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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

O verdadeiro mensalão ocorreu em 1997.


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Saiu na CARTA CAPITAL

 A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e os comentaristas da “grande imprensa” estão tão satisfeitos uns com os outros e tão felizes com a história que montaram sobre o “mensalão” que nem sequer se preocupam com seus furos e inconsistências.



Para os cidadãos comuns, é daquelas que só fazem sentido quando não se tem muito interesse e basta o que os americanos chamam de big picture. 


Quando, por preguiça ou preconceito, ficam satisfeitos com o que acham que sabem, mesmo que seja apenas uma “impressão geral”.
A história faz água por todos os lados.



Se fosse preciso apresentá-la de forma simplificada (e dispensando as adjetivações raivosas típicas dos comentaristas de direita), ela conta que José Dirceu e José Genoino criaram um “esquema” entre 2004 e 2005 para desviar recursos públicos, comprar votos no Congresso e assim “perpetuar o PT no poder”.


 Para secundá-los, teriam montado uma “quadrilha”.



Mas, e se alguém quisesse entendê-la melhor? Se perguntasse, por exemplo, em que sentido a noção de recursos públicos é usada?




 Se fosse além, tentando perceber o que os responsáveis pelo plano fariam com os votos que pagassem? Se solicitasse uma explicação a respeito de nosso sistema político, para compreender a que esse apoio serviria?



Em qualquer lugar do mundo, a ideia de “desvio” implica a caracterização inequívoca da origem pública e da destinação privada do dinheiro. 


Alguém, indivíduo ou grupo, precisa ganhar – ou querer ganhar – valores surrupiados do Tesouro.


 S­enão, o caso muda de tipificação e passa a ser de incompetência.
A história do “mensalão” não faz sentido desde o primeiro postulado.


 Só com imensa forçação de barra se podem considerar públicos os recursos originados da conta de propaganda do Visanet, como demonstra qualquer auditoria minimamente correta.



A tese da compra de apoio parlamentar é tão frágil quanto a anterior. O que anos de investigações revelaram foi que a quase totalidade dos recursos movimentados no “mensalão” se destinou a ressarcir despesas partidárias, eleitorais ou administrativas, do PT.



Todos sabemos – pois os réus o admitiram desde o início – que a arrecadação foi irregular e não contabilizada. 


Que houve ilegalidade no modo como os recursos foram distribuídos. Só quem vive no mundo da lua ou finge que lá habita imagina, no entanto, que práticas como essas são raras em nosso sistema político.


 O que não é desculpa, mas as contextualiza no mundo real, que existia antes, existiu durante e continua a existir depois que o “mensalão” veio à tona.



A parte menos importante desses recursos, aquela que políticos de outros partidos teriam recebido “vendendo apoio”, é a peça-chave de toda a história que estamos ouvindo.


 É a única razão para condenações a penas absurdamente longas.



Não há demonstração no processo de que Dirceu e Genoino tivessem comprado votos no interesse do governo.


 Simplesmente não é assim que as coisas funcionam no padrão brasileiro de relacionamento entre o Executivo e o Congresso.


 Que o digam todos os presidentes desde a redemocratização.



Os dois líderes petistas queriam votos para aprovar a reforma da Previdência Social? A reforma tributária? 


É possível, mas nada comprova que pagassem parlamentares para que o Brasil se modernizasse e melhorasse.



A elucubração mais absurda é de que tudo tinha o objetivo escuso de “assegurar a  permanência do PT no poder” (como se esse não fosse um objetivo perfeitamente legítimo dos partidos políticos!).




Os deputados da oposição que ficaram do lado do governo nessas votações são uma resposta à fantasia. Votaram de acordo com suas convicções, sem dar a mínima importância a lendas sobre “planos petistas maquiavélicos”.


E o bom senso leva a outra pergunta. Alguém, em sã consciência, acha que o resultado da eleição presidencial de 2006 estava sendo ali jogado? 













Que a meia dúzia de votos sendo hipoteticamente “comprados” conduziria à 
 reeleição?





O que garante a continuidade de um governo é o voto popular, que pouco tem a ver com maiorias congressuais. 










E a vitória de Lula mostra quão irrelevante era o tal “esquema do mensalão”, pois veio depois do episódio e apesar do escândalo no seu entorno.





Os ministros da Suprema Corte, a PGR e seus amigos se confundiram. A vez de comprar votos na Câmara para permanecer no poder tinha sido outra. 




Mais exatamente acontecera em 1997, quando, sob sua benevolente complacência, a emenda da reeleição foi aprovada.



sábado, 24 de novembro de 2012

A direita encastelada no Judiciário:Fux redefine a “democracia”. A política é um jogo “desenfreado”

                                 Na foto, Tocqueville completa a obra "Democracia no Globo".

deu no CONVERSAAFIADA


 O ansioso blogueiro extrai trecho da colona (*) do Ataulfo Merval de Paiva, com todos os riscos que ali se inscrevem:

O discurso de Fux foi uma defesa de um papel mais ativo do Poder Judiciário “na solução de questões socialmente controversas como reflexo de uma nova configuração da democracia, que já não mais se baseia apenas no primado da maioria e no jogo político desenfreado”. 

Nesse sentido, “apresenta-se a Corte como mais um instrumento catalizador de aspirações e interesses relevantes, sendo que seu peculiar modo de enfrentamento das questões polêmicas, técnico, imparcial e motivado, estimula aqueles que não concordam com determinada orientação a aceitá-la e cumpri-la – trata-se, portanto, de legitimidade democrática

NAVALHA: 

 
Portanto, para o Ministro Fux, não é a maioria nem o jogo político desenfreado que definem a Democracia.


É o Supremo que confere ao regime sua “legitimidade democratica”.
Estamos fritos !


Vem aí o Golpe Paraguaio.


A Dilma foi eleita no “jogo político desenfreado”.


A maioria não conta nada.


O que vale é o Supremo , “técnico, imparcial” .


O Supremo já nos tinha revelado um neo-Maquiavel, o ex (ufa !) 



Presidente Ayres Britto, que sugeriu que as coalizões se extinguissem


 imediatamente após a eleição.


Uma ideia tão estapafurdia que o


 professor Wanderley Guilherme dos Santos sugeriu que fosse 

amplamente difundida.


Agora, temos o Ministro Fux a re-escrever Tocqueville.


O discurso, portanto, instala não a “Democracia na América”, mas a


 “Democracia no Globo”.


Porque é isso mesmo o que a Elite brasileira quer.


Revogar o poder da maioria eleita no jogo desenfreado da política.


E entregar o Governo ao Supremo que a Globo controla,


 segundo as sábias palavras do



 Governador Tarso Genro,  


outro desenfreado, eleito pela desprezível maioria dos gaúchos.


Como Tocqueville, o Ministro Fux, 

data venia, não passa de um guitarrista.



Paulo Henrique Amorim

domingo, 2 de setembro de 2012

A Lista de Furnas e o crime da imprensa udenista brasileira.

Fariseus hipócritas, são como túmulos caiados. 
 

A mídia “privada” é bastante seletiva na escandalização da política. 

Nos últimos dias, ela só pensa naquilo – no “julgamento do século” do chamado “mensalão do PT”, que se inicia nesta quinta-feira (2) no Supremo Tribunal Federal. 

As revistonas deram capas terroristas; as manchetes dos jornais parecem combinadas; e os “calunistas” da tevê não falam em outra coisa. 

De tão concentrada, porém, a mídia deixou de noticiar que Ministério Público Federal decidiu fazer a denúncia formal sobre a famosa Lista de Furnas.

O premiado jornalista Amaury Ribeiro Jr., autor do livro “A privataria tucana” – o best-seller que também foi omitido pela mídia tucana –, registrou ontem no jornal Hoje em Dia a decisão do MPF. 


Segundo revelou, a autenticidade de “lista” já teria sido provada. 


Ela revela que a estatal Furnas superfaturou contratos para repassar dinheiro a cerca de 150 políticos durante a campanha eleitoral de 2002. 


Os principais beneficiários seriam candidatos do PSDB e do DEM, entre eles o mineiro Aécio Neves e o paulista Geraldo Alckmin.

Cinismo dos tucanos e da mídia

A famosa “lista de Furnas”, que os demotucanos juravam não existir e que a mídia “privada” sempre evitou investigar, teria sido feita pelo próprio ex-presidente e ex-diretor de planejamento da empresa, Dimas Toledo. 


Para a procuradora Andrea Bayão Ferreira, do Rio de Janeiro, agora não há mais dúvida sobre a sua autenticidade. De posse dos documentos, Amaury Ribeiro inclusive já pensa em escrever a segunda parte do livro “A privataria tucana”.


 Para ele, a lista comprova a existência de um “mensalão” de Furnas.

A decisão do MPF também animou o deputado Rogério Correia (PT-MG). Com base num laudo pericial da Polícia Federal, ele foi um dos primeiros a denunciar o rombo na estatal para financiar a eleição de Aécio Neves ao governo de Minas, em 2002. 


“Quando fiz a denúncia, tentaram até mesmo cassar o meu mandato. 


Mas a verdade, finalmente, começa a prevalecer”. 


Para ele, a lista comprova a hipocrisia dos tucanos. “Eles só querem investigar os esquemas dos outros, porque esse de Furnas eles tentam abafar até agora”.

O correio do Brasil


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O tal "julgamento do século" o povo não tá nem aí para esta imprensa udenista.

Aplausos aos que não se deixaram manipular pelo pig. 

Do Blog do Nassif:


Da Carta Maior

Apesar do apelo da mídia, desmobilização marca julgamento


Apesar da imprensa insistir na tese de que este é o maior julgamento da história, o povo parece pouco interessado. 

Na área externa ao STF, nada de manifestações ou protestos. Mesmo dentro da corte, sobressaem os espaços vazios. O público passa, posa para foto e segue. “Essa desmobilização é uma frustração para muita gente que esperava o clamor das ruas pedindo a condenação dos réus”, diz o advogado Márcio Thomaz Bastos.

Brasília - O enredo até parecia favorável à sustentação da tese defendida pela imprensa de que o julgamento da ação penal 470, o chamado “mensalão do PT”, seria o maior da história do país: 38 réus, 5.508 folhas de processos, 600 testemunhas ouvidas, dezenas de perícias, 150 advogados, 500 jornalistas credenciados, expectativas de grandes protestos e mobilizações. 



Mas a realidade do Supremo Tribunal Federal (STF) e seu entorno nesses quatro dias de julgamento revela um cenário bastante adverso. Pelo menos até agora, a desmobilização social é a principal marca.



“Essa desmobilização é uma frustração para muita gente que esperava o clamor das ruas pedindo a condenação dos réus”, ironiza o advogado Márcio Thomaz Bastos, que defende o ex-executivo do Banco Rural, José Roberto Salgado.


 Animado com as sustentações orais já apresentadas pelos colegas, o ex-ministro da Justiça do governo Lula acredita que o ambiente real em que se dá o julgamento, ao contrário do criado pela imprensa, é bastante favorável à defesa. “Ah, está muito tranquilo”, observou, após dar uma longa mirada no vazio que imperava na área externa à corte. 



Os 38 réus, para preservarem suas imagens, não apareceram. Os 150 advogados, por dever de ofício, se revezam durante as sessões. Pelo menos os ministros Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes já foram flagrados dormindo. A ministra Carmen Lúcia se ausentou após o intervalo desta terça.


O público dá uma passada, registra uma foto e segue caminho. Na maioria das vezes, são estudantes de direito ávidos por comprovar tempo de tribunal, que ajuda a contar pontos para o estágio obrigatório. “É uma oportunidade e tanto estar na corte no dia de um julgamento desses.


 O público é que parece pequeno. Mas se eu conseguir o certificado, já valeu o esforço”, afirmou o estudante da Universidade Católica de Tocantins, Ítalo Schelive, que acompanhou o julgamento, nesta terça, com um grupo de 40 colegas.


Eles posaram para fotos, ajudaram a compor as imagens que estarão nos jornais amanhã e, após meia-hora, preferiram seguir o passeio turístico por Brasília. 



Mesmo o número de jornalistas presentes míngua a cada dia. Na segunda (6), a assessoria de comunicação do STF consultou jornalistas não credenciados sobre o interesse de acompanharem o júri no plenário. Menos de um terço dos 75 cadastrados inicialmente poucos ocupavam seus postos na corte.


 Mas a repescagem parece não ter surtido efeito. Mesmo com o reforço, apenas 19 ocupavam seus postos na corte, nesta terça, às 15:40 horas, no auge da sessão. Dos 90 que conseguiram credenciais para ocupar a sala de imprensa, no andar superior, haviam 31. No pátio externo, não mais do que 50, incluindo técnicos e motoristas.

Um único manifestante solitário compareceu à Praça dos Três Poderes, parcialmente isolada com cercas de ferro pela segurança do tribunal. E não era para criticar a corrupção ou o PT, mas sim o próprio Judiciário. “Ainda bem que temos a Eliana Calmon para salvar o Judiciário” e “O STF também está no banco dos réus” diziam as duas faixas que postava. 


Era o dentista Francisco Lima, morador da cidade satélite de Sobradinho, que confessou sua decepção com a desmobilização em torno do tema. “No primeiro dia, havia mais três manifestantes. Hoje, só eu. O que está em julgamento, aqui, é o próprio STF que, por conta da sua inoperância, demorou sete anos para colocar o processo em julgamento. Agora, a população nem se lembra mais o que foi o mensalão”, considerou.




O ambulante Antônio Monteiro, que já contabiliza um prejuízo nas vendas de mais de 50%, desde o início do julgamento e o consequente isolamento da praça, faz uma outra análise, porém com sustentação no mesmo descrédito imputado à corte. “O STF já está desenganado pela população.

Ninguém mais se interessa por seus julgamentos políticos viciados. As pessoas querem é mais escolas e hospitais”, opinou.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

OS 30 PER CENTE DA CLASSE MÉDIA, LEITORA DO PIG, FORMAM UMA TURBA DE ZUMBÍS, PIGUIOTIZADOS, MANIPULADOS, INCAPAZES DE PENSAREM. NUNCA FORAM CAPAZES DE PERCEBER QUE NÃO EXISTIU MENSALÃO. EXISTIU CAIXA 2.

ELES ESTÃO "INFORMANDO". A CLASSE MÉDIA.

QUANDO A GLOELBBELS, COMEÇOU COM AQUELE FUZUÊ APARTIR DE UMA DENÚNCIA EM ENTREVISTA À LO PRETE DO JORNAL FALHA DE SÃO PAULO, É FALHA MESMO, LEITOR, EU, DEPOIS DO SUSTO QUE LEVEI COMEÇEI A ANALIZAR:

1- O BOB JEFERSSON ACUSOU O PT DE MONTAR UM ESQUEMA DE MENSALÃO, PARA COOPTAR PARLAMENTARES PARA QUE ATRAVÉS DO RECEBIMENTO DE $$$$, VOTAR NO GOVERNO.

2- MAS SE PARLAMENTARES DO PT RECEBIA $$$ E O PT ERA GOVERNO, POR QUE GOVERNO PRECISARIA COOPTAR GENTE DO GOVERNO.

3-  MAS PARLAMENTARES DA OPOSIÇÃO TAMBÉM RECEBIA $$$$ E SEMPRE VOTAVAM CONTRA O GOVERNO.

ENTÃO VEIO A MINHA CONCLUSÃO LÓGICA; ISTO É CAIXA 2. OS PETISTAS BURROS DE SÃO PAULO PENSARAM: O PSDB E TODOS FAZEM CAIXA 2, NÃO VAI DAR NADA, PRONTO, A MÍDIA ESCONDEU O PSDB E O RESTO E EXPÔS O PT. O OBJETIVO ERA DAR O GOLPE NO MANDATO DE LULA. POR ISTO QUE EU DIGO, TUDO QUE VEM DE SÃO PAULO É UMA DROGA, O LULA VEIO DE LÁ, MAS A ORIGEM É PERNAMBUCO. MAS A ORIGEM DA UDN/PSDB É DE LÁ.


SEMPRE PENSEI, A MÍDIA CORRUPTA, SEMPRE EXPLORA O TERMO "MENSALÃO" PARA INFLUENCIAR ESTA SUA CLASSSE MÉDIA LEITORA E TELESPECTADORA, COM O OBJETIVO DE DESGASTAR O PRESIDENTE LULA E APEÁ-LO DO PODER, ISTO FOI PROVADO, O MENSALÃO ESTÁ PARA SER PROVADO.

A TENTATIVA DE GOLPE, ESTÁ PROVADA. TODO O CÍRCULO DE PODER EM BRASÍLIA SABE.

FHC RECUOU NA ÚLTIMA HORA DE PEDIR UM IMPECHMENT DE LULA AO OUVIR ESPECIALISTAS GRINGOS DIZEREM PARA ELE, EM SEU APARTAMENTO NA RUA RIO DE JANEIRO NO BAIRRO CHIQUE DE HIGIENÓPOLIS, ALIÁS ONDE ESTÁ FHC, TEM UM AMERICANO NA JOGADA. E O QUE O AMERICANO FALOU PARA O LAZARENTO DO FHC?

SE VOCÊS IMPDEDIREM O LULA DE GOVERNAR, ESTE PAÍS FICARÁ INGOVERNÁVEL POR MAIS DE 20 ANOS.

O LAZARENTO DO FHC VEIO ENTÃO COM A TEORIA DO SANGRAMENTO. BATERIAM TANTO NO LULA, QUE ELE CHEGARIA MORTO EM 2006. DERAM COM OS BURROS N´ÁGUA.

EIS QUE AGORA VEIO A CONFIRMAÇÃO DO QUE EU PENSAVA: O BOB JEFERSON, EM SUA DEFESA AFIRMA QUE NUNCA HOUVE MENSALÃO.

TEXTO ACIMA, LEGENDAS, FOTOS INCLUSIVE A DE BOB E A LEGENDA DA FOTO DELE E TÍTULOS POR CONTA DESTE BLOG.

NA FOTO O MENTIROSO DO BOB JEFERSON.

DO BLOG DO RODRIGO VIANA, O ESCREVINHADOR.

Foi pelo twitter que recebi a notícia: o @emeluis anunciava (entre irônico e estupefato) que a defesa de Bob Jefferson apresentada ao STF já estava disponível na internet, num site especializado em assuntos jurídicos.

Fui olhar, e chamou-me atenção o último parágrafo:

“Sobre a acusação do MP, a defesa de Jefferson seguiu o mesmo tom dos demais acusados: é incompleta e faltam provas.

Trata-se, segundo a petição, de uma acusação “puramente retórica” e “sem argumentos fáticos”. Não há na acusação, segundo a defesa de Jefferson, nada que prove a existência do mensalão, ou de algum esquema de lavagem de dinheiro para a compra de votos parlamentares.” (grifo meu, RV).


Dividi com os leitores no twiter minha surpresa: ora, se Bob Jefferson (que era o principal denunciante do chamado “Mensalão”) nega que haja provas do referido esquema, então sobra o que? Claro, sobram evidências de caixa 2 na contabilidade petista, e nas estranhas relações com Marcos Valério. Caixa 2 é ilegal. 

 E deve ser punido. Mas é muito diferente de “Mensalão” -  esquema sistemático de compra de votos no Congresso, como dava a entender Bob Jefferson na tal entrevista à Folha que foi serviu como estopim do escândalo.


Em 2005, a velha imprensa tentou provar que o tal “Mensalão” era “o maior escândalo da história do Brasil”. 

Franklin Martins era comentarista da Globo. E eu era repórter da Globo em São Paulo.

 Na redação, era nítido que os comentários de Franklin destoavam da cobertura da emissora – claramente dirigida.

A Globo, em suas “reportagens” diárias – jogando de tabelinha com ACM Neto e outros gigantes da moralidade - martelava o “Mensalão” como fato consumado.

 Aí Franklin entrava no ar e dizia que o “Mensalão” precisava ser “provado”.

 Foi um dos motivos que levaram Ali Kamel a rifar Franklin no início de 2006 – aquele tormentoso ano em que Lula conseguiria a reeleição.


Foi aquela campanha desenfreada para derrubar Lula em 2005 (e que só não foi adiante porque FHC teve a brilhante idéia de “sangrar” o presidente até a eleição, para evitar o “trauma” de um impeachment)  que levou o deputado Fernando Ferro (PT-PE) a ir à tribuna e cunhar a expressão “Partido da Imprensa” para se referir à máquina que tentou derrubar Lula.

 Paulo Henrique Amorim aproveitou o discurso de Ferro, e acrescentou “Golpista” à expressão (uma referência histórica ao papel que a mesma imprensa cumprira em 1954, no suicídio de Vargas; em 1961, no veto à posse de Jango, só garantida após a resistência de Brizola com a Legalidade no sul; e  em 1964, com o golpe largamente apoiado pela velha mídia).

Assim, nasceu o PIG.

O PIG foi a mãe do “Mensalão”. E Bob Jefferson, o pai. Bob Jefferson agora nega o “Mensalão”.

 Quem vai pedir o teste de paternidade? A “Folha”, Kamel, ou Diogo Mainardi (o colunista fujão)?

Quando escrevi sobre essas coisas no twitter, recebi da doutora Janice Ascari um puxão de orelha; ela lembrou que todo réu, sempre, nega o crime de que é acusado. Bob, denunciante, é também réu. Por isso, não haveria nada de surpreendente na negativa de Bob. Ele poderia ter negado participação sem negar o esquema. Seria uma forma de evitar a desmoralização. Não o fez.

Juridicamente, a doutora Ascari pode ter razão. Mas politicamente, a negativa de Bob é devastadora. Qual a prova de que o “Mensalão” existiu? A entrevista de Bob a Renata Lo Prete na (sempre ela) “Folha”, em 2005.

 Bob agora negou o “Mensalão”. Politicamente, fica mais evidente a operação golpista que acompanhei de perto em 2005, e à qual tenho o orgulho de ter resistido nos difíceis dias finais na campanha de 2006 (manobra patrocinada pelo PIG, com ajuda do delegado Bruno - desmascarado num histórico post de Azenha, e numa histórica reportagem de Raimundo Pereira na “CartaCapital”).

Tudo isso ocorreu em 2005/2006.

Em 2010, Lula estava muito mais forte. Mas a Globo e seus parceiros ainda tentaram operar no limite da irresponsabilidade: a “bolinha de papel” de Ali Kamel e Molina foi a tentativa de repetir a história e dar a eleição aos tucanos.

 Mas dessa segunda vez a operação soou como farsa.
Em 2005/2006, a situação foi muito mais séria.

Essa história, em detalhes, ainda está por ser melhor contada. Ainda mais agora que Bob – o tenor do “Mensalão” – jogou por terra a encenação.