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domingo, 27 de novembro de 2011

SERRA. ANTES SÓ DO QUE MAL ACOMPANHADO.

CERRA. O DESAGREGADOR. NINGUÉM O QUER POR PERTO!




Marcos Coimbra: "Às vezes, é melhor ter muitos adversários que um só companheiro assim".
Íntegra do Correio Braziliense, 27/11/2011.



O que fazer com Serra?


Seria nacionalmente relevante uma eleição em que os três maiores partidos apresentassem sua nova geração: Fernando Haddad, pelo PT; Gabriel Chalita, pelo PMDB; e um "nome novo" do PSDB. Em vez do enésimo enfrentamento da "velha guarda", nomes para o futuro.



Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do instituto Vox Populi:

Como aqueles entes sobrenaturais incômodos que, às vezes, aparecem nas casas antigas, o ex-governador José Serra, volta e meia, se manifesta. Desde o início do ano, foram várias.Em todas, causou embaraços e constrangimentos a seus correligionários.


 Quando, por exemplo, no primeiro semestre, resolveu pisar fundo nas críticas ao PT e a Dilma, em um texto que denunciava a "herança maldita de Lula" (vindo de quem havia se apresentado, em 2010, como o "Zé que vai continuar a obra de Lula").



 Justo na hora em que os governadores e os parlamentares tucanos procuravam estabelecer um clima de diálogo com o governo.
Outro dia, materializou-se, subitamente, no encontro peessedebista que estava sendo realizado no Rio de Janeiro, marcado — talvez por coincidência — para quando tinha dito que estaria indisponível. Voltou às pressas da Europa e lá surgiu.


 Como a maior parte dos debatedores ali reunidos reprovava a campanha que fizera ano passado, teve que ouvir o que não queria.
Procurando acomodá-lo no arranjo partidário que emergiu da convenção de maio, arrumaram-lhe uma função para a qual se revelou inapto.

 Não faz sentido que o conselho político de um partido seja presidido por quem não dá mostras de querer ouvir os outros. Por quem quer apenas externar pontos de vista individuais.


Até agora, no entanto, Serra não tinha ido tão longe como foi na discussão da estratégia do PSDB para a sucessão da prefeitura de São Paulo. Na última terça feira, para espanto do meio político, saiu-se com a tese de que seu partido não deveria ter candidato a prefeito na maior cidade do país, a capital do estado que governa desde 1994 e o principal bastião tucano nacional.


Seu argumento é de que o PSDB não tem "candidatos viáveis" e que, por isso, deveria se aliar ao PSD, cerrando fileiras em torno da candidatura de Guilherme Afif. Os quatro pré-candidatos tucanos que estão em campo — alguns intimamente ligados a ele — seriam perdedores.


Disputam a indicação os secretários José Aníbal, Andrea Matarazzo e Bruno Covas e o deputado Ricardo Trípoli. Todos, cada um a seu modo, estão qualificados para reivindicá-la — dois são deputados federais bem votados, um foi o campeão de votos para a Assembleia Legislativa (além de ser neto de Mário Covas), outro foi ministro de FHC e subprefeito na administração Serra.


Qualquer um deles é um "nome novo" para a prefeitura (especialmente Bruno Covas). O que não seria nada extraordinário na eleição que, provavelmente, teremos em São Paulo no ano que vem, pois vários dos possíveis candidatos de outros partidos também o são.


Seria nacionalmente relevante uma eleição em que os três maiores partidos apresentassem sua nova geração: Fernando Haddad, pelo PT; Gabriel Chalita, pelo PMDB; e um "nome novo" do PSDB. Em vez do enésimo enfrentamento da "velha guarda", nomes para o futuro.
Lula e Temer sabem que seus partidos precisam disso.

Todas as movimentações de Alckmin sugerem que ele também. Os três raciocinam partidariamente (além de pensar, como a vasta maioria dos seres humanos, também em si mesmos). Serra, ao que parece, não. Sua aposta nunca é o novo. É o que ele considera "viável".

A questão é como defini-lo. Em uma de suas frequentes amnésias seletivas, Serra se esquece de sua própria trajetória. Em 1988, quis ser candidato a prefeito e teve uma performance de nanico, com pouco mais do que 5% dos votos (mas não se achava "inviável").

Em 1996, com Fernando Henrique no poder e o Plano Real nas alturas, voltou ao páreo e nem chegou ao segundo turno (mas continuou se acreditando "viável").

Há quem ache que ele "não quer" ser candidato a prefeito em 2012, por ter medo de vencer e, assim, ser obrigado a abdicar de seu sonho presidencial. É improvável: o que tem é um fundado receio de perder, justificado pelo fraco desempenho nas pesquisas.

O que ele quer, mais uma vez, é que o PSDB faça o que ele quer. Se não é candidato, que ninguém o seja, assim permitindo que o partido seja usado na montagem da "estratégia nacional" que imaginou. E que só interessa a ele mesmo (e a seus amigos).

Os tucanos que resolvam. Às vezes, é melhor ter muitos adversários que um só companheiro assim.


quinta-feira, 14 de julho de 2011

O CORVO E OUTRAS AVES! A CLASSE MÉDIA MEDROSA, PRECONCEITUOSA E O SEU FASCÍNIO POR ESTAS AVES!

O CORVO E OUTRAS AVES!




 história do "Corvo" nasceu durante o velório de um repórter (cujo nome, infelizmente, não lembro) do jornal "Última Hora", na década de 1950. Sua morte, causada por espancamento efetuado por policiais truculentos, comoveu a cidade do Rio de Janeiro.

 Samuel Wainer, proprietário da "Última Hora", acompanhava o velório quando viu chegar seu inimigo Carlos Lacerda, político e dono do jornal "Tribuna da Imprensa".


Lacerda tinha um histórico de jamais perder oportunidades para explorar comoções populares. "Ele apareceu no enterro vestido de preto dos pés à cabeça", descreveu Wainer em suas memórias, publicadas no livro "Minha razão de viver".

Certo de estar vendo não uma pessoa indignada com o assassinato de um colega de profissão, mas um ator em plena encenação, Wainer ficou profundamente irritado e foi embora do velório:

"Vou voltar para o jornal. Não agüento ver esse corvo na minha frente", explicou a amigos.

 Chegando à redação, ainda alterado e sem conseguir esquecer o assunto, Wainer pediu ao cartunista Claudius que desenhasse uma caricatura de Lacerda como corvo.

 Ela foi publicada na edição seguinte da "Última Hora" - e o apelido "Corvo" acompanhou Lacerda até sua morte, em 1977.




Carlos Lacerda foi um típico representante da direita brasileira. Arrogante, golpista, inescrupuloso, autoritário, hipócrita, falso moralista - a descrição é freqüente entre quem acompanhou a política do país naqueles tempos.

Conspirou contra os governos Vargas e JK, muitas vezes agindo contra a lei e contra a constituição.


 Boa parte da grande imprensa da época, conivente, dava apoio a suas campanhas. Em 1964, quando da derrubada de João Goulart, Lacerda achou que finalmente havia chegado sua hora. Mas ele era tão pouco confiável que nem os militares golpistas quiseram sua companhia. Teve seus direitos políticos cassados por dez anos.

Lacerda tinha uma retórica sedutora para a classe média amedrontada, para conservadores empedernidos e para aquele tipo de mente simplória que acredita na "linha dura" ("tolerância zero", preferem alguns) como solução imediata e definitiva para todos os problemas.


Eleito governador do estado da Guanabara (i.e., a cidade do Rio de Janeiro depois da mudança da capital para Brasília), resolveu acabar com o problema dos mendigos... acabando com os mendigos. Por ordem da secretária de Assistência Social, Sandra Cavalcanti, eles eram afogados no rio da Guarda.

Isso foi descoberto e Lacerda ganhou de Wainer mais um apelido: "mata-mendigos". (Lacerda e dona Sandra tinham também um método muito peculiar de acabar com as favelas: botavam fogo nelas.)
O que me espanta é a semelhança dessas barbaridades de quatro décadas atrás com coisas que acontecem hoje em todo o Brasil. Em São Paulo, QUANDO  da a posse do sr. José Serra, a prefeitura promoveu a construção de
rampas anti-mendigos e a destruição dos poucos bens de moradores de rua que se recusam a ir para alojamentos municipais.

Tucanos ou corvos?
P´RÁ MIM ISTO É UM CORVO TAMBÉM!

TEXTO DO BLOG DO PANDINIGP, QUE READPTEI AQUI.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

O POETA E O REVOLUCIONÁRIO.

Militante debate formas de mobilização diante da atual situação política e econômica.



Tenho defendido dois pontos de vista:

1. Que o debate sobre o Brasil da atualidade não fique centrado apenas na conjuntura econômica mais imediata; menos ainda no moralismo generalizante – contra os políticos e a política – das tais classes médias, sem rosto, tradicionalmente medrosas, pessimistas e muitas vezes manipuladas pelas forças conservadoras. A internet tem sido o seu grande meio de expressão;


2. Que alguns movimentos e segmentos sociais, em particular o movimento sindical com maior peso e tradição histórica (por isso me volto para a CUT), cumpram o papel central de propor pautas e levantar bandeiras nacionais em oposição às levantadas pelos conservadores

.
Também tenho me voltado para a esquerda católica, que praticamente desapareceu do mapa, depois que a direita do catolicismo mundial entrou aqui fazendo ameaças e denunciando que os progressistas faziam política, ao invés de religião. Por que não inverter o discurso na atualidade e recuperar terreno, agora que ela, direita, escancarou que o seu reino também é deste mundo?

O Brasil vem crescendo cada vez mais em importância política nesse confuso mundo atual. Por que não darmos mais um passo – essencial para a nossa própria libertação – agora no quesito indignação, colocando nas mãos da nossa juventude bandeiras capazes de apaixonar e fazer despertar os sonhos da maioria, dos quais penso que fazem parte as bandeiras levantadas no protesto de sexta-feira?

Com os trabalhadores nas ruas, aí sim, essas e outras bandeiras, claramente contrárias às dos especuladores, privatistas e entreguistas, entre outros inimigos históricos do nosso povo, poderiam ganhar força e legitimidade também nas redes sociais. Os jovens trabalhadores saberão ajudar nisso!


Ninguém melhor que o movimento sindical para puxá-las, com a legitimidade histórica que tem e o compromisso que precisa ter. Ninguém melhor do que o Movimento Sindical do ABC e a CUT para sair na frente e provar que é possível!


Como disseram o poeta e também o velho revolucionário: Quem samba fica, quem não samba vai embora!


* Moacyr Pinto é sociólogo e escritor, autor dos livros Conto de Vista – Histórias no Brasil que elegeu Lula; e Hiena - Minha revolta não se vende.