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sexta-feira, 11 de maio de 2012

Serra agarra a sua chance. Na vEJA de 2002. Quaquaqua! Tem gente que acha que isto é jornalismo.

Cerra em 2010. A treva da idade média.

 

 

Dedicado à classe média que lê esta mercadoria e acha  que é jornalismo. Leiam esta propaganda transvestida de jornalismo, besteira pura.

 

Serra agarra a sua chance


O PSDB faz a escolha óbvia para
disputar o Planalto. Agora, o candidato
tem até junho para subir nas pesquisas
e provar que é viável
Felipe Patury
Beto Barata/AE

O ministro: um grande currículo, uma passagem brilhante no ministério e um desafio ainda maior à frente

José Serra venceu a primeira das duas batalhas mais ambiciosas de sua vida política. Depois de passar os últimos meses envolvido numa disputa interna no PSDB, o ministro da Saúde finalmente decidiu anunciar que ele é, sim, candidato à sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso. O lançamento oficial ocorre nos próximos dias. Com isso, encerra-se a fase apelidada pelo cientista Marcos Coimbra, do Instituto Vox Populi, de "tititi calculado".

É tititi porque, nesse momento de definições de candidaturas, os aspirantes dedicam-se a estapear uns aos outros pelas colunas de jornal. O saldo é uma série de feridas a lamber e diversos ressentimentos a contornar – como os do governador Tasso Jereissati e os do ministro Paulo Renato Souza, dois tucanos que como Serra alimentavam o sonho de chegar ao Palácio do Planalto.

 É também uma etapa calculada, lembra Coimbra, porque tudo gira na esfera previsível da política. Fecha-se um acordo aqui, escanteia-se um desafeto ali e assim se constrói uma maioria capaz de viabilizar a candidatura. A partir de agora, Serra tem uma batalha de outra ordem pela frente. O mais novo presidenciável precisa buscar espaço num campo insondável e imprevisível: a alma do eleitor. Ali, conta pouco o cálculo e nada o tititi.

 O que vale é o conteúdo das propostas que os candidatos oferecem ao país e, claro, a empatia junto à opinião pública.

Para garantir que a resposta do eleitorado seja positiva ao seu nome, Serra não pode perder tempo.

Na semana passada, o ministro se movimentava para escolher quem serão as três figuras-chave do futuro comitê de campanha. São elas o coordenador-geral, que organiza a operação, o tesoureiro, que arruma o dinheiro, e o marqueteiro, que trata de melhorar a imagem do candidato.

O ministro já telefonou para o ex-senador José Richa, do Paraná, e o convidou para ser coordenador. Richa, que prometeu pensar no assunto, iria chefiar uma junta formada pelo ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, pelo senador Artur da Távola e pelo presidente de Itaipu, Euclides Scalco.

 Para a função de tesoureiro, Serra está preocupado em sinalizar que trabalha com a maior transparência possível. Na semana passada, recebeu a sugestão de montar um grupo de alto coturno integrado por empresários pesos-pesados e contratar como suporte uma empresa de auditoria externa internacional para supervisionar o bom emprego do dinheiro. Quer com isso evitar acusações de desvios ou uso da máquina do Estado.

 Há dúvidas, no entanto, sobre a utilidade da medida, já que, a princípio, as contas só poderiam ser auditadas depois de a eleição acabar.


Para o posto de marqueteiro, Serra trabalha com duas opções. Pode entregar a tarefa a Nizan Guanaes, atualmente trabalhando para Roseana Sarney, que já o procurou para conversar duas vezes.

O marqueteiro baiano trabalhou na campanha fracassada de Serra para a prefeitura de São Paulo, em 1996, e deixou a campanha no meio. Outra possibilidade em estudo é montar um grupo integrado por Guanaes e Nelson Biondi, seu atual braço direito nesse campo.

Serra está preocupado com a definição do nome, pois sabe que a distância entre a vitória e o fracasso na corrida ao Planalto mora também nos detalhes do que ele mostrar ou disser no horário eleitoral gratuito. Um exemplo disso ocorreu na eleição de 1989. Embora Fernando Collor tenha vencido a eleição, a TV não o ajudou.

 Pode parecer incrível, mas vale a pena rever os números do Ibope. O então governador de Alagoas entrou no horário eleitoral com 42% das intenções de voto e chegou às urnas com 30% no primeiro turno.

Ou seja, perdeu 12 pontos porcentuais, bem mais que os 8% que Serra tem hoje. Será que Collor teria sido eleito caso seu patamar de entrada no horário eleitoral não fosse tão elevado?

De acordo com a estratégia discutida até aqui, Serra concorda em adotar todos os cuidados ligados à estampa que possam melhorar sua imagem. Um assunto que já foi discutido é seu sorriso. Serra sofre de bruxismo, ou seja, costuma esfregar as arcadas dentárias à noite, durante o sono.

 O hábito, que o atormenta há anos, provocou o lixamento parcial de seus dentes superiores a ponto de reduzi-los de tamanho. Como ato reflexo, o candidato dificilmente solta um sorriso despreocupado, o que os marqueteiros consideram negativo para sua imagem, pois a atitude passa tensão.


Mas Serra já informou aos aliados que não pretende disputar com Roseana Sarney no campo da simpatia nem tentará parecer descontraído como Anthony Garotinho, um profissional da comunicação. O propósito do ministro é mostrar ao país que, entre os candidatos que já se apresentaram, ele deve ser compreendido como o mais bem preparado para o enorme desafio da Presidência

sexta-feira, 20 de abril de 2012

CPMI MOSTRARÁ MÉTODOS DE BANDIDOS NA IMPRENSA BRASILEIRA









O ARTIGO É DE MESSIAS PONTES NO VERMELHO

A inversão de valores da velha mídia


Messias Pontes *



Historicamente, a velha mídia conservadora, venal e golpista é useira e vezeira em inverter os valores das questões essenciais à sociedade, notadamente nas últimas décadas. E essa inversão é sempre a favor do que há de mais retrógrado no País e no mundo.


Foi assim durante a campanha do Petróleo é Nosso, quando divulgava à exaustão que não havia petróleo no País; foi assim ao se posicionar contra o monopólio estatal do petróleo e à criação da Petrobras; foi assim na campanha para derrubar o presidente Getúlio Vargas nos anos 1950 – Getúlio se matou no dia 14 de agosto de 1954 para evitar o golpe de Estado -; foi assim para impedir a posse de João Goulart após a renúncia do Presidente Jânio Quadros em 1961; foi assim na preparação do golpe militar de 1º de abril de 1964; foi assim durante todo o período da ditadura; foi assim durante a Assembleia Nacional Constituinte, sempre a favor do Centrão e contra os trabalhadores e a soberania nacional.

Essa mesma mídia, tendo como centro o GAFE (Globo, Abril, Folha e Estadão), fez uma campanha terrorista contra a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva em 1989, 1994, 1998 e 2002. Era passada para a sociedade que a vitória de Lula representaria um tremendo retrocesso e levaria o País para o caos. Na campanha de Dilma Rousseff, esta era apresentada como terrorista, incompetente, favorável ao aborto e outras baboseiras mais. A Folha de São Paulo chegou a publicar uma ficha falsa de Dilma no DOPS.

Durante o desgoverno do Coisa Ruim (FHC), quando houve o criminoso desmonte do Estado, a privataria era apresentada como um avanço para o País e hoje está provado que foi uma verdadeira tragédia nacional, sem falar na institucionalização da corrupção que beneficiou sobretudo os bandidos de colarinho branco como o banqueiro Daniel Dantas, o Orelhudo.

A operação Satiagraha, da Polícia Federal, comandada pelo delegado Protógenes Queiroz (hoje deputado federal pelo PCdoB-SP), que levou para a prisão o deputado Paulo Maluf e seu filho Paulo; o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta, o mega especulador Najis Najas e o banqueiro Daniel Dantas, este preso duas vezes e solto pelo ministro do STF Gilmar Mendes (também chamado de Gilmar Dantas) com a celeridade nunca antes vista no Judiciário brasileiro. Todos foram soltos e exaltados pela mídia, enquanto o delegado Protógenes e o juiz Fausto de Sanctis, que decretou a s duas prisões, é que foram perseguidos. Protógenes foi afastado do comando da Satiagraha e respondeu a dezenas de processos, tendo inclusive seu apartamento invadido por agentes federais. O delegado Paulo Lacerda, que colaborou com a Satiagraha, foi demitido da Abin e “exilado” para Portugal.

Agora, com o desmascaramento do senador Demóstenes Torres (ex-DEMO-GO), do bicheiro Carlinhos Cachoeira, do governador tucano de Goiás, Marconi Perillo, dentre outros, essa velha mídia, numa vergonhosa inversão de valores, tenta blindar toda a quadrilha criminosa e desviar todas as atenções para o governador do Distrito Federal, o petista Agnelo Queiroz, o deputado do PT de Goiás, Rubens Otoni e, principalmente para a construtora Delta.

A velha mídia conservadora, venal e golpista sepultou as Operações Satiagraha e Castelo de Areia, omitiu completamente o livro A Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Júnior, e agora quer sepultar a Operação Monte Carlo, também da Polícia Federal, que apurou o envolvimento de agentes públicos e privados com o contraventor Carlinhos Cachoeira.

Para a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito mista é necessário o mínimo de 27 assinaturas no Senado e 171 na Câmara dos Deputados. Ontem já havia sido coletado um total de 55 assinaturas no Senado e 324 na Câmara. A senadora Rose de Freitas (PMDB), que está no exercício da presidência do Senado, declarou que assim que receber o requerimento com as assinaturas necessárias, instala imediatamente a CPMI.

Se a CPMI funcionar como deve, sem interferência, indo fundo na investigação, é muito provável que desnude a relação incestuosa entre a mídia e o crime organizado, em especial a revista Veja, cujo editor-chefe da sucursal de Brasília, jornalista Policarpo Júnior, tinha em Cachoeira sua principal fonte. Pode também chegar ao Poder Judiciário e ao Ministério Público. E se tiver de chegar ao Executivo Federal, que chegue.

Este é um dos momentos históricos mais ricos da história recente da República brasileira, pois pode e deve passar o País a limpo, doa a quem doer.






* Diretor de comunicação da Associação de Amizade Brasil-Cuba do Ceará, e membro do Conselho de Ética do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará e do Comitê Estadual do PCdoB


segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

LULA DEPOSITOU FLORES EM TÚMULOS ABANDONADOS DOS "FORMADORES DE OPINIÃO"

OS "FORMADORES" DE OPINIÃO

por Jeferson Melo, jornalista

“E aí vocês vão compreender porque a figura do chamado formador de opinião pública, que antes decidia as coisas nesse país, já não decide mais”.

 A aguda simplicidade da frase do presidente Lula, dirigida aos jornalistas que cobriam um evento em São Paulo, guarda uma verdade complexa e diz respeito à série de mudanças que atingem e redefinem, numa velocidade espantosa, o modo como se opera a comunicação social nesse início de século.

A constatação que os ditos formadores de opinião perderam importância mexeu com os brios da “mídia” brasileira, principalmente por expor um fato amplamente comprovado.

Os “formadores de opinião” alcançaram alguma importância no início da década de 90, mas hoje, quase 20 anos depois, se tornaram irrelevantes. O próprio presidente Lula e sua popularidade estratosférica são o melhor exemplo da verdade contida no enunciado.

Assim como estabilizou sua aprovação popular na casa dos 80%, o presidente alcançou a unanimidade entre os articulistas, editorialistas, colunistas, comentaristas, pauteiros e até entre editores e repórteres da chamada grande imprensa.

 Quase todos, diariamente, se dedicam a atacar, distorcer e criticar negativamente todos os atos e ações do governo. E quando isso não é possível, a solução recorrente é a omissão dos fatos. E, mesmo assim, não se altera a percepção dos brasileiros.

A estratégia das empresas de comunicação brasileiras é adotada no momento em que o acesso à internet se expande e se consolida no país. Nesse meio, um turbilhão de informações está disponível ao cidadão, que pode ter acesso à fonte primária da notícia, além de opiniões distintas e variadas sobre qualquer tema de interesse.
 Gratuitamente. Os jornais, ao contrário, editorializaram a notícia e eliminaram a diversidade de opinião.

Nos veículos brasileiros, independente de quem assina, o conteúdo pertence à mesma matriz ideológica.

 Uma ladainha monótona, com conclusão previamente conhecida. Não comporta análises, nem reflexões. É dispensável.

A última pesquisa Ibope Nilesen On Line mostra que 64,8 milhões de brasileiros já acessam a internet. Concomitantemente, o país registra a maior mobilidade social de sua história, com mais de 30 milhões ingressando na classe média.

Gente que passou a consumir bens e produtos, entre os quais, a informação. E não é informação de jornal, porque estes registram retrações históricas de vendas, chegam aos números de tiragens de jornal de bairro.

Também não é a informação veiculada nos velhos telejornais, que perdem o monopólio da audiência.

A lenda em torno do poder dos formadores de opinião ganhou corpo na década de 90, quando ainda vigorava a chamada “teoria da pedra no lago”, que recorria à imagem para comprovar que uma opinião emitida por determinada pessoa ou veículo se difundia através de ondas concêntricas para atingir parcela significativa da população.

Com os blogs, sites, portais, páginas de relacionamentos, grupos sociais pendurados na internet, a água do lago perdeu a serenidade.

Receptores se transformaram em emissores. O lago é apedrejado diuturnamente.

É uma babel onde o editorial, artigo ou reportagem da última edição faz tanta onda quanto a postagem de alguns blogueiros.
Com a força que a crítica da mídia ganhou na internet, opiniões ou notícias publicadas pelos veículos tradicionais alcançam alguma relevância quando são alvos da desconstrução por parte dos blogs dedicados ao tema.

 Esse processo, estimulado pela falta de compromisso com a verdade por parte de quem noticia, mina o maior patrimônio de um veículo de comunicação: a credibilidade.

A internet produziu outro fenômeno, que é a difusão da informação de maneira colaborativa. Determinado assunto é debatido por diversas pessoas, que oferecem detalhes, novidades, opiniões e abordagens distintas sobre a questão em pauta.

 Tece-se uma rede ou uma corrente de opinião, cujos elos são mais fortes e perenes que ondinhas no lago. São recorrentes os exemplos em que os navegantes interferiram no rumo dos veículos ou no curso da história.

Casos como a farsa em torno dos atentados de Madri, em 2004, cuja versão que atribuía a autoria ao ETA para favorecer a eleição de Jose Maria Asnar foi desmentida.

 E também a coleção de pseudo-fatos gerados pela Folha de São Paulo, que incluem a tentativa de amenizar a ditadura militar no Brasil, classificando-a como “ditabranda”, neologismo do ditador Pinochet; o spam com a ficha fajuta da ministra Dilma Rousseff; ou o mexerico sobre “agilizar” processos na Receita Federal.

Todos provocaram correntes de protestos e também de chacotas tendo como alvo o próprio jornal.

Uma rápida observação na escalação do time dos formadores de opinião brasileiros endossa a observação do presidente. O grupo se reduz a figurinhas carentes de credibilidade e adestradas para repetir um discursinho ultrapassado.

 Alguém, além dos senadores do DEM ou do PSDB, leva a Veja e seus colunistas a sério? Qual a importância das “análises” de Miriam Leitão ou de Lúcia Hipolyto, inimigas da lógica e divorciadas da realidade. Arnaldo Jabor, macaqueando asneiras na tela da TV influencia algo além do discurso do Agripino Maia para um plenário vazio?

 Ou o formador de opinião é o Willian Bonner, interpretando uma expressão indignada após exibir mais uma reportagem com discurso do presidente Lula. Dora Kramer e Eliane Catanhede, quando muito, incomodam suas manicures com seus discursos.

Engana-se quem pensa que o presidente Lula jogou uma pá de cal no formador de opinião. Ao expor a irrelevância alcançada por essa turma, ele generosamente depositou flores em túmulos abandonados.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

SER JORNALISTA DA EXTREMA DIREITA É UM NEGÓCIO RENTÁVEL.

ESTA GENTE GANHA TANTO DINHEIRO COMO CRAQUE DE FUTEBOL, NA VERDADE SÃO CRAQUES NO JORNALISMO MANIPULATIVO.

LACERDA, JORNALISTA E POLÍTICO DA EXTREMA DIREITA BRASILEIRA, ACUSAVA JK DE TER SE TORNADO A 7a MAIOR FORTUNA DO MUNDO QUANDO DA CONSTRUÇÃO DE BRASÍLIA.

JK MORREU POBRE, ELE O CORVO DA RUA CHILE O UDENISTA GOLPISTA POR QUEM FHC CHAMA, MORREU MILIONÁRIO.

A escolinha do Serjão

Cristóvão Feil, no Diário Gauche

Sérgio Motta, o Serjão, ex-ministro das Comunicações de FHC (de janeiro de 1995 até o dia de sua morte, 19 de abril de 1998), era um sujeito extremamente pragmático e direto.

É dele a avaliação de que o tucanato inaugurava em 1995, com o professor Cardoso, “duas décadas de hegemonia e poder” no Brasil. Eles quiseram fundar um novo “getulismo com sinal trocado”, sem Getúlio, com FHC, e com a famigerada inserção subalterna do Brasil na onda neoliberal de Reagan-Thachter. Exatamente o contrário do que Getúlio Vargas propugnou e construiu.

Serjão afirmava que, para isso acontecer a pleno, era preciso haver um total domínio da mídia, não apenas dos empresários donos de jornais, rádios e TV’s, mas sobretudo dos jornalistas, dos que militavam e escreviam artigos e matérias de qualquer natureza no dia-a-dia das redações.

 Questionado sobre como era possível arregimentar tantos apoios naquilo que se constituiria uma verdadeira “revolução cultural tucana nas redações”, mais uma vez aflorou o hiperrealismo e a realpolitik do homem que foi o braço direito e (grande) parte do cérebro do professor Cardoso, Serjão virou-se para o pálido interlocutor e disse:

- Jornalista come na mão, se farto for o grão!

Teorias e papers acadêmicos sobre a invencível tendência direitista e antidemocrática da mídia mundial da atualidade (por que não é um fenômeno exclusivo do Brasil, ao contrário) precisam, pois, levar em conta esse dado comezinho e quase vagabundo da realidade, qual seja, o aspecto subjetivo da canalhice e da sordidez humana na montagem do mito moderno da imprensa livre.

Serjão e seus epígonos não ficaram duas décadas no poder – felizmente – mas a superestrutura midiática desse projeto de getulismo com sinal trocado ainda está intacta. E com altas taxas de remuneração ao seu público interno.

Hoje, ser um jornalista de direita dá muito dinheiro, e é um business como qualquer outro.


OS ESPECIALISTAS DA IMPRENSA FASCISTA BRASILEIRA. SEMPRE OS MESMOS!


OS INTELECTUAIS, NÃO SÃO ESTES GOLPISTAS DA FOTO.


Intelectuais de aluguel

Acadêmicos amestrados.

Por Idelber Avelar

Se um marciano aterrissasse hoje no Brasil e se informasse pela Rede Globo e pelos três jornalões, seria difícil que nosso extra-terrestre escapasse da conclusão de que o maior filósofo brasileiro se chama Roberto Romano; que nosso grande cientista político é Bolívar Lamounier; que Marco Antonio Villa é o cume da historiografia nacional; que nossa maior antropóloga é Yvonne Maggie, e que o maior especialista em relações raciais é Demétrio Magnoli.

Trata-se de outro monólogo que a mídia nos impõe com graus inauditos de desfaçatez: a mitologia do especialista convocado para validar as posições da própria mídia. Curiosamente, são sempre os mesmos.


Se você for acadêmico e quiser espaço na mídia brasileira, o processo é simples. Basta lançar-se numa cruzada contra as cotas raciais, escrever platitudes demonstrando que o racismo no Brasil não existe, construir sofismas que concluam que a política externa do Itamaraty é um desastre, armar gráficos pseudocientíficos provando que o Bolsa Família inibe a geração de empregos. Estará garantido o espaço, ainda que, como acadêmico, o seu histórico na disciplina seja bastante modesto.


Mesmo pessoas bem informadas pensaram, durante os anos 90, que o elogio ao neoliberalismo, à contenção do gasto público e à sanha privatizadora era uma unanimidade entre os economistas.


 Na economia, ao contrário das outras disciplinas, a mídia possuía um leque mais amplo de especialistas para avalizar sua ideologia. A força da voz dos especialistas foi considerável e criou um efeito de manada.

Eles falavam em nome da racionalidade, da verdade científica, da inexorável matemática. A verdade, evidentemente, é que essa unanimidade jamais existiu.

De Maria da Conceição Tavares a Joseph Stiglitz, uma série de economistas com obra reconhecida no mundo apontou o beco sem saída das políticas de liquidação do patrimônio público.

Chris Harman, economista britânico de formação marxista, previu o atual colapso do mercado financeiro na época em que os especialistas da mídia repetiam a mesma fórmula neoliberal e pontificavam sobre a “morte de Marx”. Foi ridicularizado como dinossauro e até hoje não ouviu qualquer pedido de desculpas dos papagaios da cantilena do FMI.


Há uma razão pela qual não uso aspas na palavra especialistas ou nos títulos dos acadêmicos amestrados da mídia. Villa é historiador mesmo, Maggie é antropóloga de verdade, o título de filósofo de Roberto Romano foi conquistado com méritos. Não acho válido usar com eles a desqualificação que eles usam com os demais.

No entanto, o fato indiscutível é que eles não são, nem de longe, os cumes das suas respectivas disciplinas no Brasil. Sua visibilidade foi conquistada a partir da própria mídia. Não é um reflexo de reconhecimento conquistado antes na universidade, a partir do qual os meios de comunicação os teriam buscado para opinar como autoridades. É um uso desonesto, feito pela mídia, da autoridade do diploma, convocado para validar uma opinião definida a priori.

 É lamentável que um acadêmico, cujo primeiro compromisso deveria ser com a busca da verdade, se preste a esse jogo. O prêmio é a visibilidade que a mídia pode emprestar – cada vez menor, diga-se de passagem. O preço é altíssimo: a perda da credibilidade.


O Brasil possui filósofos reconhecidos mundialmente, mas Roberto Romano não é um deles. Visite, em qualquer país, um colóquio sobre a obra de Espinosa, pensador singular do século XVII. É impensável que alguém ali não conheça Marilena Chauí, saudada nos quatro cantos do planeta pelo seu A Nervura do Real, obra de 941 páginas, acompanhada de outras 240 páginas de notas, que revoluciona a compreensão de Espinosa como filósofo da potência e da liberdade.

 Uma vez, num congresso, apresentei a um filósofo holandês uma seleção das coisas ditas sobre Marilena na mídia brasileira, especialmente na revista Veja. Tive que mostrar arquivos pdf para que o colega não me acusasse de mentiroso. Ele não conseguia entender como uma especialista desse quilate, admirada em todo o mundo, pudesse ser chamada de “vagabunda” pela revista semanal de maior circulação no seu próprio país.


Enquanto isso, Roberto Romano é apresentado como “o filósofo” pelo jornal O Globo, ao qual dá entrevistas em que acusa o blog da Petrobras de “terrorismo de Estado”. Terrorismo de Estado! Um blog!

 Está lá: O Globo, 10 de junho de 2009. Na época, matutei cá com meus botões: o que pensará uma vítima de terrorismo de Estado real – por exemplo, uma família palestina expulsa de seu lar, com o filho espancado por soldados israelenses – se lhe disséssemos que um filósofo qualifica como “terrorismo de Estado” a inauguração de um blog em que uma empresa pública reproduz as entrevistas com ela feitas pela mídia? É a esse triste papel que se prestam os acadêmicos amestrados, em troca de algumas migalhas de visibilidade.


A lambança mais patética aconteceu recentemente. Em artigo na Folha de São Paulo, Marco Antonio Villa qualificava a política externa do Itamaraty de “trapalhadas” e chamava Celso Amorim de “líder estudantil” e “cavalo de troia de bufões latino-americanos”. Poucos dias depois, a respeitadíssima revista Foreign Policy – que não tem nada de esquerdista – apresentava o que era, segundo ela, a chave do sucesso da política externa do governo Lula: Celso Amorim, o “melhor chanceler do mundo”, nas palavras da própria revista. Nenhum contraponto a Villa jamais foi publicado pela Folha.


Poucos países possuem um acervo acadêmico tão qualificado sobre relações raciais como o Brasil. Na mídia, os “especialistas” sobre isso – agora sim, com aspas – são Yvonne Maggie, antropóloga que depois de um único livro decidiu fazer uma carreira baseada exclusivamente no combate às cotas, e Demétrio Magnoli, o inacreditável geógrafo que, a partir da inexistência biológica das raças, conclui que o racismo deve ser algum tipo de miragem que só existe na cabeça dos negros e dos petistas.


Por isso, caro leitor, ao ver algum veículo de mídia apresentar um especialista, não deixe de fazer as perguntas indispensáveis: quem é ele? Qual é o seu cacife na disciplina?
Por que está ali?
 Quais serão os outros pontos de vista existentes na mesma disciplina?

Quantas vezes esses pontos de vista foram contemplados pelo mesmo veículo?

 No caso da mídia brasileira, as respostas a essas perguntas são verdadeiras vergonhas nacionais.


Essa matéria é parte integrante da edição impressa da Fórum de novembro(DE 2009).

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

TERRORISTAS, PENAS DE ALUGUERES. O TERRORISMO MIDIÁTICO, REGIAMENTE PAGO.



Primeira fila - Otávio Frias Filho, Mônica Waldvogel, Ricardo Boechat, Reinaldo Azevedo, Nélson Sirotsky, Arnaldo Jabor, Fernando Mitre

Segunda fila - Diogo Mainardi, Eliane Cantanhêde, Alexandre Garcia, William Waack, William Bonner, Lucia Hippolito, Josias de Souza

Terceira fila - Augusto Nunes, José Nêumane Pinto, Joelmir Betting, Merval Pereira, Clóvis Rossi, Miriam Leitão, Carlos Alberto SarDEMderg

Quarta fila - Boris Casoy, Renato Machado, Roberto Civita, Ricardo Noblat, Ali Kamel (o ator)