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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

DICIONÁRIO PARA NEOLIBERAIS DO PSDB/UDN.



Segundo Mino, ele é o maior Tartufo do Brasil. É o entreguista mor. Vende o patrimônio e aumenta a dívida.



Dicionários para os neobobos:
1- Colonizados: Aqueles que sempre ficaram de 4 pros USA e nunca viram que o que é bom pros USA sempre lascou com o Brasil. Estes tipos são encontrados entre os COLONISTAS pagos por 4 famílias donas do grupo midiático brasileiro: FRIAS, MESQUITA, CIVITTA, E O FILHOS DO ROBERTO MARINHO. ( ELES NÃO TEM NOME). QUE A PESO DE OURO, PROSTITUEM SUAS PENAS DE ALUGUERES, PARA MIDIOTIZAR A JÁ MIDIOTIZADA CLASSE MÉDIA BRASILEIRA.


Governo popular:

Notabiliza-se por governos que estão em sintonia com os anseios do povo e tem a mania não muito aprovada pelos neobobos de disputarem eleições democráticas. Normalmente são nacionalistas e não gostam de entregar a nação às poderosas nações do norte, contrariando uns 5 por cento de neobobos da população.

Normalmente obstaculizam os privilégios que os neobobos sempre gostam de ter: A chave do cofre da nação para a suas famílias.
Normalmente levam o progresso à grande parcela da nação, sempre esquecida pelos neobobos. Segundo Faoro, eles queriam um Brasil para 20 milhões de pessoas.

Normalmente enfrentam crises econômicas mundial, de forma diferente dos neobobos, como o governo de São Paulo que em plena crise, aumentou o sucateamento do estado, o que ocorreu de forma bem diferente do governo federal, que foi elogiado por todo o planeta.

Normalmente  os governos populares e exitosos como o foi o de Lula e será o de Dilma enganam Organizações "esquerdistas" e composta por "idiotas" tais como a UNESCO, ONU, WOODROW WILSON, ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE RÁDIO DIFUSÃO, BANCO MUNDIAL, Jornais também "esquerdistas", Como THE GUARDIAN, THE ECONOMIST, NEW YORK TIMES, LA PRENSA, EL CLARIN, EL PAIS, LE MONDE, CORREIO DE LA SIERRA e também governantes "idiotas" como os dos USA, FRANÇA, INGLATERRA, DINAMARCA, SUÉCIA, RUSSIA, INDIA, NORUEGA, FINLÂNDIA, ALEMANHA, CHINA, ARGENTINA E O CAPETA SETENTA. Governos que sempre reconheceram como prodigioso e de sucesso, o governo Lula. Estes mesmos governos reconhecerão o de Dilm, tal como o de Lula. Só não engana os neobobos brasileiros( 5 por cento). Por isto estes governos Populistas, sempre são reconhecidos pelo povão. O povão percebeu que, o que os neobobos menos gostam é do povo, por isso populistas é o que os neobobos jamais serão. E o povo quer mesmo é um governo populista, que se dane o PIG.


quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O BRASIL VEM DERROTANDO O CORVO DESDE DE 2003, GETULIO VIVE, OBSERVEM O QUE OCORREU SOBRE AS OLIMPÍADAS, É ASSIM QUE ELES AGEM EM RELAÇÃO AO BRASIL!

O CASO É PASSADO, MAS AS ATITUDES SÃO ATUAIS.




O Brasil derrota os corvos!
NA FOTO CARLOS LACERDA, PSDB/DEMOS, FHC!



Do professor Emir Sader, no site Carta Maior.

O Brasil derrota os corvos

“Corvo” foi o nome que ganhou Carlos Lacerda, como ave que busca rapina onde houver, senão, inventa. É o espírito udenista, golpista, que sucumbiu sucessivamente à liderança de Getúlio e das forças populares. Não ganhavam eleições, iam bater nas portas dos quartéis (“vivandeiras de quartel”, eram chamados), para tentar, pela força, o que não conseguiam pela persuasão.

Até que, com o apoio decidido do governo dos EUA e da mídia – a mesma que agora: Globo, Folha, Estadão -, deram o golpe e instauraram a ditadura militar, que tantos males fez ao país.

Suas características são muito similares às dos corvos de hoje: são brancos, de classe média, odeiam o povo, tem seu núcleo básico em São Paulo, se agrupam em torno da imprensa, tem uma sólida convicção de que tem razão (mesmo contra todas as evidências e a grande maioria dos brasileiros), se refugiam em denuncias moralistas, detestam a América Latina e o sul do mundo (adorando os EUA e a Europa), crêem que São Paulo é a “locomotiva do país”, que arrasta os outros estados preguiçosos (o mesmo sentimento da sublevação de 1932, que eram separatistas). Também tem como característica ser sempre derrotados, tendo que apelar para suas armas preferidas – a força dos golpes e o monopólio da imprensa.

A campanha para trazer as Olimpíadas ao Brasil possibilitou distinguir os que amam o Brasil, mais além dos seus problemas e com todos os seus problemas, e os que têm suas almas corroídas pelo ódio, torceram e militaram contra o Brasil.

(Um deles convenceu seus leitores a tal ponto que numa consulta que fez, ganhou Chicago contra o Brasil.) Agora se vestem de luto – a cor dos corvos – e já tem temas para amargurar o resto das suas vidas até 2016. Para os que têm alma pequena, segundo Fernando Pessoa, a vida não vale a pena.

Estão há anos incomodados que o Brasil dê certo governado por um operário, sindicalista de base, nordestino, sem diploma universitário, que perdeu um dedo na máquina, enquanto aquele do qual são viúvas - supostamente a pessoas melhor qualificada para dirigir o Brasil - fracassou estrepitosamente e é repudiado pelo povo. Tem a alma corroída pelo ódio, pelo despeito, pelo rancor.

Lula tinha que dar errado, como Evo tinha que dar errado, como Hugo Chávez tinha que dar errado. Um é de origem nordestina e operária, o outro é indígena, o terceiro é um mulato. Mas quem fracassou foram os tucanos, aqui, com FCH, na Bolívia, com Sanchez de Losada, na Venezuela, com Carlos Andrés Perez. Não por acaso o governo de FHC apoiava àqueles, Lula apóia aos que os sucederam e, estes, por sua vez, têm a Dilma como candidata.

Essa geração de lacerdistas, corvos do século XXI, precocemente envelhecidos, pela frustração e pelo rancor, vegetarão o que lhes resta viver, ruminando reclamações contra o Campeonato Mundial de 2014 e contra os Jogos Olímpicos de 2016. Enquanto a caravana do povo brasileiro passa.

A OPOSIÇÃO FICARÁ 20 ANOS NO SERENO, E QUANDO VOLTAR NÃO SERÁ A UDN DE ENTÃO!

CADÊ A OPOSIÇÃO?




Não temos hoje no Brasil uma oposição republicana e civilizada. Temos uma horda de golpista e que não têm projetos para o Brasil como nação. Senadores que ocupam a tribuna do Senado, para achincalhar, caluniar, demonizar, e mentir e até falar em "dar surra no presidente", se bem que estes  todos perderam, sobrou o Senador Agripino Maia, que na última eleição portou-se civilizadamente e até omitiu  o candidato da OPUS DEI/UDN/PSDB, Padim Pade Çerra, do seu material de Campanha.

A  Dilma fará um governo excepcional, devido às condiçoes que o governo Lula e ela própria deixou o país para o próximo quadriênio de governo.

Enganam-se os que pensam que esta oposição virulenta da UDN/OPUS DEI/PSDB, voltará ao poder com este discurso hidrófobo e sem proposta para o Brasil, eles têm mais propostas para os USA, já que seu americanofilismo está atavicamente arraigado em suas mentes.

Eles são uns higienistas dos infernos adepto do CORVO DA RUA CHILE, falo de Carlos Lacerda.

São contra tudo que beneficia o povo.  Entraram na justiça contra o PROUNI, detestam que pob
res frequentem as nossas universidades públicas.
São entreguistas e iam se ganhassem a eleição presidencial, entregar o Pré sal para as petroleiras americanas, o Wikileaks vazou a fala do Padim Pade Çerra: "Voces saem agora, qualdo eu voltar voces voltam também".
Iriam mandar para os infernos o fundo soberano. E ao entregar as nossas riquezas para os gringos, garantiriam que seus descendentes ficassem rico até daqui a 4 mil anos!

Não pense que o seu novo queridinho a ser presidente O GAROTO DO RIO, colará.

É fácil, fácil, demonstrar ao povo que quem governou em Minas foi Andreia Neves/Anastasia.

Ele não conhece Minas, quanto mais o Brasil.

O Povo começará vê-lo demais nas ensolaradas praias do leblon com suas modellos maravilhosas, e saberão das suas baladas no eixo Rio/Nova York/ Amsterdam. E saberão que ele Padim pade Çerra, FHC, et  caterva são farinha do mesmo saco.
A oposição que assumirá no futuro´será da estirpe de Cid Gomes, Eduardo Campos e outros que são verdadeiramente políticos e não entreguistas.

PARA COIMBRA EU TÔ NUMA NICE, TUDO É MARAVILHA COM LULA! É LOVE SÓ LOVE!!!!

Nos balanços sobre o governo Lula que nestes dias pululam, o tom, na maior parte das vezes, é uma mistura de elogios e críticas. Há os que unicamente encontram motivos para desmerecê-lo, mas são raros. Salvo um ou outro dinossauro da antiga direita e os cômicos personagens da “nova direita” da mídia, quem tem um mínimo de bom senso sabe que avaliá-lo desse modo é bobagem.

ABAIXO OS DINOSSAUROS QUE SÓ VÊM ERROS NO GOVERNO LULA:



ALEXANDRE MALUF

´TÔ NESTA  TURMA AÍ ABAIXO,  E NÃO DISFARÇO:

Também existem os que acham que tudo foi uma maravilha, que Lula não pode ser cobrado por nada, pela simples razão de que só acertou. São ainda menos frequentes, mas, vez por outra, ainda aparecem, especialmente entre lulistas da velha guarda.
Quase sempre, os balanços procuram ser equilibrados, ressaltando acertos e erros, sucessos e fracassos. Como, no entanto, a verdadeira imparcialidade não existe, mesmo esses revelam de que lado estão os autores, se são mais ou menos favoráveis ao governo.

Do lado positivo, o grande consenso é a política social, capitaneada pelos programas de transferência de renda e cujo carro-chefe é o Bolsa Família. Só os preconceituosos não veem sua importância e insistem no discurso de que ele perpetua a pobreza e aumenta a dependência dos beneficiários. A evidência de que isso não é verdade é tão ampla que somente a desinformação explica a sobrevivência do estereótipo.

Do lado negativo, até quem simpatiza com Lula costuma arrolar o mensalão e os escândalos de corrupção como as “manchas” de seu governo, seu pecado capital. Quando o assunto chega aí, mesmo o mais ardoroso petista fica intimidado e prefere desconversar.(AQUI COIMBRA DEIXA ESCAPAR O SEU AECISMO, GRIFO MEU) EU NÃO DESCONVERSO ÔRRA NENHUMA COM O TAL DE MENSALÃO.
No meio, entre o Bolsa Família e o mensalão, temos o vasto território de tudo mais que o governo fez: política econômica, relações internacionais, políticas setoriais, relações com os Poderes, ação política. A respeito desse conjunto, prevalece a visão de que Lula acertou mais que errou, quando se põem na balança as iniciativas de seus dois mandatos.

Para quem não gosta de Lula, o saldo é positivo mais pelo que ele deixou de fazer, quando manteve as linhas mestras da herança de Fernando Henrique, a começar pela política econômica e o princípio da responsabilidade fiscal. Quem o admira ressalta o oposto, as mudanças realizadas na gestão da economia e o caráter inovador das medidas que criaram o ambiente de desenvolvimento que levou o país aos resultados a que chegamos.

Enquanto os analistas fazem sua contabilidade, as pesquisas revelam uma opinião pública muito mais favorável a Lula. Se as pessoas comuns pensassem como os entendidos, o presidente não estaria encerrando seu período com 87% de aprovação e Dilma talvez não tivesse sido eleita ao assumir o compromisso de continuar seu trabalho.

Sempre se pode dizer que o povo está errado, que foi e continua a ser enganado por Lula, que, com sua habilidade e seu “poder de comunicação”, manipula os sentimentos dos cidadãos “mais simples” (nunca os da classe média “mais lúcida” e de seus intelectuais, que se mantêm “vigilantes”). Ou seja, que Lula “não merece” a boa avaliação que recebe, e que Dilma ganhou a eleição em consequência da combinação de esperteza e falta de escrúpulos de seu mentor.

Mas podemos olhar a aprovação de Lula e a vitória de Dilma de outra premissa, reconhecendo que o povo é perfeitamente capaz de fazer julgamentos racionais. Em outras palavras, procurando entender o que quer dizer um presidente que termina um governo tão longo com tamanha popularidade.

O Lula de antigamente virou o Lula deste fim de 2010 em função de duas comparações e como resultado de uma aposta bem sucedida. Ele foi melhor como presidente que todos que a população conheceu e superou a expectativa que as pessoas tinham do que seria. E fez com que aqueles que votaram nele achassem que acertaram quando confiaram em alguém como ele, apesar de tudo que tinham ouvido (e continuaram a ouvir) em contrário.

É claro que foi por isso que Dilma ganhou e que vai começar a governar com a torcida quase unânime da população. A esperança de que ela será uma presidente tão boa ou melhor que Lula é mais uma prova da admiração que o povo tem pelo trabalho feito nos últimos anos, no qual ela foi peça fundamental.

Tomara que estejamos (quase) todos certos!

MARCOS COIMRA

BYE, BYE, UDN FOREVER!!!!





domingo, 19 de dezembro de 2010

os imbecís não Vêm, cadê aqueles idiotas que lêm jornais para saberem disto?

83%

quatro de cada cinco brasileiros consideram o governo Lula ótimo ou bom. O presidente tem aprovação de 83% da sociedade. (Datafolha; 19-12)

BAND-AID EDITORIAL
Folha faz caderno especial em que reconhece avanços econômicos e sociais do ciclo Lula. Faltou explicar por que escondeu isso do leitor durante oito anos. (Carta Maior, 19-12)

A GRANDE MENTIRA
  "...Durante os 30 anos neoliberais aprendíamos que o Estado era a fonte de todos os males; que o setor privado estava sempre equilibrado porque era coordenado pelo mercado, enquanto que o Estado - regido pela política - era objeto do populismo econômico...Além de antidemocrática, a

FECHO
Ciclo Lula encerra com um PIB crescendo o dobro do de 2002 para uma inflação 50%  menor e uma taxa de desemprego  que é a metade da observada então: 5,7% contra 11,7%, respectivamente, segundo o IBGE (Carta Maior;17-12)




tese era falsa, porque as crises financeiras demonstraram através dos tempos que o mercado jamais foi capaz de controlar o comportamento especulativo dos agentes privados....O que não estava claro era que os grandes deficit financeiros do Estado eram devidos ao setor privado, não ao populismo dos políticos....Este fato tornou-se patente em relação aos grandes países ricos na crise financeira global de 2008.Na maioria dos casos os governos estavam com suas contas equilibradas...Quando a crise arrebentou, apenas o Estado tinha condições de socorrer o setor privado. Foi o que fez; em consequência, seu deficit público e sua dívida pública explodiram...." (Luiz Carlos Bresser Pereira; Folha, 19-12)
(Carta Maior; Domingo; 19/12/2010)

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Carlos Olavo e O Combate jornal empastelado de Governador Valadares, foram as primeiras vítimas do golpe de 64.

Vida e morte de O Combate*

Depois de ler este trabalho conclui-se, valadares não tem jornais, ao menos o  que pudesse dar prazer em ler. O jornalisno deles é wellesano: "Jornalismo é o que eu não publico, o resto é publicidade" Orson Welles, cineasta americano.
Este é jornalismo de VALADARES HOJE, GRIFO MEU.
 


RESUMO
Fundado em 1958 em Governador Valadares (MG), primeiramente com o nome "O Saci", o jornal O Combate testemunhou o principal conflito de terras em Minas Gerais nos anos 50 e 60. Em vários momentos o periódico se posicionou em favor de pequenos proprietários de terra, de trabalhadores rurais e urbanos.

A trajetória do periódico contribuiu para insuflar as elites rurais e urbanas do Vale do Rio Doce (MG) em favor dos militares da 4ª Região Militar que marcharam para o Rio de Janeiro em 1º de abril de 1964, dando início ao golpe que levou à queda do então presidente João Goulart.

 O artigo pretende contar a trajetória de Carlos Olavo da Cunha Pereira e de O Combate, ‘empastelado’ em 31 de março de 1964, no que talvez tenha sido o primeiro ato contra a Imprensa naquele período.

O EMPASTELAMENTO:
Na noite de 31 de março, e já no clima golpista que se instaurou em Minas Gerais, capangas contratados por fazendeiros da região e militares à paisana destruíram a sede de
O jornal se destacou por apresentar uma linha editorial em alguma medida independente e que abordava assuntos proibidos aos outros órgãos de imprensa da região: latifúndio, grilagem de terras, mortes por pistolagem, greves de trabalhadores urbanos e, principalmente, a defesa da reforma agrária. Os fazendeiros formavam a elite econômica e apontavam o jornal como insuflador do movimento social que levou à criação do atuante sindicato dos trabalhadores rurais. Por outro lado, os mesmos grandes proprietários de terra pressionavam para as reformas de base e a reforma agrária prometida pelo então presidente João Goulart. Este trabalho pretende divulgar a história de uma das publicações mais controvertidas – e combativas - da imprensa mineira, desconhecida por profissionais e por estudiosos do jornalismo.
O Combate. Ainda na madrugada de 1º de abril, seu editor e proprietário, Carlos Olavo da Cunha Pereira, recebeu um telefonema de uma fonte militar sugerindo que fugisse de Governador Valadares. Antes que amanhecesse o dia, ele e sua família iniciaram uma fuga que percorreu vários estados brasileiros e permaneceram exilados por 15 anos, primeiramente na Bolívia e depois no Uruguai.
O JORNALISTA
Nascido em 1923 em Abaeté, Carlos Olavo era de família de políticos e passou boa parte da infância e adolescência em Serro e em Juiz de Fora, cidades pioneiras da imprensa de Minas Gerais. Com vários políticos na família, alguns de destaque na política estadual, Olavo trabalhou em várias publicações no Uruguai e no Chile durante os 15 anos de exílio logo após o Golpe de 1964.

 Ao retornar ao Brasil, trabalhou em alguns jornais da capital e foi assessor de Imprensa do antropólogo Darcy Ribeiro, durante sua curta passagem como secretário de Educação do governo de Minas Gerais, entre outras funções.

Nos anos 40, o advogado e jornalista Carlos Olavo da Cunha Pereira era repórter de O Povo, um jornal existente em Belo Horizonte, que tinha como diretores Orlando Bonfim Júnior e
Dimas Perim, posteriormente presos pela ditadura militar.

O jornal tinha tendências de esquerda e em certa ocasião Olavo foi destacado para reportagem especial no Vale do Rio Doce onde estava havendo despejos em massa de posseiros. A série de reportagens levou O Povo a ser vendido mais em Valadares do que na própria capital. Em Valadares, Olavo conheceu o advogado Caio Monteiro de Barros, que teria feito auxiliado na defesa de João Cândido, o Almirante Negro da famosa rebelião dos marinheiros conhecida como Revolta da Chibata.
O Povo

"Fala de todos, não briga com ninguém". A legenda explicava os propósitos de Carlos Olavo, recém-chegado a Governador Valadares e sem muita estrutura financeira para recomeçar a vida após deixar o antigo emprego na capital mineira. Desenhado pelo caricaturista Ziraldo, que então residia em Belo Horizonte, o desenho do Saci exibia a travessura e talvez alguma ingenuidade da publicação.
  já não correspondia aos propósitos do jornal, o antigo sócio deixa a publicação e um concurso público escolheu o novo nome: O Combate. Em formato tablóide, semanal, o jornal era disputado nas bancas todos os domingos pela manhã.
O Saci
]
Quase não havia encalhe para a média de 5 mil exemplares, quando a cidade tinha cerca de 70 mil moradores. A ousadia política do jornal se estampava no cabeçalho vermelho e preto, ganhando mais força e indignando leitores conservadores. Abaixo do cabeçalho, a inscrição: "Não conhecemos assunto proibido"
 O Combate no Ar", com comentários sobre o que veiculava o impresso.
Esta ousadia o levou a ser um dos poucos órgãos de imprensa a denunciar o massacre dos trabalhadores da Usiminas, na vizinha Ipatinga, em outubro de 1963, quando ousaram entrar em
greve e muitos1 foram fuzilados por tropas da Polícia Militar que os pretendia obrigar a entrar para a usina. Com medo de represálias, a maioria dos colaboradores utilizava pseudônimo.


O noticiário repercutia e Carlos Olavo criou um programa radiofônico, "

 Sempre ao meio dia, o programa ficou no ar apenas 8 meses, foi líder de audiência neste período, e dava oportunidade para os pequenos lavradores e trabalhadores urbanos expressarem seus sentimentos de revolta e insatisfação com o regime militar imposto na época. O programa de rádio terminou quando Carlos Olavo se exilou do país.

 2. Para Teixeira, um dos fatos mais marcantes foi o movimento das mulheres de fazendeiros. Em oposição à reforma agrária, divulgada excessivamente pelo O Combate, elas tomaram as ruas da cidade para defender suas terras. O movimento teve tanta repercussão que a cidade ganhou uma praça em homenagem às mulheres.
Além de ter certo apoio entre as classes trabalhadoras e partidos de esquerda, Carlos Olavo contava também com uma aliado estratégico: um irmão deputado estadual pela UDN mas com bom trânsito entre todas as correntes políticas.

Ainda hoje, alguns jornalistas consideram Olavo um militante comunista. Para jornalista Francisco Teixeira, ex-proprietário da Tribuna Fiel, "Carlos Olavo era declaradamente comunista, e usava o jornal para denunciar tudo que fosse de encontro a sua ideologia.

Era um jornalista corajoso e bem relacionado"
 O Combate’3 estava lá".
Na opinião do advogado Élcio Fava que, na época, aos 13 anos, era jornaleiro. "a explicação era a forma como as notícias eram transmitidas à população. Todas as pessoas se interessavam pelo jornal, pois sabiam que onde tivesse notícia podiam esperar que ‘

 O Combate falava a língua que o povo entendia". "Saíamos cantando em voz alta as manchetes por serem picantes despertavam o interesse em todos que ouviam"4. As últimas edições, já na véspera do Golpe Militar, foram disputadas nas bancas. Elcio e Plínio afirmaram que seus pais os proibiram de vender o jornal nestes dias, pois já se previa na cidade um sublevação dos militares.
Para Plínio Viana Freitas, também ex-jornaleiro e hoje proprietário de uma estamparia de camisas em Governador Valadares, o jornal deixou muitas saudades, pois o jornal interava com a comunidade.

"

 A Usiminas e o Governo do Estado tentaram esconder o fato, pressionaram as investigações e o caso foi pouco divulgado. O inquérito não apontou culpados para as seis mortes (oficiais) e a centena de feridos. O Combate, cujo desenhista pintou a primeira placa: "Sindicato dos Lavradores e Trabalhadores Rurais de Governador Valadares – Em organização – Sede Provisória".
papel fundamental na luta pela reforma agrária naqueles tempos, foi inicialmente discutido e posteriormente criado dentro da redação de

 
Governador Valadares era o entreposto comercial do Vale do Rio Doce, onde aconteciam as trocas comerciais facilitadas por excelentes vias de transporte e comunicação, como a Estrada de Ferro Vitória a Minas e as rodovias federais BR 116 (Rio Bahia) e BR 381, que facilitavam o contato do Rio Doce com Rio e São Paulo, Belo Horizonte e Vitória, atraindo também milhares de migrantes da região e nordestinos seduzidos pela fama de cidade boa para ganhar dinheiro.

Grande centro produtor de gado de corte, de extração de madeira, de pedras semi-preciosas e de açúcar, Valadares era uma das cidades que mais crescia no Estado, para onde afloravam aventureiros e migrantes de todo o Brasil por intermédio da Estrada de Ferro e das importantes rodovias BR 116 e BR 381. O Vale do Rio Doce era rico em recursos naturais: florestas tropicais nativas e solo farto em recursos minerais como a mica, berilo, além das cobiçadas gemas. A presença de índios hostis, o isolamento histórico e uma série de doenças que assolava a região, tornou o Vale do Rio Doce uma das últimas áreas de povoamento do Estado.


Na década de 50, a riqueza começa a se concentrar nas mãos de poucos e a cidade se viu inchada por trabalhadores urbanos desempregados, lavradores nas ruas pedindo terra para plantar, posseiros despejados por grileiros e seus capangas, lideranças sindicais tentando se afirmar e centenas de migrantes chegando nas carrocerias dos caminhões em busca de trabalho e de riqueza.
Boa parte dos latifúndios da região se constituíram após violentos processos de grilagem, em que se toma as terras de antigos posseiros (em geral pequenos lavradores sem títulos) utilizando variados artifícios legais, pela simples compra e mesmo através da coação, forçando a venda.

A grilagem também foi realizada por empresas siderúrgicas (como a Belgo Mineira) e grandes madeireiras.


Este é cenário em função do qual um dos primeiros movimentos organizados de sem terra no Brasil foi realizado em Governador Valadares ainda em 1955, quando milhares de
manifestantes (boa parte camponeses expulsos de suas terras agora vivendo na cidade) marcharam pelas ruas pedindo reforma agrária. A polícia tentou impedir a manifestação, os fazendeiros fizeram ameaças e o líder dos lavradores teve de deixar a cidade pouco tempo depois. Este episódio e outros foram acompanhados por Carlos Olavo, que nesta época trabalhava em Belo Horizonte, na sucursal mineira do jornal

 Diário de Minas enviou o jornalista Mauro Santayana para os vales do Doce e do Mucuri e denunciou a impunidade desfrutada pelos grileiros vinculados ou não a companhias siderúrgicas e madeireiras, contando com o respaldo de juízes, deputados, jagunços e policiais. Na década de 60, Santayana seria contratado pelo jornal Diário do Rio Doce, ligado à elite local.
Em 1957, o

 
O jornal publicou histórias de grilagem de terra, tráfico de influência, crimes de tocaia por causa de conflitos agrários, muitos comuns na época.
publicava matérias pagas de interesse da UDN e do PSD, e da elite econômica, sua essência era revolucionária e mantinha uma linha editorial que atendia também aos interesses das minorias.


A jornalista Maria Rabelo

 O Combate, Carlos Olavo e todo o corpo jornalístico sofriam ameaças e repressões, às vezes eram impedidos de realizar o trabalho, mas, muitas vezes, a edição se esgotava antes de chegar às bancas.
No início dos anos 60, o Brasil viveu um impasse com a renúncia do presidente Jânio Quadros e a tentativa dos militares em impedir a posse do vice João Goulart em 1961.

Superada esta primeira tentativa de golpe, principalmente a partir da resistência sulista do então governador gaúcho Leonel Brizola, implantou-se um breve período de parlamentarismo, extinto pouco mais de um ano depois.

Este era o clima no país quando Carlos Olavo convida o deputado e líder das aguerridas Ligas Camponesas para ministrar uma palestra em Governador Valadares. A redação do jornal tornou-se a base de encontros políticos com lavradores e sindicatos da região. Como o sindicalista Francisco Raimundo da Paixão, conhecido por Chicão, estava quase todos os dias na
5
ibidem
redação, localizada no centro da cidade,

 in loco a situação na cidade e sua visita recebe discretas notas nos jornais e rádios situacionistas, com exceção de O Combate, que repercute exaustivamente o assunto. O embate ideológico passa a se estampar também em outra guerra agora travada entre os veículos de comunicação de oposição (de propriedade da elite econômica) do governo João Goulart e O Combate que, embora sozinho, fosse o mais influente órgão da cidade, e agora passa a ser acusado de insuflador de um gigantesco plano de invasões de fazendas e causador do clima de insegurança no campo e na cidade
No início de março de 1964, os fazendeiros locais pregavam abertamente contra a possibilidade de ser efetivado o decreto da Superintendência de Reforma Agrária (SUPRA), de desapropriação de terras não produtivas às margens de rodovias, ferrovias e açudes federais com objetivo de destiná-las para a reforma agrária. A Associação Rural enviava telegramas alarmistas para todo o país, seus líderes buscaram apoio na Assembléia Legislativa, foram recebidos pelo governador do Estado, visitaram o comando Geral da Polícia Militar, a Secretaria de Estado da Segurança, e o Departamento de Ordem Política e Social (Dops).

Enquanto isto, na cidade, grandes doações foram destinadas para compra de armas, munições e despesas gerais para enfrentar o que chamavam de "onda comunista". O resultado da visita foi que, dias depois, uma comissão nomeada pelo governador esteve em Governador Valadares para conhecer de perto o que havia sido narrado. De parte da presidência da República, não houve, aparentemente, nenhuma manifestação.


No início do mês, Carlos Olavo cobria uma reunião dos grandes fazendeiros quando defendeu a entrega da Fazenda do Ministério para lavradores sem terra e provocou os presentes ao denunciar, sem revelar nomes, que alguns fazendeiros utilizavam irregularmente a propriedade da União. Posteriormente, denunciou publicamente ao representante do Ministério do Trabalho que membros do governo de São Paulo e da Guanabara estavam abastecendo com armas os fazendeiros da região.


A Associação Comercial, aliada dos grandes fazendeiros, foi sede de pelo menos um encontro preparativo para levantamento de fundos financeiros e organização de milícias armadas. Começava-se a falar abertamente em golpe. Chicão retorna de Brasília, de onde ouvira do próprio presidente João Goulart a promessa de que a Fazenda do Ministério seria destinada ao Programa Piloto da Reforma Agrária no Vale do Rio Doce e que o sindicato faria o cadastramento das famílias. O clima se esquentava cada vez mais.

No dia marcado para a Assembléia do sindicato em que se discutiria a forma de distribuição das glebas, os fazendeiros, apoiados por milícias que circulavam extensivamente pelas ruas, conseguiram parcialmente impedir o ato público. Carros com alto-falantes percorriam as ruas criticando a proposta e ameaçando sindicalistas e lavradores. Esperava-se a assinatura do decreto do Supra em 13 de março, o que não ocorreu, dando algum ânimo aos fazendeiros.

 Impressionado com o poder de fogo dos fazendeiros, Carlos Olavo sugere e articula uma viagem de sindicalistas a Brasília para denunciar a trama golpista que se desenvolvia em Governador Valadares, com a denúncia da existência de provas concretas, como um depósito de armas. Chicão aproveitou para pedir armas
para também constituir uma milícia. Aparentemente, João Goulart e os oficiais da Casa Militar não lhe teriam dado crédito

.
Dias depois, o ministro da Agricultura, Oswaldo Lima Filho, resolve conhecer
. O Combate denunciou "o parcialismo da polícia desarmando os camponeses de alguns revólveres e velhas garruchas, enquanto as milícias de fazendeiros circulavam afrontosamente por nossas ruas cm carabinas, rifles e até metralhadoras de mão" (OLAVO, 1988, p. 167). Alguns jornais da capital repercutiram o fato, os lavradores foram libertados e um avião do governo do Estado foi a Valadares especialmente buscar Carlos Olavo para uma entrevista com o governador Magalhães Pinto, que prometeu providências mas que, segundo Olavo, pouco poderia fazer pois a milícia dos fazendeiros teria maior efetivo e mais armas que o batalhão de polícia local.
A constante ameaça a sindicalistas e lavradores – vários foram assassinados – causados em parte pela ausência de proteção policial, os levaram a constituir um grupo armado para vigiar o sindicato.


A polícia resolveu prendê-los, o que causou enorme revolta entre os trabalhadores.

 O Combate testemunhou o fato. O grupo tentou então destruir a sede do jornal, e novamente foram impedidos pela polícia militar e por lavradores armados.
Poucos dias antes do golpe, o presidente da Supra, João Pinheiro Neto, foi a Governador Valadares ultimar a organização para a destinação da Fazenda do Ministério ao sindicato e para nova tentativa de diálogo com os fazendeiros. Ao logo do dia, boa parte do comércio local cerrou suas portas em sinal de protesto. Carros de som e emissoras de rádio ligadas à elite local pregavam abertamente a derrubada do governo Federal.

 Reunidos na Associação Comercial, um grave incidente quase termina em tragédia pois ao tentar discursar, foi várias vezes aparteado pelos presentes, chamado de "comunista", e um dos fazendeiros empunhou arma, ameaçando Pinheiro Neto, defendido por policiais militares e sindicalistas presentes. (OLAVO, pág. 161, 1988).


Foi marcado para 30 de março por às 13 horas a cerimônia de assinatura da doação da Fazenda. Naquela manhã, quando dezenas de lavradores já estavam no local aguardando o início da solenidade, um telefonema do ministro da Agricultura, Oswaldo Lima Filho, cancelou o evento sob a justificava de uma grave crise institucional. O mesmo fez o secretário de Governo do Estado, José Aparecido de Oliveira, que representaria o governador Magalhães Pinto.


O clima de inquietação tomou conta da cidade, os boatos se multiplicaram, e uma milícia formada por quase cem pessoas foi tentou assassinar Chicão disparando centena de tiros na sede do sindicato, aproveitando-se que seus companheiros estavam desde cedo na Fazenda do Ministério. Chicão resistia, também disparando de dentro do prédio, e acabou por matar um dos jagunços. A polícia chegou, dissipou o grupo e o prendeu. Um repórter de

 O Combate e a gráfica que o imprimia.
O rádio começou a divulgar pronunciamentos do governador e de lideranças locais. Não havia dúvida de que a cidade iniciara prematuramente o que no dia seguinte se configuraria o Golpe Militar com a descida do general Olímpio Mourão Filho da 4ª Região Militar, sediada em Juiz de Fora, para o Rio de Janeiro. Governador Valadares amanheceu o 31 de março tomada por milícias dos fazendeiros, que destruíram sedes de sindicatos, prenderam lideranças dos trabalhadores, destruíram a sede de

 
Borges, Maria Eliza Linhares. Representações do universo rural e luta pela reforma agrária no Leste de Minas Gerais. Rev. Bras. Hist. vol.24 no.47 São Paulo 2004.
CARVALHO, André & BARBOSA, Waldemar. Dicionário biográfico Imprensa Mineira. Belo Horizonte: Armazém de Idéias, 1994.
O Foca. Jornal Laboratório do curso de Comunicação Social da Universidade do Vale do Rio Doce. 2001
PEREIRA, Carlos Olavo da Cunha. Nas terras do rio sem dono. Rio de Janeiro, Codecri,

BIBLIOGRAFIA


Durante o exílio, julgado à revelia em Juiz de Fora, Carlos Olavo foi condenado a oito anos de prisão pela "subversão" em Governador Valadares. O jornalista retornou quase desapercebido à cidade que o expulsou logo após a Anistia Geral (1979).

Em 2000, já respirando outros ares, a cidade o acolheu com entrevistas em jornal, Aula Magna para o curso de Comunicação Social/Jornalismo na Universidade do Vale do Rio Doce, edição comemorativa do jornal laboratório do curso de Comunicação Social e inauguração de laboratório de Jornalismo que levou seu nome.

Em sua palestra, Carlos Olavo da Cunha Pereira incentivou os alunos a "resgatar a história de rebeldia que seu jornal soube pregar". No dia seguinte, ele foi recebido solenemente na Prefeitura Municipal. Em 2003, a Câmara Municipal o homenageou com o título de cidadão valadarense. Nunca mais houve um jornal de oposição da cidade.


O Combate passa a ser cada vez mais identificado com as causas populares.

A VÉSPERA DO GOLPE
O jornal tinha como tema principal a denúncia da má distribuição de terra, o maior problema da cidade na época. Eram comuns campanhas contra o aumento do preço da carne ou campanhas de proteção a pequenos produtores rurais ameaçados.

Era comprometido com a defesa dos vários sindicatos, como de extração de madeira, de sapateiros e de miqueiros, na época com cerca de 4 mil filiados. O jornal denunciou corrupção policial, violência de delegado contra posseiros, tortura nas prisões, coronelismo político, prisões arbitrárias de trabalhadores, assassinato de lavradores e despejos de sem terra sem amparo legal.

Sebastião ‘Carioca’ Nunes, repórter à época, conta que a grafia estilizada em letras vermelhas representava a agressividade dos textos e ao mesmo tempo chamava atenção para o jornal.

A dúvida, a investigação e a denúncia sutil de como os fazendeiros adquiriam tanto dinheiro, e o restante da população à mercê destes poderosos, era o que mais alimentava as linhas do jornal. Carioca disse que desde a fundação de
O Combate publicava nomes e, algumas vezes, fotos dos mandantes. Embora fosse um veículo comercial, que inclusive 5, concluiu que o jornal, na verdade, não tinha uma linha editorial comunista embora o povo dissesse que periódico defendesse idéias comunistas. "A grande bandeira do jornal era a luta a favor da reforma agrária", frisou a jornalista. A jornalista ressaltou três características do semanário: "O Combate era ousado, defendia o interesse de um grupo que não tinha voz e era de esquerda", afirmou. Porém, o interessante, segundo ela, era a dualidade em épocas de campanhas eleitorais, pois o jornal dava espaço para os dois lados que concorriam às eleições.

UM JORNAL DE ESQUERDA
A expulsão violenta de milhares de posseiros de suas propriedades e a excelente qualidade das terras da região foram alguns dos motivos que levaram o governo Federal a instalar a poucos quilômetros da cidade uma fazenda que seria modelo de produção rural. Inaugurada pelo ex-presidente Getúlio Vargas, a "Fazenda do Ministério", como era conhecida, foi por alguns anos local para desenvolvimento de pesquisas e disseminação de técnicas científicas entre a zona rural da região. Instalada próximo à cidade, às margens da rodovia BR 116 (Rio Bahia), ocupava mais de 300 alqueires mineiros (cerca de 15 mil hectares) em uma valorizada extensão de terra. Com o passar do tempo, a má gestão política a destruiu e seu pasto e os poucos equipamentos que sobraram estavam sendo ilegalmente utilizados apenas por fazendeiros da região.

No início de 1964, o sindicato denunciou a irregularidade, reivindicando a cessão da propriedade aos lavradores rurais sem terra, constituindo-se a fazenda na base da reforma agrária no Vale do Rio Doce.


O caso se transformou no estopim do conflito. João Goulart concordou com a doação da terra a cerca de 300 famílias de lavradores mas no dia 30 de março, quando seria assinado o decreto na sede da fazenda, o então ministro da Agricultura, Oswaldo Lima, cancelou a ida a Governador Valadares em função do início do movimento que levou ao golpe militar.

No final da década de 80, a fazenda foi ocupada e posteriormente destinada pelo Governo a trabalhadores do MST. Atualmente é um sólidaa colônia do MST, que recebeu o nome de Oziel Alves Pereira, um dos militantes mortos pela polícia em Eldorado dos Carajás, no Pará.
O Povo.

O VALE
Embora Carlos Olavo não tivesse qualquer ligação com o meio rural ou exercesse liderança sindical ou mesmo agrária, o destaque que seu jornal dava aos trabalhadores lhe causou várias acusações de mentor intelectual do movimento. Em 1963, por exemplo, ele foi cobrir uma reunião no sindicato patronal mas, instigado pelos fazendeiros, acabou tomando a palavra e defendendo os lavradores e a reforma agrária.
O jornal não se limitava a reportar os fatos, mas também os criava, interferindo na comunidade, promovendo campanhas, como pela redução do preço da carne bovina ou estimulando passeatas em defesa das reformas de base. O Sindicato dos Lavradores, que exerceu
1
2 O Foca, edição especial. 2001
3 idem
4 ibidem
Lentamente, a luta pela terra, o assassinato de posseiros, a exploração dos trabalhadores urbanos, a violência policial e a corrupção de políticos foi transparecendo nas páginas do jornal. Carlos Olavo (1988, pág. 35) admite: "Aos poucos, o jornal brincalhão foi tomando outro feitio. Foram os leitores que mudaram o jornal.

 Começaram a trazer-lhe seus problemas, suas lutas, suas angústias".

"Era uma coisa de doer o coração, um espetáculo triste, ver na Rio-Bahia centenas e centenas de famílias retiradas, lá nas margens da rodovia, que na época ainda era de terra, com um poeirão incrível. Era menino, galinha, cachorro, cama, mesa, pinico, panela, mulher, homem, todos retirados na Rio-Bahia, centenas e centenas de famílias, porque eram despejados das terras que o grileiro se apoderava". (
www.omacaubeiro.net/cisterna/cisterna5.html) faliu em 1957 e, estimulado por amigos, Olavo resolve tentar a vida em Governador Valadares, onde encontra um sócio e juntos fundam em 1958 O Saci, um jornal de sátiras que levava no cabeçalho a figura do moleque travesso sentado em frente a uma máquina de escrever:

Ernane Corrêa Rabelo
Professor do curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Viçosa,
doutorando em Ciência da Informação pela UFMG