi preciso um tapa na cara dado, vejam vocês, pelo gentil Fernando Henrique Cardoso para Dilma Rousseff, enfim, esboçar uma reação – e, possivelmente, entender o que está se passando no país que existe além da calçada do Palácio do Planalto e das planilhas sobre evolução da base monetária. 




Resgatado temporariamente do esquecimento, FHC foi alçado ao patamar de boneco de ventríloquo para falar o que nem mesmo a mídia, em toda sua fúria conservadora, tinha tido coragem até então de por em palavras: Dilma seria vítima de uma “herança pesada” de Lula.




Isso vindo de um presidente que quebrou o país três vezes, submeteu a nação ao FMI, permitiu um apagão energético, foi reeleito graças à compra de votos no Congresso e deixou o cargo com a popularidade no rodapé.




Expor FHC ao ridículo e, ao mesmo tempo, incensá-lo com longos textos laudatórios faz parte de um paradoxo recorrente na imprensa brasileira, também descolada cada vez mais de um artigo de luxo: o jornalismo. 



A capa da Veja com Marcos Valério de Souza, vermelho como um pobre diabo, a acusar Lula é mais um movimento desesperado para interditar o ex-presidente, justamente quando ele trabalha para eleger candidatos do PT Brasil afora. 



O texto, baseado em frases atribuídas a Valério, ainda que viesse mesmo da boca do publicitário mineiro, é parte de mais um rito dessa polca golpista entoada por uma estrutura de comunicação viciada e moribunda.

O mais curioso, no entanto, é a revelação feita pela Folha de S.Paulo sobre os gastos oficiais de publicidade federal com essa mídia tão liberal e amante da livre iniciativa:


 as Organizações Globo ficam com um terço de todo o dinheiro do tesouro nacional disponível para propaganda; as dez maiores empresas do ramo, com 70%. Ou seja, são financiados para fazer panfletagem política de quinta categoria.

Sem essas tetas generosas do governo ao qual achincalham por encomenda, todas essas portentosas instituições da imprensa nacional e seus zelosos colunistas, estes, lacrimosos paladinos da liberdade da expressão e do livre mercado, iriam à bancarrota. 


Todas, sem exceção.

Na semana passada, Dilma cancelou de última hora a presença em um evento da revista Exame, a quinzenal de economia da Editora Abril, em São Paulo. 


Alegou “motivos familiares”, mas já havia sido avisada da patranha da Veja. Mandou o ministro Guido Mantega, da Fazenda, em seu lugar.


 No meio do evento, Mantega se levantou e foi embora. 


o mesmo dia, instigada pelos donos, a cachorrada hidrofóbica instalada no esgoto da blogosfera se autoflagelou, histérica.

Já é um começo.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Serra agarra a sua chance. Na vEJA de 2002. Quaquaqua! Tem gente que acha que isto é jornalismo.

Cerra em 2010. A treva da idade média.

 

 

Dedicado à classe média que lê esta mercadoria e acha  que é jornalismo. Leiam esta propaganda transvestida de jornalismo, besteira pura.

 

Serra agarra a sua chance


O PSDB faz a escolha óbvia para
disputar o Planalto. Agora, o candidato
tem até junho para subir nas pesquisas
e provar que é viável
Felipe Patury
Beto Barata/AE

O ministro: um grande currículo, uma passagem brilhante no ministério e um desafio ainda maior à frente

José Serra venceu a primeira das duas batalhas mais ambiciosas de sua vida política. Depois de passar os últimos meses envolvido numa disputa interna no PSDB, o ministro da Saúde finalmente decidiu anunciar que ele é, sim, candidato à sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso. O lançamento oficial ocorre nos próximos dias. Com isso, encerra-se a fase apelidada pelo cientista Marcos Coimbra, do Instituto Vox Populi, de "tititi calculado".

É tititi porque, nesse momento de definições de candidaturas, os aspirantes dedicam-se a estapear uns aos outros pelas colunas de jornal. O saldo é uma série de feridas a lamber e diversos ressentimentos a contornar – como os do governador Tasso Jereissati e os do ministro Paulo Renato Souza, dois tucanos que como Serra alimentavam o sonho de chegar ao Palácio do Planalto.

 É também uma etapa calculada, lembra Coimbra, porque tudo gira na esfera previsível da política. Fecha-se um acordo aqui, escanteia-se um desafeto ali e assim se constrói uma maioria capaz de viabilizar a candidatura. A partir de agora, Serra tem uma batalha de outra ordem pela frente. O mais novo presidenciável precisa buscar espaço num campo insondável e imprevisível: a alma do eleitor. Ali, conta pouco o cálculo e nada o tititi.

 O que vale é o conteúdo das propostas que os candidatos oferecem ao país e, claro, a empatia junto à opinião pública.

Para garantir que a resposta do eleitorado seja positiva ao seu nome, Serra não pode perder tempo.

Na semana passada, o ministro se movimentava para escolher quem serão as três figuras-chave do futuro comitê de campanha. São elas o coordenador-geral, que organiza a operação, o tesoureiro, que arruma o dinheiro, e o marqueteiro, que trata de melhorar a imagem do candidato.

O ministro já telefonou para o ex-senador José Richa, do Paraná, e o convidou para ser coordenador. Richa, que prometeu pensar no assunto, iria chefiar uma junta formada pelo ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, pelo senador Artur da Távola e pelo presidente de Itaipu, Euclides Scalco.

 Para a função de tesoureiro, Serra está preocupado em sinalizar que trabalha com a maior transparência possível. Na semana passada, recebeu a sugestão de montar um grupo de alto coturno integrado por empresários pesos-pesados e contratar como suporte uma empresa de auditoria externa internacional para supervisionar o bom emprego do dinheiro. Quer com isso evitar acusações de desvios ou uso da máquina do Estado.

 Há dúvidas, no entanto, sobre a utilidade da medida, já que, a princípio, as contas só poderiam ser auditadas depois de a eleição acabar.


Para o posto de marqueteiro, Serra trabalha com duas opções. Pode entregar a tarefa a Nizan Guanaes, atualmente trabalhando para Roseana Sarney, que já o procurou para conversar duas vezes.

O marqueteiro baiano trabalhou na campanha fracassada de Serra para a prefeitura de São Paulo, em 1996, e deixou a campanha no meio. Outra possibilidade em estudo é montar um grupo integrado por Guanaes e Nelson Biondi, seu atual braço direito nesse campo.

Serra está preocupado com a definição do nome, pois sabe que a distância entre a vitória e o fracasso na corrida ao Planalto mora também nos detalhes do que ele mostrar ou disser no horário eleitoral gratuito. Um exemplo disso ocorreu na eleição de 1989. Embora Fernando Collor tenha vencido a eleição, a TV não o ajudou.

 Pode parecer incrível, mas vale a pena rever os números do Ibope. O então governador de Alagoas entrou no horário eleitoral com 42% das intenções de voto e chegou às urnas com 30% no primeiro turno.

Ou seja, perdeu 12 pontos porcentuais, bem mais que os 8% que Serra tem hoje. Será que Collor teria sido eleito caso seu patamar de entrada no horário eleitoral não fosse tão elevado?

De acordo com a estratégia discutida até aqui, Serra concorda em adotar todos os cuidados ligados à estampa que possam melhorar sua imagem. Um assunto que já foi discutido é seu sorriso. Serra sofre de bruxismo, ou seja, costuma esfregar as arcadas dentárias à noite, durante o sono.

 O hábito, que o atormenta há anos, provocou o lixamento parcial de seus dentes superiores a ponto de reduzi-los de tamanho. Como ato reflexo, o candidato dificilmente solta um sorriso despreocupado, o que os marqueteiros consideram negativo para sua imagem, pois a atitude passa tensão.


Mas Serra já informou aos aliados que não pretende disputar com Roseana Sarney no campo da simpatia nem tentará parecer descontraído como Anthony Garotinho, um profissional da comunicação. O propósito do ministro é mostrar ao país que, entre os candidatos que já se apresentaram, ele deve ser compreendido como o mais bem preparado para o enorme desafio da Presidência