Minha lista de blogs

Mostrando postagens com marcador crise na europa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador crise na europa. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Os liberais da direita arrebentaram com o Brasil até 31.12.de 2002.

Fernando henrique Cardoso e Roberto Marinho.


ELES QUASE DESTRUIRAM O BRASIL. É  ISTO AÍ QUE  ESTÁ ACONTECENDO NA EUROPA!
NO GOVERNO DESTES DOIS AÍ, O BRASIL SUBIU 3 VEZES AS ESCADAS DO PRÉDIO CINZENTO DO FMI, COM O PIRES NA MÃO!

Saul Leblon:



No plano internacional, esfarela-se o leque de referências econômicas que sustentaram a hegemonia do mercadismo tupiniquim. O tripé surrado feito de privatizações, Estado mínimo e supremacia das finanças desreguladas sobre a economia e a sociedade reduziu povos à condição de nações zumbis; destruiu o Estado do Bem-Estar Social; arrasta o mundo há quatro anos para uma espiral descendente igual ou pior que aquela produzida pela grande depressão dos anos 30.



Quem, hoje, em pleno controle de suas faculdades mentais apresentar-se-ia ao eleitor com a proposta de impingir ao Brasil um projeto anacrônico de laissez-faire como o que esmaga nações europeias, entregues a versões locais do programa demotucano?

A bandeira da moralidade, ademais, foi-lhes definitivamente subtraída pelo estouro da roleta tentacular da quadrilha Cachoeira.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Liberalismo. O Diabo sabe com quem faz pacto.

Adam Smith, o autor do livro  " A Riqueza das Nações". A base do capitalismo e  o pensamento dos liberais.

Tem pessoas que talvez pelo fato de não conhecer ou não sofrer com as causas catastróficas que o liberalismo causa, elogia, até admiram os liberais, que hoje, apartir de 1947 com a reunião da MPS( sociedade Mont ´Pèlerin) uma reunião que  participaram os corneteiros do capitalismo e o liberallismo, hoje neo liberalismo, os economistas Hayeck, e Friedman, suas teorias espalham o que vocês lerão abaixo, no texto sobre a crise européia..

Foi baseados nestas teoria que Tatcher, depois Reagan, implantaram o "Estado Mínimo", para o povo, por que para a elite ele ficou maior ainda, já que ela surripiou, o patrimônio do povo  com suas Privatarias, como a do reinado das trevas de FHC.

Foi deste corolário político que o governo Lula/Dima, fugiu como o diabo foge da cruz, apesar do cantochão da mídia de que Lula deu  continuidade às políticas de FHC, uma infâmia.

Os seus biógrafos, escondem, mas o pai do liberalismo, Smith, era um teólogo, logo, podemos supor que "A  Mão Invisível" do mercado que tudo regula e se auto regula, só pode ser pela desgraça que vem causando ao mundo, a mão do diabo.

Santayana lembra em uma de suas crônicas  que o brilhante ex presidente da OAB. Raymundo Faoro, quando estudante de direito em Porto Alegre, vindo de Vacaria, RS, tentou, para fugir da fome, um pacto com o diabo. O diabo não deu-lhe ouvidos. O diabo sabe com quem faz  pacto.

Mas fez com os liberais da  UDN, que nós retiramos do comando desta nação em outubro de 2002, quando rejeitamos, solene e democraticamente, o candidato da UDN, José Serra, que nos levaria  a viver o que a europa vive hoje, dor, sofrimento e miséria.

O texto acima é de responsabilidade deste blog sujo, abaixo lerão uma reportagem que lhes darão uma noção mais explícita do que nos livramos, quando rejeitamos a UDN.

O artigo é de Eduardo Frebbo na CARTAMAIOR 

"Catástrofe liberal": crise arrasta Europa para a incerteza

O cientista político, economista e ex-deputado ecologista Alain Lipietz resume o momento pelo qual atravessa a Europa com duas palavras: “a catástrofe liberal”. As bolsas europeias voltaram a fechar com índices negativos, enquanto a Espanha, arrastada pelo redemoinho da especulação e dos cortes, acusa a Grécia de ser a responsável pela situação. A União Europeia considera cada vez mais a possibilidade de a Grécia abandonar a moeda única. O artigo é de Eduardo Febbro, direto de Paris.



Paris - A história cruza suas espadas e faz papel picado da construção europeia tal como ela foi plasmada no modelo ultraliberal. No momento em que o socialista François Hollande se prepara para assumir a presidência da República da França, a Europa está espremida em uma grave crise enquanto os mercados seguem movendo os fios para não perder um centavo de seus já abismais lucros: a Grécia continua sem formar um governo que aceite submeter o povo à sangria da austeridade imposta pelos mesmos que foram cúmplices da derrocada. As bolsas europeias - Paris, Londres, Milão, Frankfurt, Atenas – voltaram a fechar com índices negativos, enquanto a Espanha, arrastada pelo redemoinho da especulação e dos cortes, acusa a Grécia de ser a responsável pela situação.








“A instabilidade política grega é o principal elemento de incerteza e é aí que devemos agir. Temos que tomar decisões”, disse em Bruxelas o ministro espanhol da Economia, Luis de Guindos. A União Europeia se divide em torno do irmão menor. Responsáveis da Comissão Europeia, ministros, analistas e meios de comunicação já contempla, sem se escandalizar, o futuro da Europa com a Grécia fora do euro. Os responsáveis europeus colocaram Atenas ante uma disjuntiva com final similar: morrer dentro do euro, ou morrer fora dele. O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, disse que “se os acordos não são respeitados por um país, isso significa que não há condições para continuar com esse país”.









Na verdade, são os mercados que antecipam a hecatombe. Assustados pela eventualidade de um atraso ou de uma suspensão das ajudas financeiras prometidas a Atenas para que faça frente a seus vencimentos, os investidores se refugiam ali onde seus capitais estão a salvo, neste caso nos títulos alemães. A taxa de risco espanhola alcançou um máximo histórico ao mesmo tempo em que os títulos alemães, os Band, percorreram o caminho contrário: chegaram a seu piso mais baixo da história graças à corrida dos investidores para esse produto seguro. A crise grega se juntou com os desarranjos da banca espanhola oriundos de anos anteriores. O incêndio está chegando aos cofres dos bancos e se expande com as faíscas do passado.









A reforma bancária proposta pelo governo conservador de Mariano Rajoy obriga os bancos a aportar provisões de 30 bilhões de euros para sustentar as contas castigadas por empréstimos imobiliários de alto risco. Cinco dos principais bancos do país – Bankia, CaixaBank, Popular, Santander e BBVA – necessitam de 16 bilhões de euros para sanear-se. Os bancos espanhóis arrastam uma sombra de 238 bilhões de dólares de ativos imobiliários cujo valor é aleatório.



Como se isso não bastasse, o socialista François Hollande assume nesta terça-feira a presidência em pleno confronto com a Alemanha a propósito do manto de austeridade com o qual Berlim cobriu a Europa. O presidente francês se empenhou em renegociar o pacto fiscal adotado em março passado por 25 dos 27 países da União Europeia com a meta de superar a crise. Mas esse pacto implica severas políticas de austeridade e Hollande disse que a austeridade sem crescimento não faz sentido. O chefe de Estado francês quer renegociar o tratando incluindo medidas a favor do crescimento, algo que a Alemanha rejeita. No entanto, os analistas consideram que a força da crise grega obrigará Paris e Berlim a um consenso no momento em que a ideia da saída da Grécia do euro deixou de ser uma metáfora.









O tabu sobre a unidade em torno do euro foi reduzido a pedaços. A União Europeia considera cada vez mais a possibilidade de que a Grécia abandone a moeda única. O semanário britânico The Observer chegou até a publicar uma nota sobre “como a Grécia poderia deixar o Euro em cinco etapas difíceis”. Em Atenas, o chefe do partido de extrema-esquerda Syriza, negou-se a formar um governo com mandato para aplicar um programa que ele mesmo qualificou de “criminoso”. Sem governo na Grécia, a única alternativa seria realizar novas eleições daqui a um mês. Marcus Huber, membro da empresa de consultoria financeira ETX Capital, disse à imprensa que “essas eleições não só conduziriam a um novo rechaço das medidas de austeridade, como representariam um verdadeiro referendo sobre a permanência ou não do país na zona do euro”.







Antes impensável, essa eventualidade torna-se tangível e as capitais europeias já começaram a fazer contas. Na França, o governador do Banco da França, Christian Noyer, declarou que nenhum grupo financeiro, banco ou companhia de seguro atravessaria sérias dificuldades em caso de “um cenário extremo na Grécia”. O passivo da Grécia com os bancos franceses chega a 13 bilhões de euros.









Atenas deve cumprir com o plano de ajuste ou partir. O cenário de um erro sem a Grécia é menos otimista que as declarações oficiais. Se isso ocorrer, muitas empresas entrariam em situação de moratória. Segundo a agência de avaliação financeira Fitch, as repercussões da Grécia fora do Euro se fariam sentir nas notas de países como Itália e Espanha. De fato, a crise polifônica que atinge a Europa é consequência do dogma liberal: desmontar os Estados, impor a bota da austeridade e do rigor. Em termos de funcionamento, o dogma também criou desarranjos difíceis de corrigir: o Banco Central Europeu (BCE) não empresta dinheiro aos Estados, só aos bancos privados. Só o BCE tem o poder de desvalorizar o euro e unicamente o BCE e os bancos privados podem emitir moeda, não os Estados.



Por esta razão, a Grécia não pode nem desvalorizar nem criar moeda, nem obter dinheiro do Banco Central a uma taxa razoável. A universitária Sophia Mappa, pesquisadora no Laboratório de Investigações sobre a Governabilidade (Largotec) assinala que “a crise grega é o espelho dos limites do modelo liberal, não só econômico, mas também social”. O cientista político, economista e ex-deputado ecologista Alain Lipietz resume o momento pelo qual atravessa a Europa com duas palavras: “a catástrofe liberal”.


Nada retrata melhor sua análise do que as cifras do banco BBVA. No informe anual apresentado em abril passado pelo BBVA, ante a Comissão do Mercado de Valores dos Estados Unidos, o banco registrou: “A crise da dívida soberana na Europa se intensificou em agosto de 2011 e se contagiou com pressões de financiamento no setor financeiro. As tensões financeiras na Europa seguem em níveis superiores àquelas verificadas após a queda do Lehman Brothers em 2008”. Quatro anos depois da grande quebra do Lehman, a crise não fez outra coisa do que desenhar um redemoinho que arrasta povos inteiros ao desemprego, à pobreza e à incerteza.

Tradução: Katarina Peixoto




sexta-feira, 6 de abril de 2012

O CAVALO GREGO QUASE TROTOU POR AQUI.

AFASTAMOS ESTES MALDITOS NEOLIBERAIS DO PALÁCIO DO PLANALTO.
ELES IMPEDIRAM O CAVALO GREGO DO NEOLIBERALISMO DE TROTAR POR AQUI.

MAURO SANTAYANA:

Quarta-feira passada – quando em São João del Rei, em Minas, a Igreja celebrou o Ofício das Trevas no rito antigo – um grego, Dimitris Christoulas, chegou pela manhã à Praça Syntagma, diante do Parlamento Grego, buscou a sombra de um cipreste secular, levou o revólver à têmpora, e disparou.
Em seu bilhete de suicida estava a razão: aos 77 anos, farmacêutico aposentado, teve a sua pensão reduzida em mais de 30%, ao mesmo tempo em que se elevou brutalmente o custo de vida.
 As medidas econômicas, ditadas pelo empregado do Goldman Sachs e servidor do Banco Central Europeu, nomeado pelos banqueiros primeiro ministro da Grécia, Lucas Papademos,  não só reduziram o seu cheque de aposentado, como o privaram dos subsídios aos medicamentos.

“ Quero morrer mantendo a minha dignidade, antes que me veja obrigado a  buscar comida nos restos das latas de lixo” – escreveu em seu bilhete de despedida, lido e relido pelos que tentaram socorrê-lo, e que se reuniam na praça.

“Tenho já uma idade idade que não me permite recorrer à força –  mas se um jovem agora empunhasse um kalashinov, eu seria o segundo a fazê-lo e o seguiria”.

No mesmo texto, Christoulas incita claramente os jovens gregos sem futuro à luta armada, a pendurar os traidores, na mesma praça Syntagma, “como os italianos fizeram com Mussolini em Milão, em 1945”.

 O tronco do cipreste se tornou  painel dos protestos escritos. Em um deles, o suicídio de Christoulas é definido como um “crime financeiro”.

A morte de Christoulas, em nome da justiça, pode trazer nova esperança ao mundo, como a de Cristo trouxe. Não importa muito se ainda não foi possível construir o reino de Deus na Terra, e tampouco importa que o nome de Cristo tenha sido invocado para justificar tantos e tão repugnantes crimes.

No coração dos homens de boa vontade, qualquer que seja o seu calvário – porque todos os homens justos o escalam, onde quer que nasçam e morram – a felicidade os visita quando comungam do sentimento de amor de Cristo pela Humanidade. Nesses momentos, ainda que sejam apenas segundos fugazes, habitamos o Reino de Deus.

Nunca, em toda a História, tivemos tanto desdém pela vida dos homens, como nestes tempos de ditadura financeira universal. Estamos vivendo vésperas densas de medo, mas dentro do medo, há centelhas de esperança. A morte do aposentado, quarta-feira de trevas, em Atenas, é, com toda a carga trágica de seu gesto,  partícula de uma dessas centelhas.

Estamos cansados de sangue, mas o que está ocorrendo hoje – teorizem como quiserem economistas e sociólogos – é a etapa seguinte do grande projeto dos neoliberais, que vem sendo executado sistematicamente pelos que realmente mandam no mundo e que assumiram sua governança (para usar o termo de seu agrado), mediante a Trilateral e o Clube de Bielderbeg, controlados, como se sabe, por meia dúzia de poderosas famílias do mundo.

Esse projeto é o de dizimar, por todos os meios possíveis, a população, e transformar a Terra no paraíso dos 500.000 mais poderosos, ricos e eleitos, em oposição à utopia cristã.

Mas é improvável que os pobres, que são a maioria, não identifiquem seu real inimigo, e se sacrifiquem, sem resistência, ao Baal contemporâneo – esse sistema financeiro que acabou com a antiga sacralidade da moeda, ao emitir papéis sem nenhuma relação com os bens reais do mundo, nem com a dignidade do trabalho.

A força da mensagem do nazareno deve ser retomada: os oprimidos – negros, brancos, mestiços, muçulmanos, cristãos, budistas e ateus – devem compreender que os habita o homem, e não animais distintos, destinados à violência em proveito dos promotores da barbárie.

Ao expirar, depois de torturado, ultrajado seu corpo, humilhado, escarnecido, Cristo se tornou a maior referência de justiça. 

Aos 77 anos, o aposentado grego, ao matar-se, transformou-se em bandeira que ameaça iniciar, na Grécia, novo movimento em favor da igualdade – a mesma idéia que levou Péricles a fundar o primeiro estado de bem-estar social, ao reconstruir Atenas, empregar todos os pobres, e dotar os marinheiros do Pireu do pioneiro conjunto de casas populares da História.

Vinte séculos podem ter sido apenas rápido intervalo – um pequeno descanso da razão.





quinta-feira, 29 de março de 2012

FMI ARROCHO E HELICÓPTEROS!

A MÁQUINA DOS ALGOZES FUJÕES!


FMI oferece arrocho e helicóptero


JOÃO SICSÚ *


Em 2011, a crise financeira explodiu na Europa. A crise da Europa é uma crise de desconfiança na capacidade de governos honrarem as suas dívidas. A dívida dos países europeus já havia aumentado em 2009 porque o setor público teve que "estatizar" a dívida privada do seu sistema financeiro: bancos europeus emprestaram aos bancos americanos envolvidos nas operações subprime e não viram o seu dinheiro de volta.

Ao mesmo tempo, famílias europeias vinham se endividando para alcançar um modelo de consumo assemelhado ao "American way of life" (o modo de vida americano pré-crise, onde felicidade era sinônimo de consumo de bens de última geração). Então, os bancos europeus, desregulados, passaram a financiar casas e automóveis de luxo.

A Europa se transformou em Eurolândia, onde "comprar e ter" passaram a ser mais importantes do que "viver e não ter vergonha de ser feliz" (Gonzaguinha). Portugueses pobres e negros passaram a valorizar e a usar Nike. Carros Porsche, Audi, Mercedes, BMW e Volvo de alto luxo se tornaram comuns nas ruas da Europa.


Para financiar o consumo da periferia europeia, bancos se endividavam junto a outros bancos. Endividamento que fazia seus lucros aumentarem. E, muitos governos europeus fizeram dívidas dentro da própria Europa para tentar pagar suas contas comerciais com o exterior, devido à elevada importação que faziam.

Governos da periferia, por exemplo, se endividaram para comprar produtos bélicos sofisticados da Alemanha e da França.

 A Alemanha incentivou esse processo onde bancos assumiam uma postura arriscada e pessoas e governos se endividavam. Lógico: 2/3 das suas exportações vão para a região da União Europeia.
A crise se espalhou por toda a Europa. Tudo começou na Grécia; mas, hoje, o mundo já reconhece as dificuldades da Irlanda, Portugal, Espanha, Itália, França… .

Com fama de "bombeiro", o FMI chegou à Europa e foi recebido pelos anfitriões Banco Central Europeu e a União Europeia. Formaram o bando chamado Troika. A fórmula que a Troika propõe, hoje, aos países europeus já foi adotada, sob as orientações do FMI, em diversos países da América Latina nos anos 1990 – por exemplo, no Equador e Argentina. São dois casos que mereciam ser conhecidos pelos europeus.


Aviso aos navegantes europeus: na América do Sul, o FMI provocou desemprego, miséria e helicóptero (helicóptero???). Aos trabalhadores e pobres, ofereceu o desemprego e a miséria. Aos governantes, ofereceu um helicóptero… (helicóptero???).


O Equador e a Argentina seguiram o receituário do Consenso de Washington imposto pelo FMI. Privatizaram suas empresas públicas, abriram seus mercados aos países industrializados, cortaram gastos sociais, promoveram demissão de funcionários públicos, reduziram direitos dos trabalhadores e deram liberdade a seus mercados financeiros.

 Mas, mais do que isso foi feito. Avaliavam que países de segunda categoria não tinham condições de ter moeda própria. Eram considerados, por natureza, irresponsáveis. Seria mais adequado que utilizassem a moeda americana, o dólar.


O Equador, no ano de 2000, substituiu a sua moeda, o sucre, pelo dólar. Lá, tudo é comprado ou vendido com dólares americanos. Na Argentina, houve um processo semelhante.

 A Argentina não extinguiu a sua moeda. Mas, a partir de 1º de janeiro de 1992, somente poderia circular o "peso argentino conversível", isto é, para cada peso existente na economia deveria existir um dólar em posse do Banco Central da Argentina.
Mais pesos somente poderiam circular na economia se mai

s dólares estivessem nos cofres do Banco Central argentino. Para dar credibilidade ao chamado "Plano de Conversibilidade", a taxa de câmbio de 1 peso para 1 dólar americano foi escrita na Constituição do país. Assim, a Argentina se dolarizou plenamente, tal como o Equador.

Ambos os países perderam a capacidade, portanto, de emitir suas próprias moedas (qualquer semelhança da Europa, de hoje, com a América do Sul, dos anos 1990 e início dos anos 2000, não é mera coincidência).


O resultado de estabilidade e prosperidade prometido pelo FMI para a Argentina e o Equador não passou de propaganda enganosa. O presidente Carlos Menem governou a Argentina de 1989 a 1999.

 Era o garoto propaganda da peça publicitária pregada pelo FMI.

 Contudo, deixou um país em crise, endividado, com o patrimônio público dilapidado e com alto índice de desemprego e pobreza.
Em 1999, assumiu a presidência Fernando de La Rua, que resolveu aplicar o receituário do FMI para solucionar crises: cortar gastos públicos nas áreas sociais, aumentar impostos e promover arrocho salarial ao funcionalismo público.

 Não obteve sucesso. O povo argentino foi para as ruas com o sentimento de "tolerância zero" às medidas orientadas pelo FMI… e De La Rua foi obrigado a renunciar no dia 20 de dezembro de 2000. Fugiu da sede do governo, a Casa Rosada, de helicóptero.


Todos os acontecimentos argentinos se repetiram no Equador. Em 20 de abril de 2005, o presidente foi destituído. O cenário não era mais a Casa Rosada; mas, sim, o Palácio Carondelet. Até o meio de transporte utilizado para a fuga foi o mesmo. Apenas o nome do passageiro do helicóptero era outro: presidente Lucio Gutiérrez.
A fórmula da Troika é conhecida por países sul-americanos. Assim, um alerta aos navegantes europeus deve ser deixado: depois da sequência de aventuras econômicas e financeiras para reduzir o déficit público, ao povo é oferecido desemprego, miséria e sofrimento.

Em paralelo, as revoltas populares se sucedem de forma incontrolável, até que se transformam em crise política e de governabilidade. Quando a situação se torna insustentável para todos, o FMI oferece "resgate de helicóptero" como prêmio de fidelidade ideológica a governantes desmoralizados.


* João Sicsú é professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicos do IPEA entre 2007 e 2011

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

NEO LIBERALISMO É PAPO FURADO PARTE II. ASSIM COMO O BRASIL ATÉ A ERA FHC, A GRÉCIA ENTRA NA MISÉRIA, FINANCEIRA, POLÍTICA E MORAL.

GREGOS PROCESSAM REVISTA ALEMÃ POR ADULTERAR IMAGEM DE SÍMBOLO NACIONAL.

PASMEM! EU OUVI UMA IDIOTA DE UMA JORNALISTA DA BOBO NEWS, DIZER PARA O BRASIL TOMAR CUIDADO.

 OCORRE QUE A CRISE GREGA SEGUNDO ELA COMEÇOU POR CAUSA DO PAÍS TER SEDIADO AS OLIMPÍADAS E AUMENTAR OS GASTOS PÚBLICOS.

NÓS DEVERÍAMOS SER INDENIZADOS POR TER QUE OUVIR UMA BESTEIRA DESTA.

 COMPARAR A 6a ECONOMIA DO MUNDO, COM UMA ECONOMIA, SEM PARQUE INDUSTRIAL E QUE JÁ ENTROU NA ZONA QUE É O EURO,  QUEBRADA.


PIOR. TEM IDIOTAS DA CLASSE MÉDIA QUE PAPAGAIAM ESTES  IMBECÍS DE PORCALISTAS DA BOBO NEWS.






Grécia a caminho de uma explosão revolucionária.

Por Peter Schwarz

25 de fevereiro de 2012



O pacote de austeridade conduzido pela Troika (União Europeia, FMI e Banco Central Europeu) está conduzindo a Grécia a uma revolução.

O protesto de milhares de pessoas diante do Parlamento grego na noite de domingo, 19 de fevereiro, seguido por um surto de violência depois que a Polícia agiu com bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes, marcou uma ruptura radical da disposição da população grega.


Ao longo prazo, quase ninguém mais acredita que as medidas de austeridade levará a Grécia a sair da crise.

A ameaça do governo não funciona mais, a alternativa é um Estado falido que conduzirá a um desastre econômico e social, porque as consequências das medidas de austeridade atuais são estritamente desastrosas.

 "Isso apenas nos permite escolher entre diferentes formas de morrer", comentou um manifestante de 50 anos a um jornalista.


Os dezoito meses de medidas de austeridade têm causado um declínio social sem precedentes na História.

 Os salários e ordenados do setor privado diminuiram em 20%, enquanto a do setor público reduziu até 50%.

 Dos quase um milhão gregos, um em cada cinco adultos e um em cada dois jovens estão desempregados. Eles recebem apenas um terço do salário-desemprego, que agora foi reduzido a entre 460 e 360 euros por mês.


O novo pacote de austeridade, aprovado na noite de domingo, vai derrubar a classe trabalhadora e uma grande parte da classe média na luta pela sobrevivência.

 Até 2015, 150.000 funcionários públicos serão demitidos, os salários serão reduzidos ainda mais e os cortes chegarão a 11,4 bilhões de euros.

Para atender os padrões de vida da Europa ocidental, a sobrevivência torna-se assim impossível para muitos, principalmente quando se tem que dar assistência às famílias carentes.


Não é preciso ser um gênio matemático para ver que essas medidas não resolvem a crise da dívida, mas a agravarão ainda mais.

Todos os indicadores econômicos apontam negativamente. A economia decresceu 7%no ano passado, a produção industrial em 16%. A receita de impostos caiu, apesar do aumento na alíquota do imposto em 19%, porque 60.000 pequenas empresas faliram. Mais 50.000 falências já são esperadas este ano.


O orçamento do Estado está operando no positivo, uma vez que as despesas com juros e amortização da dívida não são levadas em conta.

 Mas o serviço da dívida é tão alto que a dívida total aumentou ao longo do ano passado em torno de 140% a 160% do PIB - um poço sem fundo.


É óbvio que o tratamento drástico prescrito pela Troika à Grécia não tem como real objetivo o "resgate" do país nem o equilíbrio de suas metas orçamentárias.

 Pelo contrário, deve servir de exemplo para intimidar a classe trabalhadora em outros países europeus e deixar claro, de uma vez por todas, qual o verdadeiro poder que governa a Europa.


O caráter de classe das medidas de austeridade não poderia ser mais óbvio. Enquanto os desempregados, os trabalhadores e servidores públicos são sugados até a última gota de sangue, a elite rica do país, que há muito tempo tem sua riqueza transferida para os mercados financeiros e imobiliários internacionais, sai completamente ilesa.


As medidas de austeridade na Grécia são o pilar de uma ofensiva internacional da aristocracia financeira, que tem como objetivo descarregar todo o custo da crise financeira de 2008 sobre a classe trabalhadora.

Seja nos EUA, Grã-Bretanha, França ou Alemanha, Espanha ou Portugal, Hungria ou Romênia - toda a renda disponível, os ganhos sociais e direitos democráticos dos trabalhadores estão sob ataque.

O governo alemão, que aparece especialmente arrogante com a Grécia, prossegue com a mesma arrogância com os trabalhadores desempregados na Alemanha e vai continuar com ainda mais crueldade se a crise persistir na Grécia.


A classe trabalhadora grega tem experiência, pois não aceitou pacificamente a ocupação nazista, a guerra civil e a ditadura militar, e agora não aceita uma nova tentativa de ser subjugada a uma ditadura do capital financeiro.

 A combinação de desespero e raiva que se expressaram na noite de domingo vão inevitavelmente se intensificar e caminhar em uma direção revolucionária.


As eleições parlamentares estão marcadas para abril e nenhum partido oferece uma solução. Os dois partidos que apoiam o atual governo estão passando por uma rápida desintegração e dificilmente irão conseguir a maioria no governo.

O partido social-democrata PASOK, que ganhou as eleições de 2009 com 44%, agora tem apenas 8%, o partido conservador Nova Democracia (ND) possui cerca de 30%.


Os três maiores grupos de "esquerda" - a Esquerda Democrática (DIMAR), a Coligação da Esquerda Radical (SYRIZA) e do Partido Comunista Grego (KKE) - atualmente alcançam juntos nas pesquisas mais de 40%. Mas todos os três têm uma longa história de subordinação ao Estado burguês.


A Esquerda Democrática (DIMAR) defendeu a União Europeia e indicou certos cortes como inevitáveis e sugeriu a transferência de 60%da dívida da Grécia à UE. A Coligação da Esquerda Radical (SYRIZA) há muito tempo defendeu o PASOK e agora quer a união de toda a "esquerda" nas eleições.


Embora o partido stalinista KKE tenha agitado contra as medidas de austeridade, eles socilitam a solução por parte da União Europeia do cancelamento unilateral das dívidas e até mesmo o cancelamento das dívidas dos "trabalhadores” e das “forças populares".

 Mas este partido nunca rompeu com sua tradição stalinista e em tempos de crise promoveu diversas vezes o nacionalismo, colaborando com a classe dominante e traindo a classe trabalhadora. Em 1989 chegou até a formar um governo de coalizão com o partido conservador Nova Democracia.


Caso um ou mais destes partidos em abril se movam em direção ao governo, sua tarefa será a de manter a classe trabalhadora em uma enorme crise e impedi-la de lutar.

Diante do risco, a extrema direita tenta usar a crise para reforçar seu poder militar e novamente atingir o poder.
Esse exemplo de

 governo de "esquerda" seria comparável com o governo da Frente Popular de Léon Blum, que chegou ao poder na França em 1936 em uma onda de militância trabalhista para, em seguida, golpear a classe trabalhadora pelas costas na greve geral. A traição da Frente Popular pavimentou o caminho de retorno da extrema direita.

 Quatro anos depois, eles perceberam a traição que o seu lema "Antes Blum do que Hitler” estabeleu, permitindo a ascensão do regime autoritário de Vichy que colaborou estreitamente com a Alemanha nazista.


A fim de lutar contra as medidas de austeridade da Troika, a organização da classe trabalhadora grega precisa de um programa revolucionário independente que não sirva apenas para colaboração de classes.

Enquanto o principal trabalho do governo e dos partidos que o apoiam consiste em arruinar os padrões de vida da população, a saúde e o sistema de ensino, a classe trabalhadora deve assumir a responsabilidade de governar o país para si própria.


Nos locais de trabalho e em áreas residenciais devem ser estabelecidos comitês de acção. A organização da vida cotidiana deve ficar a cargo dos trabalhadores para organizar a luta contra as medidas de austeridade e se preparar para se defender contra ataques fascistas e militares.

 Os comitês de ação precisam quebrar a resistência do aparato sindical que colabora com o Estado e os partidos que o apoiam. Os trabalhadores precisam coordenar sua luta a nível nacional e entrar em contato com os trabalhadores da Espanha, Portugal e outros países europeus.


Eles podem lançar as bases para um governo dos trabalhadores, que exproprie as grandes propriedades, bancos e empresas; reorganize a economia em uma base socialista, a serviço da sociedade como um todo, ao invés de voltada aos interesses econômicos da aristocracia financeira.
Essa luta só pode ter sucesso em escala internacional.

 A União Europeia, os bancos e as corporações devem ser substituídos pelo Estados Unidos Socialistas da Europa. O pré-requisito é a criação de um novo partido revolucionário da classe trabalhadora. Esta é a luta do Comitê

domingo, 26 de fevereiro de 2012

NEO LIBERALISMO: AS ORIGENS DA CRISE DO EURO. PRIMEIRA PARTE.

ESTA CRISE VEM DE LONGE. E É FABRICADA!

As origens da crise do Euro

Parte 1

Por Peter Schwarz
25 de fevereiro de 2012
NO SOCIALISMO EUROPEU

O artigo que segue baseia-se em um relato feito por Peter Schwarz, membro da comissão editorial do Site Socialista de Interligação Mundial e secretário do Comitê Internacional da Quarta Internacional, em um encontro do Partido da Igualdade Socialista (PSG) ocorrido em Berlim em 7 de janeiro de 2012.


Nos últimos três anos a economia mundial passou por sua pior crise desde os anos 1930. Particularmente a Europa tem sido atingida a ponto de a sobrevivência do Euro e da União Europeia estarem agora em xeque.

Para se entender o significado e as consequências desta crise, não basta estudar suas manifestações econômicas imediatas. Faz-se necessário estudar as relações sociais que estão por trás dessas manifestações.


No geral, a crise é apresentada como resultado do superendividamento de alguns países da União Europeia. Afirma-se que suas dívidas chegaram a um nível em que não podem mais ser pagas ou refinanciadas.


 Essa afirmação, no entanto, não se sustenta se olharmos mais de perto. Assim, o endividamento total da União Europeia (cerca de 80% do PIB) está consideravelmente abaixo daquele dos EUA (100%), ou do Japão (220%). A dívida norte-americana aumentou seriamente durante os últimos cinco anos, de menos que 60% para mais que 100%. Porém, os EUA ainda são capazes de financiar sua dívida sem grandes problemas.


Excetuando-se a Grécia (158%), mesmo os países da EU mais afetados pela crise não estão endividados a tal ponto: na Espanha, o nível da dívida nacional é 68%; em Portugal, 102%; na Irlanda, 112%; e na Itália, 120%, aproximadamente o mesmo nível de quando se associou à zona do Euro. As dívidas governamentais alemã (82%), francesa (85%) e britânica (80%) estão no mesmo nível dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômicos (OCDE).


Deve haver outras causas para explicar o fato de a Europa ter se tornado o alvo dos mercados financeiros mundiais. Para examinar mais a fundo, é necessário levar em consideração as mudanças sociais que ocorreram nas últimas três décadas.


Polarização social.


Após a Segunda Guerra Mundial, as classes dominantes na Europa occidental foram forçadas a fazer concessões sociais para preservar o sistema capitalista. A responsabilidade do capitalismo em relação ao fascismo e à guerra ainda estava fresca na memória da população e era amplo o apoio ao socialismo.

Mesmo no início dos anos 1970, quando um movimento internacional grevista se desenvolveu no impulso do movimento de direitos civis nos EUA, das revoltas estudantis internacionais e do movimento contra a Guerra do Vietnã, a classe trabalhadora conquistou aumentos salariais e outros direitos consideráveis.


Em 1980, no entanto, a burguesia entrou em uma contraofensiva que continua até os dias de hoje. Esta contraofensiva era fortemente ligada às figuras de Ronald Reagan e Margaret Thatcher, mas não era confinada aos EUA e Grã-Bretanha.

O presidente americano Ronald Reagan quebrou o sindicato de controladores aéreos (PATCO) na época, enquanto a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher?direcionou seus ataques sobre os mineiros britânicos.

Ambos combinaram seus ataques à classe trabalhadora com uma desregulação dos mercados financeiros e um fortalecimento dos elementos mais parasitários do capital financeiro, à custa da base industrial de seus países.


O resultado foi um aumento da desigualdade social, que havia diminuído consideravelmente no período do pós-guerra. Este desenvolvimento se confirma por inúmeros estudos estatísticos. De 1910 a 1970, a parcela da renda nacional que pertencia aos super-ricos decresceu progressivamente por todo o mundo.

 Essa tendência foi revertida dos anos 1970 em diante, sendo particularmente visível nos EUA e Grã-Bretanha, onde a proporção da renda total em mãos do 1% mais rico caiu de 20% em 1910 para 10% em 1950.

 Hoje a parcela possuída pelos super-ricos voltou ao nível de 1910.


Durante os últimos 30 anos, a renda dos 20% mais pobres nos EUA caiu 4%, enquanto a renda do 1% mais rico subiu 270%. Durante o mesmo período, a parcela do setor financeiro nos lucros de todo o setor corporativo subiu de 10% para 40%.

 Isso demonstra que o aumento na desigualdade social estava intimamente ligado com o aumento do setor financeiro.


Os números acima referem-se a renda. Em termos de riqueza, a polarização social é ainda mais gritante. Hoje 40% dos títulos globais estão nas mão do 1% mais rico da população mundial, 51% com os 2% mais ricos e 85% com os 10% mais ricos. Por sua vez, os 50% mais pobres da população mundial possuem menos de 1% da riqueza mundial.


O mesmo processo de polarização social ocorreu no continente europeu, mas com um certo atraso. Este atraso se expressa na proporção de gasto público do PIB, que chega a cerca de 46% na zona do Euro, bem acima da média de 41% da OCDE.

 Isso é motivo por que a Europa, não bastando os cortes salariais e de direitos perpetrados nas décadas recentes, ainda é vista como um paraíso do Estado de bem-estar social pela aristocracia financeira internacional.


A liderança europeia nesse quesito é a França, com uma parcela de 53% do PIB gasta pelo governo. Nos EUA, o número correspondente é de apenas 39%, e no paraíso bancário da Suíça, 33%. A proporção na Alemanha é 43%, pouco acima da média da OCDE.

Devido ao programa Agenda 2010 introduzido pelo governo de Gerard Schröder, essa porcentagem caiu 5% nos últimos dez anos.


Esses números mostram como a Europa está no meio do fogo cruzado dos mercados financeiros internacionais. Para os representantes do capital financeiro, as quantias gastas pelos Estados europeus em pensões, educação, saúde e outros serviços e estruturas públicos são muito altos.

Eles estão determinados a usar a crise para reverter todas as conquistas sociais e direitos democráticos obtidos pelo movimento dos trabalhadores ao longo de seis décadas.


A Grécia serve como campo de teste. Os representantes das altas finanças estão ameaçando o país de falência e impondo um pacote de austeridade após o outro. Salários estão sendo cortados, serviços públicos e direitos sociais estão sendo desmantelados.

Calcula-se que o padrão de vida de um cidadão grego vai diminuir dentro de poucos anos 30%, 40% ou até mesmo 50%. Fora de um período de guerra, isso representa uma queda sem precedentes.


Esta contrarrevolução social não pode ser realizada por meios democráticos. A troika composta pela União Europeia, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu assumiu o controle do orçamento grego e repôs o governo democraticamente eleito com um governo ilegítimo de tecnocratas.

A fim de intimidar a classe trabalhadora, o partido fascista LAOS foi incluído neste governo.


Os líderes europeus decidiram transformer a Europa inteira em uma zona de austeridade na linha do modelo da Grécia. Este é o significado da decisão do reunião de cúpula da EU de 8/9 de dezembro de 2011: implementar um freio de dívida nas constituições de todos os Estados-membros.

 Critérios de legalidade estão sendo introduzidos para forçar governos europeus a implementar políticas rígidas de economia, apesar de toda a oposição popular.


Essa abordagem é herança da desastrosa política implementada pelo governo Brüning na fase final da República de Weimar.

O político do partido de direita Zentrum, Heinrich Brüning, assumiu o posto de chanceler alemão em 1930 em meio a uma crise econômica mundial e descarregou o peso da crise sobre a classe trabalhadora. Ele baseou seu governo sobre a autoridade do presidente, por um lado, e no apoio que recebeu dos Social-Democratas (PSD), do outro.

Brüning governou por meio de decretos emergenciais e contava com o PSD para dar cobertura a ele no Parlamento - como fazem os governos tecnocratas hoje na Grécia e Itália.


O governo Brüning era extremamente instável e durou apenas dois anos. Seu ímpeto por austeridade arruinou a Alemanha economicamente e provocou uma séria luta entre as classes.

Devido à falência política do Partido Comunista, os nacional-socialistas saíram como os vitoriosos dessas lutas. Em 1932, Brüning foi sucedido pelas ditaduras de curta vida dos generais Franz von Papen e Kurt von Schleicher, antes de Adolf Hitler assumir o poder em 1933.


Hoje não são insuficientes os apelos à elite dominante para retomar a consciência e desistir de sua política devastadora de austeridade na linha de Brüning.

 Toda a política do Partido de Esquerda Alemão toma essa forma. O partido reivindica uma “economia social de mercado” do período pós-guerra e proclama como modelo de conduta Ludwig Erhard, o ministro da Economia do chanceler conservador Konrad Adenauer.


Um retorno, porém, às políticas econômicas do período pós-guerra é simplesmente tão irreal quanto transformar uma pessoa de 80 anos em uma de 20 anos, uma vez que isso é impossibilitado pelas mudanças descritas acima.

 A elite financeira, que emergiu desta redistribuição de renda e riqueza, domina todas as esferas da vida social e econômica e está disposta a defender seus privilégios a qualquer custo.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A EXPERIÊNCIA BRASILEIRA É A CONCLUSÃO: HÁ VIDA FORA ORTODOXIA.

UMA INDUTORA DO PROGRESSO.

HÁ VIDA FORA DA ORTODOXIA: REGULAÇÃO 
ESTATAL CONTEM PREÇOS SEM ELEVAR JUROS
 
A Petrobrás vai triplicar a participação no mercado brasileiro de etanol, atualmente na faixa de 5%. Meta é introduzir um regulador estatal no setor e evitar oscilações de preços e de oferta, habituais nos períodos de entressafra.
Mediação estatal ajudará ainda a ordenar contratos e evitar o pêndulo que desloca produção das usinas para o refino de açúcar, sempre que a exportação dessa commoditie se torna vantajosa, em detrimento do abastecimento doméstico de etanol. A solução para o mercado de etanol reduzirá a contaminação inflacionária decorrente da especulação com açúcar nas bolsas de Chicago e Nova Iorque
 
. Efeito semelhante foi obtido pela Argentina, para todos os produtos agrícola exportáveis, ao estabelecer um imposto que anula o ganho de sobrepreço propiciado pela especulação externa, evitando-se nivelamento no mercado nacional.


Esta semana, a Cepal  elogiou o modelo argentino apontando-o como uma opção às pressões inflacionárias originárias da especulação com alimentos. A vantagem evidente é que, agindo sobre as causas do problema, o país não precisa girar a manivela dos juros para destruir a demanda doméstica e, assim, conter a inflação.

SITE DA CARTA MAIOR

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A EUROPA DESENVOLVIDA VIVE O QUE A AMÉRICA LATINA VIVEU NA ERA DO DOGMA NEOLIBERAL.


O  ARTIGO É DE SAUL LEBLON

O ardil da austeridade

No que consiste a receita de austeridade que esmaga a Grécia (leia a análise de Marco Aurélio Weissheimer; nesta pag.), solapa a Itália, esfarela Portugal e Espanha entre outros?

 Grosseiramente, trata-se de montar uma máquina capaz de pagar os juros aos credores. A meta é dar solvência a uma dívida contraída em regime de cumplicidade imprevidente -entre bancos e governos e entre bancos locais e estrangeiros - prática essa tida como exemplo das virtudes da livre ciculação de capitais , cantada em prosa e verso na farra especulativa que antecedeu ao colapso de 2008. Como funciona a engrenagem desse colosso excretor de juros?

De novo, em síntese rudimentar, trata-se de arrochar o consumo público e privado, ancorando a geração de caixa nas exportações.


 Daí a opressão laboral e os cortes de salário mínimo e aposentadorias exigidos pelos centuriões do euro, comandados pela generala Merkel , tendo na garupa seu seu petit Napoleão, Sarkozy.

Daí também o desmonte da esfera pública, com a supressão de serviços essenciais, a demissão maciça de funcionários e a contração irrestrita de investimentos.

O ajuste europeu poderá gerar um colapso social até mais dramático que o produzido na crise da dívida externa vivida pelos países da América Latina, nos anos 80.


Naquele caso, o recurso à desvalorização cambial como alavanca de impulso exportador, embora convergisse igualmente para a perda de poder aquisitivo dos trabalhadores --e era esse o objetivo-- não impactava de forma direta e na mesma proporção o bolso de todos os assalariados.

No caso europeu, a união em torno de uma moeda supranacional de valor interno fixo impede o ajuste cambial caso a caso.

É preciso ir diretamente ao bolso do cidadão confiscar poder aquisitivo. A tal ponto que em Portugal, o governo Pereira Passos tentou ressuscitar a mais valia absoluta, elevando em meia hora diária a carga de trabalho, sem remuneração.


 É com base nesse torniquete que se pretende reerguer as sociedades afogadas na crise do euro, a partir de uma improvável e avassaladora explosão das exportações em cada país.

As metas de receita no comércio exterior são superlativas e fantasiosas, sobretudo por um detalhe: se o mundo está em crise e todos querem exportar, quem dará as ordens de compras necessárias à redenção da engrenagem conservadora?

A conta não fecha. A sangria social tende a assumir proporções hemorrágicas de um empobrecimento sem paralelo. Uma especie de argentinização européia.


Na crise produzida pelo governo Menen, a escolarizada e próspera sociedade argentina viu 50% de sua população deslizar para baixo da linha da pobreza. Então as ruas explodiram.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

DICIONÁRIO PARA OS NEOLIBERAIS.

NA FOTO DOIS POPULISTAS.

Governo popular:

Notabiliza-se por governos que estão em sintonia com os anseios do povo e tem a mania não muito aprovada pelos neobobos de disputarem eleições democráticas.
 Normalmente são nacionalistas e não gostam de entregar a nação às poderosas nações do norte, contrariando uns 5 por cento de neobobos da população.

Normalmente obstaculizam os privilégios que os neobobos sempre gostam de ter: A chave do cofre da nação para a suas famílias.

Normalmente levam o progresso à grande parcela da nação, (90 por cento  sempre esquecidos pelos neobobos.

Geralmente enfrentam crises econômicas mundial, de forma diferente dos neobobos, como o governo de São Paulo que em plena crise, aumentou o sucateamento do estado, o que ocorreu de forma bem diferente do governo federal, que foi elogiado por todo o planeta.

No caso dos dois últimos governos populares do Brasil, são elogiados por Organizações de renome mundial e  de peso de uma UNESCO, ONU, fundação WOODROWS WILSON, ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE RÁDIO DIFUSÃO, BANCO MUNDIAL, Jornais também renomados, Como THE GUARDIAN, THE ECONOMIST, NEW YORK TIMES, LA PRENSA, EL CLARIN, EL PAIS, LE MONDE, CORREIO DE LA SIERRA e também presidentes  como os dos USA, FRANÇA, INGLATERRA, DINAMARCA, SUÉCIA, RUSSIA, INDIA, NORUEGA, FILANDIA, ALEMANHA, CHINA, ARGENTINA E O CAPETA SETENTA.
Só não TEM O RECONHECIMENTO dos neobobos brasileiros( 5 por cento).
Não obstante, estes dois últimos governos populares brasileiros  contam sempre com  o apoio da maioria da liderança mundial. Também com o apoio da intelectualidade que pensa o planeta terra.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O ARROCHO E DESIGUALDADE QUE O NEOLIBERALISMO CAUSA, FOI O MÓVEL DA CRISE.

A FLEXIBILIZAÇÃO DA ECONOMIA PELOS E PARA OS RICOS.

DE SAUL LEBLON NO BLOG DAS FRASES

Estender a jornada de trabalho, sem contrapartida salarial, é a contribuição que Portugal e Espanha oferecem ao mundo no apagar das luzes de 2011. Uma alternativa neoliberal ao colapso do neoliberalismo.

Antes de dar a isso o epíteto de uma excrescência conservadora talvez fosse mais justo creditar a Passos Coelho e a Mariano Rajoy o benefício da coerência.

 Nada mais fazem os dirigentes ibéricos do que radicalizar os fatores que deram origem ao colapso mundial, assentado, entre outros pilares, em três décadas de arrocho sobre o rendimento do trabalho nas principais economias ricas, associado a mimos tributários que promoveram o fastígio dos endinheirados.

Para clarear as coisas: não foi a crise que gerou o arrocho e a pobreza em desfile no planeta, mas sim o arrocho e a desigualdade neoliberal que conduziram ao desfecho explosivo, exacerbado agora por direitistas aplicados, que dobram a aposta no veneno.

A ordem dos fatores altera a agenda futuro: a crise não é apenas financeira; controlar as finanças desreguladas é um pedaço do caminho para controlar a redistribuição do excedente econômico, ferozmente concentrado nas últimas décadas na base do morde e assopra --arrocho de um lado, crédito e endividamento suicida do outro, falindo famílias e governos.

Vista desse ângulo a equação contesta, por exemplo, o jogral do conservadorismo nativo que qualifica como 'temerário' o reajuste de 14% (9% reais) para o salário mínimo em 2012, como a sugerir, à moda Rajoy e Passos Coelho, que a 'gastança' (fiscal/salarial) estaria na origem da crise, sendo a hora da verdade sinônimo de hora do arrocho. Ao injetar R$ 47 bi adicionais à demanda interna, o governo brasileiro na verdade reforça as imunidades do país em relação às origens da crise mundial.

Em boa parte assentada no definhamento do poder de compra dos assalariados que se encontra hoje comprimido entre os menores da história em muitos países.

O aumento do salário mínimo, ao contrário, coloca o poder de compra de 48 milhões de brasileiros no nível mais alto dos últimos 30 anos.

E isso gera encadeamentos produtivos e fiscais virtuosos, de que se ressentem os países ricos nesse momento. A 'gastança' de R$ 19,8 bi com os 20 milhões de aposentados beneficiados pelo reajuste do mínimo, por exemplo, retornará aos cofres públicos na forma de R$ 22,9 bilhões em impostos.Cálculos do Dieese.

O que fizeram os governantes das economias desenvolvidas desde os anos 90 - com os aplausos obsequiosos do dispositivo midiático demotucano - foi lubrificar uma espiral inversa. Desde 2000, a classe média americana dotada de diploma universitário, não tem reajuste salarial.

Mais de 46 milhões de norte-americanos vivem hoje na pobreza, constituindo-se na taxa mais elevada dos últimos 17 anos: 15,1% .

Em termos absolutos, o contingente atual de pobres é o maior desde que Census Bureau começou a elaborar as estatísticas americanas, há 52 anos.

Síntese do desmonte social acionado pelo neoliberalismo, o número de norte-americanos sem seguro-saúde é da ordem de 50 milhões de pessoas e tudo isso antecede a crise, que agravou o esferalamento do way of life elevando a 46 milhões o total de desempregados, sobre uma base de dissolução pré-existente.

A receita não é privilégio norte-americano.

 Um quarto de todos os lares da Ingaterra e País de Gales, cerca de 20 milhões de pessoas, vivem em estado de pobreza atualmente, um sólido legado de sucessivos governos neoliberais, desde Tatcher, passando por Blair até chegar no atual 'engomadinho' atual, como diz Luiz Gonzaga Belluzzo.

 Cameron cuida de jogar a pá de cal naquela que já foi a rede de serviços sociais mais equipada da Europa.

Pesquisas indicam que em pleno inverno, um número crescente de famílias inglesas vive o pior quadro de aperto financeiro desde a II Grande Guerra. E um relatório recente da OCDE - não propriamente uma trincheira progressista - sugestivamente intitulado "Divididos estamos: porque aumenta a desigualdade”, indica que “a renda média de 10% das pessoas mais ricas representa nove vezes a renda dos 10% mais pobres” nos países (ricos, em sua maioria) que integram esta organização.

A distância aumenta em dez para um na Grã-Bretanha, Itália e Coreia do Sul; chega a quatorze para um em Israel, Estados Unidos e Turquia, diz o informe.

Os dados sobre os Estados Unidos mostram que “a renda por família, após o pagamento de impostos, mais do que dobrou entre 1979 e 2007, entre o 1% mais rico. Na fatia dos 20% mais pobres, caiu de 7% para 5% no mesmo período.

“Quando se fala dos mais ricos entre os ricos estamos dizendo que há espaço para aumentar os impostos”, afirmou Angel Gurria, o secretário geral da organização, numa menção indireta às escandalosas isenções tributárias acumuladas pelos endinheirados desde o governo Reagan, nos anos 80.

Foi sobre essa base de renda e trabalho esfacelados simultaneamente pela transferências de empregos e empresas às 'oficinas asiáticas', que se instalou o colapso neoliberal.

A asfixia desse arranjo capitalista só não explodiu antes, graças à válvula de escape do endividamento maciço de governos e famílias, que atingiu patamares de virtuosismo insustentável na bolha imobiliária norte-americana, espoleta da crise mundial de 2008.

Quando as subprimes gritaram --'o rei está nu' todo o criativo edifício de uma supremacia financeira baseada no crédito sem poupança (porque sem empregos, sem renda e sem receita fiscal compatível) veio abaixo.

A tentativa atual de 'limpar o rescaldo' do desabamento removendo apenas seus gargalos financeiros --ou seja, salvando os bancos e arrochando ainda mais os assalariados e os pobres-- é mais uma forma de perpetuar a essência da crise do que de enfrentar as suas causas seminais.

 O jogo é mais pesado. Controlar as finanças desreguladas é sum pedaço do caminho para controlar a redistribuição do excedente econômico, ferozmente concentrado nas últimas décadas, na base do morde e assopra --arrocho de um lado, crédito do outro.

 Preservar o modelo com arrocho de crédito, como se tenta, requer uma carnificina econômica e social. A julgar pelas iniciativas dos governantes portugueses e espanhóis, a direita está disposta a movimentar o açougue em 2012. A ver.



domingo, 4 de dezembro de 2011

NEOLIBERALISMO. OS CAPACHOS CHORAM!!!!

Ministra do Trabalho, Elsa Fornero ,se emociona durante anúncio de plano contra crise na Itália.

EUROPA EM TRANSE LEVA MINISTRA ÀS LÁGRIMAS

Ministra do Trabalho italiana, Elsa Fornero, não consegue conter o choro ao explicar a parte do arrocho de 30 bilhões de euros anunciado neste domingo pelo primeiro ministro Mário Monti, que penalizará fortemente  o sistema previdenciário do país. Idade mínima de aposentadoria foi elevada para 62 anos no caso das mulheres e 66 anos para os homens. Pensões acima de 960 euros foram congeladas.

 Elsa Fornero , em lágrimas, precisou interromper sua explicação sobre os detalhes do pacote sendo  substituída por Monti, o tecnocrata explicitamente reconhecido como um interventor dos mercados no Estado italiano.

 Veja a cena, expressiva da tensão vivida pela economia do euro, cuja sobreviência ou derrocada será decidida esta semana na reunião de cúpula da próxima 6ª feira, dia 9. 
(Carta Maior; 2ª feira; 05/12/ 2011)

SALÁRIOS NO BRASIL SUPERAM O DE PAÍSES RICOS. QUE HORROR DONA MIRIAM, VAI PARA O A, E, I, O, U, DE NOVO?

A MIRIAM PIG QUANDO FOR DAR ESTA NOTÍCIA NO MAL DIA BRASIL, VAI COMEÇAR COM AQUELA VELHA GAGUEJAÇÃO QUANDO TEM QUE DAR UMA NOTÍCIA BOA: A, E,  I, O, U...

DO

CHUPINHADO DO: ESQUERDONEWS

Força da economia nacional e crise no primeiro mundo fazem acontecer o impensável

RIO – A força da economia brasileira e a crise que vem abatendo os países ricos está fazendo acontecer o que há alguns anos era inimaginável no páis: os salários de trabalhadores em várias carreiras – de executivos e gerentes a engenheiros, consultores jurídicos e profissionais da tecnologia da informação — estão mais altos do que em nações da Europa e nos Estados Unidos.
 O rendimento mensal chega a ser 85% maior, mesmo convertendo esses valores para reais, considerando a cotação de euro, dólar e libra esterlina. Um engenheiro elétrico sênior, por exemplo, que ganha no mínimo R$ 14.900 no Brasil em grandes empresas, recebe R$ 8.037 na Espanha, uma diferença de 85,4%, aponta pesquisa feita pela consultoria Michael Page, a pedido do GLOBO.

O levantamento — que levou em conta profissionais seniores, grandes empresas e somente o salário fixo, sem bônus ou participação nos resultados — mostrou também que um gerente comercial no Brasil chega a ganhar 79,1% a mais que nos Estados Unidos (R$ 18 mil de salário mínimo no Brasil contra R$ 10.048 nos EUA).
Um consultor jurídico no Brasil ganha 24,4% a mais que na Itália (salário máximo de R$ 15 mil no Brasil contra R$ 12.055) e, um diretor comercial no Brasil ganha no mínimo R$ 28.000, 13,4% a mais que o mínimo encontrado no Reino Unido (R$ 24.674). Para Ricardo Guedes, da Michael Page, além de economia brasileira aquecida e desenvolvidos em crise, real forte e mão de obra em falta no Brasil ajudam.

— E esse fenômeno tende a continuar e talvez alcançar cada vez mais profissões. A falta de mão de obra é muito grande e, em diversos casos, é impossível encontrar um estrangeiro para o lugar, não apenas por causa da legislação restritiva do Brasil, mas porque algumas destas profissões exigem um alto domínio do português e da cultura nacional, como diretor comercial e consultor jurídico — afirma.

Fenômeno chega a cargos técnicos

A própria Michael Page — uma das maiores em recrutamento no mundo — vive um caso assim. João Nunes, português de 30 anos, está no Brasil há três meses. Aqui ganha até 30% mais que na Europa, sem contar o que pode receber a mais de renda variável, dependendo dos lucros da operação — bem mais favoráveis que no velho continente. Mesmo assim, ele lembra que nem tudo são flores:

— Realmente o salário é maior, pode chegar a uma diferença de 50% em alguns casos, mas o custo de vida aqui é muito mais alto. Moro em São Paulo, onde os aluguéis são o dobro do registrado em Portugal. Alimentação, tudo é mais caro. Então nossa capacidade de poupança é menor.

Nelson Prochet, diretor de recursos humanos da francesa Technip, conta que esse fenômeno está se generalizando, extrapolando os cargos de chefia e chegando a profissões técnicas e administrativas.

— É um fenômeno brasileiro. Em outros países em desenvolvimento isso não ocorre. A negociação na China é diferente e a Índia tem uma capacidade espantosa de formar rapidamente mão de obra qualificada — disse.

Agostinho Guerreiro, presidente do Crea-RJ, diz que os altos salários chegam a todas as profissões técnicas.

— Embora o nosso piso seja de nove salários mínimos para engenheiro recém-formado, que será algo próximo a R$ 5.600 em janeiro, não é difícil ver iniciantes ganhando até R$ 8 mil — disse, mostrando que o salário inicial está próximo ao de engenheiros seniores da Espanha.

Ele afirmou, contudo, que ainda há muitas diferenças salariais no Brasil, em setores como o energético, que tem forte influência estatal e rendimentos baixos aos profissionais.

Adalberto Cardoso, professor do Iuperj, frisa que a crise dos países desenvolvidos está reduzindo seus salários reais, além de elevar o desemprego nestas nações. Este aspecto conjuntural só deve se tornar uma situação estrutural se, em sua opinião, a diferença no nível do crescimento for ainda maior nos próximos anos:

— De qualquer maneira já vemos um aumento de estudantes de engenharia nas universidades. Mas o tempo para formação de um engenheiro é cinco anos, ou seja, ajustar a formação de mão de obra à demanda é um processo lento.

Tito Costa Santos, diretor da Agência Azul — agência digital localizada no Rio —, afirma que, neste ano, aumentou os salários de sua equipe, em média, em 40%. Embora diga que fez isso para recompensar a equipe e repartir os lucros do negócio, ele conta que a alta é generalizada no setor:

— Tenho um ex-sócio que mora em Miami e ele está impressionado com os salários no Brasil. Ele não consegue contratar outsourcing (contratação de serviços de profissionais remotamente) daqui.