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quinta-feira, 17 de maio de 2012

A Argentina terá que ser modelo para a Grécia..

A Argentina, não foi para a genuflexão.

Saul Leblon  no blog das frases

Mídia e crise: os conselheiros da servidão.


 sociedade grega vive uma das escolhas mais difíceis da história:agarrar-se às migalhas da servidão ou lutar contra ela com o risco de perder? De um lado o abismo conhecido, de outro o escuro sem nome. Seu povo foi levado ao corredor da morte pela endogamia entre uma elite dissociada dos interesses da população e uma matilha de espoliadores financeiros que reduziu o país a um simulacro de Nação soberana.

O PIB da Grécia despenca desde 2008; deve fechar em 2012 1/5 menor que o nível pré-crise. Os aposentados foram 'convidados' a viver com pensões entre 20% a 30% menores;o salário mínimo foi cortado em 20% e o desemprego lambe a borda dos 25%. Todo o país está sendo extirpado nessa proporção.


Macrodados não conseguem traduzir o que se passa nas vísceras de uma agonia quando ela atinge esse padrão. São os detalhes que exprimem a brutalidade quando as taxas de suicídio dão um salto de 40%. O orçamento grego da educação sofreu um corte de 60% este ano. Nenhum organismo subsiste ceifado em 60% do seu todo: nem a merenda foi poupada do arrocho imposto pelos credores. Das periferias mais pobres chegam relatos de desfalecimentos em sala de aula: fome.


A tragédia miúda funciona como uma endoscopia das consequências sociais e éticas de se preservar a riqueza financeira quando o mecanismo que a sustenta colapsou nos seus próprios termos. A riqueza financeira é o grande cadáver desta crise que resiste insepulto. Exercer seu direito de saque sobre a riqueza material da sociedade implica a partir de agora cortar a merenda das crianças que desmaiam de fome nas periferias da Grécia. É preciso desinflar o poder leonino da banca mas não será o mercado a fazê-lo. Talvez as urnas; quem sabe as ruas. Sempre a política.Nunca as leis da autossuficiência mercadista.


 A camada de gelo fino trinca na primavera sombria da Europa.Mas é o lago todo que se revolve por baixo. As engrenagens vitais do mecanismo econômico colapsaram; em vez de emprestar à produção e ao consumo os bancos mantém mais de 600 bilhões de euros no BCE depois de receberem dele um socorro de liquidez de valor equivalente. A cobra come o próprio rabo.


A rigor a zona do euro já não dispõe de um sistema bancário no sentido estrito termo; a banca tornou-se aqui o termômetro e a febre da crise. Não empresta e já não consegue captar; suas reservas começam a ser corroídas pelo saque.

A corrida teve início na Grécia. Primeiro, os estrangeiros impuseram um acordo de ajuste pelo qual seu ressarcimento precede as urgências da Nação.

Agora os residentes engrossam a revoada. Ela ainda não atravessou a fronteira que separa o medo do pânico, mas já ultrapassou a ponte do contágio. Nesta 5ª feira, os espanhóis começaram a sacar suas poupanças.

As ações de bancos puxam o mergulho das Bolsas na 4ª maior economia do euro. Se a Grécia tombar, a Espanha ocupará sua vaga na fila do vazio. O país está sendo picado, como se pica um touro na arena antes de matá-lo.Os especuladores sangram o corpo espanhol de um lado; a direita no governo lhes oferece mais carne humana do outro.


Nesta 5ª feira , Rajoy -- o semblante aterradoramente imperturbável da direita que trincha a nação num cepo de açougue-- aprovou mais cortes na saúde e na educação. É um massacre. A exemplo do que se vê na Grécia, pode ser inútil. O dinheiro arisco só aceita financiar o Estado espanhol cobrando juros cinco pontos acima dos pagos por papéis alemães. E só a curto prazo. Quem ainda tem emprego perde poder aquisitivo de forma devastadora. A direita é aplicada e não erra o corte no nevoeiro da crise. Está há apenas cinco meses no poder, mas entregou o prometido: a distribuição da renda nacional já se inverteu a favor dos patrões.Em 2010 os assalariados espanhóis tinham 48,5% da renda; os patrões 43%; hoje as fatias são respectivamente de 45,5% e 46,5%.

O cemitério social enfileira seus cortejos na Europa.Mas a mídia conservadora não arreda pé. A inércia dos aparatos ideológicos bate continência nas colunas, manchetes, na hierarquização do noticiário, nos editoriais explícitos e nos tantos quantos implícitos. 'Não há alternativa', advertem em jogral macabro. Pior que sangrar nas mãos dos mercados é a hemorragia de quem tenta enfrentá-los. Não há salvação fora do ajuste. É a hora da verdade depois da 'gastança'; a cada um o que é seu: a liquidez garantida aos credores; o ocaso ao resto.


Uma palavra, porém, desconcerta a esférica ordem unida da servidão comandada pela mídia: Argentina. Em 2003, quando começou o ciclo Kirchner, a Argentina era uma espécie de Grécia da América do Sul. Desacreditada aos olhos de seu próprio povo, balançava nas mãos dos mercados especulativos. Nestor Kirchner herdou do extremismo neoliberal uma taxa de pobreza que afetava 60% dos 37 milhões de argentinos.


A dívida impagável de US$ 145 bilhões comprometia a geração presente, seus filhos, os filhos e netos que um dia eles teriam. A moratória desesperada de 2001 terminara por entupir os mecanismos de crédito e financiamento, sem os quais nenhuma economia funciona. Os credores sobrevoavam a nação argentina como urubus. O cerco contra o país era brutal. A mesma mídia que hoje diz aos gregos não há alternativa interditava o debate de qualquer política que não fosse a da rendição. Poucos listavam-se entre os aliados.


Mesmo no Brasil, o então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, impunha distância sanitária entre Kirchner e Lula, em sintonia com a pressão internacional.


Para se ter a dimensão do cerco vivido então pela Casa Rosada, basta multiplicar por dez a pressão que a liderança do euro, a mídia, os banqueiros e o FMI fazem hoje contra o povo grego.


Nestor Kirchner não se dobrou: deu sentido estratégico à moratória; impôs um desconto de 70% da dívida aos credores; destinou a receita crescente a programas sociais e de fomento. A taxa de pobreza recuou a 10% da população. A economia argentina foi a que mais cresceu no hemisfério ocidental na última década.


A rebelião não foi impune. Nenhuma rebelião é impune. Falseiam os que vendem passagens para algum paraíso histórico desconhecido. Rupturas envolvem custos e a Argentina pagou e paga os seus. A banca ergueu um cerco internacional obstruindo o acesso do país ao crédito em dólares. Uma parte da população sofreu adicionalmente na travessia entre a velha e a nova ordem. Mas hoje o país nem de longe lembra o campo de concentração da esperança que o asfixiava antes de optar por um caminho próprio.



As circunstâncias desse braço de ferro são espertamente omitidas pela crítica conservadora, que desdenha dos êxitos inegáveis registrados; é preciso a qualquer custo depreciá-los como um ponto fora da curva, um fogo fátuo de populismo anacrônico, inflação maquiada e boom passageiro de commodities.


Com todas as vulnerabilidades, o dissenso argentino faísca no imaginário da crise como uma opção de reerguimento histórico face ao martírio do moedor ortodoxo em ação na Grécia, Espanha, Portugal e outros. Diante do catastrófico funeral em curso seu exemplo ecoa como um ruído intolerável a arguir a narrativa midiática com o vírus da dúvida: o que é pior, sucumbir pela asfixia ortodoxa ou lutar como fez a nação argentina, na busca de um recomeço com soberania e dignidade?

Argentina, a palavra que incomoda a Troyka.

A palavra engasgada na garganta do mercado desregulado: Argentina.

Artigo da CARTAMAIOR.



MÍDIA E CRISE: OS CONSELHEIROS DA SERVIDÃO

A sociedade grega vive uma das escolhas mais difíceis da história:agarrar-se às migalhas da servidão ou lutar contra ela com o risco de perder? De um lado o abismo conhecido, de outro o escuro sem nome. Seu povo foi levado ao túnel dos horrores pela endogamia entre uma elite dissociada dos interesses da população e uma matilha de espoliadores financeiros que reduziu o país a um simulacro de Nação soberana.



A riqueza financeira é o grande cadáver da crise que resiste ao sepultamento. Exercer seu direito de saque sobre a riqueza material da sociedade implica a partir de agora cortar a merenda das crianças que desmaiam de fome nas periferias da Grécia. Ou ceifar mais empregos da juventude na Espanha; ou corroer heroicamente os salários em Portugal. É forçoso dar fim ao fim e desinflar o sobrepoder rentista, mas não será o mercado a fazê-lo.



A inércia dos aparatos ideológicos bate continência nas colunas, manchetes, na hierarquização do noticiário, nos editoriais explícitos e nos tantos quantos implícitos.



'Não há alternativa', advertem em jogral macabro. 'Pior que sangrar nas mãos dos mercados é a hemorragia de quem tenta enfrentá-los'. Uma palavra, porém, arranha o azeite da ordem unida comandada pelo noticiário econômico: Argentina


terça-feira, 24 de abril de 2012

EURO NA HORA DA VERDADE: URNA X MERCADO!!!!!

SEDE DO EDIFÍCIO QUE OS TUCANOS SUBIRAM SUAS ESCADAS, 3 VEZES, DE PÍRES NAS MÃOS. O F.M.I


SAUL LEBLON BLOG DAS FRASES.

As Bolsas desabaram na Europa nesta 2ª feira, recuando ao menor nível dos últimos três meses. O mergulho generalizado foi mais fundo nos países periféricos, caso da Espanha, por exemplo, cujo BC admitiu que a economia encontra-se em recessão, mas não poupou a Itália (menos 3,8%) e recuou também expressivamente em Frankfurt (menos 3,4%).

Um dia depois do 1º turno na França, que apontou a vitória de François Hollande sobre Sarkozy, a inquietação nas Bolsas se fez acompanhar da disparada do risco país em diferentes nações do euro submetidas ao garrote da austeridade suicida.


Para financiar economias submetidos a uma espiral paralisante de arrocho fiscal, recessão e esfarelamento de receitas, com consequente agravamento do déficit público, os capitais exigiam nesta 2ª feira juros de um a quatro pontos acima do índice-base pago pelos títulos alemães.

O conjunto reflete o pressentimento rentista de que está chegando a hora da verdade para a agenda da austeridade ortodoxa.


 A vitória apertada de Hollande sobre o braço-direito de Angela Merkel não seria motivo suficiente para tanto. Ocorre que os mercados fizeram a leitura correta da surpreendente ascensão da extrema direita francesa que obteve o voto de quase 1/5 dos eleitores.

A candidata do Partido Nacional, Marine Le Pen, cresceu capturando o ressentimento popular contra um governo que franqueou a Nação aos impulsos ortodoxos irradiados de Berlim, sem que a genuflexão se refletisse em melhorias tangíveis, sobretudo nos cinturões periféricos. Por caminhos distintos e proposições diversas, a mensagem consagrada nas urnas francesas foi a de que um governo fraco, um Estado amordaçado pelos interditos das finanças e uma democracia ornamental --sem poderes para preservar direitos, a começar pelo direito ao emprego-- não responde às urgências postas por uma crise que se arrasta e, no caso do euro, se agrava desde 2008.

Com maior ou menor ênfase, diferindo nas respostas ao colapso, foi isso que disseram as campanhas de Hollande, de Marine e de Mélenchon (cuja votação aquém do previsto indica o voto útil antecipado em Hollande).


Trata-se de uma inflexão histórica: desde o início da crise, mais de uma dezena de países europeus trocaram parcial ou totalmente seus governantes. Na maioria das vezes em direção a lideranças e políticas ainda mais conservadoras. A derrota doo conservador Sarkozy sugere o esgotamento dessa receita.

A regulação estatal da economia está de volta à agenda do euro; os captais se agitam, mas a experiência endossa a travessia.


 Na Europa, a pequena Islândia fez tudo ao contrário do que recomenda o figurino ortodoxo, a começar pelo fato de que decidiu em plebiscito não sacrificar a sociedade para salvar bancos; está se saindo melhor do que a maltratada Espanha, ou o desastroso calvário imposto a gregos, italianos, portugueses etc.

No Brasil, da mesma forma, a vitória recente do governo Dilma sobre a banca, dobrando uma resistência terrorista à redução dos juros, só foi possível porque o país ainda dispõe de um setor financeiro estatal que responde por 44% do crédito na economia. Ao acionar essa alavanca poderosa cortando o custo de suas linhas de crédito em até 50%, o Estado brasileiro obrigou os bancos privados a ceder para não perder mercado.


A grande lição brasileira é que não adianta substituir as ferramentas de política econômica por agências reguladoras ornamentais, tão caras à cartilha neoliberal.

A regulação da economia capitalista deve estar inscrita diretamente na engrenagem do sistema econômico. Isso se faz com relevante presença estatal nos setores estratégicos -- o financeiro, por certo, em primeiro lugar. Mas não só.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

NEO LIBERALISMO: AS ORIGENS DA CRISE DO EURO. PRIMEIRA PARTE.

ESTA CRISE VEM DE LONGE. E É FABRICADA!

As origens da crise do Euro

Parte 1

Por Peter Schwarz
25 de fevereiro de 2012
NO SOCIALISMO EUROPEU

O artigo que segue baseia-se em um relato feito por Peter Schwarz, membro da comissão editorial do Site Socialista de Interligação Mundial e secretário do Comitê Internacional da Quarta Internacional, em um encontro do Partido da Igualdade Socialista (PSG) ocorrido em Berlim em 7 de janeiro de 2012.


Nos últimos três anos a economia mundial passou por sua pior crise desde os anos 1930. Particularmente a Europa tem sido atingida a ponto de a sobrevivência do Euro e da União Europeia estarem agora em xeque.

Para se entender o significado e as consequências desta crise, não basta estudar suas manifestações econômicas imediatas. Faz-se necessário estudar as relações sociais que estão por trás dessas manifestações.


No geral, a crise é apresentada como resultado do superendividamento de alguns países da União Europeia. Afirma-se que suas dívidas chegaram a um nível em que não podem mais ser pagas ou refinanciadas.


 Essa afirmação, no entanto, não se sustenta se olharmos mais de perto. Assim, o endividamento total da União Europeia (cerca de 80% do PIB) está consideravelmente abaixo daquele dos EUA (100%), ou do Japão (220%). A dívida norte-americana aumentou seriamente durante os últimos cinco anos, de menos que 60% para mais que 100%. Porém, os EUA ainda são capazes de financiar sua dívida sem grandes problemas.


Excetuando-se a Grécia (158%), mesmo os países da EU mais afetados pela crise não estão endividados a tal ponto: na Espanha, o nível da dívida nacional é 68%; em Portugal, 102%; na Irlanda, 112%; e na Itália, 120%, aproximadamente o mesmo nível de quando se associou à zona do Euro. As dívidas governamentais alemã (82%), francesa (85%) e britânica (80%) estão no mesmo nível dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômicos (OCDE).


Deve haver outras causas para explicar o fato de a Europa ter se tornado o alvo dos mercados financeiros mundiais. Para examinar mais a fundo, é necessário levar em consideração as mudanças sociais que ocorreram nas últimas três décadas.


Polarização social.


Após a Segunda Guerra Mundial, as classes dominantes na Europa occidental foram forçadas a fazer concessões sociais para preservar o sistema capitalista. A responsabilidade do capitalismo em relação ao fascismo e à guerra ainda estava fresca na memória da população e era amplo o apoio ao socialismo.

Mesmo no início dos anos 1970, quando um movimento internacional grevista se desenvolveu no impulso do movimento de direitos civis nos EUA, das revoltas estudantis internacionais e do movimento contra a Guerra do Vietnã, a classe trabalhadora conquistou aumentos salariais e outros direitos consideráveis.


Em 1980, no entanto, a burguesia entrou em uma contraofensiva que continua até os dias de hoje. Esta contraofensiva era fortemente ligada às figuras de Ronald Reagan e Margaret Thatcher, mas não era confinada aos EUA e Grã-Bretanha.

O presidente americano Ronald Reagan quebrou o sindicato de controladores aéreos (PATCO) na época, enquanto a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher?direcionou seus ataques sobre os mineiros britânicos.

Ambos combinaram seus ataques à classe trabalhadora com uma desregulação dos mercados financeiros e um fortalecimento dos elementos mais parasitários do capital financeiro, à custa da base industrial de seus países.


O resultado foi um aumento da desigualdade social, que havia diminuído consideravelmente no período do pós-guerra. Este desenvolvimento se confirma por inúmeros estudos estatísticos. De 1910 a 1970, a parcela da renda nacional que pertencia aos super-ricos decresceu progressivamente por todo o mundo.

 Essa tendência foi revertida dos anos 1970 em diante, sendo particularmente visível nos EUA e Grã-Bretanha, onde a proporção da renda total em mãos do 1% mais rico caiu de 20% em 1910 para 10% em 1950.

 Hoje a parcela possuída pelos super-ricos voltou ao nível de 1910.


Durante os últimos 30 anos, a renda dos 20% mais pobres nos EUA caiu 4%, enquanto a renda do 1% mais rico subiu 270%. Durante o mesmo período, a parcela do setor financeiro nos lucros de todo o setor corporativo subiu de 10% para 40%.

 Isso demonstra que o aumento na desigualdade social estava intimamente ligado com o aumento do setor financeiro.


Os números acima referem-se a renda. Em termos de riqueza, a polarização social é ainda mais gritante. Hoje 40% dos títulos globais estão nas mão do 1% mais rico da população mundial, 51% com os 2% mais ricos e 85% com os 10% mais ricos. Por sua vez, os 50% mais pobres da população mundial possuem menos de 1% da riqueza mundial.


O mesmo processo de polarização social ocorreu no continente europeu, mas com um certo atraso. Este atraso se expressa na proporção de gasto público do PIB, que chega a cerca de 46% na zona do Euro, bem acima da média de 41% da OCDE.

 Isso é motivo por que a Europa, não bastando os cortes salariais e de direitos perpetrados nas décadas recentes, ainda é vista como um paraíso do Estado de bem-estar social pela aristocracia financeira internacional.


A liderança europeia nesse quesito é a França, com uma parcela de 53% do PIB gasta pelo governo. Nos EUA, o número correspondente é de apenas 39%, e no paraíso bancário da Suíça, 33%. A proporção na Alemanha é 43%, pouco acima da média da OCDE.

Devido ao programa Agenda 2010 introduzido pelo governo de Gerard Schröder, essa porcentagem caiu 5% nos últimos dez anos.


Esses números mostram como a Europa está no meio do fogo cruzado dos mercados financeiros internacionais. Para os representantes do capital financeiro, as quantias gastas pelos Estados europeus em pensões, educação, saúde e outros serviços e estruturas públicos são muito altos.

Eles estão determinados a usar a crise para reverter todas as conquistas sociais e direitos democráticos obtidos pelo movimento dos trabalhadores ao longo de seis décadas.


A Grécia serve como campo de teste. Os representantes das altas finanças estão ameaçando o país de falência e impondo um pacote de austeridade após o outro. Salários estão sendo cortados, serviços públicos e direitos sociais estão sendo desmantelados.

Calcula-se que o padrão de vida de um cidadão grego vai diminuir dentro de poucos anos 30%, 40% ou até mesmo 50%. Fora de um período de guerra, isso representa uma queda sem precedentes.


Esta contrarrevolução social não pode ser realizada por meios democráticos. A troika composta pela União Europeia, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu assumiu o controle do orçamento grego e repôs o governo democraticamente eleito com um governo ilegítimo de tecnocratas.

A fim de intimidar a classe trabalhadora, o partido fascista LAOS foi incluído neste governo.


Os líderes europeus decidiram transformer a Europa inteira em uma zona de austeridade na linha do modelo da Grécia. Este é o significado da decisão do reunião de cúpula da EU de 8/9 de dezembro de 2011: implementar um freio de dívida nas constituições de todos os Estados-membros.

 Critérios de legalidade estão sendo introduzidos para forçar governos europeus a implementar políticas rígidas de economia, apesar de toda a oposição popular.


Essa abordagem é herança da desastrosa política implementada pelo governo Brüning na fase final da República de Weimar.

O político do partido de direita Zentrum, Heinrich Brüning, assumiu o posto de chanceler alemão em 1930 em meio a uma crise econômica mundial e descarregou o peso da crise sobre a classe trabalhadora. Ele baseou seu governo sobre a autoridade do presidente, por um lado, e no apoio que recebeu dos Social-Democratas (PSD), do outro.

Brüning governou por meio de decretos emergenciais e contava com o PSD para dar cobertura a ele no Parlamento - como fazem os governos tecnocratas hoje na Grécia e Itália.


O governo Brüning era extremamente instável e durou apenas dois anos. Seu ímpeto por austeridade arruinou a Alemanha economicamente e provocou uma séria luta entre as classes.

Devido à falência política do Partido Comunista, os nacional-socialistas saíram como os vitoriosos dessas lutas. Em 1932, Brüning foi sucedido pelas ditaduras de curta vida dos generais Franz von Papen e Kurt von Schleicher, antes de Adolf Hitler assumir o poder em 1933.


Hoje não são insuficientes os apelos à elite dominante para retomar a consciência e desistir de sua política devastadora de austeridade na linha de Brüning.

 Toda a política do Partido de Esquerda Alemão toma essa forma. O partido reivindica uma “economia social de mercado” do período pós-guerra e proclama como modelo de conduta Ludwig Erhard, o ministro da Economia do chanceler conservador Konrad Adenauer.


Um retorno, porém, às políticas econômicas do período pós-guerra é simplesmente tão irreal quanto transformar uma pessoa de 80 anos em uma de 20 anos, uma vez que isso é impossibilitado pelas mudanças descritas acima.

 A elite financeira, que emergiu desta redistribuição de renda e riqueza, domina todas as esferas da vida social e econômica e está disposta a defender seus privilégios a qualquer custo.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A MISÉRÁVEL VIDA NA MISERÁVEL GRÉCIA. A VIDA DENTRO DA ORTODOXIA.

QUE MORRA O POVO, DESDE QUE SALVEM A BANCA.


A endoscopia da crise.

A Grécia funciona como uma espécie de endoscopia em tempo real das consequências sociais e éticas da maior crise capitalista dos últimos 80 anos.

A percolação da tragédia na pirâmide social do país escancara os custos humanos de se preservar a riqueza financeira quando o mecanismo que a reproduz já não se sustenta. Esse é o cerne do impasse global que avança para o 4º ano de sacrifícios urbi et orbi.

Mas nada disso parece sensibilizar a mídia demotucana, cuja leitura sugere que o único ponto do planeta que afronta os direitos humanos é uma ilha a 150 quilômetros de sua meca intelectual e política. Por certo não é o que pensam os
26 milhões de desempregados e os 115 milhões de pobres da UE, por exemplo.
Elo mais frágil dessa cadeia, a Grécia emerge como um estuário pedagógico de perdas e danos. No interior do seu metabolismo,um a um, rompem-se os elos mais vulneráveis.

 A infância em primeiro lugar; dentro dela, as crianças pobres; e a partir daí o essencial, a segurança alimentar. Desde março de 2010, a prioridade de Atenas é adequar o país aos 'programas de ajuste' traduzidos em sucessivos cortes orçamentários.

Os macrodados da agonia gega não sensibilizam mais. Mas há detalhes que ainda desconcertam: o orçamento da educação, por exemplo, sofreu um corte de 60% este ano.

 Em miúdos: a rede pública de ensino dispõe atualmente de quatro de cada dez euros que recebia em 2010. Não há como preservar o essencial quando 60% do alicerce desaba.

 Inclua-se no essencial a merenda. Das periferias mais pobres, emergem relatos de desfalecimentos em sala de aula.

Mas as agencias de notícias informam que a ministra da Educação, Ana Diamantopulu, apressou-se em desmentir a possibilidade de contemplar todas as famílias carentes com uma bolsa alimentação.

 Não há verbas.
O desmentido ocorreu simultaneamente ao recuo de Angela Merkel, que pretendia nomear um diretório financeiro para comandar o orçamento grego diretamente de Berlim, de modo a assegurar o pagamento dos credores acima de todas as coisas.

 "A discussão ficou emocional", justificou-se a premiê que hoje é a voz mais nítida do dinheiro no planeta. O recuo de Merkel não alivia o estômago da infância pobre da Grécia. A próxima cena na tela da endoscopia grega será o efeito do corte previsto no salário mínimo nacional.

 Com a palavra os paladinos dos direitos humanos em Cuba.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O ARROCHO E DESIGUALDADE QUE O NEOLIBERALISMO CAUSA, FOI O MÓVEL DA CRISE.

A FLEXIBILIZAÇÃO DA ECONOMIA PELOS E PARA OS RICOS.

DE SAUL LEBLON NO BLOG DAS FRASES

Estender a jornada de trabalho, sem contrapartida salarial, é a contribuição que Portugal e Espanha oferecem ao mundo no apagar das luzes de 2011. Uma alternativa neoliberal ao colapso do neoliberalismo.

Antes de dar a isso o epíteto de uma excrescência conservadora talvez fosse mais justo creditar a Passos Coelho e a Mariano Rajoy o benefício da coerência.

 Nada mais fazem os dirigentes ibéricos do que radicalizar os fatores que deram origem ao colapso mundial, assentado, entre outros pilares, em três décadas de arrocho sobre o rendimento do trabalho nas principais economias ricas, associado a mimos tributários que promoveram o fastígio dos endinheirados.

Para clarear as coisas: não foi a crise que gerou o arrocho e a pobreza em desfile no planeta, mas sim o arrocho e a desigualdade neoliberal que conduziram ao desfecho explosivo, exacerbado agora por direitistas aplicados, que dobram a aposta no veneno.

A ordem dos fatores altera a agenda futuro: a crise não é apenas financeira; controlar as finanças desreguladas é um pedaço do caminho para controlar a redistribuição do excedente econômico, ferozmente concentrado nas últimas décadas na base do morde e assopra --arrocho de um lado, crédito e endividamento suicida do outro, falindo famílias e governos.

Vista desse ângulo a equação contesta, por exemplo, o jogral do conservadorismo nativo que qualifica como 'temerário' o reajuste de 14% (9% reais) para o salário mínimo em 2012, como a sugerir, à moda Rajoy e Passos Coelho, que a 'gastança' (fiscal/salarial) estaria na origem da crise, sendo a hora da verdade sinônimo de hora do arrocho. Ao injetar R$ 47 bi adicionais à demanda interna, o governo brasileiro na verdade reforça as imunidades do país em relação às origens da crise mundial.

Em boa parte assentada no definhamento do poder de compra dos assalariados que se encontra hoje comprimido entre os menores da história em muitos países.

O aumento do salário mínimo, ao contrário, coloca o poder de compra de 48 milhões de brasileiros no nível mais alto dos últimos 30 anos.

E isso gera encadeamentos produtivos e fiscais virtuosos, de que se ressentem os países ricos nesse momento. A 'gastança' de R$ 19,8 bi com os 20 milhões de aposentados beneficiados pelo reajuste do mínimo, por exemplo, retornará aos cofres públicos na forma de R$ 22,9 bilhões em impostos.Cálculos do Dieese.

O que fizeram os governantes das economias desenvolvidas desde os anos 90 - com os aplausos obsequiosos do dispositivo midiático demotucano - foi lubrificar uma espiral inversa. Desde 2000, a classe média americana dotada de diploma universitário, não tem reajuste salarial.

Mais de 46 milhões de norte-americanos vivem hoje na pobreza, constituindo-se na taxa mais elevada dos últimos 17 anos: 15,1% .

Em termos absolutos, o contingente atual de pobres é o maior desde que Census Bureau começou a elaborar as estatísticas americanas, há 52 anos.

Síntese do desmonte social acionado pelo neoliberalismo, o número de norte-americanos sem seguro-saúde é da ordem de 50 milhões de pessoas e tudo isso antecede a crise, que agravou o esferalamento do way of life elevando a 46 milhões o total de desempregados, sobre uma base de dissolução pré-existente.

A receita não é privilégio norte-americano.

 Um quarto de todos os lares da Ingaterra e País de Gales, cerca de 20 milhões de pessoas, vivem em estado de pobreza atualmente, um sólido legado de sucessivos governos neoliberais, desde Tatcher, passando por Blair até chegar no atual 'engomadinho' atual, como diz Luiz Gonzaga Belluzzo.

 Cameron cuida de jogar a pá de cal naquela que já foi a rede de serviços sociais mais equipada da Europa.

Pesquisas indicam que em pleno inverno, um número crescente de famílias inglesas vive o pior quadro de aperto financeiro desde a II Grande Guerra. E um relatório recente da OCDE - não propriamente uma trincheira progressista - sugestivamente intitulado "Divididos estamos: porque aumenta a desigualdade”, indica que “a renda média de 10% das pessoas mais ricas representa nove vezes a renda dos 10% mais pobres” nos países (ricos, em sua maioria) que integram esta organização.

A distância aumenta em dez para um na Grã-Bretanha, Itália e Coreia do Sul; chega a quatorze para um em Israel, Estados Unidos e Turquia, diz o informe.

Os dados sobre os Estados Unidos mostram que “a renda por família, após o pagamento de impostos, mais do que dobrou entre 1979 e 2007, entre o 1% mais rico. Na fatia dos 20% mais pobres, caiu de 7% para 5% no mesmo período.

“Quando se fala dos mais ricos entre os ricos estamos dizendo que há espaço para aumentar os impostos”, afirmou Angel Gurria, o secretário geral da organização, numa menção indireta às escandalosas isenções tributárias acumuladas pelos endinheirados desde o governo Reagan, nos anos 80.

Foi sobre essa base de renda e trabalho esfacelados simultaneamente pela transferências de empregos e empresas às 'oficinas asiáticas', que se instalou o colapso neoliberal.

A asfixia desse arranjo capitalista só não explodiu antes, graças à válvula de escape do endividamento maciço de governos e famílias, que atingiu patamares de virtuosismo insustentável na bolha imobiliária norte-americana, espoleta da crise mundial de 2008.

Quando as subprimes gritaram --'o rei está nu' todo o criativo edifício de uma supremacia financeira baseada no crédito sem poupança (porque sem empregos, sem renda e sem receita fiscal compatível) veio abaixo.

A tentativa atual de 'limpar o rescaldo' do desabamento removendo apenas seus gargalos financeiros --ou seja, salvando os bancos e arrochando ainda mais os assalariados e os pobres-- é mais uma forma de perpetuar a essência da crise do que de enfrentar as suas causas seminais.

 O jogo é mais pesado. Controlar as finanças desreguladas é sum pedaço do caminho para controlar a redistribuição do excedente econômico, ferozmente concentrado nas últimas décadas, na base do morde e assopra --arrocho de um lado, crédito do outro.

 Preservar o modelo com arrocho de crédito, como se tenta, requer uma carnificina econômica e social. A julgar pelas iniciativas dos governantes portugueses e espanhóis, a direita está disposta a movimentar o açougue em 2012. A ver.



sábado, 24 de dezembro de 2011

A EUROPA NEOLIBERAL CONHECERÁ O PREDADOR FMI.

FONTE: JOÃO SICSU CARTAMAIOR

O FMI chegou a Europa

A fórmula que o FMI propõe, hoje, aos europeus - de austeridade fiscal e privatizações - já foi adotada em diversos países da América Latina nos anos 1990. Os países europeus que vão se curvar ao FMI e que desejam conhecer o seu futuro não precisam de “bola de cristal”; basta conhecer a história econômica desastrosa da América Latina dos anos 1990.

Em 2011, a crise explodiu na Europa. A dívida dos países europeus já havia aumentado em 2009 porque o setor público teve que “estatizar” a dívida privada do seu sistema financeiro: bancos europeus emprestaram aos bancos americanos e não viram o seu dinheiro de volta. Ao mesmo tempo, na Europa, famílias vinham se endividando para alcançar um modelo de consumo assemelhado ao “American way of life”(o modo de vida americano pré-crise, onde felicidade era sinônimo de consumo de bens de última geração).

Então, os bancos europeus passaram a financiar casas de luxo e automóveis de tecnologia sofisticada. A Europa se transformou em Eurolândia, onde “comprar e ter” passaram a ser mais importantes do que “viver e não ter vergonha de ser feliz”. Portugueses pobres e negros passaram a valorizar e a usar Nike. Carros Porsche, Audi, Mercedes, BMW e Volvo de alto luxo se tornaram comuns nas ruas da Europa. Ademais, governos da periferia européia importaram produtos bélicos sofisticados.

Para financiar o gasto da periferia, bancos se endividavam junto a outros bancos. E muitos governos europeus fizeram dívidas dentro da própria Europa para tentar pagar suas contas comerciais com o exterior, devido à elevada importação que suas economias faziam. A Alemanha incentivou esse processo onde bancos assumiam uma postura arriscada e pessoas e governos se endividavam. Lógico: 2/3 das suas exportações vão para a região da União Européia.

Logo que a União Européia deu seus primeiros passos, a Alemanha iniciou a implementação de uma estratégia econômica de dominação da Europa. A Alemanha fez um pacto interno, de cunho político e econômico, entre o governo, banqueiros, trabalhadores e empresários. Ofereceram aos trabalhadores estabilidade no emprego em troca de arrocho salarial. Com custos menores, devido aos salários comprimidos, os produtos alemães passaram a penetrar com facilidade nos mercados de toda a Europa.

Para complementar a estratégia, a Alemanha passou a emprestar dinheiro aos países que comprassem os seus produtos. Assim, euros, na forma de lucro e juros, eram transferidos da periferia para o centro da Europa. O enfraquecimento econômico da periferia representou também o seu enfraquecimento político: foi aberto o caminho para a substituição de governantes e para a rejeição de consultas populares.

As dívidas dos governos europeus da periferia explodiram. Afinal, tiveram que socorrer bancos e tomar emprestado euros para garantir o equilíbrio das suas contas externas. Enquanto a Alemanha exportava e fazia superávit comercial; outros importavam e tomavam empréstimos, a Grécia, por exemplo. A Grécia está gravemente endividada.

Tudo começou na periferia; mas, hoje, o mundo já reconhece que a contaminação é geral: Irlanda, Portugal, Espanha, Itália, França... De julho de 2008 a dezembro de 2009, a relação dívida/PIB da zona do euro saltou de 70 para 80%. Este foi um período de recessão na Europa e de queda na receita pública. Em 2010, a razão dívida/PIB alcançou 85%.

A situação de países como a Grécia é conhecida na história econômica mundial: um país com elevada dívida pública e déficit comercial com o exterior. Para esses casos, o FMI - desde o início das suas atividades, já com postura conservadora – impunha uma fórmula bastante peculiar. Um país deficitário na sua balança comercial e endividado, para receber os empréstimos de socorro do Fundo deveria cortar gastos públicos de forma drástica, o que resolveria os dois problemas econômicos.

O corte de gastos reduziria os déficits das contas do governo e, em consequencia, contribuiria para a estabilização da dívida pública. Além disso, o corte de gastos públicos reduziria a capacidade de compra da população e, portanto, reduziria também a demanda por produtos importados contribuindo para o equilíbrio comercial com o exterior.

Durante décadas, o FMI somente impôs políticas econômicas; basicamente, obrigava países em dificuldade a cortar gastos governamentais e a conter o crédito para o consumo. A partir dos anos 1990, o FMI passou a propagandear e impor reformas estruturais. Para o FMI, o receituário de políticas econômicas não era suficiente.

O FMI foi a principal organização de defesa e implementação das reformas estruturais propostas pelo Consenso de Washington (de 1989). A fórmula que o FMI propõe, hoje, aos países europeus - de austeridade fiscal e privatizações - já foi adotada em diversos países da América Latina nos anos 1990, por exemplo, Equador, México, Argentina e, parcialmente, no Brasil.

Os países europeus que vão se curvar ao FMI e que desejam conhecer o seu futuro não precisam de “bola de cristal”; basta conhecer a história econômica desastrosa da América Latina dos anos 1990.


(*) Professor-Doutor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro

sábado, 24 de setembro de 2011

NEOLIBERALISMO DESGRAÇA A GRÉCIA. ESTE É O RECEITUÁRIO QUE OS TUCANOS QUERIAM IMPLANTAR NO BRASIL.

MANIFESTAÇÃO NA GRÉCIA CONTRA O ARROCHO FISCAL.

Grécia se despedaça: a multinacional farmacêutica Roche suspende a entrega de remédios para tratamento de câncer aos hospitais da Grécia

 ** motivo: falta de pagamento**

Atenas não tem recursos para pagar salários, nem pensões **

Obama discursa na 2º feira para reafirmar sua principal bandeira à reeleição **

de certa forma, ela simboliza um novo divisor político da crise** democrata defenderá que os ricos, com renda superior a um milhão de dólares, paguem, ao menos, a mesma taxa de imposto cobrada da classe média assalariada.

É O QUE ESTA GENTE QUERIA PARA O BRASIL.

 **direita americana e européia, e coalizão demotucana no Brasil, ao contrário, preconizam mais arrocho fiscal e Estado mínimo **

 protesto contra políticas de arrocho fiscal reúne 50 mil sindicalistas de toda Europa na Polonia, na cúpula do euro

 ** começa timidamente em Nova Iorque o movimento ‘ocupar Wall Street' contra a supremacia das finanças na economia e na democracia*

saiba mais:

https://occupywallst.org/

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

PRESIDENTA DILMA CHAMA AS ADMINISTRAÇÕES EUROPÉIAS E DOS ESTADOS UNIDOS DE INSANAS, FINANCIAL TIMES APLAUDE. A CLASSE MÉDIA MANIPULADA PELO PIG QUE DIZIA, ISTO É QUE É CIVILIZAÇÃO! AGORA DIZ: EU MORO É NO BRASIL, NÃO NA EUROPA, ENTÃO TÁ!

ROUSSEF DILMA. BRAZIL PRESIDENT.
PRESIDENTA DILMA: A ADMINISTRAÇÃO DAS DÍVIDAS DA EUROPA E DOS ESTADOS UNIDOS É UMA INSANIDADE. 

Financial Times: Brasil tira proveito do sucesso em meio à “insanidade” global.

do jornal britânico Financial Times


Nunca estranhos à vivência de uma crise econômica, os brasileiros em meses recentes se viram colocados na invejável posição de espectadores das trapalhadas do mundo desenvolvido. 

Os programas de atualidades da TV brasileira  tem estado fervilhando, por semanas, com discussões sobre os problemas enfrentados pela Europa e pelos Estados Unidos, do impasse sobre o teto da dívida em Washington à crise financeira da Grécia e o escândalo do [tabloide] News of the World no Reino Unido. Dilma Rousseff, a presidente do Brasil, parece ter resumido as percepções dos brasileiros sobre um mundo enlouquecido ao descrever na semana passada as crises da dívida nos Estados Unidos e na Europa como “insanidade”.


A incapacidade política do mundo desenvolvido de encontrar soluções para seus problemas, ela disse, representa uma “ameaça” à economia global. Um mercado emergente em dificuldades uma década atrás, o Brasil é hoje um retrato de estabilidade política e macroeconômica comparado com o parceiro do Norte do qual já ouviu cobranças e com os ex-poderes coloniais da Europa.


O Brasil não apenas é credor dos Estados Unidos, com U$ 327 bilhões de reservas em junho, mas a economia do país está em crescimento constante e o desemprego está em baixa recorde. Ainda assim, com o mundo desenvolvido mostrando tendências no passado associadas aos mercados emergentes, o desafio para o Brasil é como gerenciar o seu sucesso.


O país não pode se tornar complacente diante da ainda desafiadora tarefa de sair da armadilha de renda média na qual sua economia está parada há décadas. A ruptura para a economia brasileira veio durante os anos 90, quando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso lançou uma série de políticas com o objetivo de estabilizar a inflação e a taxa de câmbio. O sucessor dele, ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, manteve o foco na estabilidade macroeconômica enquanto expandia os programas sociais para melhorar o padrão de vida dos muito pobres. 

Os resultados foram impressionantes. O crescimento econômico do Brasil tem em sido em média de 4% pelos últimos oito anos e quase 49 milhões de brasileiros ascenderam para as classes média ou alta.


O Brasil também se provou relativamente responsável ao enfrentar desafios recentes. Seu sucesso econômico tem atraído uma enchente de dinheiro dos mercados estagnados do mundo desenvolvido, afetando o câmbio da moeda brasileira, o real, em relação ao dólar e ameaçando a competitividade da indústria local.

O Brasil respondeu com a assim chamada “guerra cambial” — uma série de controles de capital e de câmbio com o objetivo de conter a apreciação do real. Mas o Brasil tem resistido à maioria das pressões da indústria local para adotar medidas extremas, em vez disso impondo um sistema complexo de impostos desenhados para desencorajar a entrada de “dinheiro quente” de curto prazo.


Na frente fiscal, a sra. Rousseff tentou controlar o aumento dos gastos federais que se deu durante o ano eleitoral [de 2010] reduzindo o tamanho do orçamento deste ano. O banco central também tomou a decisão politicamente difícil de aumentar as já altas taxas de juros cinco vezes este ano, para 12,5%, visando combater a alta da inflação. Juntou essas medidas a passos para reduzir o rápido crescimento do crédito, que alguns analistas acreditam ser insustentável.


Na frente política, a sra. Rousseff tem limpado a corrupção no ministério dos transportes, demitindo autoridades alinhadas com um partido que faz coalizão com o seu Partido dos Trabalhadores. As dificuldades políticas enfrentadas por ela tem sido interpretadas pelo público como uma limpeza de primavera* de uma nova presidente.


Nada disso significa que o Brasil não enfrente seus próprios desafios. Um mercado de trabalho apertado, um sistema educacional fraco e a falta de trabalhadores especializados tem empurrado os salários para cima, enquanto uma infraestrutura pobre aumenta os custos de fazer negócios. 

Os níveis de endividamento das famílias começam a parecer muito pesados para os que tiram proveito do boom de crédito.

O Brasil precisa ter cuidado para não enterrar as novas classes médias sob tanta dívida que, quando a próxima recessão acontecer, elas sejam jogadas de volta à pobreza.

O custo de fazer negócios continua proibitivo, parcialmente por causa dos altos impostos e dos custos de mão-de-obra. E, embora os preços das commodities tenham disparado, os volumes de exportação não acompanharam. O Brasil usou a maior parte da bonança resultante dos preços das commodities para aumentar o volume de suas importações.

O Brasil pode sentir orgulhoso de si neste momento. Mas precisa ficar vigilante para não plantar, durante o atual período de prosperidade, as sementes da próxima crise.

*Spring cleaning,

ou limpeza de primavera, é uma atividade comum nos países do Hemisfério Norte. Depois do inverno em que eles se trancam em casa durante alguns meses, na primavera é hora de dar uma geral na casa.


quinta-feira, 11 de agosto de 2011

A MÍDIA GOLPISTA BRASILEIRA NÃO COBRE O DESASTRE QUE ESTÁ A EUROPA, QUANDO MOSTRA ALGO, NÃO INFORMA QUE O QUE OCORRE LÁ, OCORRERIA AQUI, SE OS SEUS CANDIDATOS DA EXTREMA DIREITA DA UDN, CERRA, FHC, AÓCIO NEVER, ET CATERVA, TIVESSEM ÊXITOS NA ELEIÇÃO PRESIDENCIAL. OU SEJA POLÍTICAS NEO LIBERAIS NAS FINANÇAS PÚBLICAS, O TAL AJUSTE FISCAL, GERA MISÉRIA E REVOLTA.



PRAÇA SINTAGMA. LÁ  SÓ DESILUSÃO E REVOLTA.


AQUI A ALEGRIA DO POVO COM SEUS GOVERNOSLULA E DILMA QUE O PIG, A MÍDIA UDENISTA TENTA ESCONDER.
GUERRA FINANCEIRA CONTRA A DEMOCRACIA

"Instrumentalizada pelo sector financeiro, a ortodoxia considera natural canalizar ganhos de produtividade para as finanças e os monopólios ao invés de elevar salários e padrões de vida. Lobistas neoliberais e seus mascotes acadêmicos rejeitam a partilha dos ganhos de produtividade com o trabalho como sendo improdutivo e incompatível com a  "criação de riqueza" na acepção financeira.

 Está em debate não só se dívidas à banca deveriam ser pagas com a sua transferência para o setor público em detrimento dos contribuintes, mas também se elas podem razoavelmente ser pagas. Se não puderem, tentar pagá-las contrairá as economias ainda mais, tornando-as crescentemente inviáveis. Muitos países já ultrapassaram este limite financeiro. O que está em questão agora é um passo político - trata-se de saber se há um limite para os credores sujeitarem a sociedade ao pagamento de juros (...) sem cortar drasticamente despesas públicas com educação, saúde e outros serviços básicos.
É acerca disso a guerra financeira de hoje. E é isso que os gregos reunidos na Praça Sintagma estão a demonstrar"
(Michael Hudson) COM INFORMAÇÕES DO SITE CARTA MAIOR.

O CÍNICO DO CERRA NÃO FALAVA EM SUA CAMPANHA QUE ELE FARIA ISTO  NO BRASIL, OU SEJA, A ORTODOXIA NEO LIBERAL E TERÍAMOS ISTO AÍ DO TEXTO ABAIXO:


DESMONTE EUROPEU,
O FERMENTO DAS RUAS  

"Vários países europeus reduziram os salários dos funcionários, indo de 2,5% na Alemanha a 5% na Espanha, 10% em Portugal (para quem ganha acima de € 1.500), 13% na Irlanda, 2% na Grécia, 25% na Romênia e até 50% na Letônia. Os salários nominais foram congelados por um a três anos na França, Itália, Portugal, Espanha, Bulgária, Polônia, Romênia e Eslovênia.
Com a inflação em alta, a medida resulta em corte real implícito nos pagamentos. Os empregos no setor público também estão sendo cortados: o governo conservador do Reino Unido anunciou planos de reduzir até 490 mil empregos ou quase 10% da força de trabalho total do setor público. Polônia e Bulgária já cortaram 10%, Romênia anunciou 250 mil cortes, a França congelou contratações. Na Grécia, apenas um em cinco que se aposentam será substituído..."

 (Valor; 20-06)

sexta-feira, 15 de julho de 2011

CARTA MAIOR: PARLAMENTO APROVA MEDIDAS NEO LIBERAIS QUE DEVASTARÁ A VIDA DOS ITALIANOS. SÓ SALVARAM OS PASSAGEIROS DA PRIMEIRA CLASSE: OS RICOS, OS BANQUEIROS E QUETAIS.

ITÁLIA: A SOLUÇÃO DE MERCADO PARA A CRISE
AJUSTE  SALVA  A 1º CLASSE DO TITANIC


 
De forma indiscriminada o 'ajuste' aprovado pelo Senado italiano, na madrugada da 5º feira, destinado a saciar os apetites dos mercados  e evitar a fuga de capitais que começou na Grécia, atingiu Portugal e Espanha e agora mirava a Itália , sacrificou assalariados, aposentados, estudantes, famílias em início de vida, inválidos, pensionistas, crianças, doentes  e outros segmentos mais  frágeis da sociedade.
Eles serão os principais  atingidos pelo corte de 5% das isenções fiscais até 2013; a partir de 2014, suportarão cerca de  20% do total dos cortes fiscais planejados, somando 24 bilhões de euros.
O valor representa quase um terço do 'ajuste' superior a 75 bilhões de euros ofertado para acalmar  bancos e rentistas que detém títulos da dívida pública italiana, calculada em 1,8 trilhão de euros  (equivalente a 120% do PIB e maior do que a soma das dívidas da Grécia,Portugal, Espanha e Irlanda juntas).Outros 60% dos cortes sairão de novos ingressos, ou seja, impostos sobre salários. O atendimento à saúde será encarecido pelo fim das isenções.
Empresas públicas, como correios e ferrovias serão privatizadas.  Hoje o pacote, aprovado pelo Senado, vai à apreciação da Câmara. A Itália já teve um dos Partidos Comunistas mais organizados do mundo. E um sindicalismo operário de força inquestionável na defesa dos direitos dos trabalhadores.
OS DOIS QUE EVITARAM QUE O "PROGRESSO" DA ERA FHC CHEGASSE AQUI.
Ao  discursar em defesa do pacote, o ministro da Economia, o ortodoxo Giulio Tremonti --homem de confiança dos mercados --  advertiu seus colegas europeus que qualquer  hesitação diante da crise levaria a um desastre semelhante ao do Titanic, 'no qual nem os passageiros da 1º classe se salvariam'.
O ministro mostrou o caminho para salvar a 1º classe e, ao mesmo tempo, satisfazer o poder financeiro. Basta jogar os pobres ao mar, coalhado de tubarões. Como disse Antonio Candido em entrevista ao Brasil de Fato: "O lado humano do capitalismo foi arrancado dele pelo socialismo". Sem esse contrapeso, resta a barbárie. 
(Carta Maior; 6º feira 15/07/ 2011)