Minha lista de blogs

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O JORNALISMO ONANISTA.



O  JORNALISMO ONANISTA

Tome-se uma melodia qualquer; durante cinco anos martele-se a letra e a música no consciente e no subconsciente da sociedade.

 Na TV repita-se sempre o título da canção, divulgue trechos com caras e bocas sugestivas.

 Debulhe-se os versos de forma intermitente nas colunas de jornalistas 'de prestígio'; durante cinco anos dê a eles a oportunidade de ecoar suas colunas nas emissoras de TV e nos noticiários das rádio pela manhã, à tarde e à noite; dissemine-se os bordões à exaustão ao longo desse período em artigos e entrevistas; dedique-se a eles dúzias de manchetes , capas e escaladas em telejornais.

 Finalmente, numa 5ª feira de agosto, (09-08) vá a campo e pergunte a 2.562 pessoas se elas conhecem a melodia e que opinião tem sobre os estribilhos massificados durante cinco anos.

No domingo seguinte (12-08) espete-se os resultados em manchetes impactantes': 73% da população tem a mesma opinião da mídia sobre a cantilena em questão.

 A saber, assegura o Datafolha: 73% dos brasileiros acham que os acusados do chamado 'mensalão' devem ser condenados à prisão.

 Ah, sim, a partir da 2ª feira, (13-08), acione-se a etapa seguinte; o mesmo dispositivo midiático põe-se a martelar o resultado da pesquisa como sendo 'a vontade da Nação'.

Sugere-se que não pode ser outro o discernimento da Suprema corte do país, sob risco de perder a 'credibilidade perante a opinião pública'.

 Dê a esse onanismo midiático o nome de liberdade de imprensa e classifique como chavista quem ousar arguí-lo.
 A  propósito, leia nesta pág. o artigo de Tarso Genro sobre o linchamento inédito em curso na democracia brasileira.

Editorial  CARTAMAIOR,  13.08.2012.


Janio de Freitas: Advogados de defesa no "mensalão", são mais convincentes que a acusação.

Jornalista Janio de Freitas.


Jânio de Freitas em sua coluna no PIG



Janio de Freitas 

Acusação e defesa

Numerosas contestações pareceram muito mais convincentes do que as respectivas acusações
Os advogados que até agora atuaram no julgamento do mensalão não merecem menos aplauso e defesa do que têm recebido, com fartura, o procurador-geral e acusador Roberto Gurgel.

Não bastando que sua tarefa seja mais árdua, os defensores são alvos, digamos, de uma má vontade bem refletida na imprensa, por se contraporem à animosidade da opinião pública contra os seus clientes.


Ainda que não assegurem, necessariamente, a inocência de tal ou qual acusado, numerosas contestações pareceram muito mais convincentes, em pontos importantes, do que as respectivas acusações.


Na maioria desses casos, a defesa se mostrou mais apoiada do que a acusação em testemunhos e depoimentos tomados pelo inquérito, assim como em documentos e fatos provados ou comprováveis.
Com isso, outros pontos importantes da acusação estão ainda mais em aberto.

 É o caso, crucial, do mensalão como múltiplos pagamentos para assegurar votos ao governo na Câmara ou como dinheiro para gastos de campanha eleitoral.


A acusação não comprova a correspondência entre as quantias entregues a deputados e os votos na Câmara. Nem, sobretudo, a relação entre os pagamentos com valores tão diferentes e os votos que teriam o mesmo peso na contagem.


Não fica resolvida também, na acusação, a afirmada finalidade de compra de votos na Câmara e o dinheiro dado, por exemplo, aos leais deputados petistas Professor Luizinho e João Paulo Cunha, entre outros bem comportados aliados do governo também agraciados.


E houve, ainda, dinheiro destinado a seções partidárias estaduais, que nada tinham a ver com votações de interesse federal.


A afirmação de compra de votos, sustentada pelo procurador-geral Roberto Gurgel, foi tomada à CPI dos Correios por seu antecessor, Antonio Fernando de Souza, para formular a denúncia ao Supremo Tribunal Federal, há cinco anos.


A afirmação prevaleceu na CPI, porém, por conveniência política da oposição, e não porque os fatos apurados a comprovassem. Acertos de campanha eram muito mais coerentes com o constatado pela CPI. E já figuravam nas acusações de Roberto Jefferson, quando admitiu também haver recebido do PT, para o PTB e para candidatos petebistas.


Outro exemplo de afirmação fundamental e em aberto, porque construída de palavras e não de comprovações, está na acusação agora apresentada por Roberto Gurgel ao STF: "Foi José Dirceu quem idealizou o sistema ilícito de formação da base parlamentar de apoio ao governo mediante pagamento de vantagens indevidas" -e segue.


Seriam indispensáveis a indicação de como o procurador-geral soube da autoria e a comprovação de que José Dirceu "idealizou" o "sistema ilícito". Não só por se tratar de acusação com gravidade extrema.


Ocorre que o "sistema ilícito" foi aplicado já em 1998 por Marcos Valério, com suas agências de publicidade, e pelo Banco Rural para a frustrada reeleição de Eduardo Azeredo ao governo de Minas.

 Foi o chamado "mensalão do PSDB", descrito pela repórter Daniela Pinheiro, como já indicado aqui, na revista "piauí" deste mês.


Logo, para dar fundamento às palavras do procurador-geral Roberto Gurgel, só admitindo-se que José Dirceu "idealizou" tudo uns cinco anos antes do mensalão do PT. 

E, melhor ainda, que "idealizou" o "sistema ilícito" para beneficiar o PSDB de Eduardo Azeredo, hoje senador ainda peessedebista.


Os votos dos ministros do Supremo não suscitam expectativa só por carregarem consigo a absolvição e a condenação, mas pela maneira como encarem as divergências perturbadoras entre acusação e defesas.

MMA Manda mais um para o túmulo!


O excelente artigo é de Celso Lungaretti

 
Neste sábado (11) morreu mais um lutador das chamadas  artes marciais mistas  (MMA): o estadunidense Tyrone Mimms, de 30 anos, que teve ataque cardíaco no vestiário, após ser derrotado num evento realizado na Carolina do Sul. Começou a passar mal, foi levado inconsciente para o hospital e sucumbiu.

Uma rápida pesquisa na internet me permitiu constatar que há um nítido esforço para encobrir e minimizar tais mortes. O dono do badalado UFC, Dana White, garante que se trata do "esporte mais seguro do mundo".




Cada vez que algum lutador vai para um  seguro  caixão de defunto, a notícia sempre inclui especulações sobre se haveria uma lesão pré-existente no dito cujo.


 Afinal, a prioridade é garantir a continuidade do negócio, ainda que seja necessário acusar um morto de ter sido vítima de sua insensatez.




 Qualquer dia acionarão a família do coitado, exigindo indenização...



Para quem não tem cérebro de minhoca, pouco importa a tal lesão anterior, pois certamente decorreria também da prática do MMA.



Na minha opinião, nunca haverá segurança ao se exporem seres humanos a socos e pontapés. E nem mesmo como esporte o brutal MMA merece ser considerado. 

Está mais para briga de galos.



Eis outras vítimas conhecidas das  rinhas de gente:
  • Douglas Dedge morreu em 1998, na Ucrânia;

  • um tal Lee em 2005, numa luta que teve lugar em restaurante da Coréia do Sul;

  • Sam Vasquez foi nocauteado em 20/10/2007 no Texas, passou por duas cirurgias para remover coágulo de sangue no seu cérebro, teve derrame e acabou falecendo em 30/11/2007;
nocauteado na Carolina do Sul, em junho de 2010, Michael Kirkham perdeu de imediato a consciência e foi declarado morto dois dias depois da luta; e

  • Dustin Jenson deixou o ringue caminhando, no último mês de maio, em Dakota do Sul, mas também piorou no vestiário e os médicos induziram-lhe um coma do qual não saiu.




Quantas outras terão existido, sem chegarem ao conhecimento da opinião pública?

Quantos debilóides ainda perderão a vida miseravelmente, obcecados por grana e fama?

Quantos ainda precisarão morrer para saciar a sede de sangue dos aficionados da selvageria e enriquecer abutres como Dana White?





 






domingo, 12 de agosto de 2012

O mensalão e a praça sem povo!

Bem que tentaram!

Marcos Coimbra.

Completamos hoje os primeiros dez dias do julgamento do mensalão. Confirma-se, até agora, o que se imaginava a respeito.



Nada mais simbólico do que está acontecendo que as fotografias da Praça dos Três Poderes. Nelas, veem-se as grades colocadas para conter os manifestantes. Mas a praça está deserta. 



Ninguém que conhecesse um mínimo da opinião pública brasileira acreditaria que ela se interessasse pelo julgamento. Pelo que se constata, não se interessou mesmo.



Não havia razão para supor que se tornasse, para as pessoas, um assunto significativo na mídia. Não se tornou.



Onde isso fica mais visível é na internet.



Ao contrário dos jornais e revistas, que apenas oferecem a informação que seus responsáveis consideram relevante, os sites e blogs da internet fornecem um retorno instantâneo daquilo que interessa aos leitores.

 Percebe-se rapidamente o que os motiva e o que os deixa indiferentes.



Nos principais portais de informação, em nenhum dos últimos dias as notícias sobre o julgamento estiveram entre as mais acessadas. Pelo contrário.



Em função desse desinteresse, seus editores deslocaram a cobertura para lugares cada vez menores e menos proeminentes. 

Passou a disputar espaço com fofocas, receitas de bolo e a previsão do tempo. 



É possível que, em alguns círculos, seja comum ver gente conversando acaloradamente sobre o andamento do processo. 

Não se pode excluir que existam espectadores que não desgrudam os olhos da TV Justiça e dos canais pagos que permanecem em vigília.



Mas nada sugere que sejam muitos. A temperatura da opinião pública anda baixa.



Por que deveria ser diferente? Havia alguma razão para crer que o julgamento desses 38 acusados fosse acender os sentimentos populares? 



Por mais que as oposições – especialmente os veículos da indústria de comunicação alinhados com elas - tenham tentado devolver relevância ao assunto, não tiveram sucesso. 

Pelo menos, por enquanto.



A convocação para que o povo enchesse as ruas foi recebida com indiferença. A um protesto no Rio de Janeiro, compareceram 15 pessoas. Nenhum outro foi marcado.



Apesar das manchetes quase diárias nos jornais, do tempo na televisão, das capas de revista, a população acompanha o julgamento com a atenção que costuma dedicar a questões que considera secundárias.

Para ela, há coisas mais interessantes acontecendo – algumas boas, outras más.



A aprovação das cotas sociais e raciais nas universidades federais mexe mais com a vida do cidadão comum que a acusação contra fulano ou a defesa de sicrano.

 As paralisações de servidores públicos afetam objetivamente milhões de pessoas, mais que especular sobre o que pensa aquele ou aqueloutro ministro.



Só havia um modo da aposta que fizeram dar certo: se conseguissem trazer Lula e o PT para o banco dos réus.



Foi o que tentaram (aliás, vêm tentando desde 2005). Mas não deu certo. 



Achar que o conseguiriam é, ao mesmo tempo, ignorância e presunção. De não saber o que são o ex-presidente e seu partido aos olhos da maioria da população e imaginar-se capazes de influenciar o país.

sábado, 11 de agosto de 2012

Eduardo Guimarães:Resistência a cotas explica desde a desigualdade até o mensalão

O artigo é de Eduardo Guimarães.


Durante a semana que finda, assisti reportagem do Jornal da Globo que se propôs a dar “dicas” sobre as profissões “em alta” no mercado e que ofereceu um dado absolutamente estarrecedor, ainda que não seja novo:

o país tem enorme carência de profissionais em profissões absolutamente imprescindíveis ao crescimento econômico.


Um exemplo: faltam engenheiros a um país que, na contramão de um mundo em recessão, segue crescendo, ainda que, agora, em ritmo bem menor devido ao agravamento da crise econômica internacional.

O fato é que escasseiam profissionais com curso superior no país apesar do forte aumento do número de universitários nos últimos anos. 


Isso ocorre porque cursar universidade, por aqui, sempre foi privilégio da elite branca do Sul e do Sudeste. Foi assim que o Brasil chegou a ser um dos três países mais desiguais do mundo na segunda metade do século passado.


O gráfico que ilustra este texto explica a política no Brasil ao menos entre 1960 e 2012. Representa a Curva de Lorenz, desenvolvida pelo economista estadunidense Max O.Lorenz em 1905 para representar a distribuição de renda em regiões ou países.


O método é muito simples: quanto mais próximo de 1 maior é a desigualdade, e quanto mais perto de 0 é menor.

O Coeficiente de Gini, vale explicar, não é uma criação “petralha”. É calculado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) – no Brasil, é apurado em parceria com o IBGE e com o IPEA.



Como se vê no gráfico, em 1960 a posição do Brasil no índice era de 0,5367. 



Durante a ditadura militar a desigualdade foi aumentando e mesmo após a redemocratização o país continuou promovendo concentração de renda chegando ao ponto máximo em 1990, cinco anos após o fim daquela ditadura.




A partir de 1990, a desigualdade começou a cair, ainda que de forma quase imperceptível. Entre aquele ano e 2002, último ano do governo Fernando Henrique Cardoso, a desigualdade caiu de 0,6091 para 0,583. 



A partir de 2003, começou a cair em ritmo 3 vezes maior do que o preconizado pelo PNUD (ONU), chegando, ano passado, a 0,519 – inferior ao que vigia em 1960.



A queda da desigualdade brasileira durante o governo Lula, portanto, foi a maior em meio século – e, aliás, a maior da história do país em período tão curto (oito anos).

A correlação desses dados com a política é imensa. 



Como se vê, a ditadura militar veio para tornar o rico mais rico e o pobre mais pobre. 



E, após a ditadura, a situação melhorou muito pouco por mera falta de vontade política.



Durante os governos pós-redemocratização, mas anteriores à era Lula, a melhora da concentração de renda foi pífia apesar de ter caído timidamente durante a era FHC, quando chegou a subir um pouco e depois caiu de novo. 


Mas pouco, repito.


No período tucano no governo do Brasil, o índice caiu de 0,59 para 0,58, ou seja, quase nada.

Eis a explicação para o fato de o PT ter vencido as três últimas eleições presidenciais: os três governos petistas vêm diminuindo a distância entre pobres e ricos como nunca antes na história deste país…


Os estudos do IBGE, do IPEA e do próprio PNUD também revelam um dos principais fatores para a maior concentração de renda a partir de 1964: 


houve um desmonte literal da educação pública.



A fim de cumprir o objetivo para o qual foi instalada, a ditadura tornou a educação de qualidade um bem das classes mais abastadas do Sul e do Sudeste, que são essencialmente de ascendência indo-europeia, ou seja, essencialmente brancas. 


Para ter boa educação escolar as famílias tinham que pagar caro, o que, obviamente, só estava ao alcance dos mais ricos.

Por conta disso, no começo da era Lula as universidades brasileiras – sobretudo as públicas – pareciam ser de países nórdicos. Os estacionamentos dessas instituições viviam repletos de carros de luxo e os corpos discentes eram de uma brancura de ofuscar os olhos, com seus olhos azuis e cabelos loiros.



A partir da década passada, porém, políticas públicas começaram a mudar essa situação.



Claro que o mérito maior para a queda acelerada da concentração de renda que o Brasil vem experimentando se deve ao Bolsa Família, mas a política reconhecidamente com maior potencial para mudar a ainda enorme concentração de renda no país é a que levou jovens pobres ao ensino superior.



Já dura quase uma década a política de cotas étnicas e sociais nas universidades públicas (sobretudo nas federais, como UFRG, UNB, UFRJ, UFBA e outras). Além das cotas há o Prouni, que permitiu aos jovens pobres chegarem a universidades privadas com financiamento federal.



No início, há quase uma década, quando o governo Lula trouxe para o Brasil a política afirmativa de inspiração norte-americana que criou uma classe média negra nos Estados Unidos, a elite branca do Sul e do Sudeste reagiu com ira e passou a propagar “criações mentais” (expressão em alta) sobre “prejuízo acadêmico”


.
Mas o que seria esse “prejuízo acadêmico”?



Grandes grupos de mídia como as Organizações Globo, o Grupo Folha, o Grupo Estado, a Editora Abril e partidos políticos como DEM e PSDB abriram guerra contra o governo Lula valendo-se da teoria de que ao levar estudantes de escolas públicas para as universidades isso faria baixar o nível acadêmico delas.



A teoria demo-tucano-midiática era a de que, por terem formação escolar inferior, esses estudantes das escolas públicas – que, em maioria esmagadora no país, são negros – tornar-se-iam profissionais medíocres e não conseguiriam acompanhar os estudantes brancos egressos da escola particular, que proliferou durante a ditadura de forma a dar aos mais ricos chances melhores na vida.


O DEM, aliás, chegou a entrar na Justiça contra as políticas afirmativas petistas (cotas e Prouni) alegando que o governo federal estaria cometendo uma injustiça contra os brancos ricos das escolas particulares.

O processo foi parar no STF e ali foi derrotado.


Ao mesmo tempo, a teoria sobre “prejuízo acadêmico” que seria gerado por jovens negros e pobres às universidades de elite (que, no Brasil, são as públicas, ou seja, financiadas pelos impostos sobretudo dos mais pobres), desmoronou.


Universidades como UFRG, UNB, UFRJ, UFBA e outras começaram a formar turmas de cotistas oriundos da escola pública e negros e o que se viu foi que não só tiveram o mesmo desempenho acadêmico que os egressos brancos das escolas particulares como, em alguns casos, até os superaram, sem falar que os cotistas abandonam menos os cursos, enquanto que os não-cotistas lideram as desistências.

Após a direita demo-tucano-midiática ter perdido a ação no STF contra as cotas e o Prouni, nesta semana perdeu no Legislativo – o Senado aprovou a política de cotas nas universidades federais. A mídia e os partidos de oposição reagiram, pois essa aprovação é ainda pior do que a derrota na Justiça porque materializa a política de cotas.



Não foi por outra razão que começaram a pipocar reações.



 Associações de escolas particulares prometem questionar na Justiça a política de reserva de vagas para negros e egressos de escolas públicas. Todavia, não passa de jogo político porque a instância máxima do Judiciário já rejeitou esse questionamento sobre as cotas serem injustiça de negros pobres contra brancos ricos.



No âmbito dessa gritaria política, a mídia ressuscita a teoria sobre “prejuízo acadêmico” que seria gerado pelos cotistas e abafa o contraditório e os próprios fatos.



Nos jornais ligados ao PSDB e ao DEM, as colunas de leitores e os colunistas voltam à carga contra as cotas com argumentos como o de que os cotistas rebaixariam o nível das universidades apesar de as experiências com a política afirmativa do PT mostrarem que os cotistas chegam a superar os não-cotistas.



Estabelecida a correlação entre a política de cotas e a queda da desigualdade mais intensa na era Lula, sobra outra correlação que o leitor certamente ainda não entendeu. 



Que relação têm as cotas com o mensalão?



Ainda na semana que finda, jornalistas respeitados como Janio de Freitas, da Folha, e até o ministro do STF Joaquim Barbosa ressaltaram como a mídia trata diferentemente os mensalões tucano e petista – o primeiro é abafado e o segundo vira “reality show”.


Ora, por que a mídia não gosta do PT a ponto de ser seletiva ao cobrir casos de corrupção desse partido?

Afinal, todos sabem que nunca os ricos ganharam tanto quanto na era petista, ainda que não mais ganhem sozinhos.



Essa ojeriza ao PT ocorre simplesmente porque a mídia, o DEM e o PSDB representam os setores abastados da sociedade que impuseram ao Brasil uma ditadura militar que concentrou renda valendo-se da Educação como instrumento de injustiça social.



Por isso é que o mensalão tucano está sendo abafado enquanto a mídia transforma o julgamento do mensalão petista nesse espetáculo circense que todos estão vendo. 


Tenta, assim, convencer o país de que o PT encerra mais corrupção do que os partidos que defendem os interesses da elite branca do Sul e do Sudeste.

Simples assim.



Reportagem da Record mostra que a Veja é uma máfia siciliana e seu editor de Brasília é um gangster.


sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Leandro Fortes: A Veja é um esgoto. A oposição é um udenismo rasteiro e imoral.

Redações Poeirentas, atreladas  com o crime. 





Por Leandro Fortes

Na CartaCapital dessa semana há uma história dentro de uma história. A história da capa é o desfecho de uma tragédia jornalística anunciada desde que a Editora Abril decidiu, após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, que a revista Veja seria transformada num panfleto ideológico da extrema-direita brasileira.

Abandonado o jornalismo, sobreveio a dedicação quase que exclusiva ao banditismo e ao exercício semanal de desonestidade intelectual.


O resultado é o que se lê, agora, em CartaCapital: Veja era um dos pilares do esquema criminoso de Carlinhos Cachoeira. O outro era o ex-senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás. Sem a semanal da Abril, não haveria Cachoeira. Sem Cachoeira, não haveria essa formidável máquina de assassinar reputações recheada de publicidade, inclusive oficial.


A outra história é a de um jornalista, Policarpo Jr., que abandonou uma carreira de bom repórter para se subordinar ao que talvez tenha imaginado ser uma carreira brilhante na empresa onde foi praticamente criado.


Ao se subordinar a Carlinhos Cachoeira, muitas vezes de forma incompreensível para um profissional de larga experiência, Policarpo criou na sucursal da Veja, em Brasília, um núcleo experimental do que pior se pode fazer no jornalismo. Em certo momento, instigou um jovem repórter, um garoto de apenas 23 anos, a invadir o quarto do ex-ministro José Dirceu, no Hotel Nahoum, na capital federal.


Esse ato de irresponsabilidade e vandalismo, ainda obscuro no campo das intenções, foi a primeira exalação de mau cheiro desse esgoto transformado em rotina, perceptível até mesmo para quem, em nome das próprias convicções políticas, mantém-se fiel à Veja, como quem se agarra a um tronco podre na esperança de não naufragar.





A compilação e análise dos dados produzidos pela Polícia Federal em duas operações – Vegas, em 2009, e Monte Carlos, em 2012 – demonstram, agora, a seriedade dessa autodesconstrução midiática centrada na Veja, mas seguida em muitos níveis pelo resto da chamada “grande” imprensa brasileira, notadamente as Organizações Globo, Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo e alguns substratos regionais de menor monta.


 Ao se colocar, veladamente, como grupo de ação partidária de oposição, esse setor da mídia contaminou a própria estrutura de produção de notícias, gerou uma miríade de colunistas-papagaios, a repetir as frases que lhes são sopradas dos aquários das redações, e talvez tenha provocado um dano geracional de longo prazo, a consequência mais triste: o péssimo exemplo aos novos repórteres de que jornalismo é um vale tudo, a arte da bajulação calculada, um ofício servil e de remuneração vinculada aos interesses do patrão.




A Operação Vegas, vale lembrar, foi escondida pelo procurador-geral da República Roberto Gurgel, este mesmo que por ora acusa mensaleiros no STF com base em uma denúncia basicamente moldada sobre os clichês da mídia, em especial, desta Veja sobre a qual sabemos, agora, que tipo de fontes frequentava.

Na Vegas, a PF havia detecdado não somente a participação de Demóstenes Torres na quadrilha, mas também de Policarpo Jr. e da Veja. Essa informação abre uma nova perspectiva a ser explorada pela CPI do Cachoeira, resta saber se vai haver coragem para tal.


Há três meses, representantes das Organizações Globo e da Editora Abril fecharam um sórdido armistício com Michel Temer, vice-presidente da República e cacique-mor do PMDB. Pelo acordo, o noticiário daria um descanso para Dilma Rousseff em troca de jamais, em hipótese alguma, a CPI do Cachoeira convocar Policarpo Jr., ou gente maior, como Roberto Civita, dono da Abril.

 A fachada para essa negociata foi, como de costume, as bandeiras das liberdades de imprensa e de expressão, dois conceitos deliberadamente manipulados pela mídia para que não se compreenda nem um nem outro.

No dia 14 de agosto, terça-feira que vem, o deputado Dr. Rosinha irá ao plenário da CPI apresentar um requerimento de convocação do jornalista Policarpo Jr..

É possível, no mundo irreal criado pela mídia e onde vivem nossos piores parlamentares, que o requerimento caia, justamente, por conta do bloqueio do PMDB e dos votos dessa oposição udenista sem qualquer compromisso com a moral nem o interesse público.

Será uma chance de ouro de todos nós percebermos, enfim, quem é quem naquela comissão.





quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Aos UDENISTAS críticos da Geopolítica brasileira na África.

Do New York Times


Na foto o chanceler eleito como o melhor do mundo em 2010. O empresariado colhe os frutos de sua ação sobre a geopolítica brasileira na África. 



Sílvio Guedes Crespo


Os projetos brasileiros de ajuda à África têm aumentado a influência do País no continente e ajudado empresas a fechar negócios, segundo uma reportagem do jornal novaiorquino.

“O Brasil, país com maior número de afrodescendentes, está aumentando sua presença na África, na indústria, na infraestrutura e no comércio”, afirma o jornal na primeira página, sob a chamada “Brasil se afirma na África”.


O País destinou US$ 23 milhões para construir uma fábrica de medicamentos contra Aids em Moçambique, onde 2,5 milhões de pessoas têm a doença mas apenas 300 mil têm acesso à droga que a fábrica produzirá.


No Kenia, o Brasil ofereceu um empréstimo de US$ 150 milhões por meio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para construção de estradas e mais US$ 80 milhões para ajudar a mecanização da agricultura local.


Projetos como esses abrem espaço para a entrada de empresas brasileiras no países. O New York Times afirma que a Odebrecht, por exemplo, já é um dos maiores empregadores da Angola, a Vale está investindo US$ 6 bilhões no setor de carvão em Moçambique e o banco BTG Pactual lançou um fundo de US$ 1 bilhão para investir na África.

 A corrente comercial entre o Brasil e os países africanos cresceu de US$ 4,3 bilhões em 2002 para US$ 27,6 bilhões em 2011.


Atualmente, 55% do US$ 1 bilhão desembolsado pela Agência Brasileira de Cooperação, do Ministério das Relações Exteriores, são destinados à África.
Além do aspecto comercial, existe a cooperação que aumenta a influência diplomática.

O País tem hoje 36 embaixadas no Continente Africano – mais do que, por exemplo, o Reino Unido – e agendou para este ano a abertura da 37ª, no Malawi.


Na Angola, um acordo de segurança assinado recentemente tem o objetivo de expandir o treinamento de militares do país africano no Brasil.


O Times acredita que, diferentemente de outros países latino-americanos, como Venezuela e Cuba, que se baseiam em uma espécie de solidariedade entre países em desenvolvimento, “a crescente presença do Brasil na África é mais complexa, envolvendo a ambição de transformar o País em uma potência econômica e diplomática.


A reportagem aponta, ainda, críticas às incursões do Brasil na África. Por exemplo, por causa da aproximação do País com líderes associados a violações de direitos humanos, como é o caso do presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Mbasogo.


Outra crítica vem de jovens africanos que participam de um projeto para estudar no Brasil.


Alguns reclamam de discriminação no País. O moçambicano Eleutério Nhantumbo, que ganhou uma bolsa para estudar no Rio, disse que estava saindo de uma loja e foi abordado por policiais, que lhe pediram para levantar a camisa.

 Quando perguntou por que estavam fazendo, conta o estudante, ouviu como resposta um insulto racista.

Os policiais perguntaram, ainda, de onde ele era. Depois que respondeu, os policiais teriam dito: “Onde é Moçambique?”. “Eles não sabiam que existe um país chamado Moçambique”, afirmou Nhantumbo ao jornal.





PHA acha este instante brasileiro um horror!

Clima de velório na imprensa udenista. A safra vai ser um tiro na inflação!


Saiu no Blog do Planalto, para tirar as esperanças do PiG (*) num aumento da inflação:


Ministro da Agricultura se reúne com Dilma e anuncia maior safra da história

 

 O ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, disse hoje (9) à presidenta Dilma Rousseff que o Brasil alcançou a maior safra da história. Segundo Mendes Ribeiro, apesar da seca no Sul e no Nordeste, o país terá uma safra de 165,9 milhões de toneladas este ano, com uma área plantada de 50,81 milhões de hectares. Ele afirmou que a presidenta demonstrou muita satisfação ao receber a notícia.

“Anunciar a maior safra da história é uma alegria para qualquer ministro da Agricultura. Eu tive essa alegria quando comuniquei à presidenta Dilma a maior safra da história brasileira — 165 milhões de toneladas — e isso é o reconhecimento do povo brasileiro à capacidade de produzir da agricultura brasileira”, afirmou o ministro após reunir-se com Dilma.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O tal "julgamento do século" o povo não tá nem aí para esta imprensa udenista.

Aplausos aos que não se deixaram manipular pelo pig. 

Do Blog do Nassif:


Da Carta Maior

Apesar do apelo da mídia, desmobilização marca julgamento


Apesar da imprensa insistir na tese de que este é o maior julgamento da história, o povo parece pouco interessado. 

Na área externa ao STF, nada de manifestações ou protestos. Mesmo dentro da corte, sobressaem os espaços vazios. O público passa, posa para foto e segue. “Essa desmobilização é uma frustração para muita gente que esperava o clamor das ruas pedindo a condenação dos réus”, diz o advogado Márcio Thomaz Bastos.

Brasília - O enredo até parecia favorável à sustentação da tese defendida pela imprensa de que o julgamento da ação penal 470, o chamado “mensalão do PT”, seria o maior da história do país: 38 réus, 5.508 folhas de processos, 600 testemunhas ouvidas, dezenas de perícias, 150 advogados, 500 jornalistas credenciados, expectativas de grandes protestos e mobilizações. 



Mas a realidade do Supremo Tribunal Federal (STF) e seu entorno nesses quatro dias de julgamento revela um cenário bastante adverso. Pelo menos até agora, a desmobilização social é a principal marca.



“Essa desmobilização é uma frustração para muita gente que esperava o clamor das ruas pedindo a condenação dos réus”, ironiza o advogado Márcio Thomaz Bastos, que defende o ex-executivo do Banco Rural, José Roberto Salgado.


 Animado com as sustentações orais já apresentadas pelos colegas, o ex-ministro da Justiça do governo Lula acredita que o ambiente real em que se dá o julgamento, ao contrário do criado pela imprensa, é bastante favorável à defesa. “Ah, está muito tranquilo”, observou, após dar uma longa mirada no vazio que imperava na área externa à corte. 



Os 38 réus, para preservarem suas imagens, não apareceram. Os 150 advogados, por dever de ofício, se revezam durante as sessões. Pelo menos os ministros Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes já foram flagrados dormindo. A ministra Carmen Lúcia se ausentou após o intervalo desta terça.


O público dá uma passada, registra uma foto e segue caminho. Na maioria das vezes, são estudantes de direito ávidos por comprovar tempo de tribunal, que ajuda a contar pontos para o estágio obrigatório. “É uma oportunidade e tanto estar na corte no dia de um julgamento desses.


 O público é que parece pequeno. Mas se eu conseguir o certificado, já valeu o esforço”, afirmou o estudante da Universidade Católica de Tocantins, Ítalo Schelive, que acompanhou o julgamento, nesta terça, com um grupo de 40 colegas.


Eles posaram para fotos, ajudaram a compor as imagens que estarão nos jornais amanhã e, após meia-hora, preferiram seguir o passeio turístico por Brasília. 



Mesmo o número de jornalistas presentes míngua a cada dia. Na segunda (6), a assessoria de comunicação do STF consultou jornalistas não credenciados sobre o interesse de acompanharem o júri no plenário. Menos de um terço dos 75 cadastrados inicialmente poucos ocupavam seus postos na corte.


 Mas a repescagem parece não ter surtido efeito. Mesmo com o reforço, apenas 19 ocupavam seus postos na corte, nesta terça, às 15:40 horas, no auge da sessão. Dos 90 que conseguiram credenciais para ocupar a sala de imprensa, no andar superior, haviam 31. No pátio externo, não mais do que 50, incluindo técnicos e motoristas.

Um único manifestante solitário compareceu à Praça dos Três Poderes, parcialmente isolada com cercas de ferro pela segurança do tribunal. E não era para criticar a corrupção ou o PT, mas sim o próprio Judiciário. “Ainda bem que temos a Eliana Calmon para salvar o Judiciário” e “O STF também está no banco dos réus” diziam as duas faixas que postava. 


Era o dentista Francisco Lima, morador da cidade satélite de Sobradinho, que confessou sua decepção com a desmobilização em torno do tema. “No primeiro dia, havia mais três manifestantes. Hoje, só eu. O que está em julgamento, aqui, é o próprio STF que, por conta da sua inoperância, demorou sete anos para colocar o processo em julgamento. Agora, a população nem se lembra mais o que foi o mensalão”, considerou.




O ambulante Antônio Monteiro, que já contabiliza um prejuízo nas vendas de mais de 50%, desde o início do julgamento e o consequente isolamento da praça, faz uma outra análise, porém com sustentação no mesmo descrédito imputado à corte. “O STF já está desenganado pela população.

Ninguém mais se interessa por seus julgamentos políticos viciados. As pessoas querem é mais escolas e hospitais”, opinou.

O lord keynes onde estiver, morre de rir dos neo liberais do entreguista do FHC e da Miriam urubóloga.

Keynes deve estar assim quando lê  ou ouve os neo liberais do velho babão do FHC, que ficam de quatro para os yupies, dos Chicago Boys do tal consenso de Washington e da Miriam Urubóloga também. 

Até que enfim alguma coisa que presta neste tablóide de extrema direita:

Da Folha

ANTONIO DELFIM NETTO


Um amável leitor honrou-me com uma observação sobre o último "suelto" desta coluna ("Acumulação", "Opinião", 1º/8). Ele não entende a minha "adoração" por Keynes e a minha insistência em "tentar desmoralizar" os enormes progressos feitos na macroeconomia nos últimos 80 anos.


Keynes publicou a sua "Teoria Geral do Emprego, Juros e Moeda" em 1936. O leitor concorda que, na época, ela foi "revolucionária". Hoje, na sua opinião, Keynes não passa de mais um brilhante economista, como muitos outros desde o século 18, como Adam Smith, David Ricardo, Karl Marx, Leon Walras, cujas contribuições foram "metabolizadas" no corpo da teoria econômica moderna.


"Keynes foi um grande economista da segunda metade do século 20. E isso é tudo"!


Trata-se, obviamente, de um provocador. Sabemos que, desde os anos 70 do século passado, a grande ambição de economistas menores (alguns até Prêmio Nobel), apoiados numa formalização matemática enganosa, sem ligação com o mundo econômico vivo, era "desconstruir" Keynes.


A maior prova disso é que, até 2009, os macroeconomistas do "mainstream" não incluíam em seus modelos o "crédito" e as "Bolsas de Valores". 

Por quê? 

A resposta é simples: porque estavam míopes de Keynes e de seus seguidores, como Minsky.


Já em 1936, Keynes introduzira o crédito e a Bolsa no seu modelo. O capítulo 12 do seu livro é um prodígio de antecipação do importante papel dessas duas instituições no processo capitalista e destaca a inerente instabilidade das Bolsas.


O investimento é mais influenciado pelas expectativas de longo prazo nas Bolsas do que pelas dos próprios investidores. Seus pensamentos revelam a sua intuição e o domínio da realidade.


Na Bolsa diz ele, tentamos descobrir "o que a opinião média espera que seja a opinião média", o que pode levar a um imprevisível colapso. E completa: "Quando o desenvolvimento do capital num país transforma-se num subproduto das atividades do cassino, ele não será bem-feito".


Afirma que o investimento é mais produto do "espírito animal" do empresário do que do seu cuidadoso estudo do risco. Aliás, propôs uma tributação sobre as operações bursáteis.


Como pôde Keynes fazer isso? A resposta é que ele mesmo era um grande, discreto e, no final, bem-sucedido especulador em ações e commodities.


Entre 1933 e 1936, ele estava operando furiosamente para si e para o fundo do King's College, da Universidade Cambridge. Keynes não foi um teórico, mas um prático!


Ele conhecia a economia em primeira mão. Não fez "ciência econômica", viveu o sistema econômico! Daí a sua importância que estamos recuperando 80 anos depois.

ANTONIO DELFIM NETTO escreve às quartas-feiras nesta coluna.



Os verdes arejam o derretimento da direita.



No México, os ambientalistas do Partido Verde Ecologista (PVEM), apoiaram o candidato da direita, Henrique Peña Nieto, do PRI. Na Venezuela, o Movimento Ecológico Venezuelano,cujo símbolo é um radiante girassol, entregou-se de corpo e alma à candidatura do engomadinho Henrique Capriles Randonski, com a qual os golpistas de ontem testam sua versão 'moderna e jovem' de hoje.



 Em São Paulo, o PV apoia José Serra, que dispensa apresentações. Em Salvador, os verdes estão fechados com o demo Antonio Carlos Magalhães Neto, de tradição conhecida. 



Alianças e coligações são poções frequentemente indigestas e nem sempre contornáveis na disputa política. Em São Paulo, o PT provou do intragável ao disputar com Serra o minuto e meio do PP no horário eleitoral; o preço da vitória foi cobrado em espécie: a desgastante foto com Maluf custou a Fernando Haddad a perda de Luiza Erundina. 




No lusco-fusco eleitoral uma palavra divide as margens do mesmo rio: hegemonia. O PT é criticado pelo padrão catch-all com o qual pavimentou o caminho ao poder, embarcando em seu comboio tudo o que aparecer pela frente. A pecha de 'partido-ônibus' convive com o reconhecimento unânime de que essa voracidade não alterou uma determinação de exercer a hegemonia do processo. O que se passa com boa parte do ambientalismo --não todo ele- é o avesso disso. 




Ao assumir a função de glacê para tornar digerível uma direita que já não ousa sequer apresentar-se como tal, o ambientalismo distrai a opinião pública servindo de camuflagem a uma lógica destrutiva contra a qual, supostamente, deveria lutar. 




Se 'o verde' carece de seriedade, o mesmo não se pode dizer da urgência ambiental. 





O meio-oeste dos EUA vive a sua pior seca em meio século. O corn-belt, de onde sai a metade do milho comercializado no planeta, avalia perdas de safra da ordem de 20 a 35 milhões de toneladas este ano. Secas da Sibéria à Índia contrastam com a virulência das inundações recentes no Japão, Coréia, China e Filipinas.



 É temporada de tufões e ciclones, justificam os céticos do aquecimento. A frequência dos eventos extremos, porém, não sanciona a complacência engajada na defesa dos interesses emissores dos países ricos. 



Picos de calor que costumavam ocorrer uma vez a cada 20 anos, ganharam padrão anual e bianual, informa a Nasa. No final de junho, Atlanta, nos EUA, registrou a maior temperatura de sua história: 41 graus Celsius. Washington foi açoitada por ondas de calor, as mais elevadas dos últimos 135 anos. No centro e no sul da Espanha os termômetros atingiram cerca de 40 graus, provocando os maiores incêndios em duas décadas nos bosques do país. 





Forças e interesses aglutinados em torno de candidaturas como as de Capriles, Pena Nieto ou Serra são parte do problema ambiental que sacode e estreita o horizonte humano. Ao aliar-se a elas o ambientalismo não apenas se desqualifica, como corrói a credibilidade de uma agenda de pertinência histórica e urgência crucial.



Em muitos casos, a manipulação do celofane verde não é sequer dissimulada. Antonio Carlos Magalhães Neto, candidato demo à prefeitura de Salvador, não hesita ao responder por que escolheu a educadora Célia Sacramento do PV, como vice: 'Arejar a chapa; faço questão de dizer que se trata de uma candidatura pluripartidária', escancara.Mais reservado, um membro de sua equipe confidenciou ao jornal Valor, desta 3ª feira, que o partido de ACM Neto, o DEMO, ficará totalmente "out" da campanha. "Se não fizermos isso, estamos mortos", admitiu
.

Saul Leblon