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domingo, 12 de agosto de 2012

O mensalão e a praça sem povo!

Bem que tentaram!

Marcos Coimbra.

Completamos hoje os primeiros dez dias do julgamento do mensalão. Confirma-se, até agora, o que se imaginava a respeito.



Nada mais simbólico do que está acontecendo que as fotografias da Praça dos Três Poderes. Nelas, veem-se as grades colocadas para conter os manifestantes. Mas a praça está deserta. 



Ninguém que conhecesse um mínimo da opinião pública brasileira acreditaria que ela se interessasse pelo julgamento. Pelo que se constata, não se interessou mesmo.



Não havia razão para supor que se tornasse, para as pessoas, um assunto significativo na mídia. Não se tornou.



Onde isso fica mais visível é na internet.



Ao contrário dos jornais e revistas, que apenas oferecem a informação que seus responsáveis consideram relevante, os sites e blogs da internet fornecem um retorno instantâneo daquilo que interessa aos leitores.

 Percebe-se rapidamente o que os motiva e o que os deixa indiferentes.



Nos principais portais de informação, em nenhum dos últimos dias as notícias sobre o julgamento estiveram entre as mais acessadas. Pelo contrário.



Em função desse desinteresse, seus editores deslocaram a cobertura para lugares cada vez menores e menos proeminentes. 

Passou a disputar espaço com fofocas, receitas de bolo e a previsão do tempo. 



É possível que, em alguns círculos, seja comum ver gente conversando acaloradamente sobre o andamento do processo. 

Não se pode excluir que existam espectadores que não desgrudam os olhos da TV Justiça e dos canais pagos que permanecem em vigília.



Mas nada sugere que sejam muitos. A temperatura da opinião pública anda baixa.



Por que deveria ser diferente? Havia alguma razão para crer que o julgamento desses 38 acusados fosse acender os sentimentos populares? 



Por mais que as oposições – especialmente os veículos da indústria de comunicação alinhados com elas - tenham tentado devolver relevância ao assunto, não tiveram sucesso. 

Pelo menos, por enquanto.



A convocação para que o povo enchesse as ruas foi recebida com indiferença. A um protesto no Rio de Janeiro, compareceram 15 pessoas. Nenhum outro foi marcado.



Apesar das manchetes quase diárias nos jornais, do tempo na televisão, das capas de revista, a população acompanha o julgamento com a atenção que costuma dedicar a questões que considera secundárias.

Para ela, há coisas mais interessantes acontecendo – algumas boas, outras más.



A aprovação das cotas sociais e raciais nas universidades federais mexe mais com a vida do cidadão comum que a acusação contra fulano ou a defesa de sicrano.

 As paralisações de servidores públicos afetam objetivamente milhões de pessoas, mais que especular sobre o que pensa aquele ou aqueloutro ministro.



Só havia um modo da aposta que fizeram dar certo: se conseguissem trazer Lula e o PT para o banco dos réus.



Foi o que tentaram (aliás, vêm tentando desde 2005). Mas não deu certo. 



Achar que o conseguiriam é, ao mesmo tempo, ignorância e presunção. De não saber o que são o ex-presidente e seu partido aos olhos da maioria da população e imaginar-se capazes de influenciar o país.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Santayana: Cerra e sua democracia de duas orelhas.



Santayana no JBONLINE

por Mauro Santayana

A verdade, diz um provérbio berbere, é como o camelo: tem duas orelhas.

Você pode agarrá-la como lhe for mais conveniente, pela direita ou pela esquerda.

 Essa parece ser a postura do candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, que prefere a direita. Para quem conheceu o jovem Serra de há quase 50 anos, é um desconsolo descobrir o que o tempo faz aos homens.

Não só, como no poema de Drummond, ao abater com sua mão pesada, cobra os anos com “rugas, dentes, calva”, mas também costuma sulcar erosões nas idéias.





José Serra quer calar os blogueiros sujos, e usou o seu partido para isso.



 Dois nomes são mencionados, Paulo Henrique Amorim e Luis Nassif. Não preciso expressar a minha solidariedade aos atingidos.


O que está em questão – e os dois estarão de acordo com o raciocínio – é muito maior do que eles mesmos e todos os outros franco-atiradores da internet.

O problema real são os limites que querem impor à democracia.

Ao que parece, há uma liberdade de imprensa para uns, e outra, para os demais.

Os grandes veículos de comunicação combatem o governo e recebem dele vultosas verbas de publicidade, como é do conhecimento geral.

 Alguns poucos blogs, por convicção, defendem o governo federal, mas, conforme o PSDB, estão impedidos de receber verbas publicitárias das empresas estatais.





Nenhum jornalista brasileiro pode se dar o luxo de não contar, em sua remuneração, qualquer que ela seja, com parcelas, ainda que pequenas, de dinheiro público.



 O poder público é a base de toda a economia nacional.


 Ele contrata as empreiteiras, compra das grandes empresas industriais, além de subsidiá-las com incentivos fiscais, financia as atividades agropecuárias, paga pelos serviços, participa do custeio das grandes organizações patronais, entre elas a Fiesp, para ficar apenas em São Paulo.


Assim, indiretamente, participa de todos os gastos com publicidade.

E mais, ainda: quem paga tudo, afinal, é a sociedade e, nela, os que realmente produzem, ou, seja, os trabalhadores.

E são os trabalhadores, com parcela de seu suor, que mantêm o enganoso Fundo de Amparo ao Trabalhador que, administrado pelo Estado, por intermédio do BNDES, financiou as privatizações e continua a financiar empresas estrangeiras, como é o caso notório das companhias telefônicas, a começar pela controlada pelos espanhóis.


 Em suma, o trabalhador paga pela corda que o sufoca.





Serra, e os que pensam como ele, tentam, como Josué em Jericó, segurar o sol com as mãos, ou, melhor, impedir que a Terra continue rodando em torno de seu eixo e em torno da nossa estrela. A internet é indomável.


E, apesar de suas terríveis distorções, como veículo que serve à difamação, à calúnia, à contrainformação, a difusão de atos de insânia – ampliando o que a televisão vinha fazendo – não há, no horizonte das idéias plausíveis, como amordaçar os bytes, imobilizar os elétrons, apagar as telas.


Tudo isso poderá ocorrer com uma tempestade solar, mas nunca pela ação dos estados – a menos que, como tantos sonham, um governo fascista mundial destrua o sistema.

O candidato José Serra e seus correligionários se encontram alheios ao mundo que os cerca. Estão como um francês distraído que, em 10 de agosto de 1792, em um dos muitos cafés do Jardim das Tuileries, tomava placidamente uma baravoise – para os curiosos, mistura de café, conhaque e uma gema de ovo, segundo a receita do libertino Casanova.


Enquanto isso, a multidão invadiu o Palácio Real – de onde, por pouco, escaparam Luis XVI e Maria Antonieta – e o saqueou. O desconhecido continuou a beber. Todos os que o cercavam fugiram esbaforidos.


 Na defesa do palácio, morreram seiscentos guardas suíços. O francês distraído estava alheio a tudo, em sua manhã de agosto. Cinco meses depois, o rei e a rainha encontrariam a lâmina da guilhotina.





José Serra e os seus estão pensando em seu outubro, embora estejamos, no mundo inteiro, em tempos semelhantes aos do francês sans souci.


Como sempre, o que está em jogo é a mesma reivindicação dos sans culotte: igualdade, liberdade, fraternidade – ou, seja, a democracia real.



quarta-feira, 25 de julho de 2012

A saga dos lacerdinhas e o fim do monopólio do rótulo. A UDN sempre!

A UDN ESTÁ VIVINHA DA SILVA.


Juremir Machado da Silva  No Correio do Povo


A saga dos lacerdinhas e o fim do monopólio do rótulo.

Durante muito anos, ouvindo rádio, vendo televisão e lendo jornais, eu me espantava com uma unanimidade: todos os dias os mesmos rotulavam as mesmas pessoas.



Todos os dias os mesmos rotulavam pomposamente seus oponentes de:

- Radicais
– Xiitas
– Fundamentalistas
– Ecochatos
– Malas
– Ignorantes
– Retrógrados
– Intransigentes
– Fanáticos
– Raivosos
– Obcecados ideológicos


Faziam isso em vários registros: ataques diretos, tom de ironia, pretenso humor, etc.
Tinham o monopólio do insulto, da rotulação, da etiquetagem.

Só eles falavam. Era tanta convicção que não parecia haver espaço para a dúvida ou para o questionamento. Quem ia ver de muito perto o que estava acontecendo, claro, descobria o óbvio:


– Radicais, xiitas, fundamentalistas, malas, ecochatos, ignorantes, retrógrados, intransigentes, raivosos, fanáticos e obcecados ideológicos era todos os que atrapalhavam os interesses daqueles que tinham o monopólio do rótulo na mídia amiga.


Curiosamente quase todos os rótulos aplicados por eles cabiam-lhes perfeitamente. Os lacerdinhas podem ser definidos, caracterizados e explicados aos marcianos como:


– Radicais
– Xiitas
– Fundamentalistas
– Agrochatos
– Malas
– Ignorantes
– Retrógrados
– Intransigentes
– Raivosos
– Fanáticos
– Obcecados ideológicos



Há uma diferença: um lacerdinha é fanático, um obcecado ideológico que se acha neutro, acima das ideologias, objetivo, imparcial, detentor da verdadeira verdade.



Cansei de ver pessoas de diferentes partidos, marxistas ou não, sendo rotulados com a maioria das etiquetas aqui apresentadas como sendo meras constatações.



– Leonel Brizola era radical
– Maria do Rosário era fanática, raivosa, intransigente, etc.
– Luciana Genro idem
– Henrique Fontana também
– Heloísa Helena nem se fala.



Toda a esquerda era fundamentalista, fanática, ideológica, intransigente, etc.
Que estranho, que curioso: Paulo Maluf nunca recebia esses rótulos.


 Podia ser chamado de ladrão, mas de fanático e obcecado ideológico, pelos rotuladores da mídia, não.


Aprendi que todos os fanáticos e radicais eram bem menos fanáticos e radicais que seus rotuladores, que chegavam, e chegam, a babar de raiva e fanatismo quando os rotulam.



Nos últimos anos, depois da morte do fanático principal da mídia fashion, Paulo Francis, que herdara a verve inescrupulosa de Carlos Lacerda, surgiu uma penca de lacerdas com menos brilho, mas com muita baba ideológica: Olavo de Carvalho, o autodenominado filósofo Pondé, Reinaldo Azevedo, Arnaldo Jabor, Ali Kamel, Demétrio Magnoli e outros lacerdões, campões de mediocridade obscena, que são os ídolos de lacerdinhas regionais e de lacerdinhas sem mídia, numa cadeia ideológica disseminada.



Falo tudo isso pelo seguinte: muitos lacerdinhas estão ofendidos.


Não aceitam ser rotulados. Acham que rotulá-los é desqualificação inaceitável, agressiva e injusta.



Não admitem expressões como “cérebro de ervilha”.



Sentem-se saudades do tempo em que só eles podiam rotular.


 Dez maneiras de identificar um lacerdinha:


1 – Um sujeito que, em nome da direita, diz que não há mais direita e esquerda, fazendo, em seguida, um discurso furioso, radical e fanático contra a esquerda que não
existe.

2 – Um cara que, em defesa da sua ideologia, afirma que não existem mais ideologias e, na sequência, faz um discurso ideológico fanático contra o ideologismo de esquerda.

3 – Um sujeito que treme de fúria ideológica, chamando seus oponentes de burros, atrasados, imbecis, perigosos e radicais, em nome da neutralidade analítica.





4 – Um cara que, ao ouvir uma crítica a um ditador de direita, acha que haverá necessariamente a defesa de um ditador de esquerda.



5 – Uma figura que jamais criticou a Lei do Boi – cotas para filhos de fazendeiros em universidades públicas –, mas é contra cotas raciais e até sociais.



6 – Um tipo que defende a democracia, mas está disposto a apoiar ditaduras de direita se elas lhe trouxeram benefícios econômicos e silenciarem seus oponentes.



7 – Um “ponderado” analista, defensor do Estado mínimo, que exigirá um Estado máximo quando sua empresa estiver falindo ou precisando de um empréstimo a juros baixos.



8 – Um crítico ferrenho de políticas de compensação por falta de oportunidades equivalentes salvo quando, como produtor, exige compensações por se sentir sem condições equivalentes para competir, por exemplo, no mercado internacional.







9 – Um indivíduo que passa a vida classificando as pessoas em nós e eles, fanáticos e razoáveis, estúpidos e racionais, xiitas e ponderados, e, quando classificado de lacerdinha, faz longos discursos contra esse tipo de simplificação classificatória.



10 – O representante de grupos que sempre encontraram maneiras de obter benefícios a partir de casuísmos, leis de exceção, contingências mais ou menos justificadas, contextos sociais e históricos, mas que, quando seus oponentes se organizam para tirar-lhes privilégios ou reparar prejuízos históricos, transformam-se em defensores de princípios pretensamente racionais, abstratos e universais de concorrência.
Há outras maneiras de identificar um la
cerdinha, mais práticas:



– Contra o golpismo de Chávez, mas a favor do golpe no Paraguai



– Contra cotas, aquecimento global, áreas de proteção permanente, pagamento de multas por destruição do meio ambiente, código florestal ambientalista, impostos sobre grandes fortunas, bolsa-família, Prouni e outras políticas ditas assistencialista.



– A favor de incentivos fiscais para empresas multinacionais.



– Contra comissão da verdade e qualquer investigação que possa deixar mal os torturadores do regime militar brasileiro implantado em 1964.



Contra a corrupção, especialmente se envolver políticos de esquerda, sem a mesma verve quando se trata de alguma corrupto de direita.



– Sempre pronto a chamar de petista quem lhe pisar nos calcanhares.


– Estrategicamente convencido de que a corrupção no Brasil foi inventada pela esquerda.


– A favor da universidade pública para os melhores, desde que o sistema não se alterne e os melhores continuem sendo majoritariamente os filhos dos mais ricos e com melhores condições de preparação e de ganhar uma corrida pretensamente objetiva e neutra.



– A favor, quando se fala em cotas, de melhorar o nível do ensino básico e de ampliar as vagas para evitar políticas discriminatórias, esquecendo das tais melhorias assim que o assunto sai da pauta da mídia ou é superado por alguma final de campeonato.



– Defensor da ideia de que, na vida, é cada um por si, salvo se houver quebra de safra, redução nos lucros, crise econômica internacional ou qualquer prejuízo maior. Nesses casos, o Estado deixa de ser tentacular, abstrato e opressor para ser uma associação de pessoas em favor dos interesses da sociedade na sua totalidade.


Faça o teste: quem preencher 60% dessas características é um lacerdinha.
Teste definitivo: lacerdinha é todo cara que se ofende ao ser chamado de lacerdinha.

terça-feira, 10 de julho de 2012

O ghosT writer do Aécio, deve estar caindo na gandaia do Leblon com o chefe. Deu para escrever agora só trolóló. Cadê o deficit zero, cadê o xoki de jestão?


Este ghost writer deve estar andando igual ao chefe neste B.O.

O tró-ló-ló aeciano desta segundona (09/07) é repetição de prosa. Fala ele agora das carências de estados e municípios.

Véspera de eleições municipais. Só lhe restou “representar” as insatisfações de prefeitos e governadores.
Sobre o quê?
O elenco é conhecido:
1- Renegociação das dívidas de estados;
2- Desoneração das empresas estaduais de saneamento;
3- Marco Regulatório sobre a exploração de minério;
4- O atraso no Plano Decenal de Educação;
5- Regulamentação da emenda 29 e Piso Salarial na educação.
Como sempre, ele gasta algumas linhas para destilar suas análises estatísticas rasas.
Nada do que ele reclama é novo. Tudo isso já existia à época de FHC. Aliás, a dívida dos estados foi inventada por FHC. A oneração de empresas de saneamento é também herança tucana. Marco regulatório sobre a exploração de minério?

 Uau! Que descoberta! O ex-governador das “Minas” Gerais nunca falou nisso antes. Plano Decenal da Educação atrasado?

 Pior do que o atraso atual de um plano foi o sucateamento real dos CEFETS e das Universidades nos tempos de FHC, inclusive, com recordes de aposentadorias de docentes. Emenda 29 e piso da educação?

Sinceramente, onde estava Aécio quando essas questões batiam à porta do Congresso Nacional?

    Afinal quem está assim o senador carioca, ou o ghost writer?

O ex-líder de FHC e do PSDB na Câmara assistiu a tudo isso, de forma a se omitir de todos esses itens, quando tinha poder para equacioná-los.
Tudo que ele reclama estava escrito nas estrelas, ou melhor, na Constituição que ele jurou defender, a cada reeleição sua à Câmara de Deputados.
Por favor, consultem os anais daquela casa legislativa sobre qualquer ato do deputado e líder da bancada tucana, ou líder de FHC, que tenha tratado desse assunto durante seus tempos de "poderoso" presidente da Câmara.

O que não se aceita é que ele pose de guardião de interesses dos estados e municípios, quando, por 16 anos como parlamentar, e sob 8 anos de governo de FHC, ele nada fez para a superação dos desafios que agora elenca.

 Ah, nem nos 7 anos e meio de seu governo em Minas.

Aécio acumula uma imensa dívida política com o estado em que tem domicílio eleitoral.

  Como um agiota que nunca emprestou nada a ninguém, agora sai cobrando algo que não lhe é de direito cobrar!



quarta-feira, 30 de maio de 2012

Lord Keynes, morre de rir no túmulo. A Argentina faz o que ele dizia na década de 30.

Lord Keynes no exato momento, em que ouve os pitacos dos liberais brasileiros,
especialmente a urubóloga Miriam Pig, e o Ociólogo ultra liberal FHC.




Argentina está fazendo na marra o que Keynes propôs em teoria

A decisão da Argentina de condicionar as importações do país a um valor igual de exportações, que segundo a reclamação da União Europeia junto à OMC configura um protecionismo retrógrado, sinaliza, ao contrário, a regra fundamental do comércio internacional justo que deve vigir num futuro que se espera não muito distante. Era esse equilíbrio que Keynes tinha em vista na discussão dos acordos de Bretton Woods em 1944. O artigo é de J.Carlos de Assis.

A decisão da Argentina de condicionar as importações do país a um valor igual de exportações, que segundo a reclamação da União Europeia junto à Organização Mundial do Comércio configura um protecionismo retrógrado, sinaliza, ao contrário, a regra fundamental do comércio internacional justo que deve vigir num futuro que se espera não muito distante. De fato, igualdade entre importações e exportações deveria ser uma condição necessária da estabilidade entre os países.


Era esse equilíbrio que Keynes, o maior economista do século XX, tinha em vista na discussão dos acordos de Bretton Woods em 1944, quando se estabeleceram os princípios e as bases da ordem financeira internacional do pós-guerra. Keynes propunha uma simetria entre exportações e importações que seria assegurada por mecanismos de estímulo aos países deficitários e de punições financeiras aos superavitários de forma a impedir desequilíbrio econômicos oriundos do comércio.



Esse equilíbrio supunha a utilização de uma moeda contábil, o bancor, na qual se contabilizariam déficits e superávits. Os superávits seriam transferidos automaticamente dos países superavitários para os deficitários mediante um esquema financeiro que estimulasse a redução dos superávits assim como dos déficits, convergindo ao equilíbrio, na forma de igualdade entre exportações e importações. Era um sistema “neutro” demais para agradar os Estados Unidos, então largamente superavitários em relação ao resto do mundo.



Na prática, o que prevaleceu em Bretton Woods foi a absoluta hegemonia do dólar num momento em que os Estado Unidos representavam 60% da manufatura mundial e quase 100% das relações financeiras. Diante disso, alguns países, para se protegerem de desequilíbrio oriundos do comércio assimétrico, decidiram partir para uma estratégia mercantilista de exportação a qualquer custo. Assim garantiam uma capacidade de importação a longo prazo. Foi o caso, sobretudo, do Japão e da Alemanha, hoje seguidos pela China e outros tigres asiáticos.



Acontece que, em termos globais, as exportações são iguais as importações. É um jogo de soma zero. Se um pais faz grandes superávits comerciais, outros países terão de compensar esses superávits com déficits. No caso presente, os Estados Unidos são uma espécie de país deficitário de último recurso pois absorve grande parte das exportações do resto do mundo, notadamente da China, fazendo um gigantesco déficit. Acontece que os Estados Unidos podem fazer isso porque imprimem e usam a moeda que compra as mercadorias do resto do mundo. É um equilíbrio comercial espúrio, baseado na chama receita de senhoriagem (moeda).



Em termos práticos, os Estados Unidos se tornaram grandes parasitas do sistema econômico global aproveitando-se dessa assimetria comercial. Para eles é muito confortável ser deficitários. Para outros países que não emitem dólar, a única forma de assegurar a própria estabilidade é recorrer à estratégia mercantilista, como fizeram, acompanhando a China, os países asiáticos depois da crise financeira de final dos anos 90. Entretanto, temos aí um problema: o sistema mundial, como dito, é um jogo de soma zero. É impossível que todos os países sejam superavitários ao mesmo tempo. Alguém tem que carregar o déficit correspondente.



A Argentina está apenas colocando em termos racionais um fenômeno que teria que estar na pauta da comunidade internacional diante da crise atual, em grande parte devida aos desequilíbrios comerciais e financeiros. Ou seja, é necessário equilibrar o comércio internacional de uma forma que reduza a instabilidade proveniente da assimetria do comércio. O livre-cambismo, por óbvio, não pode dar conta disso. Teríamos que voltar ao sistema de Keynes. Como isso será muito difícil, dado o peso dos interesses nacionais, sobretudo norte-americanos, envolvidos, é bom que a Argentina tome a dianteira. Afinal, se a corrente tende a romper pelo lado mais fraco, como queria Lênin, não é mau que um pequeno país do Sul decida escandalizar o centro do sistema financeiro mundial apontando suas óbvias contradições.



(*) Economista, professor de Economia Internacional da UEPB, co-autor com Francisco Antonio Doria do recém-lançado “O Universo Neoliberal em Desencanto”, Civilização Brasileira. Este artigo é publicado também no site Rumos do Brasil e, às terças, no jornal carioca Monitor Mercantil.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

CARTA ABERTA A AÉCIO NEVER.

AÉCIO: CORAGEM DE BLEFAR!
P.S.: TÍTULO, FOTOS SÃO GRIFOS DO BLOG.

Ney Carvalho

TENDÊNCIAS/DEBATES


Carta aberta a Aécio Neves


Senador, que prazer ver o senhor e o PSDB defendendo as privatizações. Mas por que vocês não vendem logo Cemig, Sabesp e Sanepar também?


Prezado senador Aécio,



Foi com prazer que li o seu artigo "Coragem", publicado nesta Folha no dia 23 de abril. Ele traz merecidos elogios à privatização das telecomunicações no governo FHC.


Percebo que o senhor, assim como os seus colegas tucanos, animou-se ao ver os adversários petistas aderirem a métodos de gestão que antes combatiam.


Entretanto, o senhor e os outros tucanos devem à opinião pública uma descida do largo muro ideológico em que se abrigam. Vocês são, afinal, a favor de maior privatização na economia brasileira ou não?


Se as "restrições ideológicas à privatização são, hoje, página virada na história do país", por que os governadores tucanos resistem em privatizar as empresas estatais de Minas Gerais, São Paulo e Paraná?


Veja que coincidência: seus companheiros Antônio Anastasia, Geraldo Alckmin e Beto Richa controlam as maiores companhias estatais estaduais de capital aberto do país.


Minas tem a Cemig (energia elétrica) e a Copasa (saneamento), duas megacompanhias. Alckmin comanda as análogas Cesp e a Sabesp, ambas com patrimônio líquido de cerca de R$ 10 bilhões. Nos mesmos setores, Richa tem a Copel e a Sanepar.

Essas seis empresas são negócios maduros, consolidados, adultos, que não mais demandam a proteção de ventre, os cuidados maternos.
Onde está "a coragem para fazer o que precisa ser feito", alegada pelo senhor no seu texto?

Tais empresas já têm ações negociadas em Bolsa. Mas existem profundas incompatibilidades na existência de companhias ao mesmo tempo estatais e com capital aberto.

Empresas privadas têm como objetivo maximizar os lucros de seus acionistas. O alvo maior de companhias públicas é exercer metas governamentais.
 Isso cria incongruências. Há exemplos bem atuais disso.

A Petrobras é um. Importa derivados a preços mais caros do que os revende no país. Outro exemplo: bancos públicos usados para forçar a baixa dos "spreads".

Essas atitudes obedecem a políticas de governo, não ao interesse dos acionistas.

Mas não se preocupe, senador. O saneamento dos lares não ficaria à mercê de ganhos exagerados. Uma sólida regulação cuidaria do tema.

Não esqueça também que a busca do lucro e a competição são as molas da eficiência, como se verifica no setor de telecomunicações, tão bem enfatizada pelo senhor.

Senador, está mais do que na hora de o PSDB oferecer ao Brasil um segundo salto de modernização da economia, tanto quanto fez com as privatizações dos anos 1990.

E veja o senhor que, naquela época, por causa da fraqueza do mercado de ações brasileiro, não foi possível dispersar o capital das empresas privatizadas. O mesmo não se pode dizer dos dias de hoje.

A Bolsa está pujante como, o senhor me perdoe a citação, "nunca antes na história deste país".

Os sucessos alcançados nos 1990 com a siderurgia, os bancos estaduais, a Vale e as telecomunicações podem ser multiplicados, alterando visceralmente a feição do saneamento básico no país pela criação de megaempresas nacionais de capital aberto, competitivas e não monopolistas.

Basta que o senhor e os seus colegas governadores do PSDB transformem as poderosas estatais que comandam em autênticas "corporations", vendendo-as ao público investidor.

 O controle pode ser difuso, como é o da Embraer.

Por sua influência e posição, senador, o senhor deveria liderar naturalmente tal processo.
 
NEY CARVALHO, 71, historiador, é autor de "A Guerra das Privatizações" (Editora de Cultura) e de "O Encilhamento: Anat
omia de uma Bolha Brasileira" (CNB/Bovespa)


terça-feira, 25 de outubro de 2011

O TRABALHISMO ESTÁ AÍ. O NEOLIBERALISMO JÁ ERA!

O PÊNDULO E OS TRABALHISTAS!
PONTE SOBRE O RIO NEGRO MANAUS. OBRA AGUARDADA A 100 ANOS, COISA QUE O TRABALHISMO FAZ.


EU ACHO QUE VÍ UMA TRABALHISTA ARGENTINA, VI SIM!

EDITORIAL, CARTA MAIOR

O PÊNDULO DA HISTÓRIA ESCAPA AO CONSERVADORISMO.

 
Há uma travessia em curso no pêndulo da crise mundial. Sua velocidade é crescente .

 A esquerda brasileira, as forças progressistas e o próprio governo devem apertar o passo para não se perderem na inútil batalha do dia anterior. Vive-se um deslocamento de forças e percepções para fora do centro de gravidade do conservadorismo mercadista.

O discernimento da sociedade já não cabe mais em velhos perímetros calcificados pela ortodoxia. O campo conservador desidrata a ponto de regurgitar expoentes e agendas do centro político. Editoriais e o colunismo da chamada grande imprensa colidem diariamente com o seu próprio noticiário.

O dispositivo midiático demotucano apregoa aquilo que a página seguinte evidencia ser a catástrofe em marcha na vida das nações. Por mais que se desvirtue a realidade o efeito espelho percola a formação das consciência, argui certezas e desacredita receitas. A agenda que dobra a aposta na doutrina neoliberal perde legitimidade na esteira de uma contradição insolúvel: as bases sociais mais amplas beneficiadas por esse modelo estão agora sendo pisoteadas por ele.

A classe média europeia ou a norte-americana verga sob o peso brutal da instabilidade que devora o lastro econômico e a sua contrapartida subjetiva. A mudança é abrupta e truculenta. Se a esquerda não se credenciar, a extrema direita só ocupará o vácuo pela violência, a intolerância e a xenofobia. A 2ª feira foi particularmente pedagógica na exposição dessa nova moldura.

Nos EUA, o presidente Barack Obama --um exemplo de centro expelido pelo estreitamento conservador- demarcou seu campo na luta pela reeleição. E o fez afrontando o fiscalismo suicida que ancora a doutrina do Estado mínimo. O resumo de sua diretriz orçamentária poderia ser traçado em uma frase: Obama corta R$ 1 trilhão da guerra e quer US$ 1,5 trilhão em impostos dos ricos.

Os republicanos acusaram o golpe duplo contra o seu altar. E voltaram a falar o idioma da guerra fria para carimbar a plataforma orçamentária de Obama de 'guerra de classes'. A coalizão conservadora que no Brasil se opõe ao financiamento do SUS com uma taxa de 0,1% sobre operações financeiras ainda não se expressa assim. Mas age como se tal fosse. Se Obama afrontou o extremismo, por que haveriam de recuar as forças que expressam a angústia da fila do SUS? (leia reportagens sobre o assunto nesta pág). O outro impulso pedagógico no pêndulo político da crise teve como alavanca a imolação final da Grécia cobrada pela ortodoxia do euro.

Ao pedir mais sacrifícios a uma sociedade que arde na pira neoliberal, os guardiões da fé conservadora vestiram ostensivamente o capuz do algoz. A tal ponto que Nouriel Roubini, o outrora mister catástrofe, ao apregoar o calote da Grécia em entrevista ao Financial Times, soou apenas como sensato, em contraposição à estridência alucinada dos que verbalizam a 'razão' dos mercados.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

F(T)HC E CERRA SÃO UMA FARSA! O BRASIL PRECISA DELES EM UMA MOLDURA NUM QUADRO NA SALA, PARA QUE NUNCA ESQUEÇAMOS DELES.

CERRA ERA DE "ESQUERDA"

O TARTUFO ERA DE "ESQUERDA".


O CARA DE CAVALO À DIREITA NA FOTO ATÉ 1977, DIZIA LÁ USP QUE ERA DE "ESQUERDA".

DE IZAIAS ALMADA. TEXTO COMPLETO AQUI:


O que parece condenável, a meu ver, é constatar que homens minimamente dotados de conhecimentos que os credenciam à vida pública prepararem-se para o exercício do poder político mercê do jogo sujo e oportunista de se adaptarem às circunstancias de momento, a assumirem uma demagogia de linguagem rebuscada e pseudocientífica, a nadarem sempre a favor da correnteza, a dançarem conforme a música lhes é agradável e de ritmo conveniente.

Será essa, com certeza, a história política brasileira contemporânea que, entre inúmeros exemplos, evidencia o caso dos cidadãos José Serra e Fernando Henrique Cardoso, dois expoentes de uma, seja dita, esquerda política, que nada mais representou até hoje do que o sonho social democrata em ninhos de esquerda de matizes socialistas, enquanto ser de esquerda era a “moda”, ainda que arriscada e perigosa. Em particular dentro do âmbito muitas vezes elitista e acadêmico das universidades. Os caminhos do exílio e do banimento durante e após o golpe de 64 têm, a esse respeito, histórias bem diferentes para serem contadas.

A trajetória desses dois expoentes do PSDB é emblemática em vários sentidos: FHC pelo exercício aligeirado e elegante do mando político, mas desprovido de maior conteúdo; Serra pela obsessão em chegar à presidência da república, gabando-se de ser um dos brasileiros mais preparados para isso.

FHC comandou um país subalterno e dependente economicamente de empréstimos obtidos junto ao Fundo Monetário Internacional, vendendo a trinta dinheiros várias empresas públicas, incentivando o verdadeiro mensalão para a aprovação da reeleição em causa própria, deixando varrer para debaixo do tapete a grande negociata das privatizações, eliminando conquistas trabalhistas de décadas, mantendo um salário mínimo de fome, sucateando e mercantilizando a educação e as escolas e universidades, negligenciando a saúde, para lá indicando seu fiel escudeiro e até então protegido.

Essa escola de “bem governar”, que pretendeu permanecer 20 anos ou mais no poder federal (em parte conseguindo o seu intento no governo de São Paulo), foi – enquanto isso – gerando em seu ninho um quadro que levasse à frente o programa neoliberal com algumas tinturas menos ortodoxas, fazendo-o caminhar pelas instâncias do Ministério da Saúde, do governo do Estado de São Paulo e da prefeitura de São Paulo, mandatos nem todos eles concluídos, é bom lembrar, tamanha a obsessão do candidato ao cargo pretendido.

O Brasil desses dois homens, nesses tempos informatizados, em que a realidade muda com grande rapidez, se transformou também rapidamente num Brasil do passado; no Brasil dos envergonhados de serem brasileiros; no Brasil dos subalternos, da política externa submissa, dos que adoram encher a boca para falar mal do seu país; no Brasil dos arrogantes de títulos acadêmicos e de togas acima do bem e do mal, dos que comem peru e pensam arrotar caviar; no Brasil das citações de pé de página; no Brasil em que muitos insistem na justiça mais flexível para a Casa Grande e na mais rígida obediência às leis para a senzala; no Brasil dos que ainda anseiam por golpes militares; no Brasil da improvisação no lugar do conhecimento, muitas vezes maquiada de competência; no Brasil dos armários cheios de esqueletos físicos e morais; no Brasil de um passado que tem medo da verdade; no Brasil de uma imprensa chantagista e irresponsável, legando aos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Roussef, o pesado fardo de consertar muita sujeira e muita incompetência de se passado mais recente, tão evidente e tão escondido pela mídia.
Vistos os fatos por essa perspectiva, mas com os olhos confiantes postos no futuro e nas transformações que vão, pouco a pouco acontecendo interna e externamente, é que se pode afirmar: O BRASIL PRECISA DE SERRA E FHC!O Brasil precisa de Serra e FHC para esquecer o passado;

O Brasil precisa de Serra e FHC para se lembrar de não mais abaixar servilmente a cabeça para países arrogantes e de natureza imperialista;

O Brasil precisa de Serra e FHC para mostrar a si mesmo e ao mundo que outro país é possível;

O Brasil precisa de Serra e de FHC para sempre se lembrar que não é preciso chegar ao limite da irresponsabilidade;

O Brasil precisa de Serra e de FHC para, desmentindo-os, jamais privatizar sua riqueza e entregar o país a grupos internacionais;

O Brasil precisa de Serra e FHC para mostrar, na prática, que criar 15 milhões de empregos em carteira não é uma questão de promessa eleitoral;

O Brasil precisa de Serra e FHC para, paradoxalmente ignorando-os, mostrar ao povo brasileiro como é possível manter em mãos do país uma empresa como a Petrobrás, sem descaracterizá-la ou entregá-la a grupos estrangeiros;

O Brasil precisa de Serra e FHC para, ao contrário deles, perceber que o mundo começa à nossa volta, com os nossos vizinhos da América do Sul e do Caribe;

O Brasil precisa de Serra e FHC, enfim, para sacudir a poeira do atraso, o colonialismo cultural e assumir em definitivo o seu destino de grande nação.

Na parede da ante-sala desse novo país que, tudo indica, está sendo construído, será preciso colocar o retrato emoldurado desses dois personagens. E olhando-o, sem qualquer saudade, ainda assim invocarmos o grande poeta mineiro usando o tempo do verbo de nossa lamentação no passado: “E como doeu!”.
Escritor e dramaturgo. Autor da peça “Uma Questão de Imagem” (Prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos) e do livro “Teatro de Arena: Uma Estética de Resistência”, Editora Boitempo.

 




sexta-feira, 23 de setembro de 2011

PSDB, PARTIDO DE PILANTRAS HIPÓCRITAS, NÃO PODEM FALAR A QUE VEIO, VÃO USAR USAR MUITO ÓLEO DE PEROBA E MENTIRA.

O DA ESQUERDA É UM EPICURISTA CARIOCA DO LEBLON, DIZEM QUE GOVERNOU MINAS. BALADEIRO DOS BONS. OS DOIS Á DIREITA SÃO  OS NORDESTINOS DONOS DE HARAS E JATINHOS. NÃO TEM PLANO DE GOVERNO, SÃO UNS CARAS DE PAUS, QUE  SE TEM O TAL PLANO, NÃO PODE MOSTRÁ-LO.
UM DOS BALUARTES ENSINADO NO IFHC, O INSTITUTO DESTE TARTUFO: PRIVATIZAR ATÉ AS RESERVAS DO BRASIL. TOMARA QUE ELES O COLOQUEM NO MARKETING DO PARTIDO DESTA CORJA.

CONTÍNUO DO AÉCIO NEVER EM MINAS, CORNETEIRO DO NEOLIBERALISMO, ESTÁ QUERENDO PASSAR A PERNA NOS PROFESSORES. ELE É UMA ESPÉCIE DE DÂNDI "FAZ TUDO"  DOS PODEROSOS.
 TODOS  UMA CORJA!

Sem voto, PSDB vai apelar para o óleo de peroba e o marketing

O PSDB decidiu investir em marketing e comunicação, com foco nas redes sociais, e está preparando um seminário cujo objetivo é ressuscitar Fernando Henrique Cardoso, que o próprio partido havia escondido todo esse tempo para não se comprometer.


Pensam os líderes tucanos que assim vão tirar o partido da seca que está passando há quase uma década, abandonado pela população depois de devastarem o Brasil com suas privatizações, arrocho salarial, cortes de gastos que destruíram amplos setores sociais e econômicos do país, entre eles a educação, saúde, segurança, habitação e outros, além de promoverem o desemprego e a quebra de empresas nacionais.


Para tentarem achar a luz no longo fim do túnel, o PSDB encomendou uma pesquisa ao imparcial e apartidário marqueteiro, Antonio Lavareda (que sempre faz pajelanças para o PSDB), que fez várias sugestões ao partido.

Entre elas a de que o partido tem que centrar fogo em fazer propostas para a educação e a saúde, como se eles não tivessem nada a ver com a depredação desses setores, que com muito esforço o governo Lula tentou recuperar.

Haja propaganda enganosa para fazer o povo brasileiro esquecer todos os dissabores que passou durante o governo de Fernando Henrique que, não por acaso, deixou o governo com um dos mais baixos índices de popularidade da história do país.

E haja óleo de peroba para tentar mostrar que fez o que não fez.

Concluíram que têm que dizer à população que os tucanos fizeram mudanças “estruturantes” no país, que Lula não fez nada, só continuou o que eles fizeram.

O seminário “PSDB: o Legado e o Futuro”, organizado pelo ITV (Instituto Teotônio Vilela), deverá reunir economistas que participaram da elaboração do plano real, como Pedro Malan, André Lara Rezende e Pérsio Arida, além dos ex-presidentes do Banco Central Armínio Fraga e Gustavo Franco, responsáveis por quebrar o país três vezes na gestão tucana. Esse é o “legado” que o partido quer resgatar.

Outra recomendação que o partido pretende seguir, será insistir no discurso da ética, da luta implacável contra a corrupção. Nada de novo, é apenas a velha tática de dizer que são os outros que estão metendo a mão no cofre para distrair os incautos e desviar a atenção das suas mãos cheias de escândalos e roubalheira.

VADE RETRO SATANÁZ!  TÚMULOS CAIADOS.
Quem não se lembra que foi no governo FHC que as Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) eram sabotadas e impedidas de instalar para não investigar os desmandos no governo?

FONTE: A HORA DO POVO. PPL-PARTIDO PÁTRIA LIVRE.

P.S: FOTOS TÍTULOS E LEGENDAS POR CONTA DESTE BLOGUEIRO, CACHACEIRO, ATEU, SUJO, SOCIALISTA E O CAPETA 70.




segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A MÍDIA GOLPISTA FAZ PARTE DA CRISE. A IMPRENSA FABRICA A CRISE. A IMPRENSA BRASILEIRA É GOLPISTA. A IMPRENSA BRASILEIRA É A CRISE.



ESTES UDENISTAS AÍ, (DES)INFORMAM A CLASSE MÉRDIA BRASILEIRA.

Belluzzo: A Midia é parte da crise 


"O consenso em torno de certas ideias de dominância financeira -idéias que estão na origem da atual crise- não seria possível sem a sua vocalização pela mídia.

Não se trata de uma teoria conspiratória, estou dizendo que isso se deu através de um processo social em que as camadas dominantes impõem as idéias dominantes. A gente nunca pode perder essa dimensão da luta social; como ela se desenvolve e como maneja os símbolos, os significados, as palavras.

Tome o exemplo da queda da taxa de juros brasileira. Isso produziu em certas pessoas (da imprensa) uma estupefação; algumas mais estupefação e outras alguma indignação. As que ficaram mais estupefactas ficaram assim porque sempre disseram para elas o contrário, que era um perigo, era a ruína.

As ideias, como dizia um autor do século XIX, tem uma força material - a força material das idéias dominantes. Dizia o sociólogo Norberto Elias que é muito mais difícil você desconstruir um consenso como este. Daí a importância da luta social e política.
 Ou você acha que a crise vai ser resolvida mecanicamente por ela mesma? Não vai. É necessário formular alternativas. A solução dita ‘normal' é muito simples, como diz um economista americano, Doug Henwood. Ele tem uma newsletter de nome muito interessante, Left Business Observer, e foi encarregado de escrever sobre Wall Street, antes e depois da crise. É muito fácil, asseverou. Antes da crise Wall Street era o locus mais poderoso de interesses políticos, econômicos e sociais dos EUA.
Depois da crise, Wall Street continua sendo o locus mais poderoso de interesses políticos, econômicos e sociais dos EUA. 

Qualquer repórter que te entrevista sobre política monetária se ouvir algo diferente do que pontificam esses interesses ele hesita em publicar; quando publica o faz cheio de ressalvas. Esse jornalista foi emprenhado pelo ouvido, durante anos, para perguntar e ouvir a mesma coisa. 


O problema da mídia no mundo inteiro é conquistar essa diversidade de pontos de vista. O que aconteceu nos últimos anos é o monopólio de algumas empresas de mídia que veiculam a visão da classe dominante. Eles são a classe dominante. 

Nos anos 50 e 60 na Europa, por exemplo, você tinha uma mídia diversificada que expressava as posições políticas distintas. As pessoas liam, por exemplo, o Avanti, o La Unitá... Havia debate político. Hoje você não tem debate. Hoje você tem uma farsa' 

(Luiz Gonzaga Belluzzo no debate ‘Neoliberalismo, um colapso inconcluso', organizado por Carta Maior)