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sexta-feira, 27 de julho de 2012

Santayana: Cerra e sua democracia de duas orelhas.



Santayana no JBONLINE

por Mauro Santayana

A verdade, diz um provérbio berbere, é como o camelo: tem duas orelhas.

Você pode agarrá-la como lhe for mais conveniente, pela direita ou pela esquerda.

 Essa parece ser a postura do candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, que prefere a direita. Para quem conheceu o jovem Serra de há quase 50 anos, é um desconsolo descobrir o que o tempo faz aos homens.

Não só, como no poema de Drummond, ao abater com sua mão pesada, cobra os anos com “rugas, dentes, calva”, mas também costuma sulcar erosões nas idéias.





José Serra quer calar os blogueiros sujos, e usou o seu partido para isso.



 Dois nomes são mencionados, Paulo Henrique Amorim e Luis Nassif. Não preciso expressar a minha solidariedade aos atingidos.


O que está em questão – e os dois estarão de acordo com o raciocínio – é muito maior do que eles mesmos e todos os outros franco-atiradores da internet.

O problema real são os limites que querem impor à democracia.

Ao que parece, há uma liberdade de imprensa para uns, e outra, para os demais.

Os grandes veículos de comunicação combatem o governo e recebem dele vultosas verbas de publicidade, como é do conhecimento geral.

 Alguns poucos blogs, por convicção, defendem o governo federal, mas, conforme o PSDB, estão impedidos de receber verbas publicitárias das empresas estatais.





Nenhum jornalista brasileiro pode se dar o luxo de não contar, em sua remuneração, qualquer que ela seja, com parcelas, ainda que pequenas, de dinheiro público.



 O poder público é a base de toda a economia nacional.


 Ele contrata as empreiteiras, compra das grandes empresas industriais, além de subsidiá-las com incentivos fiscais, financia as atividades agropecuárias, paga pelos serviços, participa do custeio das grandes organizações patronais, entre elas a Fiesp, para ficar apenas em São Paulo.


Assim, indiretamente, participa de todos os gastos com publicidade.

E mais, ainda: quem paga tudo, afinal, é a sociedade e, nela, os que realmente produzem, ou, seja, os trabalhadores.

E são os trabalhadores, com parcela de seu suor, que mantêm o enganoso Fundo de Amparo ao Trabalhador que, administrado pelo Estado, por intermédio do BNDES, financiou as privatizações e continua a financiar empresas estrangeiras, como é o caso notório das companhias telefônicas, a começar pela controlada pelos espanhóis.


 Em suma, o trabalhador paga pela corda que o sufoca.





Serra, e os que pensam como ele, tentam, como Josué em Jericó, segurar o sol com as mãos, ou, melhor, impedir que a Terra continue rodando em torno de seu eixo e em torno da nossa estrela. A internet é indomável.


E, apesar de suas terríveis distorções, como veículo que serve à difamação, à calúnia, à contrainformação, a difusão de atos de insânia – ampliando o que a televisão vinha fazendo – não há, no horizonte das idéias plausíveis, como amordaçar os bytes, imobilizar os elétrons, apagar as telas.


Tudo isso poderá ocorrer com uma tempestade solar, mas nunca pela ação dos estados – a menos que, como tantos sonham, um governo fascista mundial destrua o sistema.

O candidato José Serra e seus correligionários se encontram alheios ao mundo que os cerca. Estão como um francês distraído que, em 10 de agosto de 1792, em um dos muitos cafés do Jardim das Tuileries, tomava placidamente uma baravoise – para os curiosos, mistura de café, conhaque e uma gema de ovo, segundo a receita do libertino Casanova.


Enquanto isso, a multidão invadiu o Palácio Real – de onde, por pouco, escaparam Luis XVI e Maria Antonieta – e o saqueou. O desconhecido continuou a beber. Todos os que o cercavam fugiram esbaforidos.


 Na defesa do palácio, morreram seiscentos guardas suíços. O francês distraído estava alheio a tudo, em sua manhã de agosto. Cinco meses depois, o rei e a rainha encontrariam a lâmina da guilhotina.





José Serra e os seus estão pensando em seu outubro, embora estejamos, no mundo inteiro, em tempos semelhantes aos do francês sans souci.


Como sempre, o que está em jogo é a mesma reivindicação dos sans culotte: igualdade, liberdade, fraternidade – ou, seja, a democracia real.



sábado, 18 de dezembro de 2010

NO GOVERNO DO FAROL(FHC) O FBI COMPROU A PF E O PIG, PARA DEFENDER INTERESSES DOS AMERICANOS! POSITIVO E OPERANTE, FHC E SERRA ERAM E SÃO ENTREGUISTAS!


Como reagiria a opinião pública de uma nação soberana se tomasse conhecimento, por meio de conceituada publicação jornalística, que sua Polícia Federal foi comprada por serviços de inteligência de um país estrangeiro?


 Que as instituições republicanas são inteiramente controladas por redes de espionagem, e setores expressivos da imprensa local cooptados para produzir uma imagem favorável aos interesses da potência controladora?

 Seria impossível conter o terremoto político advindo de tais revelações, salvo se um isolamento acústico fosse imediatamente construído por aqueles que elaboram a agenda da opinião pública.

E é nesse ponto, no silêncio consensual do complexo midiático, que reside a atualidade deste pequeno artigo.

O antigo silêncio dos influenciáveis

Qual a lógica que explica o silêncio de "formadores de opinião" sobre determinados temas e um entusiasmo frenético sobre outros? Uma denúncia feita pela revista Carta Capital, em 2004, e o silêncio com que foi recebida pela maioria dos meios de comunicação, pode ajudar a responder essa pergunta.

Gilson Caroni Filho



Qual terá sido o motivo do silêncio reinante nas redações dos principais jornais e revistas do eixo Rio-São Paulo quando o assunto é a ingerência imperialista na política brasileira?

Há nove anos, Carta Capital sistematicamente denuncia o aparelhamento do Estado por agências americanas.

 Para ser mais preciso, vem historiando um processo que se inicia em 12/4/1995, quando é assinado o Acordo para Combate ao Narcotráfico, e se estende aos dias de hoje, com a DEA efetuando pagamentos a policiais brasileiros.

Na edição de 3/3/1999, a revista já apresentava a CIA controlando o antigo Centro de Dados Operacionais (CDO). À época, Fernando Henrique Cardoso teve grampeada uma conversa com o então chefe do Cerimonial da Presidência da República, embaixador Júlio César Gomes dos Santos.

A que devemos o silêncio dos "influenciáveis?" Traria a matéria denúncias graves sem a verificação adequada?


 Ausência de fundamentação empírica que indicasse sensacionalismo ingênuo ou petição conspiracionista? Não, CartaCapital tem feito um belo trabalho investigativo. Na edição de 2004, à riqueza de detalhes somam-se fotos que documentam a desenvoltura de Carlos Costa nos salões do poder.

Seria conseqüência da lógica concorrencial das empresas jornalísticas, ignorar os fatos noticiados por veículos rivais? Ante a magnitude do assunto, era pouco plausível uma argumentação de cunho puramente mercantil. O mais sensato seria aprofundar a matéria, focalizando atores políticos relevantes, diretamente envolvidos na questão, tais como militares e estrategistas.

Estaríamos, então, nos deparando com um fenômeno hierárquico presente no interior do campo jornalístico? A existência de um veículo, e apenas um, que pautaria os demais?


 A história recente da imprensa brasileira impossibilita tal conjectura. Diferentes publicações puxaram o fio da meada de assuntos relevantes e foram seguidas pelas demais. Basta lembrar que o impeachment de Collor começou nas páginas da revista Veja e os principais escândalos do governo FHC foram inicialmente noticiados pela Folha de S.Paulo.

Talvez o desdobramento mais importante da matéria de capa da revista dirigida por Mino Carta tenha sido a ausência de desdobramentos. O silêncio gritante do resto da mídia realçou ainda mais as palavras do agente Carlos Costa, quando define a ação dos serviços secretos sobre os seus diletos profissionais de redação: "Influenciar é mudar o pensamento contrário aos nossos interesses".

Talvez isso nos ajude a entender o arrazoado de certos colunistas em defesa da CPI da Petrobrás, talvez compreendamos com mais facilidade os princípios que norteiam articulistas zelosos na defesa da política externa que privilegiava os objetivos de grandes conglomerados.

Reportagem de capa da edição de Carta Capital, com data de 19/3/2004 ,trouxe à tona um personagem que poderia ter saído das páginas de qualquer romance de John Le Carré. Versão tão patética quanto real do "espião que sabia demais", o português naturalizado americano Carlos Costa chefiou o FBI no Brasil de 1999 a outubro de 2003. Na época, em entrevista ao jornalista Bob Fernandes, ele foi categórico:

"Os Estados Unidos compraram a Polícia Federal. Há um antigo ditado, e ele é real: quem paga dá as ordens, mesmo que indiretamente".

Não descartando a possibilidade de alguma agência americana ter grampeado o Palácio da Alvorada e o Itamaraty, Costa disse que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), ao pedir equipamentos e recursos ao mundo todo, "se prostitui".

Não menos contundente foi sua afirmação segundo a qual uma das mais importantes funções da embaixada americana no país era manipular a imprensa brasileira. Usando, eufemisticamente o verbo influenciar, o ex-agente não poderia ter sido mais claro:

"Detectamos jornalistas que sejam pró-América e os convidamos a ir aos Estados Unidos com todas as despesas pagas. Essa não era minha área, mas começa assim. Influenciar é mudar o pensamento contrário aos nossos interesses".

E qual seria o modus operandi? Mais uma vez, Carlos Costa foi direto: "Seja lá o que for necessário. Se é comprar, é comprar, há várias maneiras. Mas deixa isso pra lá".

Eis o cenário da realidade brasileira no reinado de Fernando Henrique Cardoso. Agindo com total desenvoltura, uma profusão de siglas tais como a US Customs, DEA, NAS, CIA e FBI faziam de nossa legislação letra morta e tornavam o conceito de soberania nacional, numa perspectiva otimista, uma hipótese a ser permanentemente verificada. Tínhamos, enfim, polícias compradas e submetidas a comandos externos, uma Abin supostamente controlada e formadores de opinião "influenciados". O quadro se tornava mais dramático quando o monitoramento de setores estratégicos do governo era apresentado como rotina.

O que chamou a atenção, há cinco anos, foi a ausência de repercussão da matéria de Carta Capital no Congresso e, acima de tudo, em outros veículos jornalísticos. Por conta de episódios de gravidade bem menor, o conservadorismo põe-se a falar em crise de governo, perda de capacidade administrativa e riscos à coesão social. Clama-se pela instalação de Comissões Parlamentares de Inquérito e o alarido udenista se reflete nos editoriais das empresas que abrigam aqueles a quem Costa chama de "os influenciáveis".

A título de exemplo, por que a denúncia da revista dirigida por Mino Carta não provocou, à época, a mesma comoção que o destempero do então ministro José Dirceu em entrevista ao jornalista Merval Pereira, de O Globo?

Desde sua publicação, o espaço concedido à reportagem de Bob Fernandes foi praticamente inexistente. Uma ou outra nota, até o abafamento total.


Quem sabe, nesse prosaico episódio, redescoberto no folhear de um exemplar antigo da melhor publicação brasileira, esteja desnudada a política editorial de várias publicações.

Alguém pode retrucar que a argumentação desenvolvida no parágrafo acima é simplificadora. Certamente. Mas, enquanto os "influenciáveis" não romperem seu pacto de silêncio, qualquer teoria conspiratória terá relevância analítica. Ou repetindo a sabedoria do senso comum: "Quem cala, consente". Just do it.

É bom relembrar quando uma nova batalha se avizinha.



Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Observatório da Imprensa.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Carlos Olavo e O Combate jornal empastelado de Governador Valadares, foram as primeiras vítimas do golpe de 64.

Vida e morte de O Combate*

Depois de ler este trabalho conclui-se, valadares não tem jornais, ao menos o  que pudesse dar prazer em ler. O jornalisno deles é wellesano: "Jornalismo é o que eu não publico, o resto é publicidade" Orson Welles, cineasta americano.
Este é jornalismo de VALADARES HOJE, GRIFO MEU.
 


RESUMO
Fundado em 1958 em Governador Valadares (MG), primeiramente com o nome "O Saci", o jornal O Combate testemunhou o principal conflito de terras em Minas Gerais nos anos 50 e 60. Em vários momentos o periódico se posicionou em favor de pequenos proprietários de terra, de trabalhadores rurais e urbanos.

A trajetória do periódico contribuiu para insuflar as elites rurais e urbanas do Vale do Rio Doce (MG) em favor dos militares da 4ª Região Militar que marcharam para o Rio de Janeiro em 1º de abril de 1964, dando início ao golpe que levou à queda do então presidente João Goulart.

 O artigo pretende contar a trajetória de Carlos Olavo da Cunha Pereira e de O Combate, ‘empastelado’ em 31 de março de 1964, no que talvez tenha sido o primeiro ato contra a Imprensa naquele período.

O EMPASTELAMENTO:
Na noite de 31 de março, e já no clima golpista que se instaurou em Minas Gerais, capangas contratados por fazendeiros da região e militares à paisana destruíram a sede de
O jornal se destacou por apresentar uma linha editorial em alguma medida independente e que abordava assuntos proibidos aos outros órgãos de imprensa da região: latifúndio, grilagem de terras, mortes por pistolagem, greves de trabalhadores urbanos e, principalmente, a defesa da reforma agrária. Os fazendeiros formavam a elite econômica e apontavam o jornal como insuflador do movimento social que levou à criação do atuante sindicato dos trabalhadores rurais. Por outro lado, os mesmos grandes proprietários de terra pressionavam para as reformas de base e a reforma agrária prometida pelo então presidente João Goulart. Este trabalho pretende divulgar a história de uma das publicações mais controvertidas – e combativas - da imprensa mineira, desconhecida por profissionais e por estudiosos do jornalismo.
O Combate. Ainda na madrugada de 1º de abril, seu editor e proprietário, Carlos Olavo da Cunha Pereira, recebeu um telefonema de uma fonte militar sugerindo que fugisse de Governador Valadares. Antes que amanhecesse o dia, ele e sua família iniciaram uma fuga que percorreu vários estados brasileiros e permaneceram exilados por 15 anos, primeiramente na Bolívia e depois no Uruguai.
O JORNALISTA
Nascido em 1923 em Abaeté, Carlos Olavo era de família de políticos e passou boa parte da infância e adolescência em Serro e em Juiz de Fora, cidades pioneiras da imprensa de Minas Gerais. Com vários políticos na família, alguns de destaque na política estadual, Olavo trabalhou em várias publicações no Uruguai e no Chile durante os 15 anos de exílio logo após o Golpe de 1964.

 Ao retornar ao Brasil, trabalhou em alguns jornais da capital e foi assessor de Imprensa do antropólogo Darcy Ribeiro, durante sua curta passagem como secretário de Educação do governo de Minas Gerais, entre outras funções.

Nos anos 40, o advogado e jornalista Carlos Olavo da Cunha Pereira era repórter de O Povo, um jornal existente em Belo Horizonte, que tinha como diretores Orlando Bonfim Júnior e
Dimas Perim, posteriormente presos pela ditadura militar.

O jornal tinha tendências de esquerda e em certa ocasião Olavo foi destacado para reportagem especial no Vale do Rio Doce onde estava havendo despejos em massa de posseiros. A série de reportagens levou O Povo a ser vendido mais em Valadares do que na própria capital. Em Valadares, Olavo conheceu o advogado Caio Monteiro de Barros, que teria feito auxiliado na defesa de João Cândido, o Almirante Negro da famosa rebelião dos marinheiros conhecida como Revolta da Chibata.
O Povo

"Fala de todos, não briga com ninguém". A legenda explicava os propósitos de Carlos Olavo, recém-chegado a Governador Valadares e sem muita estrutura financeira para recomeçar a vida após deixar o antigo emprego na capital mineira. Desenhado pelo caricaturista Ziraldo, que então residia em Belo Horizonte, o desenho do Saci exibia a travessura e talvez alguma ingenuidade da publicação.
  já não correspondia aos propósitos do jornal, o antigo sócio deixa a publicação e um concurso público escolheu o novo nome: O Combate. Em formato tablóide, semanal, o jornal era disputado nas bancas todos os domingos pela manhã.
O Saci
]
Quase não havia encalhe para a média de 5 mil exemplares, quando a cidade tinha cerca de 70 mil moradores. A ousadia política do jornal se estampava no cabeçalho vermelho e preto, ganhando mais força e indignando leitores conservadores. Abaixo do cabeçalho, a inscrição: "Não conhecemos assunto proibido"
 O Combate no Ar", com comentários sobre o que veiculava o impresso.
Esta ousadia o levou a ser um dos poucos órgãos de imprensa a denunciar o massacre dos trabalhadores da Usiminas, na vizinha Ipatinga, em outubro de 1963, quando ousaram entrar em
greve e muitos1 foram fuzilados por tropas da Polícia Militar que os pretendia obrigar a entrar para a usina. Com medo de represálias, a maioria dos colaboradores utilizava pseudônimo.


O noticiário repercutia e Carlos Olavo criou um programa radiofônico, "

 Sempre ao meio dia, o programa ficou no ar apenas 8 meses, foi líder de audiência neste período, e dava oportunidade para os pequenos lavradores e trabalhadores urbanos expressarem seus sentimentos de revolta e insatisfação com o regime militar imposto na época. O programa de rádio terminou quando Carlos Olavo se exilou do país.

 2. Para Teixeira, um dos fatos mais marcantes foi o movimento das mulheres de fazendeiros. Em oposição à reforma agrária, divulgada excessivamente pelo O Combate, elas tomaram as ruas da cidade para defender suas terras. O movimento teve tanta repercussão que a cidade ganhou uma praça em homenagem às mulheres.
Além de ter certo apoio entre as classes trabalhadoras e partidos de esquerda, Carlos Olavo contava também com uma aliado estratégico: um irmão deputado estadual pela UDN mas com bom trânsito entre todas as correntes políticas.

Ainda hoje, alguns jornalistas consideram Olavo um militante comunista. Para jornalista Francisco Teixeira, ex-proprietário da Tribuna Fiel, "Carlos Olavo era declaradamente comunista, e usava o jornal para denunciar tudo que fosse de encontro a sua ideologia.

Era um jornalista corajoso e bem relacionado"
 O Combate’3 estava lá".
Na opinião do advogado Élcio Fava que, na época, aos 13 anos, era jornaleiro. "a explicação era a forma como as notícias eram transmitidas à população. Todas as pessoas se interessavam pelo jornal, pois sabiam que onde tivesse notícia podiam esperar que ‘

 O Combate falava a língua que o povo entendia". "Saíamos cantando em voz alta as manchetes por serem picantes despertavam o interesse em todos que ouviam"4. As últimas edições, já na véspera do Golpe Militar, foram disputadas nas bancas. Elcio e Plínio afirmaram que seus pais os proibiram de vender o jornal nestes dias, pois já se previa na cidade um sublevação dos militares.
Para Plínio Viana Freitas, também ex-jornaleiro e hoje proprietário de uma estamparia de camisas em Governador Valadares, o jornal deixou muitas saudades, pois o jornal interava com a comunidade.

"

 A Usiminas e o Governo do Estado tentaram esconder o fato, pressionaram as investigações e o caso foi pouco divulgado. O inquérito não apontou culpados para as seis mortes (oficiais) e a centena de feridos. O Combate, cujo desenhista pintou a primeira placa: "Sindicato dos Lavradores e Trabalhadores Rurais de Governador Valadares – Em organização – Sede Provisória".
papel fundamental na luta pela reforma agrária naqueles tempos, foi inicialmente discutido e posteriormente criado dentro da redação de

 
Governador Valadares era o entreposto comercial do Vale do Rio Doce, onde aconteciam as trocas comerciais facilitadas por excelentes vias de transporte e comunicação, como a Estrada de Ferro Vitória a Minas e as rodovias federais BR 116 (Rio Bahia) e BR 381, que facilitavam o contato do Rio Doce com Rio e São Paulo, Belo Horizonte e Vitória, atraindo também milhares de migrantes da região e nordestinos seduzidos pela fama de cidade boa para ganhar dinheiro.

Grande centro produtor de gado de corte, de extração de madeira, de pedras semi-preciosas e de açúcar, Valadares era uma das cidades que mais crescia no Estado, para onde afloravam aventureiros e migrantes de todo o Brasil por intermédio da Estrada de Ferro e das importantes rodovias BR 116 e BR 381. O Vale do Rio Doce era rico em recursos naturais: florestas tropicais nativas e solo farto em recursos minerais como a mica, berilo, além das cobiçadas gemas. A presença de índios hostis, o isolamento histórico e uma série de doenças que assolava a região, tornou o Vale do Rio Doce uma das últimas áreas de povoamento do Estado.


Na década de 50, a riqueza começa a se concentrar nas mãos de poucos e a cidade se viu inchada por trabalhadores urbanos desempregados, lavradores nas ruas pedindo terra para plantar, posseiros despejados por grileiros e seus capangas, lideranças sindicais tentando se afirmar e centenas de migrantes chegando nas carrocerias dos caminhões em busca de trabalho e de riqueza.
Boa parte dos latifúndios da região se constituíram após violentos processos de grilagem, em que se toma as terras de antigos posseiros (em geral pequenos lavradores sem títulos) utilizando variados artifícios legais, pela simples compra e mesmo através da coação, forçando a venda.

A grilagem também foi realizada por empresas siderúrgicas (como a Belgo Mineira) e grandes madeireiras.


Este é cenário em função do qual um dos primeiros movimentos organizados de sem terra no Brasil foi realizado em Governador Valadares ainda em 1955, quando milhares de
manifestantes (boa parte camponeses expulsos de suas terras agora vivendo na cidade) marcharam pelas ruas pedindo reforma agrária. A polícia tentou impedir a manifestação, os fazendeiros fizeram ameaças e o líder dos lavradores teve de deixar a cidade pouco tempo depois. Este episódio e outros foram acompanhados por Carlos Olavo, que nesta época trabalhava em Belo Horizonte, na sucursal mineira do jornal

 Diário de Minas enviou o jornalista Mauro Santayana para os vales do Doce e do Mucuri e denunciou a impunidade desfrutada pelos grileiros vinculados ou não a companhias siderúrgicas e madeireiras, contando com o respaldo de juízes, deputados, jagunços e policiais. Na década de 60, Santayana seria contratado pelo jornal Diário do Rio Doce, ligado à elite local.
Em 1957, o

 
O jornal publicou histórias de grilagem de terra, tráfico de influência, crimes de tocaia por causa de conflitos agrários, muitos comuns na época.
publicava matérias pagas de interesse da UDN e do PSD, e da elite econômica, sua essência era revolucionária e mantinha uma linha editorial que atendia também aos interesses das minorias.


A jornalista Maria Rabelo

 O Combate, Carlos Olavo e todo o corpo jornalístico sofriam ameaças e repressões, às vezes eram impedidos de realizar o trabalho, mas, muitas vezes, a edição se esgotava antes de chegar às bancas.
No início dos anos 60, o Brasil viveu um impasse com a renúncia do presidente Jânio Quadros e a tentativa dos militares em impedir a posse do vice João Goulart em 1961.

Superada esta primeira tentativa de golpe, principalmente a partir da resistência sulista do então governador gaúcho Leonel Brizola, implantou-se um breve período de parlamentarismo, extinto pouco mais de um ano depois.

Este era o clima no país quando Carlos Olavo convida o deputado e líder das aguerridas Ligas Camponesas para ministrar uma palestra em Governador Valadares. A redação do jornal tornou-se a base de encontros políticos com lavradores e sindicatos da região. Como o sindicalista Francisco Raimundo da Paixão, conhecido por Chicão, estava quase todos os dias na
5
ibidem
redação, localizada no centro da cidade,

 in loco a situação na cidade e sua visita recebe discretas notas nos jornais e rádios situacionistas, com exceção de O Combate, que repercute exaustivamente o assunto. O embate ideológico passa a se estampar também em outra guerra agora travada entre os veículos de comunicação de oposição (de propriedade da elite econômica) do governo João Goulart e O Combate que, embora sozinho, fosse o mais influente órgão da cidade, e agora passa a ser acusado de insuflador de um gigantesco plano de invasões de fazendas e causador do clima de insegurança no campo e na cidade
No início de março de 1964, os fazendeiros locais pregavam abertamente contra a possibilidade de ser efetivado o decreto da Superintendência de Reforma Agrária (SUPRA), de desapropriação de terras não produtivas às margens de rodovias, ferrovias e açudes federais com objetivo de destiná-las para a reforma agrária. A Associação Rural enviava telegramas alarmistas para todo o país, seus líderes buscaram apoio na Assembléia Legislativa, foram recebidos pelo governador do Estado, visitaram o comando Geral da Polícia Militar, a Secretaria de Estado da Segurança, e o Departamento de Ordem Política e Social (Dops).

Enquanto isto, na cidade, grandes doações foram destinadas para compra de armas, munições e despesas gerais para enfrentar o que chamavam de "onda comunista". O resultado da visita foi que, dias depois, uma comissão nomeada pelo governador esteve em Governador Valadares para conhecer de perto o que havia sido narrado. De parte da presidência da República, não houve, aparentemente, nenhuma manifestação.


No início do mês, Carlos Olavo cobria uma reunião dos grandes fazendeiros quando defendeu a entrega da Fazenda do Ministério para lavradores sem terra e provocou os presentes ao denunciar, sem revelar nomes, que alguns fazendeiros utilizavam irregularmente a propriedade da União. Posteriormente, denunciou publicamente ao representante do Ministério do Trabalho que membros do governo de São Paulo e da Guanabara estavam abastecendo com armas os fazendeiros da região.


A Associação Comercial, aliada dos grandes fazendeiros, foi sede de pelo menos um encontro preparativo para levantamento de fundos financeiros e organização de milícias armadas. Começava-se a falar abertamente em golpe. Chicão retorna de Brasília, de onde ouvira do próprio presidente João Goulart a promessa de que a Fazenda do Ministério seria destinada ao Programa Piloto da Reforma Agrária no Vale do Rio Doce e que o sindicato faria o cadastramento das famílias. O clima se esquentava cada vez mais.

No dia marcado para a Assembléia do sindicato em que se discutiria a forma de distribuição das glebas, os fazendeiros, apoiados por milícias que circulavam extensivamente pelas ruas, conseguiram parcialmente impedir o ato público. Carros com alto-falantes percorriam as ruas criticando a proposta e ameaçando sindicalistas e lavradores. Esperava-se a assinatura do decreto do Supra em 13 de março, o que não ocorreu, dando algum ânimo aos fazendeiros.

 Impressionado com o poder de fogo dos fazendeiros, Carlos Olavo sugere e articula uma viagem de sindicalistas a Brasília para denunciar a trama golpista que se desenvolvia em Governador Valadares, com a denúncia da existência de provas concretas, como um depósito de armas. Chicão aproveitou para pedir armas
para também constituir uma milícia. Aparentemente, João Goulart e os oficiais da Casa Militar não lhe teriam dado crédito

.
Dias depois, o ministro da Agricultura, Oswaldo Lima Filho, resolve conhecer
. O Combate denunciou "o parcialismo da polícia desarmando os camponeses de alguns revólveres e velhas garruchas, enquanto as milícias de fazendeiros circulavam afrontosamente por nossas ruas cm carabinas, rifles e até metralhadoras de mão" (OLAVO, 1988, p. 167). Alguns jornais da capital repercutiram o fato, os lavradores foram libertados e um avião do governo do Estado foi a Valadares especialmente buscar Carlos Olavo para uma entrevista com o governador Magalhães Pinto, que prometeu providências mas que, segundo Olavo, pouco poderia fazer pois a milícia dos fazendeiros teria maior efetivo e mais armas que o batalhão de polícia local.
A constante ameaça a sindicalistas e lavradores – vários foram assassinados – causados em parte pela ausência de proteção policial, os levaram a constituir um grupo armado para vigiar o sindicato.


A polícia resolveu prendê-los, o que causou enorme revolta entre os trabalhadores.

 O Combate testemunhou o fato. O grupo tentou então destruir a sede do jornal, e novamente foram impedidos pela polícia militar e por lavradores armados.
Poucos dias antes do golpe, o presidente da Supra, João Pinheiro Neto, foi a Governador Valadares ultimar a organização para a destinação da Fazenda do Ministério ao sindicato e para nova tentativa de diálogo com os fazendeiros. Ao logo do dia, boa parte do comércio local cerrou suas portas em sinal de protesto. Carros de som e emissoras de rádio ligadas à elite local pregavam abertamente a derrubada do governo Federal.

 Reunidos na Associação Comercial, um grave incidente quase termina em tragédia pois ao tentar discursar, foi várias vezes aparteado pelos presentes, chamado de "comunista", e um dos fazendeiros empunhou arma, ameaçando Pinheiro Neto, defendido por policiais militares e sindicalistas presentes. (OLAVO, pág. 161, 1988).


Foi marcado para 30 de março por às 13 horas a cerimônia de assinatura da doação da Fazenda. Naquela manhã, quando dezenas de lavradores já estavam no local aguardando o início da solenidade, um telefonema do ministro da Agricultura, Oswaldo Lima Filho, cancelou o evento sob a justificava de uma grave crise institucional. O mesmo fez o secretário de Governo do Estado, José Aparecido de Oliveira, que representaria o governador Magalhães Pinto.


O clima de inquietação tomou conta da cidade, os boatos se multiplicaram, e uma milícia formada por quase cem pessoas foi tentou assassinar Chicão disparando centena de tiros na sede do sindicato, aproveitando-se que seus companheiros estavam desde cedo na Fazenda do Ministério. Chicão resistia, também disparando de dentro do prédio, e acabou por matar um dos jagunços. A polícia chegou, dissipou o grupo e o prendeu. Um repórter de

 O Combate e a gráfica que o imprimia.
O rádio começou a divulgar pronunciamentos do governador e de lideranças locais. Não havia dúvida de que a cidade iniciara prematuramente o que no dia seguinte se configuraria o Golpe Militar com a descida do general Olímpio Mourão Filho da 4ª Região Militar, sediada em Juiz de Fora, para o Rio de Janeiro. Governador Valadares amanheceu o 31 de março tomada por milícias dos fazendeiros, que destruíram sedes de sindicatos, prenderam lideranças dos trabalhadores, destruíram a sede de

 
Borges, Maria Eliza Linhares. Representações do universo rural e luta pela reforma agrária no Leste de Minas Gerais. Rev. Bras. Hist. vol.24 no.47 São Paulo 2004.
CARVALHO, André & BARBOSA, Waldemar. Dicionário biográfico Imprensa Mineira. Belo Horizonte: Armazém de Idéias, 1994.
O Foca. Jornal Laboratório do curso de Comunicação Social da Universidade do Vale do Rio Doce. 2001
PEREIRA, Carlos Olavo da Cunha. Nas terras do rio sem dono. Rio de Janeiro, Codecri,

BIBLIOGRAFIA


Durante o exílio, julgado à revelia em Juiz de Fora, Carlos Olavo foi condenado a oito anos de prisão pela "subversão" em Governador Valadares. O jornalista retornou quase desapercebido à cidade que o expulsou logo após a Anistia Geral (1979).

Em 2000, já respirando outros ares, a cidade o acolheu com entrevistas em jornal, Aula Magna para o curso de Comunicação Social/Jornalismo na Universidade do Vale do Rio Doce, edição comemorativa do jornal laboratório do curso de Comunicação Social e inauguração de laboratório de Jornalismo que levou seu nome.

Em sua palestra, Carlos Olavo da Cunha Pereira incentivou os alunos a "resgatar a história de rebeldia que seu jornal soube pregar". No dia seguinte, ele foi recebido solenemente na Prefeitura Municipal. Em 2003, a Câmara Municipal o homenageou com o título de cidadão valadarense. Nunca mais houve um jornal de oposição da cidade.


O Combate passa a ser cada vez mais identificado com as causas populares.

A VÉSPERA DO GOLPE
O jornal tinha como tema principal a denúncia da má distribuição de terra, o maior problema da cidade na época. Eram comuns campanhas contra o aumento do preço da carne ou campanhas de proteção a pequenos produtores rurais ameaçados.

Era comprometido com a defesa dos vários sindicatos, como de extração de madeira, de sapateiros e de miqueiros, na época com cerca de 4 mil filiados. O jornal denunciou corrupção policial, violência de delegado contra posseiros, tortura nas prisões, coronelismo político, prisões arbitrárias de trabalhadores, assassinato de lavradores e despejos de sem terra sem amparo legal.

Sebastião ‘Carioca’ Nunes, repórter à época, conta que a grafia estilizada em letras vermelhas representava a agressividade dos textos e ao mesmo tempo chamava atenção para o jornal.

A dúvida, a investigação e a denúncia sutil de como os fazendeiros adquiriam tanto dinheiro, e o restante da população à mercê destes poderosos, era o que mais alimentava as linhas do jornal. Carioca disse que desde a fundação de
O Combate publicava nomes e, algumas vezes, fotos dos mandantes. Embora fosse um veículo comercial, que inclusive 5, concluiu que o jornal, na verdade, não tinha uma linha editorial comunista embora o povo dissesse que periódico defendesse idéias comunistas. "A grande bandeira do jornal era a luta a favor da reforma agrária", frisou a jornalista. A jornalista ressaltou três características do semanário: "O Combate era ousado, defendia o interesse de um grupo que não tinha voz e era de esquerda", afirmou. Porém, o interessante, segundo ela, era a dualidade em épocas de campanhas eleitorais, pois o jornal dava espaço para os dois lados que concorriam às eleições.

UM JORNAL DE ESQUERDA
A expulsão violenta de milhares de posseiros de suas propriedades e a excelente qualidade das terras da região foram alguns dos motivos que levaram o governo Federal a instalar a poucos quilômetros da cidade uma fazenda que seria modelo de produção rural. Inaugurada pelo ex-presidente Getúlio Vargas, a "Fazenda do Ministério", como era conhecida, foi por alguns anos local para desenvolvimento de pesquisas e disseminação de técnicas científicas entre a zona rural da região. Instalada próximo à cidade, às margens da rodovia BR 116 (Rio Bahia), ocupava mais de 300 alqueires mineiros (cerca de 15 mil hectares) em uma valorizada extensão de terra. Com o passar do tempo, a má gestão política a destruiu e seu pasto e os poucos equipamentos que sobraram estavam sendo ilegalmente utilizados apenas por fazendeiros da região.

No início de 1964, o sindicato denunciou a irregularidade, reivindicando a cessão da propriedade aos lavradores rurais sem terra, constituindo-se a fazenda na base da reforma agrária no Vale do Rio Doce.


O caso se transformou no estopim do conflito. João Goulart concordou com a doação da terra a cerca de 300 famílias de lavradores mas no dia 30 de março, quando seria assinado o decreto na sede da fazenda, o então ministro da Agricultura, Oswaldo Lima, cancelou a ida a Governador Valadares em função do início do movimento que levou ao golpe militar.

No final da década de 80, a fazenda foi ocupada e posteriormente destinada pelo Governo a trabalhadores do MST. Atualmente é um sólidaa colônia do MST, que recebeu o nome de Oziel Alves Pereira, um dos militantes mortos pela polícia em Eldorado dos Carajás, no Pará.
O Povo.

O VALE
Embora Carlos Olavo não tivesse qualquer ligação com o meio rural ou exercesse liderança sindical ou mesmo agrária, o destaque que seu jornal dava aos trabalhadores lhe causou várias acusações de mentor intelectual do movimento. Em 1963, por exemplo, ele foi cobrir uma reunião no sindicato patronal mas, instigado pelos fazendeiros, acabou tomando a palavra e defendendo os lavradores e a reforma agrária.
O jornal não se limitava a reportar os fatos, mas também os criava, interferindo na comunidade, promovendo campanhas, como pela redução do preço da carne bovina ou estimulando passeatas em defesa das reformas de base. O Sindicato dos Lavradores, que exerceu
1
2 O Foca, edição especial. 2001
3 idem
4 ibidem
Lentamente, a luta pela terra, o assassinato de posseiros, a exploração dos trabalhadores urbanos, a violência policial e a corrupção de políticos foi transparecendo nas páginas do jornal. Carlos Olavo (1988, pág. 35) admite: "Aos poucos, o jornal brincalhão foi tomando outro feitio. Foram os leitores que mudaram o jornal.

 Começaram a trazer-lhe seus problemas, suas lutas, suas angústias".

"Era uma coisa de doer o coração, um espetáculo triste, ver na Rio-Bahia centenas e centenas de famílias retiradas, lá nas margens da rodovia, que na época ainda era de terra, com um poeirão incrível. Era menino, galinha, cachorro, cama, mesa, pinico, panela, mulher, homem, todos retirados na Rio-Bahia, centenas e centenas de famílias, porque eram despejados das terras que o grileiro se apoderava". (
www.omacaubeiro.net/cisterna/cisterna5.html) faliu em 1957 e, estimulado por amigos, Olavo resolve tentar a vida em Governador Valadares, onde encontra um sócio e juntos fundam em 1958 O Saci, um jornal de sátiras que levava no cabeçalho a figura do moleque travesso sentado em frente a uma máquina de escrever:

Ernane Corrêa Rabelo
Professor do curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Viçosa,
doutorando em Ciência da Informação pela UFMG

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

BRASIL REDUZ DESNUTRIÇÃO INFANTIL E ATINGE META DA ONU, BYE BYE PSDBOMBA,DEMOS, UDENISTAS GOLPISTAS!

Brasil atinge meta estabelecida pela ONU, assim o Lula acaba com o Brasil do PSDB. QUE HORROR!!!!!

Brasil reduz desnutrição infantil e atinge meta da ONU

BRASÍLIA – Uma pesquisa divulgada nesta terça-feira pelo Ministério da Saúde mostra que o Brasil reduziu a taxa de desnutrição infantil. De 1989 a 2006, a porção de crianças menores de cinco anos com baixo peso para idade caiu de 7,1% para 1,8%, e com baixa altura, de 19,6% para 6,8%. De acordo com o estudo Saúde Brasil 2009, com a redução, o país atingiu uma das metas do Objetivo de Desenvolvimento do Milênio

1 – Erradicar a Extrema Pobreza e a Fome, o que levou o Brasil a ser premiado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em setembro.


Os resultados podem ser atribuídos, segundo a pasta, a quatro fatores: aumento da escolaridade materna, melhoria do poder aquisitivo das famílias, melhoria da atenção à saúde e aumento da cobertura de saneamento básico.

Conforme o ministério, a atenção primária à saúde é central para a prevenção de doenças. “Estudos internacionais mostram que cada aumento de 10% na cobertura da Saúde da Família corresponde uma redução de 4,6% na mortalidade infantil”, diz o estudo.

O Saúde Brasil 2009 apontou ainda que a coleta de leite materno aumentou em 56,3% entre 2003 e 2009. Cresceu também o número de doadoras de leite humano: 88,4% em cinco anos, passando de 60,4 mil mulheres, em 2003, para 113,8 mil, em 2008. No país, há 200 bancos deste tipo.

(…)
CRUZES!!!! AONDE ESTE GOVERNO QUER LEVAR ESTES POBRES?
QUE HORROR!!!

Culpa do LULA!

O LULA esta acabando com o Brazil do PSDB.


BYE BYE PSDBOMBA, DEMOS, UDENISTAS, GOLPISTAS DOS INFERNOS!!!!!

FERNANDO HENRIQUE CINICAMENTE TENTOU, MAS, NÃO ACABOU COM A ERA VARGAS!

                 Em 2008 as forças DEMOTUCANAS/UDENISTAS açodaram descaradamente o legado deste senhor ai acima. Fernando Henrique o caixeiro viajante, o maior vendedor da coisa pública brasileira, chegou a admitir  que iria acabar com a Era Vargas. Não deu.
                 Numa madrugada fria de agosto de 2010, no mesmo mês em que o senhor ai acima suicidou há 56 anos atrás, ele entrou novamente no Congresso Nacional. De lá ele solerte assistiu a criação do Pre Sal, que a coligação UDENISTA queria passar para os Yanques, coisa que o Sr Getúlio tanto combateu em vida e atravès de Lula e seu governo Progressista ele combate em espírito. Fernando Henrique o Gágá, chegou a mudar o nome da Petrobras, para Petrobrax, com o inexorável complexo de vira latas que tem esta elite colonizada brasileira, estavam com vergonha do Bras, que é muito ligado à marca Brasil, que hoje é chique no mundo interiro, para desespero destes lazarentos.

            Abaixo republico artigo de Mauro Santayana, brilhante jornalista que a minha cidade, Governador valadares Mg, teve a honra de acolhê-lo na sua juventude:


MAURO SANTAYANA:

O direito de espernear
O propósito da oposição não é investigar se há erros na Petrobras, mas tentar desestabilizar o governo e – pior – enfraquecer a grande empresa, no momento em que busca recursos para a exploração do pré-sal


Por: Mauro Santayana
Publicado em 05/06/2008


Diante dos êxitos inegáveis do governo, a oposição se perde entre a perplexidade e a inveja. Conforme costuma dizer Delfim Netto, com autoridade, os economistas que dominaram o governo anterior não podem aceitar que o bom senso de um metalúrgico revele-se muito mais eficiente do que as teorias acadêmicas. A diferença está no trabalho desenvolvido pelo governo, sobretudo pelo seu titular. Lula atua em duas frentes. Na frente interna, tenta reparar injustiças seculares para com os trabalhadores.


Na externa, insere o Brasil entre os atores internacionais, abre mercados, influi no processo político global. Não é um extremista, mas tampouco um conformista. Talvez funcione, em sua forma de ver o mundo, a constatação dos velhos comunistas de que os trabalhadores lutam para construir a própria família com dignidade e fazer com que seus filhos vivam um pouco melhor do que eles mesmos.

O país caminha sem grandes saltos, mas com firmeza.

O governo conseguiu zerar a dívida externa e reduziu consideravelmente a dívida pública interna. Graças a isso, consegue impedir que a crise internacional assuma, entre nós, o caráter gravíssimo que ocorre em outros países. Uma das causas desse desempenho é, sem dúvida, a distribuição –precária ainda – compulsória de renda. O aumento de consumo de bens industriais duráveis, favorecido pela atenção oficial aos pobres, permitiu que a indústria mantivesse o nível de emprego nos anos anteriores, e, assim, que a economia permanecesse mais ou menos estável.

É certo que os níveis de desemprego cresceram, mas não com os índices dramáticos que muitos calculavam.



Seria de esperar que todas as forças políticas brasileiras atuassem em busca do entendimento, a fim de que pudéssemos vencer todas as dificuldades econômicas sem crises políticas internas. Mas não é o que ocorre. A oposição, salvo a exceção de alguns mais lúcidos, aposta no “quanto pior, melhor”. Não há prova maior disso do que a CPI do Senado para investigar a Petrobras. Em primeiro lugar, não obstante homens honrados que o compõem, o Senado não tem, neste momento, autoridade moral e política alguma para investigar o que quer que seja. Os escândalos surgidos ali recentemente põem a instituição sob suspeita diante da opinião pública.


E o propósito da oposição não é averiguar possíveis erros da grande empresa. Querem é tentar a desestabilização do governo e – ainda pior – enfraquecer a grande empresa, no momento em que busca os capitais necessários para a exploração imediata dos depósitos petrolíferos sob a camada de pré-sal.



A oposição que está aí é herdeira e sucessora da UDN, que, sob o comando de Carlos Lacerda, e a serviço das grandes empresas petrolíferas norte-americanas, procurou impedir a criação da Petrobras durante o governo de Vargas e, em seguida, no período de sua consolidação pelo presidente Juscelino Kubitschek, continuou na tentativa de desestabilização do governo. Não é relevante para esse grupo de senadores e deputados o interesse nacional – e o interesse nacional exige a preservação da Petrobras, que vem investindo pesadamente na exploração do petróleo do profundo subsolo marinho, o que nos tornará um dos maiores produtores do mundo.


O que lhes interessa é apenas tumultuar o processo sucessório, com a esperança de que venham a ocupar o Planalto e, no Planalto, impedir a realização plena do povo brasileiro e a conquista definitiva da soberania nacional.


É o direito que têm de espernear. Durante quase toda a História – com exceção de dois ou três períodos da República, em que houve resistência contra a injustiça, as oligarquias têm explorado impunemente o povo brasileiro e usado dos recursos do Tesouro para o enriquecimento de famílias de nome sonoro e caráter discutível.


Como, desta vez, os trabalhadores conhecem melhor os seus direitos e a população rural já não obedece ao cabresto dos senhores de engenho e dos latifundiários, os oposicionistas se desesperam.